06 abril 2014

Selfie e o narcisismo moderno.

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Na mitologia grega, Narciso, ou o autoadmirador, ficou conhecido pela sua beleza e também pela impossibilidade de se contemplar, pois segundo o mito, isso lhe renderia vida longa. Se ele estivesse vivo hoje, talvez o mito grego o levasse a morte instantânea. Isto porque, com a tecnologia, as pessoas buscaram outras formas de se autoadimirarem, sobretudo com a explosão das redes sociais. A moda agora é o selfie, palavra substantivada do Self “eu” em inglês, mais o sufixo ie, uma espécie de autorretrato feito com câmeras ou celulares. Tal prática, porém, denota a que ponto a superficialidade humana tem chegado, com pessoas extremamente preocupadas em sair bem na foto, enquanto outras questões humanas são esquecidas por essa sociedade cibernética e fotoshopada.

Antes de qualquer coisa, é crucial destacar a importância da fotografia na história. Foi a partir dela que grandes momentos da humanidade foram eternizados e até hoje podem ser cultuados por outras gerações. O problema não reside ai, mas sim nos rumos que a fotografia vem tomando. Se antes se registrava grandes feitos, agora os feitos são registrados no fundo do quintal, no banheiro, dentro do elevador, na escola, ou em qualquer lugar que se considere importante. O modismo é tão grande que há até redes sociais específicas para esse tipo de prática, onde pessoas agrupadas, alegres e sorridentes, posam para as lentes de um dado aparelho.

A priori, o primeiro ponto negativista dessa questão é a necessidade de se estar sempre bem na foto. Cabelos posicionados no lugar certo, maquiagem e olhar #SensualSemSerVulgar, para as meninas. Entre os meninos, ocorre à mesma coisa: a exibição dos atributos físicos em espelhos, geralmente sem camisa, em poses às vezes discretas, mas com a intenção similar a das meninas, se autorretratar. Acontece que esses modelos vivos apenas perpetuam a mensagem perversa das indústrias da moda e da mídia, as quais impelem a todo instante o ideal de beleza a ser seguido e, claro, fotografado. Logo, muitas vezes induzidos por esse contexto, muitos cedem aos encantos desse mundo, sem perceber os perigos que circundam tal problemática.

Com isso, vem à segunda questão, o público alvo. Inevitavelmente, os jovens são os mais atingidos por isso tudo, principalmente numa era como esta da qual eles são inseridos nas redes sociais antes mesmo de virem ao mundo. Incipiente, a juventude é o alvo e, ao mesmo tempo, o propagador dessa escravidão da moda ditada pela indústria cultural. Então, sem terem o domínio sobre suas escolhas, adolescentes de várias idades se introduzem na net em fotos provocantes, mostrando suas intimidades corporais para quem quiser ver, curtir e compartilhar. O perigo disso mora na precoce iniciação da sexualidade sem a orientação devida de um adulto. Ou seja, inconscientemente, muitos servem de modelos nessa vitrine chamada de internet, porém nem sempre os ganhos com isso se limitam apenas a curtidas e compartilhadas.

Tão recente quanto o Selfie é o Sexting, anglicismo que se caracteriza pelo envio de imagens sensuais e/ou sexuais de pessoas através de celulares ou pelas redes sociais. Entre as vítimas mais comuns dessa prática estão também os adolescentes. Rapazes e moças que se autofotografam e publicam suas fotos nas muitas páginas virtuais existentes estão suscetíveis aos ataques de aproveitadores, que aliciam jovens para o mundo da prostituição, ou pior, se apropriam de suas imagens para utilizá-las em sites pornográficos. Diante disso, percebe-se que, sem saberem, muitos desses indivíduos são prostituídos pelo convidativo mundo virtual.

Entregues as curtições, pessoas de várias idades e classes sociais, se fotografam e expõe seu corpo e intimidades para quem quiser ver. Na verdade, as palavras curtir e compartilhar são dignas de análise, visto que hipnoticamente exercem um poder sobre o internauta. Quando se fala em curtir, lembra-se logo de algo alegre, de diversão, curtição enfim. Por isso, quando se expõe algo na net, principalmente em fotos, os indivíduos não enxergam isso com periculosidade, mas como mais uma curtição dessa atmosfera feliz e plastificada. Pior ainda é quando é compartilhada, pois tal ato traz implicitamente a mensagem de que foi partilhado com outro algo que é bom ou digno de ser revisto. Ora, nem tudo o que é curtido e compartilhado na net é ruim, mas será que curtir fotos sensuais e compartilhá-las é legal? Melhor ainda, será que é bacana tirar tais fotos.

Claro que o Selfie não tem a intenção de incitar práticas promíscuas entre as pessoas. Em tese, a ideia é moldurar momentos marcantes entre aqueles que são considerados importantes. Esse fenômeno virtual não pode ser crucificado pela promiscuidade do nosso país, pois esta tem outras raízes. Entretanto, por traz dessa inocente atividade há mensagens subliminares que merecem ser analisadas com cautela, sobretudo numa sociedade envolta em cirurgias plásticas, implantes disso e daquilo, anabolizantes cada vez mais potentes e encarceradas em academias. Ou seja, se o usuário não tiver ciência de que publicar fotos fazendo caras e bocas pode ser algo perigoso, tanto para quem faz como para quem ver do outro lado, ele estará assumindo o risco de perpetuar uma sexualidade doentia nesses meios virtuais.

Além disso, há a superficialidade em torno dessa questão. Enquanto no passado buscava-se o interior do ser humano, seus dilemas e frustrações, agora é o externo que importa. A busca pela imagem perfeita, pelo ângulo exato, fez do homem moderno um manequim de si mesmo, inexpressivo, apenas refletindo uma couraça sem falhas estéticas, mas carente, sem rumo, nem direção. É quando fica nítida a frase de Caetano Veloso, quando este diz “é que Narciso acha feio o que não é espelho”. O ser humano da modernidade tem medo de se ver de verdade, preferindo se esconder em sorrisos fingidos, poses forçadas e belezas cirúrgicas ao invés de encarar quem ele realmente é. E esse autoengano tem resultado em perfis lotados nas redes sociais, mas relações vazias, contatos vagos e humanos cada vez mais desorientados.


Talvez isso tudo seja apenas um fenômeno passageiro, igual a muitos outros que surgem e desaparecem nas redes sociais. Seja como for, enquanto estiver latente, o Selfie, ou qualquer outro modismo, merece uma acurada reflexão. Pois, nem tudo na rede social deve ser encarado como brincadeira. Há coisas que, mesmo divertidas, escondem práticas perversas. Também não se devem criar pânicos desnecessários sobre tal fenômeno. Como dito, ele não é o principal responsável pela doentia sexualidade social dos indivíduos. Ele é apenas mais um vírus diante de tantos neste contexto. Cabe, então, a cada um fazer o uso consciente desse meio e não se entregar a superficialidade existente nele. Há muitas coisas que devem ser fotografadas e eternizadas e, nem sempre são belas, pois a vida só tem sentido porque suas belezas nem sempre são agradáveis aos olhos.
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Trabalho escravo no Brasil: as várias facetas da subordinação

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Realidade verídica... Com as de ficção
            
            Previsto no código penal brasileiro, o artigo 149 considera o escravagismo um crime. Todavia, mesmo após o fim da escravidão no Brasil, em 1888, o país continua albergando novas formas de escravidão, a chamada – escravidão moderna.

             Esse tipo de submissão, diferentemente daquela ocorrida no período colonial, está implícita em diversas situações, ilegal e clandestina. Tais como: tráfico humano, exploração sexual e até mesmo, a escravidão propriamente dita, a qual seres humanos são forçados a trabalharem em condições desumanas.

            Em nosso país, segundo a comissão pastoral da terra, o estado que apresenta o maior número de denúncias de trabalho escravo é o Pará, seguido pelos estados de Mato grosso, Maranhão, Goiás e Tocantins. Se observarmos, por meio desta comissão, ainda existe uma grande quantidade de pessoas que sofrem esse tipo de abuso no país.

            Sobre o mesmo ponto de vista, é fácil perceber, que o elevado número de pessoas trabalhando em situações ilegais é decorrente da deficiência educacional brasileira. Pois, indivíduos sem uma boa formação escolar não têm boas oportunidades de emprego, e acabam por submeterem-se a qualquer tipo de atividade, para sua própria sobrevivência e sustento.


            Pela observação dos aspectos analisados, é interessante que as autoridades realizem um a maior fiscalização ao cumprimento da lei, e, fizessem maiores investimentos na educação. Assim, teríamos pessoas mais capacitadas, ocupando melhores profissões, diminuindo o número de seres humanos, sofrendo com a escravidão moderna; que com o tempo seria extinta. 

Aluno: Arthur Cabral De Souza
Professor: Diogo Didier
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Sobre ser mãe e sobre ser livre - por Clara Averbuck

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Porque sou mãe, controlam minha vida. Controlam minhas roupas, meus passos, minhas palavras. Porque sou mãe, controlam meus decotes e minhas saídas. Minhas atitudes e minhas escolhas. Porque sou mãe, porque sou mulher. 

Uma mãe com sexualidade é uma mãe ruim. Mãe não pode mais ter desejo, não pode mais ter vaidade e deuzolivre de ter individualidade. 

Mãe tem que abdicar de si e dos prazeres dessa vida para apenas exercer a sagrada função. 
Mãe que não for casada na indiscutível monogamia tem que procurar um homem de bem, que seja um bom pai e um bom marido. Sexo casual? Jamais! Uma mãe deve se dar ao respeito, tem que dar exemplo. Relações livres? Não é uma opção. Gostar de outra mulher, então, inaceitável! A filha vai virar lésbica, o filho vai virar gay. 

Mãe não pode pensar na carreira. Coitados dos filhos dessa aí, só pensa em trabalho. Quem vai criar? Como se os filhos brotassem sozinhos.

Mãe não pode ser a favor da legalização do aborto. Por que então teve filhos? Mata logo todos! Assassina! Só é a favor do aborto porque você e sua filha já nasceram. 

Mãe também não pode escolher ficar sozinha. Coitada, essa aí ninguém quer mais. Quem vai querer mulher usada, gasta, que já vem com problema? Filho de outro é problema, todo mundo sabe. 

Mãe, quando se sustenta, é porque só pensa em trabalho. Quando ganha pensão, é sem dúvida uma aproveitadora sem vergonha.

Mãe não pode ser livre. Vagabunda! Quantos homens já passaram por esse corpo? Uma vergonha! Desonra! Suja! E também não pode beber. Beber não é coisa de mulher direita. 
E não pode dançar que nem puta. Não pode usar roupa curta, não pode cair na noite, não pode, não pode. 

Mãe não pode se apaixonar. E as crianças? Vai largar tudo? Que vergonha. Mãe tem que se dedicar, tem que esperar os filhos tomarem rumo. Mãe também não pode querer um tempo a sós. Tem que passar com os filhos, tem que passar todo o tempo com os filhos, todo o tempo livre de todo o resto da vida deles, até que eles não queiram mais. Um tempo sozinha? Desnaturada. Mãe de merda. 

E cadê o pai? Ah, casou de novo, sabe como é. Cadê o pai? Ah, mora em outro estado, sabe como é. E cadê o pai? Ah, ele visita a cada 15 dias. E cadê o pai? Não existe. E cadê o pai? Ah, ele até ajuda."Ajuda" porque a responsabilidade é da mãe. O fardo é da mãe. Na hora de fazer foi bom, né? Agora aguenta. Por que não se cuidou? Métodos anticoncepcionais não faltam por aí. E jamais falham, né? Se falhar, não dá nem pra pensar em tirar aquela vida. É uma vida! Uma vida não se tira assim, por egoísmo. Não tem idade? Não tem dinheiro? Não tem ninguém pra dividir a responsabilidade? Não tem vontade? Aguenta.

O pai ninguém julga pela roupa. O pai ninguém julga pela vida sexual. O pai ninguém julga se casa de novo, se sai com uma ou muitas, se bebe, se fuma, se trepa. Homem pode tudo. Ser pai é um detalhe que jamais os desumaniza. Quando o pai exerce sua função, é tratado como herói. Que homem! Vê os filhos, colabora em casa, educa. Que homem especial é aquele que faz o mínimo de sua obrigação. 

Porque sou mãe, porque sou mulher, sou julgada o tempo inteiro.

Porque sou mãe e porque sou mulher, vou peitar todo esse conservadorismo, esse machismo, essa palhaçada, e vocês vão ter que me engolir, porque a vida é minha, a filha é minha, eu crio como eu quiser, eu beijo quem eu quiser, eu faço o que eu quiser. Eu sou uma mulher livre e vocês vão ter que me suportar. Eu sou uma mãe livre.

Visto na: Carta Capital
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Sobre o Aborto - por Vini Giordani

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Joana, com 17
namorando a mais de um mês
Já pagou até boquete
mas sexo ela não fez
"Não quero putaria"
falava o papai
mas o namoradinho ria
haha
"não quero nem saber"
você vai fazer, se me ama"
só quero saber de papai
com mamãe
na minha cama
No outro dia
o pai tava por baixo
a Joana também! por baixo do namorado!
Ela sendo despida
ele pelado
E apesar de tudo que diziam
ela sabia que não era um pecado
"coloca a camisinha"
"sem é mais gossstoso,
é só reza pra deus,
ele benze o meu gozo"
Joana não queria, mas acabaram fazendo
fizeram na fé
"Deus, eu fico te devendo"
Mas Deus não perdoou...
A pílula falhou!
Chazinho não funcionou!!
Joana enjoou!!!
Será que engravidou???
(Será amor? amor...?)
namorado fugiu
puta que me pariu!
"O que eu vou fazer?
Pra quem eu vou contar?
Não quero esse filho, eu vou é me matar!
Não... vou falar pra Maria, do salão
Ela vai entender a minha situação"
Joana, contou todos os lances
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém!!!"
Joana...
todo mundo já sabe do teu neném!
"Vagabunda, engravidou na adolescência!
Na hora tava bom?
vadia sem consciência!
Olha lá? ela falou em abortar!
abortar?
Será que ela pensou em se matar?
assume (assume!)
assume (assume!)
assume (assume!)
assume (assume!)
E lava esse teu perfume de vagabunda
esconde essa buceta
cobre a essa tua bunda!"
cala essa boca ANDA DE BURCAA!
Joana chorava,
não tem mais ninguém
ta pior que prostituta
sem família, e com neném
E agora e agora?
papai vai me espancar
mas ah, tem jeito
...
mamãe me ensinou a tricotar.
Sangue e choro... no chão do banheiro
morreu mais uma vagabunda
aos olhos do Brasil inteiro
aborto sem sucesso
país sem progresso
...
Me trás mas um chá de canela
que a próxima vai ser a Gabriela.
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Homofobia: A intolerância que mata

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Ter liberdade de ser feliz e viver intensamente, exonerando os padrões de uma sociedade conservadora e estereotipada, pode corroborar em severas punições. Nesse contexto, se enquadra perfeitamente a realidade dos homossexuais que estão submetidos ao preconceito exacerbado, por não se adequarem aos paradigmas perpetuados por um meio social heterossexualizado. Dessa forma, o Brasil contabiliza corriqueiramente inúmeros casos de agressões físicas ou verbais contra estes indivíduos. Fato que denota mais uma problemática para nação, visto que esta integra em sua população pessoas equivocadas  que exercem comportamentos brutais de intolerância ao se depararem com algo diferente dos modelos comuns.

Nessa atmosfera, muitos sociólogos intelectuais tentam explicar a situação da homossexualidade nesta nação. Estes afirmam que por trás da intolerância existe uma educação emitida de maneira equivocada, principalmente no período infantil das pessoas. Assim, nos cenáculos familiares os pais perpetuam ou até impõe aos seus filhos protótipos héteros, onde as meninas devem brincar de boneca e os garotos jogarem bola exercendo características machistas. Com isso, tais indivíduos crescem com opiniões distorcidas de indiferença contra os homossexuais. Fatos que refletem uma educação arcaica que trata da sexualidade como tabu. A partir daí são formados seres humanos intolerantes e homofóbicos.

No entanto, mesmo diante de tanta violência, no Brasil não há nenhum artigo constitucional que assegure os direitos do grupo LGBTT( Lésbicas Gays Bissexuais Travestis Transgêneros). A ausência de uma legislação só aumenta os crimes cometidos cotidianamente contra esses cidadãos, preço amargo que estes podem pagar com a própria vida por não seguirem as regras da sociedade brasileira. Nesse contexto, foi divulgado pela Revista Scientific American a lamentável notícia que o Brasil é campeão mundial de crimes contra homossexuais, na qual a manchete irradiava o índice: A cada dois dias um homossexual e assassinado em solo brasileiro. Hermético problema que aflige fatalmente a vida dessas pessoas, por violência com requinte de covardia.

Diante desta realidade, o pesquisador magistrado em antropologia Luiz Mott, argumentou em defesa dos homossexuais no país. De maneira críticas aos órgãos públicos, o mesmo enaltece a necessidade de leis que abracem aqueles pertencentes ao grupo (LGBTT). Este também defendia a tese de um método educacional que transmita os vários ângulos da sexualidade, sem barreiras nem preconceitos, pois assim a sociedade evoluiria respeitando as diferenças alheias.


Portanto, faz-se irrefutável a necessidade de políticas públicas que possibilitem os homossexuais a transitarem de forma segura pelas ruas do Brasil, sem sofrerem agressões físicas ou psicológicas por certos estigmas sociais. Do mesmo modo que a educação precisa ser retificada diante a abordagem do tema sexualidade. Para que assim os brasileiros passem a respeitar as discrepâncias pessoais de cada um. Destarte, todos terão a liberdade de viver bem. Afinal ser feliz é ser livre.

Aluna: Mirella França
Professor: Diogo Didier
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Deuses e deusas africanas em incrível ensaio fotográfico!

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Aganju: Deus dos vulcões e desertos, também pai de Xangô (em outras histórias, seu irmão).
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Obaluaiyê: Deus das doenças e enfermidades.
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Erinlè: Deus da saúde física e bem-estar, médico dos deuses (e segurança de buaty nas horas vagas, combinemos). No Candomblé ele corresponde a Oxóssi.
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Exú: Deus das encruzilhadas, mensageiro entre humanos e divindades.
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Ìbejì: Deuses da juventide e vitalidade, também conhecidos como os Gêmeos Sagrados (as moça tá tudo pedindo pr'eles serem sagrados na casa delas qu'eu seeeei) (e são normalmente relacionados aos famosos Cosme e Damião dos docin).
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Obatalá: Deus da humanidade e retidão espiritual e moral, Rei do Pano Branco e segundo filho de Olorum (o criador do universo). E, na moral, deve dar um pau no Shao Kahn.
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Obá: Deusa do casamento e domesticidade, esposa banida de Xangô e filha de Iemanjá.
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Oxumarê: Deus da mobilidade, cobra-arco-íris (ele é uma serpente em algumas representações), guardião das crianças, lorde das coisas prolongadas e controlador do cordão umbilical (Ah, e também é considerado protetor dos LGBT!).
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Ogum: Deus guerreiro do ferro, trabalho, política, sacrifício e tecnologia.
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Okô: Deus da agricultura e colheita (e faz ponta de Chris Rock vez ou outra).
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(pronto pra soltar um Hadouken na tua fuça) Olokun: Deus do oceano abissal, e significa "sabedoria imensurável".
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Olorum: Deus e criador do Universo, também conhecido como O Senhor do Céu.
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Ori: Deus da intuição espiritual e destino. Seu nome significa, literalmente, "cabeça".
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Orunmilá: Deus da sabedoria, adivinhação e vidência.
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Oxum: Deusa da beleza, amor, fertilidade e divindade dos rios.
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Oxóssi: Deus da caça e patrulha, protetor dos acusados e de quem busca justiça (ou seja, protetor da maior parte dos filmes de ação).
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Oyá: Deusa guerreira do vento, mudanças bruscas e redemoinhos. Poderosa feiticeira (pode isso, povo do RPG? Guerreira, feiticeira e elemental?).
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(canto deOssanha ou Ossaim: Deus da floresta. Curador natural, guardião das ervas (tem que ter o Mago Branco na party, né, galere?)
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Xangô: Deus do fogo, raio e trovão. Representa o poder e sexualidade masculinas.
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Iemanjá: Deusa-mãe da humanidade, divindade do mar, filha de Obatalá e mulher de Aganju.
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Sou homem - por Camila Oliveira Dias

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Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece.

Camila Oliveira Dias
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