19 agosto 2013


        Desde a antiguidade, a sociedade sempre foi relacionada por hierarquia. Diariamente, esse tratamento torna-se mais estereotipado e agravado diante das farturas e bens pessoais que a nata social vem adquirindo. Daí se vê os indigentes e a pobreza que contradiz esta situação. O referido contraste nos leva ao dilema de como um mendigo, aquele que não possui um teto próprio, é incrivelmente tido como cidadão.

        É comum estar dentro do ônibus e deparar-se com um “mendigo” vendendo algum produto. Vê-lo pedir, implorar por uma mísera moeda aos mais sucedidos que ali se encontram. Ou observar que, enquanto o trânsito está parado, outros limpam carros em exatos 2 minutos por R$ 2,00 reais como pagamento. Muitas vezes, esse tipo de trabalho informal é praticado por crianças, adolescentes, numa faixa etária de 9 a 17 anos.

        De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio, o desemprego brasileiro atingiu 5,8% neste ano, repetindo a taxa registrada em abril. Ou seja, grande parcela da população ainda sofre com o desemprego, no que resulta o ato da mendicância para milhares de pessoas, que nem se importam por estarem desempregados e nem buscam melhoria de vida.

       Na maioria das vezes, esses autônomos esquecem que possuem um papel extremamente importante na sociedade e por isso são tratados como indigentes, deixando que a elite social os desprezem, classificando-os como não cidadãos. Caso equivocado por parte dos sucedidos.

       Mendigar uma prata torna-se estupidamente ridículo quando não é a nossa situação. A sociedade, em si, precisa se unir e deixar de lado o ciclo vicioso de culpar o governo por vários contrastes sociais. Contudo, a empatia é tida como ferramenta de grande porte na construção de igualdade social. No mais, ao unir suas forças em prol da valorização do indivíduo, a sociedade traz respeitabilidade para estas pessoas, onde seria o fim do trabalho informal e os tais autônomos quebrariam o tabu da antiguidade que, hierarquicamente, são medíocres e pertencentes da mais baixa classe social que exista no mundo.                                               

                                                                                                                Aluno: Bruno Araújo
Professor: Diogo Didier
 
Professores não possuem super poderes, não voam, não se tele transportam, nem tão pouco andam em naves espaciais. Mas, os professores usam os poucos poderes que têm para salvar vidas, mesmo que isso lhes custe a própria existência.
Professores não são bruxos nem feiticeiros. Não fazem mágica, nem voam em vassouras. Mas, todos os dias fazem feitiços em sala de aula, tirando da cartola o saber necessário para o nosso aprendizado. Mostrando, assim, a verdadeira magia do conhecimento.
Professores não são atletas. Não concorrem a grandes eventos esportivos, nem ganham medalhas olímpicas. Mas, os professores correm muito para levar o melhor conteúdo possível para seus alunos em sala de aula, e nem sempre são reconhecidos por isso.
Professores não desejam estar no pódio. Não buscam ser sempre os grandes vencedores. Para eles, o destaque deve ser dado aos alunos, pois eles representam todo o esforço desse profissional. O 1°, 2° e 3° lugar são para eles, e os professores se sentem felizes com isso.
Professores não são celeridades. Não ganham notoriedade pública, mesmo exercendo a profissão mais importante do planeta. Eles não precisam ser estrelas midiáticas para ter luz própria. Seu verdadeiro brilho reluz nos olhos dos seus aprendizes, quando estes assimilam algo novo a cada aula.
Professores não ganham bem pelo que fazem. Diferente de outras profissões, eles continuam a fazer muito e a receber pouco. Mesmo assim, a maioria não deseja cifra milionárias de dinheiro. Querem apenas o valor justo pelo o que fazem e um pouco de reconhecimento por isso.
Professores não são despreparados. Eles acordam cedo, dormem tarde, comem mal, mas sempre mantém a energia necessária para abrir um sorriso de satisfação para seu o alunado. Despreparada é a sociedade que ainda não reconhece o esforço desses profissionais.
Professores não trabalham pouco. De segunda a segunda eles se dedicam a profissão. Para eles não há feriado ou final de semana. Todo dia é dia de apreender algo novo e repassar esse aprendizado adiante. É o único trabalhador que vai viver eternamente para a sua carreira.
Professores não fazem milagres, mas podem, ou deveriam ser chamados de santos. Trabalhar em péssimas condições de estrutura, ganhar pouco, e ainda fazer a educação progredir, sem o apoio governamental, é verdadeiramente um milagre divino. Algo digno de beatificação.
Professores não são meros reprodutores do conhecimento. Eles são os facilitadores do saber. Através da sua experiência e infindável doação, os professores repassam tudo o que sabem para seus alunos, ampliando suas mentes, construindo novos mundos e proporcionando um futuro melhor para estes indivíduos.
Professores não são apenas professores. São amigos, companheiros. Estão juntos dos seus aprendizes, orientando-os para a vida. Nessa relação, quebram muitas vezes a barreira do ensino e se aproximam do alunado. Dão e recebem confiança. Se tornam parte da vida deles, compartilhando, assim, alegrias e tristezas mútuas.
Professores não são pais e mães dos alunos. Mas, na ausência familiar, são os professores que assumem esse papel. Mesmo não gerando tais rebentos, podem ser considerados como responsáveis por eles, como se, de fato, os tivessem gerados. Eles dão atenção, carinho, amor, e uma série de outros sentimentos que muitas vezes são escassos na vida de seus alunos.
Professores são conselheiros, confidentes. Nos concedem o ombro nos momentos mais difíceis da vida. Estão sempre dispostos a ouvir nossos problemas e nos orientar quando precisamos de consolo. Sabem guardar  nossos segredos e  nos ajudam a encontrar maneiras de solucioná-los.
Professores dão bronca, chamam nossa atenção, pois estão preocupados com o nosso futuro. Quando estamos dispersos, é o professor que nos mostra o caminho de volta. Mas, nem sempre percebemos as boas intenções desse profissional.  
Professores tem o dom da palavra. Da sua boca, escutamos coisas como “vá em frente”, “você é capaz”, “o mundo é seu”, entre tantas frases que nos impulsionam a seguir adiante e a mudar nossa própria realidade.
Professores são professores, médicos, pintores, engenheiros, carpinteiros, advogados, porteiros, policiais, trabalhadores, enfim. Eles são a luz nesse mundo onde as trevas semeiam a ignorância. Por tudo isso, os professores são nossos verdadeiros heróis. Grandes guerreiros que lutam para vencer a guerra contra a falta de conhecimento com a única arma capaz de vencer esse problema: a educação.
 
          Tempo e homem, dois ingredientes essenciais da receita da natureza. O primeiro possui características rápidas e imponderáveis, faz refém o individuo contemporâneo. Entretanto, alguns se atrelam ao sentimento ilusório de ser livre deste, quando na veracidade dos fatos desde outrora mal sabe o que significa essa independência. Assim, “ o tambor de todos os ritmos” como diz Caetano Veloso, sobrepuja toda uma era.
          Desde sempre, o homem procura para si um melhor aprimoramento das coisas, tendo como base o tic-tac do relógio. O mundo moderno trouxe para nós um ritmado no qual vivemos de modo que por mais rápido façamos nossas obrigações, o tempo nunca é suficiente. Com a pressa do dia a dia incorre a perda de valores como a família e amizades. A busca pela realização pessoal profissional exige do homem o não aproveitamento do presente, e são criadas expectativas de um futuro incerto.
        O medo de envelhecer e a vontade de mudar o passado também exprime a avidez humana de controlar o tempo. O individuo hodiernamente, procura maneiras de manter-se sempre jovem, o que se torna difícil com o desgaste diário. Abusando de produtos estéticos, padrões impostos pela sociedade que caracteriza velhice como sinônimo de inutilidade.
        Todavia, vale salientar como o homem soube tirar proveito da sucessão dos anos; criou, reinventou, aperfeiçoou. É criador de excelente tecnologia e descobridor de inúmeras leis que regem o universo. Construiu riquezas inimagináveis, aprimorou seus conhecimentos e valores de toda uma sociedade, transformou a natureza em cultura.
         As substâncias indispensáveis da natureza andam lado a lado. Por vezes, o homem tenta sobressair do tempo. Contudo, o que nos cabe é aprender a aproveitar cada segundo que nos é oferecido. E tomar a máxima “entro num acordo contigo, tempo” como exemplo a ser seguido.
Aluna: Mirela Morgana
Professor: Diogo Didier
 
 
– “o aborto não deveria estar no Código Penal… se os homens engravidassem, isto já estaria resolvido há muito tempo”
Ciência Hoje - Durante a Reunião Anual da SBPC, médico da Universidade de São Paulo defende direito da mulher de interromper a gravidez e afirma que aborto é decisão pessoal e não precisa da concordância impossível de toda a sociedade.
 
Por: Marcelo Garcia
 
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Mesmo com legislação que pune aborto com prisão, mais de um milhão desses procedimentos são realizados por ano no Brasil. Para médico da USP, a questão não deveria sequer constar no Código Penal. (foto: Flickr/ Thum – CC BY-NC-ND 2.0)
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O aborto não é uma questão de consenso, plebiscito ou consulta pública. Como uma decisão autônoma e individual da mulher, todas as opiniões devem ser respeitadas. Foi essa a posição apresentada pelo médico Thomaz Rafael Gollop, da Universidade de São Paulo (USP), em conferência na 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com ampla experiência no estudo do tema, ele defendeu o direito da mulher de decidir sobre seu próprio corpo, destacou o que chamou de ‘aberração’ das leis brasileiras sobre a questão e ressaltou a importância da proteção ao caráter democrático e laico do Estado brasileiro.
 
Nosso Código Penal prevê pena de um a três anos para mulheres que façam aborto ilegal. No entanto, isso não impede que cerca de um milhão de procedimentos desse tipo sejam realizados por ano no país. “A lei não impede o aborto, na verdade ela só coloca em risco a saúde da mulher”, avaliou Gollop. “Recentemente, num caso aqui no Nordeste, um médico algemou na cama uma mulher que chegou ao hospital com complicações após um aborto; será que enfiar mulheres na penitenciária vai resolver alguma coisa?”
 
Dizer que o SUS não poderia arcar com o procedimento caso fosse descriminalizado não funciona, uma vez que são realizadas 250 mil internações para curetagem por ano, quase todas decorrentes de abortos malfeitos, um custo de 30 milhões de reais
 
A ineficácia da lei fica mais evidente quando se analisa a quantidade de vidas de mulheres que tira, segundo o médico. “Na América Latina, 20% das mortes maternas são decorrentes de aborto inseguro; no Brasil, essa é a quinta causa de morte entre mulheres e em Salvador, onde as clínicas clandestinas são de arrepiar, é a primeira”, ressaltou. “É claro que quem sofre mais com isso é a população negra, de baixa renda e baixo nível educacional; as ricas vão para clínicas sofisticadas.”
 
Do ponto de vista econômico, os abortos clandestinos representam grande custo para o próprio Sistema Único de Saúde (SUS) – e também por isso Gollop defendeu que o tema seja tratado como questão de saúde pública e que as mulheres sejam atendidas no próprio sistema. “O argumento de que o SUS não poderia arcar com o procedimento caso fosse descriminalizado não funciona, uma vez que são realizadas 250 mil internações para curetagem todos os anos – a segunda cirurgia mais frequente do sistema –, quase todas decorrentes de abortos clandestinos malfeitos, o que significa um custo de 30 milhões de reais”, afirmou.
 
Gollop lembrou que, mesmo nos casos em que a legislação brasileira permite o aborto – risco de vida da mãe, gravidez resultante de violência sexual e fetos anencéfalos –, a situação é bem complicada para a mulher. “Em São Paulo, só existe um hospital que de fato acolhe as mulheres nessa condição; outros centros as atendem e despacham – o que é bem diferente, pois o processo é muito delicado”, avaliou.
 
Hoje existe uma proposta de reforma no Código Penal tramitando no Congresso. Pela nova lei, o aborto continuaria sendo crime, mas com uma pena menor (até dois anos de reclusão) e com mais exceções em que poderia ser admitido: se a gravidez fosse resultado do uso técnicas de reprodução assistida sem consentimento, se o feto tiver anomalias graves que inviabilizem a vida fora do útero e, o ponto mais polêmico, por vontade da mãe, até a 12ª semana de gravidez, se um médico ou psicólogo constatar que a mulher não tem condições psicológicas de arcar com a maternidade.

Questão laica

Na raiz de tanta polêmica sobre o aborto no país, segundo o médico, está o uso político do tema e a confusão arraigada sobre o significado de Estado laico. “Em geral, a questão do aborto só ganha destaque no período eleitoral, a imensa maioria fala sem nenhum conhecimento de causa e utiliza o tema como moeda de troca: se precisa de votos evangélicos, então é radicalmente contra”, analisou. “No entanto, a base de um Estado laico é a separação da Igreja, que não deve interferir nos assuntos de Estado, e um respeito a todas as religiões, inclusive aos ateus, que representam cerca de 7% da população”, disparou.
 
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O machismo e a falta de respeito à mulher, tão comuns em nossa sociedade, são apontados por Gollop como uma das questões que fazem do aborto assunto tão polêmico. (foto: Flickr/ xbolotax – CC BY-NC-ND 2.0)
 
A questão da falta de laicidade também aparece na abordagem da Justiça e até da medicina sobre o aborto. “Muitos juízes não autorizam o aborto por serem muito católicos e escrevem isso na sentença, o que é uma afronta ao Estado laico”, argumentou. “No serviço de saúde, médico só pode recorrer à ‘objeção de consciência’, ou seja, se recusar a fazer determinado procedimento por razões pessoais, se houver outro habilitado a realizá-lo, mas não é isso o que ocorre.” Um dado curioso trazido por Gollop: pesquisa recente da Organização Pan-americana da Saúde mostrou que 5 milhões de mulheres brasileiras entre 18 e 40 anos já abortaram – 40% delas têm apenas o ensino fundamental, 15% são católicas e 13%, evangélicas.
 
“A mulher deve ter sua autonomia reprodutiva, dignidade humana e direitos reprodutivos e sexuais respeitados, ser bem atendida na gravidez e no abortamento”
 
A discussão também é, na visão do médico, um mostra do machismo entranhado em nossa sociedade. Sem deixar de reconhecer o direto potencial da criança, ele destacou que há décadas se discutem os direitos fundamentais da mulher, de quem o filho em gestação é totalmente dependente. “O estatuto do nascituro, por exemplo, é absurdo: dá bolsa à mulher estuprada para criar o filho e ainda permite ao pai estuprador visitar a criança”, avaliou.
 
Para Gollop, não cabe ao direito, à medicina ou ao Estado julgar a decisão da mulher sobre o aborto. “Engravidar pode acontecer por muitas razões; a mulher deve ter sua autonomia reprodutiva, dignidade humana e direitos reprodutivos e sexuais respeitados, ser bem atendida na gravidez e no abortamento”, completou o médico, que, ao fim de sua conferência, foi ovacionado de forma quase unânime pela plateia, formada em grande parte por mulheres.

Debate em andamento

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina defendeu oficialmente a possibilidade de escolha da mulher de continuar ou não a gestação até 12 semanas. “Foi um enorme passo nessa frente, mas que levou a duras críticas de setores conservadores”, analisou. “Porém, diante de opositores muito organizados e com muito lobby, ainda é preciso muito mais mobilização das instituições que atuam nessa área, para levar uma discussão embasada para a sociedade civil.”
 
Nesse cenário político complicado, o médico também chamou a atenção para a chamada CPI do aborto. “Trata-se de uma manobra da bancada evangélica na Câmara Federal para intimidar os grupos que trabalham com o tema, fazendo acusações absurdas sobre o envolvimento de entidades internacionais no financiamento de abortos no Brasil e sobre interesses escusos na legalização”, argumentou. “Queremos derrubar a CPI não por medo de ‘Marcos Felicianos’ da vida, mas pela baixaria que será; queremos discutir o tema com educação e inteligência, para informar a população.”

Veja uma síntese da opinião do médico Thomaz Rafael Gollop


Visto no: Saúde Global
 
          Ao abordarmos o tema saúde no Brasil, estamos falando em carência, e essa, está ligada não só a má infraestrutura oferecida aos hospitais públicos, mas também, na falta de médicos, sobretudo nas periferias das grandes cidades. Tamanha ausência, dessa classe trabalhadora, tem acarretado uma necessidade de se contratar médicos estrangeiros; afim de sanar as dificuldades da população e ajudar a salvar vidas.
          Falta de segurança e de equipamentos, pouca valorização e má remuneração aos profissionais da medicina são fatores responsáveis pela desassistência destes, a população das periferias. Das quais, aliados a hospitais cada vez mais virtuais, utilizam-se de equipamentos cenográficos, apenas, para fazer figurações em espetaculares inaugurações. Assim, como resposta das’’N’’ precariedades, tem-se aumentado mais e mais o número de plantões a jato e de médicos chamados fantasmas.
       Com a iniciativa de minimizar essas questões, o governo resolveu criar o programa Mais Médicos, partindo da ideia de contratar médicos estrangeiros para atender as áreas desassistidas. No entanto, é importante lembrar que contratar doutores de fora pode não ser a solução para esses problemas. Quando a questão a se tratar é a falta de investimentos.
      Segundo uma pesquisa feita pela Universidade de Campinas (UNICAMP), a saúde pública no país está doente, e o diagnóstico pode ser ainda pior. Dados mostram que para cada 1000 habitantes no Brasil, há menos de 2 médicos disponíveis. No norte e nordeste, esse número é ainda mais preocupante, menos de 1 médico para cada 1000 pessoas.
      Portanto, percebe-se que é preciso investir mais na saúde do Brasil, para, não apenas uma melhor assistência à população, mas também para que os médicos possam atender com qualidade, sobretudo, os hospitais públicos. Porque o problema não se resume apenas no local de origem dos médicos, seja de onde tenham vindo, mas sim, quem está disposto a trabalhar sob o prazo de salvar vidas, independente de sua localidade.
 Aluno: Paulo Ricardo Mendes da Silva
Professor: Diogo Didier

Visto no Moda para Homens 

Muito se discute atualmente a androginia na moda. Para os desavisados, androginia nada tem a ver com sexualidade: é a mistura de características masculinas e femininas em uma pessoa ou a ausência delas, de forma que você não consegue identificar realmente. Na psicologia, a androginia é considerada um transtorno de gênero, em que o indivíduo não se identifica como sendo homem ou mulher, e isso é mais comum do que você e pensa. Mas na moda, a história é um pouco outra. A que ficou conhecida como a grande mãe da androginia foi Coco Chanel, conhecida por tirar os espartilhos das mulheres (há outras versões da história) e vesti-las com trajes até então considerados masculinos. Há quem diga que Chanel foi visionária e há quem diga que ela apenas queria se sentir incluída em um universo que não era aceita. O filme Coco Antes de Chanel conta bem essa história. Yves Saint Laurent, um dos estilistas mais importantes da história, responsável por criar o smoking feminino (ou Le Smoking), também foi considerado um estilista que carregava a androginia em suas criações. Para as mulheres, a androginia está muito mais presente e teve grandes marcos como a inserção do uso de peças como a camisa de botões, polo, sapatos, calça, etc. São peças que, antes, eram usadas apenas pelos homens.
O modelo andrógino Andrej Pejic, um dos que mais esteve na mídia em 2012.
Ora posando como homem, ora como mulher. Às vezes como ambos

Não é de se espantar, porém, que essa história ia virar de ponta a cabeça com a mudança no vestuário do homem moderno. A moda está cada vez ficando mais unissex e, de alguma forma, andrógina para o ponto de vista masculino. Alguém se lembra da tribo “emos” (emotional hardcore)? Eles eram andróginos e, admita ou não, muitas características nós adotamos para o nosso vestir do dia-a-dia. Isso possibilitou a democratização do uso de acessórios, por exemplo. Hoje, homens e mulheres dividem, às vezes, os mesmos acessórios. Mais recente um pouco, também exemplificamos bem essa afirmação com a recém peça “fashionista” que alguns aderiram: as leggings masculinas (ou meggings, se preferir). Quem já pensou que ela ia ser usada pelos homens? Que você não usa, a  gente sabe, mas isso não anula o fato de que vários homens do mundo todo estão, aos poucos, aderindo a essa moda.

 
Em janeiro aconteceu a semana de moda masculina de Londres, e nos chamou a atenção uma coleção nada comum que era realmente de peças femininas adaptadas ao corpo masculino. É isso mesmo: O estilista  J.W Anderson não criou peças unissex, ele criou peças femininas para homens. A gente entende que o apresentado na passarela não é o que usamos na rua (e a intenção não é essa). A coleção está lá para mostrar o conceito de  uma tendência, às vezes, comportamental. E o caso foi exatamente esse. coleção é um alerta e traduz o que a moda está se tornando hoje: democrática, prática, livre, unissex. E, por mais as imagens abaixo sejam de se espantar, fique tranquilo: dificilmente as pessoas usarão essas roupas na rua. A reflexão que fica é se estamos mesmo num caminho de igualdade e liberdade (homens e mulheres cada vez mais iguais, com cargos iguais, preocupações e, consequentemente, aparência iguais) ou se, no lugar da liberdade de escolha, estamos cada vez mais esquecendo das atribuições de cada um, e essa coleção só mostra o quão distorcida nossa moda e sociedade está: o homem querendo ser a mulher e a mulher querendo ser o homem. Pode parecer uma ideia antiquada e até machista, mas muita gente ainda pensa assim. Uma coisa não podemos negar: a androginia ajudou muitas mulheres a assumirem os cargos que ocupam hoje e terem seu lugar na sociedade. E que mudanças poderá fazer no homem?
 
E você, de que lado está?

12 agosto 2013

 
Mesmo sabendo que a sociedade muda constantemente, às vezes, porém, acreditamos que certas coisas demoram um pouco mais para serem modificadas. E esse pensamento também era alimentado por mim, no que se refere a alguns temas, geralmente os polêmicos. Entretanto, numa curta viajem de ônibus, feita há pouco, percebi que tal premissa não é totalmente verdadeira. Na ocasião, vi pela janela duas garotas, de aproximadamente 6 e 7 anos de idade, vestidas, maquiadas e requebrando o esqueleto como duas mulheres adultas, ao som de um dos muitos funks que estão na mídia atualmente. De cara, lembrei direto da minha infância e senti uma saudade danada. Senti saudades da época em que Xuxa fazia sucesso, com suas brincadeiras e músicas lúdicas e, ao mesmo tempo, senti pena das duas garotas. Elas, bem como outras crianças da mesma faixa de idade, não tiveram e talvez não tenham a oportunidade de serem crianças de verdade, mas sim protótipos adultos, inconscientes dos riscos que correm.
Quem não sente saudade da infância? Poucos são aqueles que irão dizer que não, pois a maioria de nós nutre uma imensa nostalgia dessa linda época de nossas vidas. De fato, é inegável não desejar isso, pois a vida de adulto, com seus problemas e responsabilidades, não é nada atraente. Mesmo assim, não sei se a geração de hoje manterá esse sentimento nostálgico quando chegar à maturidade. Falo isso porque a atmosfera infantil mudou de forma drástica ao ponto de, precocemente, antecipar a maioridade de crianças e adolescentes. Enquanto isso, no passado, este não muito distante, nossos infantes brincavam e cantavam as coisas mais simples da sua faixa etária. Agora, porém, eles são seduzidos por uma infinidade de brincadeiras, jogos e músicas que, muitas vezes, não respeitam a pouca idade desses indivíduos. O resultado dessa maturação antecipada já é sentido de várias formas, sobretudo na formação humana desses futuros cidadãos.
É nesse momento que a lembrança dos programas infantis do passado ganha força. Balão Mágico, Castelo Ratimbum, Sítio do Pica Pau Amarelo, Xou da Xuxa, Vovó Mafalda, dentre outros, exerciam uma tremenda influência positiva na educação pueril. As canções tinham como foco o aprendizado de coisas uteis as crianças. Conhecer as primeiras letras e os números estava dentro desse repertório. Os quadros apresentados em cada programa mantinham também essa mesma linha. Por outro lado, as músicas não se resumiam apenas a questões didáticas. A fantasia, a magia, o imaginário eram cantarolados por lindas letras que até hoje são lembradas com saudosismo por muitos adultos. “Atirei o pau no gato”, “uni-duni-tê”, “lua de cristal” são bons exemplos de canções desse tipo. Hoje não se vê mais esse trabalho lúdico, porque os menores são facilmente atraídos pelos ritmos do momento, que nem sempre contém um vocabulário apropriado para a idade deles.
E os programas da atualidade, que tentam manter uma tradição infantil, lutam contra essas transformações sociais para levar o melhor para os pequeninos do outro lado. Mesmo assim, são infestados de desenhos animados, na maioria violentos, para tentar manter a audiência desejada. Sem contar que o horário da programação é demasiadamente reduzido para dar espaço a programas de auditório, de culinária, de qualquer coisa, menos de algo voltado para criança. Este descaso se dá porque a inocência de outrora, se não morreu, está prestes a falecer. Não só porque faltam investimentos das mídias televisivas nesse sentido, mas porque há uma carência de pessoas desejosas a trabalhar exclusivamente com esses pequenos seres. Entre os poucos que ainda permanecem incansáveis, Xuxa é um bom exemplo.
É bom estar com você, brincar com você. Deixar correr solto o que a gente quiser [...]”. Essa frase da música Doce Mel, a qual embalava a chegada de Xuxa todas as manhãs descendo de sua luminosa nave espacial, com certeza marcou a infância de muita gente. Ela que, sem dúvidas, foi e ainda é a maior referência quando o assunto em voga destina-se a temática infantil. Mesmo com as polêmicas nutridas ao longo da carreira, é indiscutível não pontuar o legado da menina alta, loira, magra, de olhos extremamente azuis e com voz de criança, que encantou a todos em meados dos anos 80 e 90. Como uma verdadeira aparição, Xuxa hipnotizava indivíduos de faixas etárias diversas, principalmente as crianças. De sua geração, ela também serviu de modelo para outras apresentadoras como Angélica e Eliana, ambas com trabalhos semelhantes ao da Rainha dos Baixinhos. Acontece que enquanto as outras sucumbiram a outros tipos de programas, Xuxa continua ligada ao seu passado infanto-juvenil. O incessante trabalho Xuxa Só Para Baixinhos, já está na 12° edição com imenso sucesso. E isso acontece porque muitos adultos, preocupados com o que seus filhos andam brincando e ouvindo, optam por um material mais lúdico, do qual a fase da criança, com sua inegável incipiência, seja respeitada.
Tá na hora, tá na hora. Tá na hora de brincar [...]”. Cantava a apresentadora aos seus inúmeros fãs. Ao ouvir tal letra, de fato, dá uma vontade de voltar a ser criança e se deixar levar pelo universo dela. Pular corda, ou amarelinha, soltar pipa, correr, brincar de pique-esconde, de casinha, estas eram as brincadeiras mais marcantes desse período. É evidente que tais atividades não desapareceram da atmosfera infantil. Há muitos que brincam dessa forma, porém, devido a diversas mudanças tecnológicas, essas elas foram paulatinamente substituídas. Agora a internet, com a suas redes sociais e uma infinidade de outras coisas, tolhe o direito da criança de ser ela mesma, hipnotizando esses pequeninos cada vez mais cedo. Percebemos isso com a febre dos vídeos games tanto online quanto offline. Também com as salas de bate papo, onde crianças, sem o devido acompanhamento de um adulto, são levadas a uma sexualidade precoce, muitas vezes ocasionando traumas futuros. Sem contar que o computador substituiu a rua e com ela as atividades lúdicas mais saudáveis para essa fase da vida. O reflexo disso é sentido em jovens frustrados emocionalmente, estressados, rebeldes e muitas vezes sedentários.
Enquanto a sociedade fica inerte a tudo isso, muitos meninos e meninas são maturados precocemente e não enxergamos os perigos disso. De um lado, meninas de salto alto, maquiagem pesada e roupas extremamente extravagantes. Do outro, meninos cada vez mais rebeldes, violentos e muitas vezes indisciplinados. Tudo isso porque não viveram plenamente a infância como crianças, mas como mini projetos de adultos, testados de forma errônea e preparados da mesma maneira. Por essa razão, sinto falta de Xuxa, ou de outra Xuxa, e desejaria que as crianças de hoje tivessem a oportunidade que eu tive, bem como outros da minha geração tiveram, de serem crianças. Talvez assim, os males da juventude e da maioridade, que insistem em manchar de vermelho as páginas dos jornais, ganhasse outra tonalidade. Porém, para que isso ocorra, pais, educadores, apresentadores e a sociedade em geral devem trabalhar juntos em prol desse grupo. A infância é muito rápida, então, é bom ser moleque enquanto puder.

 

            Arranha-céus, sinfonias perturbadoras das buzinas e afluxo de pessoas no vai e vem das cidades. É mais um dia nas vias urbanas, recrutando trabalhadores e cidadãos para seu centro. Em contrapartida, aos derredores destas, se encontram as favelas, onde as pessoas são marginalizadas e excluídas socialmente. Vivendo à sombra do gradativo crescimento urbano.

            Os processos de urbanização e favelização sempre caminharam lado a lado. Aqui no Brasil, temos a exemplo a vinda da Família Real que embelezou e criaram pontes, ruas asfaltadas, mansões, ou seja, o país brasileiro estava sendo moldado à portuguesa. Entretanto, par acomodação e para os planos da Corte, muitos moradores tiveram que deixar suas casas obrigados e indo morar  em morros e guetos.

            Contudo, o que era para ficar em um passado enegrecido se reflete em nosso cotidiano. Hoje, com o crescimento massivo de grandes indústrias e construções, falta espaço para pessoas que não conseguem acompanhar financeiramente esta evolução, tendo que, por necessidade, migrar para locais que constituem à margem da paisagem urbana. Afinal, como bem afirma o sociólogo Roberto Alberguine: “os periféricos só conseguem enxergar um horizonte de concreto e aço”, ou seja, a periferia ainda vive desolada no limbo ao qual foi esquecida.

            Vale pontuar que a urbanização, de forma ponderada, tem efeito benéfico, proporcionando assim o desenvolvimento comercial e financeiro das regiões metropolitanas. Porém, quando o crescimento é desenfreado, os conjuntos habitacionais periféricos se entopem de pessoas em detrimento de tal expansão.

       A mescla formada pelos arranha-céus luxuosos e pelas casas degradadas das favelas ainda se entrelaça em nosso dia a dia. O que se deve haver é um planejamento de construção para melhor atender às necessidades de muitos. Bem como, legitimação igualitária dos direitos para periféricos e urbanos. Afinal, periferia e cidade se completam.

Aluno: Cléston Francisco
Prof°. Diogo Didier



Eu nunca fora antes à boca de cena. Era o segundo bis. Fomos para lhe estender as mãos como quem pega de Ariadne o fio. Fomos para sentir o perfume do vento.

Eu começo do fim para adiantar que o instrumento da voz nos alcançou. “Canções e Momentos”, mais que prólogo e epílogo, é presságio. “Sangrando” também o é (quando eu soltar a minha voz, por favor entenda: é apenas o meu jeito de viver o que é amar). As metacanções não falam só de arte, mas principalmente da vida de quem se lança nesta aventura aqui – ai de quem não te canta, oh vida. E temos a chave para a decifração de mais um espetáculo emblemático de Maria Bethânia. Neste, a força está nas palavras tão bem amarradas no roteiro assinado em parceria com Fauzi Arap.

“Salmo”, essa quase oração que a intérprete já trouxera à memória do Brasil no disco Oásis..., retorna. É uma canção que quase não está no espetáculo, mas como está! Seus dois excertos, mencionados ao começo e ao final, são pontas do fio narrativo do show e, mais, amarram arte e vida, ou, se preferirmos, a realidade da intérprete à ficção de suas personagens. Afinal, dizer “Não quero ter calmaria / Eu quero ser tempestade / Eu quero ser ventania” é anunciar o jorro das cartas ao vento que serão lançadas na sequência e reiterar a essência eólica da Iansã que se confessa inteira no palco: “o meu olhar tem a força do raio / que vem de dentro do meu coração”. É Maria Bethânia, mas não é.

Começa o delicioso jogo das personas que a cantoratriz exibe em cada show. É ela (e não é) quem traz de volta um dos textos mais intensos de sua carreira. Como é forte vê-la materializar os olhos de ironias e cansaços que nunca vão por caminhos já traçados. A ayabá redemoinha aos ventos, levanta a sua loucura como um facho que arde. Grita “não enche”. E vai incendiar a fogueira da personagem que sofre pelo amor perdido. Não é fortuito dramaturgicamente que ela (já falo da personagem) confesse a quem lhe feriu: “mais breve que o tempo passa, vem num galope o meu perdão”. Mas a ventania não cessa, faz barulhos para acordar orgulhos (geme, como geme o arvoredo). Transforma-se em leve brisa descendo os penhascos das colinas.

A interpretação não mente. Maria Bethânia transforma-se em outras, ocupa porções diversas do palco, marcações diametralmente opostas na arena, como quem envia com mãos expressivas cartas de amor, dela para si mesma, cindida entre o parceiro que se lanha no sofrimento e o outro que se deleita com o sofrer. Tudo está minuciosamente organizado.

O espetáculo é pancada: altos e baixos sem perdão. E essa estrutura justifica um roteiro que se faz como um gráfico sinuoso: ora percussões efusivas, ora pianos chorosos; ora o grito, ora o sussurro; ora a vingança, ora a confissão apaixonada. Um roteiro que escancara o ser camaleônico de uma artista que pode ser todas que quiser: a metamorfose é instantânea, como ocorre às grandes damas do teatro. Trata-se de um diálogo epistolar. São cartas, meus caros. De amor. Todas ridículas, tal qual as criaturas que nunca escreveram cartas de amor.  As missivas cruzam o palco, levam mensagens. Nunca trazem o recado esperado.

As personagens que as enviam são identificáveis por sutis signos cênicos ou pelo próprio texto cancional. São dois que sentem de forma diversa o amor. Um vacilante, que repousa e não ousa viver, entre o medo e a ansiedade. O outro, o que se atira na loucura, no fogo da fantasia. É ele que canta a “Fera Ferida” irônica, leve como sua essência de vendaval constante que despetala flores que existiram, mas que não resistiram. É este que sai incólume e é conduzido para o segundo ato à medida em que seus fantasmas são levados para longe.  De que serve voltar, se a casa está vazia?

E o primeiro ato, todo introspectivo, ganha o mundo na segunda parte do show. Se antes as lâmpadas de Bia Lessa guardam interiores, transformam-se agora na amplitude do céu. Começa uma viagem – para o Nordeste da pisada do maracatu, para as raízes dos fevereiros de Santo Amaro e (por que não?) para um passado romântico de encantos e luas brancas. A personagem amadurece nostálgica, relembra o seu pedacinho de terra. A vida, chega um tempo, é só lembranças. E o coração amansa em busca de outros corações crescidos. Hora de encontrar alguém para viver em estado de poesia. A canção de Chico César é toda metáfora. Reconcilia a dimensão geográfica do viajante que parte rumo ao sertão profundo com a dimensão sentimental do indivíduo que deixa a vida de ciganias para embrenhar-se nos sertões de um amor (nunca esquecer que o sertão é dentro da gente).

Ela faz do seu próprio itinerário um lar. Na maturidade, outras moradas são possíveis e passamos a entender que nossa casa é onde a gente está. Seja na Marambaia, seja no Recôncavo, seja em Fès. O teto estrelado também tem luar e estrelas cadentes.

Após todos os périplos, Bethânia chega à terra-natal. Ela aconchega-se no próprio peito (pulsante como o samba de roda). A reverência com a mão direita sobre o coração na menção a Dona Canô não é uma homenagem isolada. Todos os versos deste trecho parecem ser uma celebração saudosa do amor, da festa e da devoção da Eterna Matriarca. A costura de sambas é das maiores pérolas de seus últimos roteiros. A intérprete usa de matéria-prima popular para fazer alta poesia, alta dramaturgia – não por ser “elevada”, mas por falar alto aos sentimentos mais simples e verdadeiros.

Em tudo a voz de sua mãe: a apoteose guarda o legado dela. Para fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, disso sabem os mais sábios. A menina foi embora, a menina foi embora, foi embora e nos deixou. Mas os pássaros precisam continuar o seu canto e me fazem lembrar uma frase de Cioran na epígrafe de um lindo livro de Lucia Castello Branco: “Em um mundo sem melancolia, os rouxinóis se poriam a arrotar”.

O espetáculo segue para o fim falando de solidão. Cruzam-se as fronteiras da ficção e, num jogo teatral, somos reconduzidos aos momentos iniciais, às antigas histórias de amor de uma personagem que já arranhou toda a garganta atrás de alguma paz. No roteiro, o “Velho Francisco” é central. Faz pensar em tudo que a vida vem e nos leva – de bangalôs a palácios. Mas Bethânia também nos faz lembrar tudo o que a vida nos deixa – o respeito, a reverência, a fortaleza, a fé imensa. Aí a mensagem brota de seu engenho de escritora: ser como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta. A “Carta de Amor” (o texto-canção) é uma ode à integridade do homem e ao mistério do sagrado, um acinte à debilidade moral, pelas mãos de uma mulher madura e sábia.

Uma mulher que é redemoinho. Que liga a ancestralidade da poesia ao futuro da ópera. Que canta a vida - e faz da vida e do canto profissão. O epílogo liga-se ao prólogo como a chamar a atenção para essa matéria sublime e essencial que se mantém intacta ao longo da travessia. Eis o sentimento inexplicável (o mesmo na plateia e na voz) que levamos para o labirinto de existir quando saímos do teatro agarrados ao fio de Ariadne.

 Renato Forin Jr.
Visto no blog: Maria Bethânia Re(verso)
        Desde o surgimento da filosofia clássica até o estopim do humanismo no século XV, a atenção foi voltada exclusivamente para o homem e suas ações. A partir desse momento, a formulação de teorias que interligassem o ser humano a origem da  vida, a influência da natureza e ao tempo foi constante. Entretanto, alguns cientistas chegavam a perde a sanidade mental na tentativa de pressupor como aconteciam essas relações.
      Vários nomes foram destacados, mas, foi o de Charle Darwin e Albert Einstein que evidenciaram-se perante os outros. O primeiro formulou a teoria de origem da vida e o segundo sobre a relatividade do espaço e tempo. Para alguns foi um equivoco, para outros uma grande descoberta. Mesmo com o passar do tempo suas hipóteses não perderam força e ainda são objetos de estudo de físicos, matemáticos e biólogos.
       Neste contexto, a religião serviu de base para muitos, pondo a disposição do surgimento e rumo das coisas nas mãos de uma divindade. Não demorou muito para o homem perceber que é impossível controlar o tempo, mas, tocou-se que pode planejar o que possui, entretanto, nem sempre ocorre como se almeja. O tempo não é um inimigo a ser batido, contudo, serve para propiciar conhecimento e experiência.
     “O tempo passa e o homem não percebe”, segundo o escritor e poeta Dante Alighieri. O homem acaba  por se preocupar de maneira demasiada com situações fúteis e esquece de usufruir outros bens. O tempo deixa algumas marcas, por exemplo: a aparência não permanece a mesma, com isso o ser humano recorre a métodos artificiais, como o de cirurgia plástica. No Brasil, de acordo com meios midiáticos, foram realizadas 900 mil operações em 2012.
     Trabalhar na conscientização das pessoas, que o tempo não é algo obstante, mas sim uma fase por onde todos os indivíduos irão passar é importante. Indagar quais os benefícios que o tempo traz é conveniente, muitas vezes serve para aliviar dores, esquecer pensamentos supérfluos e até reconsiderar momentos onde não se agiu com condescendência.
Aluno: Matheus Henrique
Professor: Diogo Didier