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17 novembro 2016


Por Amanda Mont’Alvão Veloso


“Como tudo que amedronta, o suicídio é evitado pelas pessoas, mas o efeito provocado pelo silêncio é devastador e se prolonga por uma cadeia de sofrimento: ele impede quem pensa em tirar a própria vida de expressar suas angústias; incapacita amigos e familiares de abordar o assunto diretamente; e, por fim, alimenta a dor dos que perdem alguém para o suicídio.”
O trecho acima é extraído do livro Suicídio, o Futuro Interrompido – Guia para Sobreviventes (Geração Editorial, 2008), da jornalista Paula Fontenelle. A publicação é um pungente relato em primeira pessoa: o suicídio do pai dela deu origem a uma desbravadora e dolorosa investigação sobre o ocorrido e sobre o que se passava com o pai.
Em vez de se render à marginalização que envolve o suicídio, Paula não só enfrenta esse assunto, como o faz sem qualquer tipo de sensacionalismo, glamurização ou romantização. Tais aspectos realistas ficam ainda mais evidentes ao se falar de quem fica e dos sentimentos de saudade, dor, tristeza, perplexidade, raiva e impotência que rondam os familiares e amigos.
Não se trata de compartilhar detalhes da vida privada como maneira de despertar compaixão ou expurgar algum tipo de sentimento represado pelo silêncio. O objetivo de exposições como a dela é mostrar a emergência do suicídio em uma sociedade que não tolera o sofrimento e contextualizar as mortes voluntárias com aspectos fora do nosso suposto controle individual, como uma confusão mental, uma dificuldade incontornável de visualizar uma saída, um desespero impulsivo ou mesmo um problema de saúde mental.
O suicídio de uma pessoa amada dá um novo tom às vidas que ficaram: diante dos efeitos da tragédia, é preciso sobreviver. Não à toa, as pessoas deixadas para trás são chamadas de sobreviventes, e cada dia seguinte ao suicídio é uma verdadeira superação.
Como prosseguir diante de uma ausência que se faz presente todo o tempo e define as relações pelos próximos dias, meses e anos? Como ficam as conversas e as tarefas do cotidiano? Como lidar com os julgamentos trazidos por um ato tão obscurecido e estigmatizado por nossa cultura?
As emoções geradas entre os sobreviventes variam. Em alguns casos, sentimento de culpa, “especialmente quando houve uma relação de dependência ou quando o suicídio ocorreu no contexto de uma dinâmica familiar alterada”, afirma ao HuffPost Brasil o psicólogo Marco Antonio Campos, representante do Chile na Associação de Suicidologia para América Latina e Caribe e participante do Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, organizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).
“Além da culpa, há pessoas que experimentam vergonha particularmente em contextos sociais em que o suicídio é condenado ou visto como conduta imprópria. Isso está intimamente ligado às influências religiosas e culturais.” A raiva que se tem do suicida é outro sentimento possível de aparecer durante o processo de luto, acrescenta Campos. “Neste caso, o enlutado muitas vezes experimenta o suicídio da pessoa querida como um ato que lhe gerou danos. ‘Olha o que você fez para mim’ ou ‘Por que fez isso comigo?’, pode dizer o enlutado.”
Culpar outras pessoas é outra forma de lidar com a dor, como uma mãe ou um pai culpar o outro progenitor pelo suicídio de uma criança.
“O luto em si é um processo natural e esperado para se lidar com a morte; porém, o luto por suicídio tem características e temas específicos que precisam ser trabalhados, como os sentimentos de culpa, vergonha e a busca incessante do porquê. Pesquisas demonstram que os efeitos desse luto tendem a ser mais intensos e duradouros”, assinala o site do documentário Elena, realizado pela cineasta brasileira Petra Costa para entender o suicídio da irmã, que dá nome ao filme.
Quando os sobreviventes possuem algum problema de saúde mental, é comum observar respostas como alcoolismo, uso de ansiolíticos e antidepressivos. Outra reação possível, e mais dolorosa, é a raiva de outros membros da família, expressa na frase “melhor que você estivesse morto”, destaca Campos.
Por fim, outra possibilidade é que a família aceite a realidade da perda e do suicídio como uma decisão pessoal do seu ente querido, explica o psicólogo. “Essas pessoas tendem a fazer um luto mais pacífico e dentro dos limites do que podemos chamar de um luto saudável. Geralmente, nesses casos, o suicida e sua família vinham falando sobre isso muitas vezes antes de o suicídio ser consumado.”
“Infelizmente os sobreviventes, muitas vezes, se sentem culpados e podem caminhar para situações graves de sofrimento”, destaca o psicanalista Roosevelt Cassorla, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e professor da Unicamp. Ele enfatiza que é muito importante que os sobreviventes também sejam ajudados.
O suicídio é também um ato agressivo em relação à família, amigos e sociedade. O suicida denuncia que a sociedade não o compreendeu ou foi incapaz de ajudá-lo. A acusação geralmente é injusta porque a família e amigos não têm como lidar com um sofrimento mental insuportável.
O atendimento aos sobreviventes do suicídio e da pessoa que sobreviveu a uma tentativa suicida é chamado de posvenção. Segundo a Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps), estima-se que 60 pessoas sejam intimamente afetadas em cada morte por suicídio, incluindo família, amigos e colegas de classe.
Os objetivos da posvenção são: trazer alívio dos efeitos relacionados com o sofrimento e a perda; prevenir complicações do luto, como um luto traumático; minimizar o risco de comportamento suicida nos enlutados; e promover a resistência nos sobreviventes.
“Acredita-se que a posvenção é também prevenção para futuras gerações, já que lida com possíveis complicações no processo do luto e com possíveis comportamentos suicidas que apareçam em decorrência do luto”, descreve o site oficial do filme Elena.
Quando a família percebe
Talvez um dos sentimentos mais unânimes entre os sobreviventes seja o angustiante “o que eu poderia ter feito para que isso não acontecesse?”. É o tipo de pergunta cuja resposta é ambivalente, pois expõe a dimensão real e preventiva do suicídio – 9 entre 10 suicídios poderiam ser evitados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) – e também a impotência dos familiares e amigos perante um ato que não é 100% evitável.
Mas é possível educar famílias e amigos a identificarem precocemente situações de vulnerabilidade, isto é, pessoas com sofrimento mental. E essa sensibilidade envolve também o cuidado com as palavras, sobretudo aquelas que deixam a pessoa ainda mais angustiada, destaca Cassorla. Essas pessoas devem ser acolhidas, compreendidas e encaminhadas para profissionais. Por vezes, a internação pode ser necessária, para proteger o paciente de si mesmo:
“Conselhos de ‘bom senso’ raramente ajudam e são contraproducentes quando o paciente não tem condições de segui-los. Por exemplo, frente a depressões graves, não adianta ‘forçar’ o paciente a sair ou a fazer coisas. Como ele não consegue, os ‘conselhos’ acabam fazendo que ele não se sinta compreendido, o que aumenta seu desespero.”
A escola é também espaço de prevenção
Assim como familiares e amigos, a escola, por meios dos professores e colegas, também pode oferecer acolhimento e ajuda para uma criança ou adolescente que está pensando em suicídio. A abordagem do tema depende da faixa etária, e o cuidado é o mesmo que se deve ter na imprensa: o assunto deve ser abordado de forma franca, sem sensacionalismo, como recomenda o psicólogo Enrique Bessoni, analista do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Fiocruz Brasília.
“Deve-se apresentar alternativas para acolher e apoiar aqueles que demonstrarem e ou solicitarem ajuda.”
Segundo o psicólogo, o pedido de apoio pode vir também de alguém que ouviu uma confidência de planos de suicídio, de quem descobriu as intenções suicidas de alguém próximo e não sabe como agir, ou daqueles cujo sofrimento intenso passa a afetar o cotidiano escolar.
“A criação de um espaço, como uma roda de conversa permanente sobre situações de saúde, em que o tema seja abordado com o suporte de profissionais, pode colaborar para a ideia de que existe apoio disponível. Isso ajuda em momentos de prevenção e de intervenção”, finaliza.
A OMS possui uma cartilha com orientações aos professores e educadores sobre como prevenir o suicídio. O documento pode ser acessado aqui.
TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

Por Juliana Conte
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é o distúrbio neurocomportamental mais recorrente na infância e na adolescência, tem base genética e acomete cerca de 5,8% da população. Os principais sintomas são descuido com as atividades escolares, falta de atenção a detalhes, dificuldade em se concentrar, em seguir instruções e em organizar tarefas e inquietação motora (os portadores se mexem o tempo inteiro, a ponto de não conseguirem ficar sentados) .
“Apesar de haver muito preconceito contra as drogas que tratam o TDAH, é preciso entender que elas são eficazes. Entre 70% a 80% dos pacientes que utilizam os medicamentos têm sucesso no tratamento. A cultura do brasileiro de tentar não medicar o paciente pode fazer com que a criança ou o adolescente sofra demais. Apesar do TDAH não comprometer a inteligência, o jovem pode repetir de ano, ser vítima de bullying por parte dos colegas e ficar com a autoestima baixa por enfrentar uma série de dificuldades na escola”, esclarece Paulo Breinis, médico responsável pela neuropediatria do Hospital e Maternidade São Luiz.
A pediatra Maria Aparecida Moysés, da Unicamp, no entanto, não vê com bons olhos os números altos de consumo de Ritalina, nome comercial da droga metilfenidato, amplamente usada para tratar TDAH. “É algo assustador. Nós não vimos nada parecido com nenhum outro medicamento”, afirma ela.
Em sua opinião, muitos recebem o diagnóstico de transtorno de déficit de atenção erradamente. Para ela, crianças que estão fora do “padrão”, ou seja, são mais inquietas e sonhadoras acabam recebendo o diagnóstico de maneira incorreta e ficam sujeitas, portanto, a tomar psicotrópicos.
“O diagnóstico de TDHA é algo totalmente controverso, há questionamentos no mundo todo sobre isso. Mas eu acredito sim, que existam crianças com o transtorno e que são discriminadas e mal compreendidas. Só que o problema não pode ser resolvido somente com o uso de uma droga psicoativa. É preciso entender antes de tudo por que a criança tem um comportamento considerado fora do padrão, o que está acontecendo na vida dela. Às vezes, o entorno familiar está todo adoecido psicologicamente”, explica a pediatra.
Moysés diz que se o diagnóstico for realmente confirmado, a criança tem que ser acolhida e não apenas tomar um medicamento para ser “acalmada”. “Medicar pode ser mais cômodo para os adultos, mas a criança continua em sofrimento.”
Para Arthur Kummer, professor de psiquiatria da infância e da adolescência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o medicamento tem um dos índices mais altos de eficácia na medicina. “Pode haver crianças que não respondem – e isso pode ocorrer por diversas razões, incluindo erro no diagnóstico -, respondem insuficientemente ou têm efeitos colaterais tão desagradáveis que impedem a continuidade do tratamento, apesar de sua eficácia. Mas isso não refuta o fato de que o tratamento funciona”, comenta.
O simples fato de uma criança ser mais agitada que a outra não quer dizer que ela tenha o distúrbio. A grosso modo, ainda segundo o especialista, “um comportamento mais agitado e inquieto passa a ser considerado como um distúrbio quando ele é intenso, frequente, persistente, discrepante em relação a seus pares e causa prejuízo”.
Em relação à eficácia da psicoterapia, o médico diz que ela ajuda, mas tudo vai depender dos tipos de sintomas e da idade do paciente. Krummer explica que as técnicas com eficácia comprovada são a terapia comportamental e cognitivo-comportamental.
“As diretrizes da Academia Americana de Pediatria citam que a terapia comportamental, principalmente a modalidade que enfatiza o treinamento dos pais, é tratamento de primeira linha em crianças em idade pré-escolar e escolar. Isso ocorre porque as queixas nessa faixa etária são principalmente comportamentais. As queixas atencionais começam a aumentar no fim da infância e início da adolescência. Nesses casos, o benefício do medicamento se torna ainda mais evidente, sendo considerado de primeira linha para crianças em idade escolar e em adolescentes. Em resumo, o tratamento de escolha depende de uma série de fatores, incluindo idade, perfil sintomático, demanda ambiental e comorbidades”, conclui.
Em junho deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo publicou a Portaria 986/2014, que regulamenta o uso do metilfenidato na rede pública. De acordo com a publicação, o tratamento farmacológico deve ser indicado apenas após avaliação por uma equipe multidisciplinar e combinado com intervenções terapêuticas de natureza psicossocial e de educação. Antes da portaria, o metilfenidato podia ser receitado por qualquer médico sem que fossem ouvidos outros profissionais de saúde.
TEXTO ORIGINAL DRAUZIO VARELLA

Entender o que se passa com nossos sentimentos é o segredo para encontrar o bem-estar interior. Muitas vezes, temos a sensação de que não somos competentes o suficiente para algo, ou ainda, para alguém. E mais do que isso, situações rotineiras acabam nos levando a beira do abismo. Entender que sentir-se inferior é um complexo pode te ajudar a reverter a situação e ser mais feliz.
Se situações do trabalho te fazem sentir menos que alguém, ou se um mulher bonita te deixa tão mal a ponto de desistir de sair ou criar ‘picuinhas’ com seu namorado, significa que você tem complexo de inferioridade. É normal nos sentirmos assim vez ou outra, mas quando a situação leva a loucuras e gera situações que poderiam ser evitadas se não fosse a sua ‘piração’, é hora de procurar ajuda.
A denominação “complexo de inferioridade” foi criada por Alfred Adler (1870-1937), médico psiquiatra, para designar sentimentos de insuficiência e até incapacidade de resolver os problemas, o que faz com que a pessoa se sinta um fracasso em todos, ou em alguns aspectos de sua vida. É o que hoje chamamos de baixa auto-estima, que é quando não se tem consciência de seu valor pessoal. A baixa auto-estima pode comprometer todos os relacionamentos, seja pessoal, profissional, afetivo, familiar, social. Esse complexo pode ter origem na infância, especialmente em três situações especial que tendem a resultar no complexo de inferioridade:
1. Rejeição: A criança não encontra na família o apoio necessário para seu desenvolvimento emocional. Muitas vezes, uma gravidez indesejada por exemplo, pode resultar na falta de amor, na falta de compreensão, na falta de carinho – fatores essenciais para a criança desenvolver a confiança. Ou seja, se ela não sente confiança em suas habilidades e não se sente digna de receber amor e afeto dos outros, quando adulta, a tendência é que ela venha a se tornar uma pessoa mais fria, dura, ou extremamente carente e dependente da aprovação e reconhecimento de outras pessoas. Quanto mais necessidade de ser aprovado e reconhecido pelo outro, mais se desenvolve a necessidade de agradar. Isso faz com que as pessoas deixem de ser elas mesmas, tornando-se o que os outros gostariam que ela fosse, ou o que pensa que gostariam, reforçando cada vez mais o sentimento de inferioridade, pois não satisfazem a si mesmas.
2. Mimo: O contrário da falta de afeto também pode resultar em complexo. Isso porque uma criança excessivamente mimada e/ou superprotegida pode desenvolver um sentimento de insegurança, por não sentir confiança em suas próprias habilidades, uma vez que os outros sempre fizeram tudo por ela.
3. Inferioridade Orgânica: Refere-se a inferioridade por conta do aspecto físico, seja ele uma doença ou enfermidade, ou ainda um excesso de peso, por exemplo. A criança que sofre com esse tipo de ‘preconceito’ tende a se isolar, até mesmo por conta de bullying. E isso acontece justamente como fuga da interação com outras crianças por um sentimento de inferioridade ou incapacidade de competir com sucesso com elas.
Obviamente, cada item deve ser tratado de uma forma específica, mas para ambos, é necessário que exista um incentivo a superação de suas dificuldades, seja para compensar a fraqueza física, seja para encontrar um apoio.

Como se Livrar do Complexo de Inferioridade?

Agora que somos adultos e temos como avaliar tal situação, cabe a nós mesmos reverte-la para encontrarmos a felicidade pessoal. A melhor forma é procurar ajuda especializada, como um psicólogo por exemplo. No entanto, atitudes simples podem ajudar no seu equilíbrio emocional:
– Evite comparações. A principal característica do complexo de inferioridade é ficar se comparando com outros, ou comparar o seu relacionamento com os de outros. A verdade é que essa comparação nunca é positiva e não vai te fazer se sentir melhor, pois as pessoas são diferentes, possuem necessidades, desejos e históricos de vidas diferentes. Então, quando esse sentimento de comparação chegar, exercite seu cérebro para tomar o controle e mude o caminho de seus pensamentos. A primeira etapa é justamente ensinar a mente a mudar o caminho do pensar.
– Compreenda seu histórico de vida e a origem de seu sentimento de inferioridade.Por qual motivo se sente inferior? Não desista, compreenda suas dificuldades e procure enfrentar cada uma delas. Para isso, faça uso de outras ferramentas para olhar a situação. Como você está acostumado a ter esses pensamentos de inferioridade, seu cérebro já anda nessa direção. Então, identificando este percurso, procure agora analisa-lo por outros ângulos. Descubra dentro de você o porquê das coisas, vasculhe sua infância e entenda que só você tem o poder de fazer diferente.
– Enfrente o medo. É importante lidar e enfrentar o medo que as pessoas ou situações provocam e compreender que a percepção de si mesmo está baseada na conseqüência de fatos que já passaram. Você não pode mudar seu passado, mas pode mudar seu presente para alcançar o futuro que almeja.
– Reconheça seu valor. Perceba que seu valor enquanto pessoa não pode e nem deve ser baseado na maneira como foi, ou ainda é tratado, ainda que isso tenha durado toda sua vida. Não permita mais ser desrespeitado ou maltratado. Lembre-se ainda que seu valor deve ser baseado pelo que é e não pelos bens materiais que possui. Imagine o que quer ser. E faça ser.
– Identifique suas necessidades emocionais. O que você espera receber dos outros pode ser aquilo que não recebeu quando criança de seus pais. Não espere receber dos outros o que só você mesmo pode se dar.
– Aprenda com os erros.  Não fique se punindo por ter errado, nem se acomode nas situações. Saia de sua zona de conforto e mude o que deseja!
– Valorize sempre suas conquistas! Pare de supervalorizar o que o outro tem ou faz e desvalorizar as próprias conquistas. Celebre sempre!
– Faça psicoterapia. Não é porque está em último lugar, que é menos importante. Na verdade, a psicoterapia deve ser o primeiro passo para tudo. O autoconhecimento obtido através do processo da psicoterapia poderá fazer com que reconheça seus reais valores e liberte-se do complexo de inferioridade que acorrenta e aprisiona.
Fonte indicada: RAC

Talvez você já tenha assistido os programas da TV que abordam este tema onde uma equipe composta por organizadores profissionais e psicólogas vão até as casas das pessoas que sofrem com o transtorno de acumulação para ajudá-las na organização de suas casas e, principalmente, de suas vidas.
Mas, isto não acontece só com as famílias norte americanas que vemos na TV. De 2 a 4% da população mundial sofre de distúrbio acumulação. Só nos EUA 6% da população de 19 milhões de pessoas luta contra a acumulação compulsiva. Mas os números contam apenas parte desta história. Vamos nos aprofundar um pouco mais neste universo que parece estar distante, mas que na realidade pode estar acontecendo bem perto e com pessoas queridas. Vamos falar do que muita gente cala para não ver em sinal de negação: “acumula-dores”.
Muitos acumuladores conseguem manter segredo sobre sua condição e suas casas. Ao contrário da percepção popular, muitos são indivíduos altamente bem sucedidos, de alto funcionamento que lutaram contra a doença por décadas, em geral de forma silenciosa.
“Ser acumulador é ter uma aflição ao longo da vida” diz a Personal Organizer Terina Bainter (EUA).
Em muitos casos o transtorno se manifesta após algum evento traumático (ou uma série deles), seja a morte do conjuge, de filhos, desemprego, diagnóstico de doenças graves ou outros transtornos psíquicos como ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Ter um acumulador na família também está entre os fatores que contribuem com o surgimento do transtorno.
O acumulador se comporta de forma semelhante as pessoas viciadas em álcool e outras drogas, jogos e/ou outros tipos de vícios. Estas pessoas acumulam “coisas” a fim de entorpecer suas emoções e ansiedade o que faz da acumulação um vício.
“A acumulação está sempre ligada a questões emocionais, a lutos que não foram elaborados, estas dores também são o ponto de partida para conseguir mudar o comportamento do acumulador e o ambiente onde vive. Para que esta mudança ocorra é necessário que a pessoa consiga chegar à raiz da perda e viva o processo de luto que foi retardado pela prática da acumulação. Para isto é imprescindível o acompanhamento psicológico. ”, afirma o Me. Leslie Delp, especialista em dor e perda e Mestre em Aconselhamento Psicológico.
Sinais de alerta
O primeiro alarme é quando a pessoa não convida mais ninguém para visitar sua casa. Mesmo que os familiares e amigos se ofereçam ela sugere que façam algum programa na rua.
A higiene também serve como indicativo, é importante observar os odores e aparência. Mofo e urina nas roupas, sinais de má higiene ou/e deixar de manter cuidados básicos como pentear o cabelo. Faltar as consultas médicas ou outros eventos sociais são sinais que costumam aparecer com o tempo.
As pessoas mudam seus comportamentos rotineiros: atrasam o pagamento das contas, deixam de lados cuidados com a higiene, os banhos tornam-se menos frequentes, a socialização também é afetada, os cuidados com a casa são deixados de lado (não apenas limpeza, mas também manutenção). A situação vira uma grande bola de neve, porque um comportamento desencadeia no outro. O atraso nas contas leva estas pessoas a passar por graves crises financeiras, a falta de higiene pode trazer ou agravar problemas de saúde, a falta de socialização, deixar de sair de casa, pode causar aumento da solidão e levar a pessoa à depressão e isolamento.
Grande maioria dos acumuladores tem algumas comorbidade como depressão, TOC, ansiedade, transtorno bipolar, entre outros. Isto agrava ainda mais comportamentos e tendências. Lembre-se: apenas profissionais de saúde mental licenciados podem diagnosticar oficialmente o transtorno de acumulação ou qualquer uma das comorbidades acima.
O que NÃO fazer quando você quer ajudar um acumulador
Se você entendeu como este transtorno causa sofrimento é muito importante ter empatia. As dicas abaixo podem lhe ajudar:
  • Construir uma relação de confiança e respeito é absolutamente vital.
  • Não seja crítico: nunca faça comentários como: “eu só iria acender um fósforo para queimar este lugar” ou “Gostaria de trazer um caminhão de lixo para casa e me livrar de tudo isso”.
  • Nunca limpe a casa ou desfaça de seus pertences sem autorização. Não aproveite que a pessoa está hospitalizada ou em férias para organizar a casa.
Estes erros diminuem quaisquer vestígios de confiança que você poderia ter conquistado. Se isto acontecer a pessoa poderá ter dificuldades em confiar em outras pessoas o que impediria que recebesse qualquer tipo de auxílio futuramente. Ajude de forma que não envergonhe e não cause ainda mais sofrimentos a pessoa.
Alguns passos para ajudar a estabelecer confiança e possibilitar uma intervenção:
  • Visite a pessoa mesmo que ela não queira: O isolamento só piora a situação.
  • Minimize reações como gritar e atacar verbalmente a pessoa que acumula. Em vez disso pergunte como ela se sente em relação a desordem.
  • Recorra aos profissionais que são especialistas em organização (Personal Organizers) para que lhe ajudem na organização (Claro que com a autorização da pessoa).
  • Incentive a pessoa a iniciar um processo psicoterapêutico para que ela possa ser acolhida e consiga trabalhar as questões que a levaram a esta situação.
Infelizmente no Brasil a literatura a cerca deste assunto é muito escassa. Mas, é possível que futuramente isto mude. A profissão de Personal Organizer – Organizadora
Profissional – tem crescido muito e os blogs destas profissionais podem trazer dicas ricas sobre a organização de ambientes.
Algumas pessoas começam a acumular sem ao menos perceber, guardando objetos como forma de recordar, mas aos poucos estão deixando suas casas cheias de coisas que vão se tornando acumulação, mesmo que em níveis menores.
As dicas abaixo podem lhe ajudar a afastar o risco da acumulação sem deixar de manter lembranças destes objetos que têm algum valor afetivo para você:
  • Mantenha as fotos em arquivos digitais: Aquelas fotos antigas de quando não tínhamos câmera digital, podem ser escaneadas e armazenadas em nuvens. Mantenha fisicamente apenas as fotos que ficam em porta retratos.
  • Receitas escritas à mão, recortes de notícias e revistas podem seguir o mesmo rumo das fotos. Mantenha versão digital do que for importante e descarte o restante.
  • Herdou móveis de algum familiar e não tem coragem de desfazer porque tem valor sentimental? Uma opção é fotografar e fazer um pin no  Pinterest.
  • Tem roupas que lembram bons momentos, viagens e pessoas queridas? Quem não tem, não é mesmo? Mas, se você não usa para que manter isto em sua casa? Neste caso a fotografia poderá ajudar novamente, depois você pode doar para alguma instituição ou mesmo para um brechó.
Este artigo foi traduzido e adaptado por Fernanda Alcantara.
Você pode ler o artigo original clicando aqui.

fibromialgia foi reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1992.Atualmente, a fibromialgia afeta 4% da população, sendo que deste total quase 90% são mulheres.
É conhecida como a “doença invisível” porque afeta todas as partes macias do aparelho locomotor e não pode ser diagnosticada facilmente através de exames médicos.
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A fibromialgia não se vê, não deixa marcas na pele nem provoca feridas que outros possam ver. É uma dor solitária, desesperadora.
Sofrer de fibromialgia é algo muito duro: não sei como vou acordar hoje, se conseguirei me mexer, se poderei rir ou só terei vontade de chorar… O que eu sei com certeza é que não finjo: eu sofro uma doença crônica.
Atualmente ainda se desconhece a etiologia desta doença, mas o que sabemos é que ano após ano são mais pessoas diagnosticadas, por isso a medicina está tentando trabalhar em uma intervenção o mais globalizada possível, incluindo, evidentemente, o aspecto biopsicossocial.
Hoje queremos apresentar algumas dicas básicas para que você possa enfrentar a doença com força, melhorando a sua qualidade de vida na medida do possível.

Fibromialgia: a doença real que não se vê

Quando uma pessoa não pode se levantar da cama porque sente que “agulhas ardentes” ferem as suas articulações, não está fingindo nem procurando uma desculpa para não ir ao trabalho.
Quem sofre de fibromialgia deve adicionar à sua própria doença a incompreensão social, com a sensação de se sentir invisível em um mundo que só acredita no que vê.
O principal problema da fibromialgia está na controvérsia da sua origem: psicológica ou orgânica. Estas são as principais conclusões que os especialistas apontam:

Possível origem da fibromialgia

É preciso esclarecer em primeiro lugar que não existe evidência médica que relacione a fibromialgia com uma doença psiquiátrica.
  • Alguns autores falam de que cerca de 47% dos pacientes sofrem de ansiedade, mas é preciso considerar também que esta dimensão psicológica pode ser uma resposta da própria dor, da própria doença.
  • Segundo um trabalho publicado na revista “Arthritis & Rheumatology”quem sofre de fibromialgia experimenta uma maior hipersensibilidade à estimulação sensorial cotidiana.
  • Através de uma ressonância magnética os pesquisadores descobriram que frente a um estímulo visual, tátil, olfativo ou auditivo, as regiões de integração sensorial cerebral sofrem um sobre estímulo maior que o normal.
  • As pessoas com fibromialgia têm um maior número de fibras nervosas sensoriais nos seus vasos sanguíneos, de modo que todo estímulo ou mudança de temperatura causa uma dor intensa.
Algo a considerar é que qualquer fator emocional irá aumentar a sensação de dor nestas fibras nervosas. Uma situação pontual de estresse irá resultar em uma sobrecarga na estimulação e em dor, e a sensação de dor e cansaço crônico pode conduzir o paciente à impotência e inclusive a uma depressão.
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Portanto, caímos em um círculo vicioso no qual uma doença de origem orgânica é aumentada pelo fator psicológico. Por isso, vale a pena controlar a dimensão emocional para atenuar ou pelo menos “controlar” a origem etiológica.

Estratégias psicológicas para enfrentar a fibromialgia

dor crônica faz parte da nossa realidade social, sendo a fibromialgia (FM) uma das suas principais causas. Agora que já temos clareza de quefatores como estresse ou a tristeza irão aumentar a sensação de sofrimento, é importante introduzir algumas estratégias básicas de enfrentamento que podem ajudar.
Hoje você se levantou, se vestiu e pode sair para a rua. Ninguém mais entenderá as suas conquistas, mas esses pequenos triunfos são importantes para você e devem lhe dar forças: você pode ser mais forte que a sua doença.

5 chaves para obter uma melhor qualidade de vida

Em primeiro lugar é importante considerar que nem sempre as mesmas estratégias servirão para todas as pessoas. Você precisa encontrar aquelas estratégias que sejam boas para você de acordo com as suas peculiaridades e necessidades. Para isso, experimente e selecione você mesmo aquelas que lhe causam maior alívio.
  • Entenda a sua doença. Isso implica estar em contato com especialistas, médicos e psicólogos. São necessários tratamentos multidisciplinares e cada um lhe trará todo o conhecimento desta condição para que você “compreenda” o seu inimigo. Desta forma, você estará mais seguro e prevenido.
  • Passe a ter uma atitude positiva na sua vida. Sabemos que não é simples, mas em vez de reagir frente a dor, é melhor aceitá-la e tratá-la, não se deprimir. Não hesite em conversar com pessoas que sofram o mesmo que você, não se isole, nem guarde rancor daqueles que o rodeiam.
  • Procure atividades que lhe permitam enfrentar o estresse e a ansiedade: existem técnicas de relaxamento muito adequadas que podem lhe ajudar. A ioga, por sua vez, também pode ser muito benéfica.
  • Nunca perca o controle da sua vida, não deixe que a dor domine.Para isso, estabeleça momentos de ócio cotidiano por menores que sejam. Saia para caminhar e não evite o contato social.
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  • Ouça as suas emoções, os seus pensamentos e a sua linguagem. O que pensamos e sentimos tem uma influência direta sobre a doença. Se você disser frases como “não vou conseguir me levantar”, “isso não tem solução” ou “já não tenho mais forças”, você aumentará o seu sofrimento.
Vire estas frases do avesso e você verá como a sua realidade muda.

É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.
O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida, a ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflete muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “atividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice”.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento de especulação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.
Enquanto isso, a ritalina também entra no mercado dos jovens e das baladas. A medicação inibe o apetite e, portanto, promove emagrecimento. Além disso, oferece o efeito “estou podendo” — ou seja, dá a sensação de raciocínio rápido, capacidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo, muito animação e estímulo sexual — ou, pelo menos, a impressão disso. “Não há ressaca ou qualquer efeito no dia seguinte e nem é preciso beber para ficar loucaça”, diz uma usuária da droga nas suas incursões noturnas às baladas de São Paulo. “Eu tomo logo umas duas e saio causando, beijando todo mundo, dançando o tempo todo, curtindo mesmo”, diz ela.
TEXTO ORIGINAL DE ANTROPOSOFY