19 maio 2013



A iniciação sexual é algo cada vez mais discutida na atualidade. Isto porque, numa cultura apegada ao sexo como a nossa, jovens precocemente iniciam suas vidas sexuais sem os devidos cuidados, para que essa prazerosa atividade não se torne danosa no futuro.  No entanto, fugindo dessa batida discussão em torno da “primeira vez juvenil” há outro perigo propagado pela “cultura das novinhas”. Com letras que incitam a sexualidade de crianças e adolescentes, certas canções não só apelam para que a juventude erroneamente se enverede pelos caminhos do sexo descabido, como também difundem inconscientemente a ideia do sexo com prazo de validade. Em outras palavras, a nossa sociedade abraça, aceita, curti e compartilha jovens se exibindo em danças ousadas e repudia, por outro lado, indivíduos maduros, velhos ou fora dos padrões sexuais vigentes, de declararem suas fantasias sexuais. Isso se dá através da validação do prazer baseado na faixa etária do indivíduo. Como se a idade fosse um empecilho na busca pelo êxtase.


O fetiche pela juventude não é recente e perpassa vários momentos da história humana. Jovens donzelas serviam como concubinas a imperadores, rapazes como acompanhantes de grandes sábios, estes são alguns dos exemplos do desejo humano por jovens ao longo do tempo. E isso não tem mudado muito. A saudosa época em que “panela velha é que faz comida boa” já não existe mais. Hoje os recipientes são menos usados, ou melhor, muitas vezes intactos. Meninos e meninas, nesse sentido, se tornaram símbolos de prazer, vigor e sexualidade, como se a realização sexual tivesse hora para começar e se encerrasse na vida madura. Essa inversão é sentida na plastificação da idade em cirurgias, fotoshops, botox, nas mulheres. E, em alguns homens, além de tudo isso, a procura pela musculatura perfeita tem mudado a postura masculina na sociedade. Tudo isso seria válido se a intenção fosse apenas retardar o tempo, entretanto, a verdade ultrapassa essa questão: é a necessidade de se sentir jovem e desejado sexualmente nessa sociedade que fala muito em pedofilia, mas, na prática comete atos pedófilos “inconscientemente” contra si e contra o outrem.


O fenômeno das “novinhas” evidencia essa mudança de paradigmas. De norte a sul do Brasil, seja no funk carioca ou no forró do nordeste, as músicas em torno dessa questão se popularizaram, conquistando públicos de perfis diversos. Nas letras há uma espécie de transgressão juvenil e, ao mesmo tempo, a evocação de uma sexualidade que, na prática, já era conhecida por todos. São meninas “que descem, descem, descem, gostam de ir até o chão”, que se amarram numa balada, beijo na boca, roupa sinuosa e ainda fazem “carinhas de safada” para demonstrar que já estão prontas para o acasalamento. Elas, nesse sentido, já foram rotuladas de tudo, de “broto legal”, “cachorra” a “potranca”, passando pela impronunciável “tchutchuca” e chegando hoje ao rótulo de “novinha”. Nominalizações não faltam, mas o foco continua o mesmo: exaltar a sexualidade entre adolescentes cada vez mais imaturos quanto ao sexo, sobretudo numa sociedade recalcada a respeito desse assunto.


E essa cultura não se limita apenas ao universo musical. Na mídia televisiva ela se manifesta nos beijos ardentes entre adolescentes, nas cenas picantes das novelas, nos filmes que exibem “noviças rebeldes” aflorando sua sexualidade. Sem contar a exaltação da beleza feminina e a sua constante busca pelo congelamento do tempo. Mais jovens, lindas, turbinadas e siliconadas, artistas diversos influenciam jovens a valorizar doentiamente o seu estereótipo físico, pautado, sobretudo, na sensualidade que os corpos possam demonstrar. Por isso que ser jovem tem ganhado tanto “status”, pois o viço dessa época aguça a pedofilia existente na nossa cultura e renega a maturidade o sexo ligado à procriação, não ao prazer. Essa paradoxal construção das práticas sexuais se dá ainda por causa dos tabus ancestrais que enegrecem as discussões em torno do sexo. Falar dele em casa, na escola, não é tão comum e quando ocorre é feito de forma ensaiada, sem a naturalidade necessária para que este tema seja discutido. Por isso que a massa pueril acha na rua os apelos sexuais ausentes na sua rotina diária, e os encontram da pior forma possível, em destaque para as mulheres.


Então, é por isso que “novinhas” e não “novinhos?”. A questão do gênero ai se explica porque desde cedo o homem é educado (quase que obrigado, em alguns casos) a iniciar os fulgores sexuais, geralmente na adolescência. Nesse período, o destaque vai para a masturbação, muito comum e aceita pela nossa sociedade, que restringe o prazer ao lado masculino da questão. Enquanto isso, as meninas sofrem por não serem preparadas devidamente a uma vida sexual, a qual a autonomia do seu corpo e o reconhecimento deste esteja presente nas discussões, desde a masturbação, passando pelo primeiro contato sexual delas, doenças, gravidez e aborto. Por causa dessa educação submissa, a nossa sociedade acaba se surpreendendo quando elas denotam, de alguma forma, que sentem prazer e que tem vontade de fazer sexo.   Despreparadas, elas querem dar “dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá”, para provar a sociedade machista que elas são tão machos que muitos homens quando o assunto é sexo, mesmo correndo o risco de serem chamadas de putas, vadias ou famosas “piriguetes”.

Dessa atmosfera que cheira a sexo, o resultado não poderia ser mais nocivo. Em todo o país é comum encontrar meninas entre 12, 13, 14 e 15 anos grávidas ou mães de mais de uma criança. Entre os meninos ocorre algo semelhante, porém no caso deles o agravante se dá através das infecções sexualmente transmissíveis. Como são educados a iniciar uma vida sexual bem antes delas, os garotos, afobados com a hormonização da idade, não usam devidamente os meios contraceptivos, principalmente a caminha e acabam dessa forma contraindo e pegando doenças sérias e, muitas vezes, até a AIDS. Todos esses problemas ocorrem porque as questões ligadas a sexo não são tratadas com naturalidade pela sociedade, seja por uma questão patriarcal, e/ou por imposição religiosa. No primeiro caso, a figura do homem é alçada a altíssimos patamares no ato sexual, desde o orgasmo às posições que o favoreçam na cama. Já no segundo caso, o discurso pecaminoso de algumas instituições religiosas acaba limitando os prazeres humanos, obrigando, por assim dizer, uma possível transgressão. Em ambos, lamentavelmente a mulher ainda é a parte secundária, mesmo que isso esteja finalmente mudando.


É por essa razão que elas se tornaram o principal alvo da cultura do sexo. Em gaiolas, popozudas ou em bondes, elas rebolam, quebram e requebram os corpos em acasalamentos em forma de dança, aguçando uma precoce sexualidade nos jovens e, discriminando outras faixas etárias. Elas são melão, melancia e uma infinidade de outras frutas. São cada vez mais novas, esculturais, difundido um ideal de idade e beleza quase incorpóreo. Longe disso, muitas meninas, adolescentes e mulheres sonham em ser a “panicat” do momento, pois, impedidas de sentir prazer, de serem sensuais e desejadas, acabam rompendo as barreiras do preconceito da pior forma possível. Isso tudo resvala na coisificação do sexo, limitando-o ao universo viçoso juvenil. Logo, não só a questão do gênero fica prejudicada, mas também a validação do prazer seguro e responsável, com direito a tudo, desde “ralar a tcheca no chão” a fazer o sexo “daquele jeito”. Também pode transar na adolescência, até porque é nessa época onde as descobertas sobre o corpo dos jovens são feitas e não há nada que possa impedi-los disso. No entanto, tudo isso deve e precisa ser feito com maturidade, começando com debates sérios sobre sexo, sem psicologismos desnecessários ou regras ultrapassadas. Para falar “na real” é preciso apenas contar o sexo real, aquele que acontece na adolescência e que deve perdurar até o fim da vida, pois, quando o assunto é prazer, tudo mundo canta a mesma música: “eu adoro, eu me amarro”.


Más condições econômicas e abusos sexuais são dois entre tantos fatores que contribuem para o aborto no Brasil. Por mais clichê que pareça, essa questão deve ser repensada, pois não é só a vida da criança que está em jogo, mas também a da mãe, que muitas vezes é julgada por escolher o que seria melhor para si, ao invés de seguir à risca as imposições da sociedade. O reflexo desse julgamento é possível ser observado na quantidade de abortos clandestinos.

Em uma nação que vive com um pé no futuro e o corpo no passado, percebe-se que parte da população ainda acredita que o homem é o líder e a mulher deve submeter-se a ele, ao mesmo tempo em que não aprovam sua decisão de abortar quando ela é abusada sexualmente. Muitos não percebem que assim como o bebê foi gerado isento de amor, também o seu desenvolvimento poderá ser. Preferem que essas mulheres deixem vir ao mundo uma criança que foi fruto de um abuso e corre o risco de ser abandonada pela mãe.

Infelizmente, a falta de apoio e estrutura nos hospitais faz com que as mulheres recorram a métodos abortivos clandestinos pondo em risco a sua vida. Segundo pesquises do IBGE desde 1989 em todo o Brasil foram feitos apenas 205 abortos legais, enquanto 1,4 milhões de abortos ilegais são efetuados por ano. Visando sanar isso, em 2010 foi aprovado o projeto bolsa estupro com a finalidade de reduzir o número de abortos dando um estímulo de um salário mínimo durante 18 anos. O Estado não percebe que além das questões financeiras existem também as psicológicas.

É importante destacar que os fatores econômicos também são importantes para decidir se uma família terá condições de arcar com as despesas de criar um filho. Aqueles que não têm possibilidades de suprir suas necessidades dificilmente suprirão as de uma criança. Mesmo sofrendo, muitas mães optam por abrir mão da gravidez a fazer com que essa criança venha crescer em um lar onde lhe faltará conforto e uma boa alimentação.

Portanto, abortar não é só uma questão de querer ou não ter um filho. Espera-se as mulheres adquiram mais autonomia, passando assim a tomar as próprias decisões observando se os fatores a sua volta favorecem o nascimento de uma criança sem as prejudicar.  Espera-se também que os serviços de saúde pública prestem o apoio necessário a essas mães, pois assim acabariam os abortos clandestinos e, consequentemente o número de mortalidade diminuiria.


Aluna: Juliana do Nascimento Ferreira
Professor: Diogo Didier


          A ideia de “fim do mundo” tem gerado diferentes formas de encarar o planeta como um verdadeiro lar. Os antigos Maias acreditavam que esse fim era mais um rito de passagem do que um findar humanitário propriamente dito. E, por mais falhas que tenham sido tais profecias, os seres humanos ainda polemizam-nas refletindo através destes questionamentos sua crença e medo de um fim próximo.

    Segundo o psicólogo norte-americano Bruce Hood, “nascemos com o cérebro desenhado para encontrar sentido no mundo.” Tal citação pode ser caracterizada pelo medo que existe em acreditar exageradamente num fim para a humanidade como forma de desviar-se dos demais problemas que se fazem presente atualmente, como por exemplo: os buracos na economia e as porcentagens exageradamente preocupantes.

         No atual século é possível ainda estabelecer uma base de estudos voltados ao destino da humanidade, baseando-se tanto em fatos religiosos quanto histórico científicos. Biblicamente, o apocalipse acontecerá em questão de tempo. No mundo, cerca de metade da população baseia sua vida no cristianismo; que por sua vez acredita no fim como eterno, e/ou para dar lugar a um novo começo, considerando as diferentes e modernas maneira de interpretar o fim dos tempos.

        A astronomia, a geografia e outras ciências por sua vez, encorajam ainda mais a crença nos fenômenos naturais como sendo indicativos de um fim próximo. A passagem de cometas, os vários terremotos e inundações que vem assustando o planeta recentemente, tem trazido ainda mais perturbação na mente humana. Isso se dá devido a constante mudança similar da mente, enfatizando utopicamente algo que deveria ser encarado como natural.

       É difícil dizer se vão ocorrer grandes ou pequenas catástrofes, mas já se sabe que a intensidade das catástrofes vai crescer. Isso por que o mundo é como um espelho: reflete a ação do homem, e em resposta disso usa a natureza como resposta. Portanto, desprendendo-se de tabus proféticos e mitológicos, o mundo seria um lugar realmente habitável; e, isso por sua vez refletiria a melhoria na ação exercida pelo homem à natureza, aperfeiçoando assim, o equilíbrio pré-estabelecido nos primórdios da humanidade. 



Eu estava no topo do mundo, hoje estou a sete palmos do chão. Apanho constantemente da saudade que a minha selva de pedra me deixou hoje o que me cerca são apenas lembranças felizes de liberdade. Eu vim parar em uma imensidão de mentes restritas que tentam restringir a minha que já é livre por natureza. Meu ser já está farto de tanta ditadura.

Meu DEUS é o amor e não o carrasco.

Estou farta de dizerem o que devo usar! Ora, por acaso alguma roupa é um uniforme vindo do céu? Eu quero usar a minha calça e a minha maquiagem sem que me digam que sou Jezabel.

Em pleno século XXI eu deveria andar livremente nas ruas sem que me coloquem títulos. Quero fazer amizades s do que em que a primeira vista me julgue alienada!

Sou apenas uma garota, igual às outras ,que sonha com uma vida bela e um feliz para sempre. Não quero apenas ser a esposinha que arruma a casa e põe comida no prato do seu homem, mais do que isso! Não quero viver a sombra do homem de paletó e gravata! Não quero ser apenas a digníssima esposa do reverendo! Não! Quero ser a esposa, a amante, namorada, a amiga, a irmã, a companheira, tudo, quero ser tudo para ele! Pois não sirvo apenas para lavar, passar, cozinhar e servir de concubina, sou mais. Sou mulher!

Cansei de falsas visões de pecado, meus ouvidos não aguentam mais tanta hipocrisia onde usar batom é mais grave que roubar! Não pense que estou desprezando a minha fé! Não! Estou apenas gravando aqui minhas indignações para com tudo isso. Afinal, quem não critica a sua fé está morto ou alienado! O filosofo estava certo ao afirmar isso, completamente!

Gosto de estar no templo, o que me incomoda são as algemas que insistem em tentar me colocar! Escute aqui! Em mim ninguém coloca cabresto. A bíblia diz "Se CRISTO verdadeiramente vos libertar, verdadeiramente sereis livres", mas ainda sinto os agrilhões pendurados na minha saia!

Ah que saudade da minha selva de pedra! Lá ninguém tinha tempo de cuidar da vida do próximo!

Hey! Acordem! Tirem suas anáguas e suas gravatas dos olhos! As pessoas estão morrendo! Parem de tentar nos aprisionar na ignorância e entrem nos presídios, nos orfanatos e nos hospitais! Ajudem! Não atrapalhem! Salve vidas, e não tentem mata-las!

Meu DEUS é o amor e não o carrasco

Camila de S.Carvalho.

O silêncio muitas vezes é uma mentira

Há uma frase que não sei a quem atribuir que diz que integridade é dizer a mim mesmo a verdade e honestidade é dizer a verdade para outras pessoas, portanto é necessário posicionar-se, mostrar anuência, discordância, expressar os sentimentos, enfim. Embora sábios e profetas das tradições cristãs tenham enumerado os benefícios salutares do silêncio, que acalma o corpo, oferece equilíbrio, são através das palavras que desenvolvemos a empatia. O silêncio está mais associado ao pesadelo desconfortável do confinamento solitário, enquanto o ruído da fala nos iguala com liberdade e prazer.

Após abrir um espaço para confiar em si mesmo, é hora de encontrar alguém em quem confiar. Se uma pessoa te respeita, ela vai respeitar o que você tem a dizer. Não é preciso ferir os sentimentos de alguém, mas para obter algo que você nunca teve, você tem que fazer algo que você nunca fez antes e manter a boca fechada serve apenas para reforçar o medo.

Não hesite, não se preocupe em dizer a coisa errada, não dê desculpas pela forma como você se sente. Mesmo que tenha dificuldade para se expressar, fechar-se em silêncio, porque está com medo de falar não faz bem a ninguém. Levanta a mão, peça desculpas por sua impertinência, isso pode ser arriscado, mas faz a diferença. Fale sua opinião sempre que uma ação afetar você diretamente. Atenha-se aos fatos e ignore as emoções para aumentar suas chances de ser ouvido, declare os seus sentimentos e necessidades, sem fazer acusações.

Posicionar-se não significa permitir que as pessoas te usem como uma caixa de ressonância para expressar a opinião delas. Crescemos acostumados a guardar o que ouvimos, o que vemos, o que passamos, o que sofremos. De certa forma fomos desencorajados a expressar nossos sentimentos, a compartilhar nossos problemas, como se tivéssemos tido uma constipação emocional. Observe que há muito mais espaço fora do que dentro de nós mesmos, então quando você sentir que foi tratado injustamente por alguém, faça-se ouvir, tome medidas para combatê-lo, expresse seu descontentamento, para que tudo isso não desencadeie nenhum aperto no peito, porque se você optar por falar quando sentir-se emocional, pode comprometer o desenvolvimento do seu ponto de vista.

Não é necessário arrastar-se em incidentes do passado para falar de situações que causam dor no presente, pois a maioria das pessoas acreditam que é moralmente justificado tudo o que fazem. Ao abrir-se para externar seus pensamentos, escolha as palavras com cuidado, pensa no que vai dizer, mas diga. O silêncio pode machucar, pois a opressão só existe onde há silêncio. E a ausência de palavras pode causar tantos danos quanto falar demais.


Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente no blog  do Romilson toda terça-feira 
olga@terra.com.br





“A criança não tem culpa da irresponsabilidade dos pais”, geralmente esse é o discurso adotado por aqueles que são contra o aborto. Porém é necessário lembrar que a vida em perigo não é apenas a do bebê no ventre da mãe. E que fatores muito relevantes, como de independência e saúde física e mental da mulher, devem ser considerados no momento de defender algum ponto de vista.

            Durante muitos anos a mulher foi inferiorizada e submissa ao homem. Hoje, ela conquista cada vez mais seus direitos, mas ainda não pode mandar em seu próprio corpo. É obrigada pela lei a levar adiante uma gravidez que ela não planejou caso contrário corre o risco de ser tratada como criminosa, ficando de 1 a 3 anos presa quando não necessariamente oferece risco à sociedade.

            Nesse sentido, está em votação o projeto conhecido como Bolsa Estupro que concede direitos ao embrião a partir do momento em que ele é gerado e oferece beneficio financeiro a quem não interromper a gestação. Este projeto faz retomar a uma sociedade patriarcal, que controla o corpo da mulher e que está mais preocupada em respeitar certos valores culturais que erradicar a violência sexual que elas sofrem.

            Legalizar o aborto não significa necessariamente um aumento na incidência dos casos. Na China e na Holanda, onde isso aconteceu, os casos de interrupção de gravidez manteram-se intactos, ou seja, não aumentaram e também não diminuíram. Esses países tem um sistema de saúde que auxilia as grávidas, ao contrário do Brasil, onde muitas morrem, pois recorrem a métodos perigosos por não receberem apoio.

            É necessário perceber que o aborto é uma questão de saúde pública e respeito aos direitos das mulheres. O Brasil deveria seguir o exemplo desses países que legalizaram o aborto e apoiam as mulheres em suas decisões. Legalizar o aborto não significa que mais vidas serão tiradas e sim que mais pessoas serão independentes e conscientes do que fazem.

                                                                                                       Aluna: Amanda Raiza
                                                                                            Professor: Diogo Didier

“Na primeira vez em que um pau me foi enfiado goela abaixo – figurativamente falando – eu tinha apenas doze anos. Doze.
Voltava da escola pra casa todos os dias, de ônibus. Naquele dia não foi diferente. E, mesmo assim, foi totalmente diferente. Porque, naquele dia, sentado do meu lado, estava um senhor que achou que seria uma excelente ideia colocar o pau pra fora da calça e se exibir pra uma criança.
Aquele foi o primeiro dia em que me senti um objeto. Enojada e impotente.
Da segunda em diante, parei de contar. Já apertaram minha bunda, já apertaram meus peitos, já puxaram meu cabelo, já assobiaram e disseram grosserias que, certamente, não diriam às suas santas mãezinhas.
Há quase dez anos, contudo, uma dessas situações marcou a minha vida. Há quase dez anos fui estuprada.
Não fui estuprada por um estranho. Sei o nome e sobrenome do meu estuprador, e há dez anos sabia também o seu endereço, onde trabalhava, o que fazia, onde tinha estudado, quem eram seus amigos.
Fui estuprada por um amigo, num encontro.
Não estávamos muito bêbados. Não, eu não estava usando roupas provocativas. Sim, eu disse que não queria. Aliás, nada disso explicaria ou justificaria o que aconteceu, mas acho bom ressaltar pelo caráter educativo do relato: não, as mulheres nunca estão a salvo.
Como em algumas vezes anteriores, eu e meu amigo tivemos um “date”, saímos juntos pra jantar, conversamos, rimos. Fomos pro meu apartamento, depois. Tomamos um drink qualquer. Eu queria estar com ele, eu estava atraída, eu estava a fim.
Mas, de repente, me vi forçada a uma situação de violência e agressão da qual não queria participar. Enojada e impotente, como aos doze anos. Dizendo, ou melhor, gritando que não, mas não tendo força suficiente para me desvencilhar de um corpo adulto muito maior e mais forte do que o meu.
Sei que é chocante revelar publicamente um estupro e pensei muito antes de escrever esse texto. Nem mesmo as pessoas mais próximas sabem do que me aconteceu.
Mas o estupro em si não é o meu ponto mais importante. A cada doze segundos – SEGUNDOS – uma mulher é estuprada no Brasil. A cada quinze segundos uma mulher é espancada por um homem, também no Brasil. Aproximadamente uma em cada três mulheres sexualmente ativas já sofreu agressão física ou sexual por um parceiro. Uma em cada 3 mulheres NO PLANETA já foram espancadas, estupradas ou submetidas a outro tipo de abuso. De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da sua vida.
O meu estupro é só mais um em UM BILHÃO no planeta. Sim, esse número é real. Um bilhão.
O importante é como eu, depois do estupro, relutei em acreditar e admitir que fui estuprada. É como defendi meu estuprador para o amigo que me socorreu, dizendo que ele provavelmente não tinha entendido que eu não queria. É como passei um longo tempo achando que, apesar de todos os meus gritos, resistência física e de todo o sangue que ficou na roupa de cama, aquilo tudo podia ter sido apenas um mal-entendido.
O importante é que, depois do estupro, ainda falei amigavelmente com meu estuprador, e ainda tive pena dele.
O importante é quantos anos demorou pra que eu finalmente admitisse pra mim mesma – e só pra mim, claro – que eu tinha sim sido estuprada. E como, mesmo assim, optei por não contar isso pra ninguém, por não falar no assunto, por não alertar outras mulheres para o perigo que correm todos os dias ao simplesmente existirem.
O estupro em si foi só mais um, mas a minha ATITUDE – infelizmente, também muito comum – é o que permite que a cada doze segundos uma mulher seja estuprada no Brasil.
Esse ano, me vi novamente numa situação em que me senti impotente e, por alguns minutos, não tive força física suficiente para resistir a algo que eu não queria que acontecesse com o meu corpo. Não era uma tentativa de estupro, mas a sensação de impotência me remeteu automaticamente a dez anos atrás. Das entranhas, me veio uma força desconhecida e consegui dizer NÃO. Consegui reaver a posse do meu próprio corpo, e impedir que alguém fizesse comigo algo que eu não queria.
E, pela primeira vez em dez anos, chorei pelo meu estupro. Me permiti sentir pena de mim pelo que aconteceu. Me permiti sentir raiva do meu estuprador. Me permiti chorar.
Mas chorei também de orgulho pela minha recém-adquirida coragem, por ter conseguido me defender, me impor, cuidar do meu corpo, mandar no meu corpo, retomar das mãos do outro o meu direito sobre mim mesma.
Parece uma coisa simples que uma pessoa tenha direito sobre seu próprio corpo, mas não é simples para as mulheres. E as mulheres precisam falar mais sobre isso, se abrir, contar suas histórias, ter coragem de se expor. Não só sobre estupro, mas mão na bunda, mão nos peitos, puxões de cabelo, paus pra fora da calça, agressões verbais. Me arrisco a dizer que TODA mulher que conheço já passou por pelo menos uma situação de abuso ou violência sexual (sim, tudo isso É violência!). E os homens precisam ouvir, saber, perceber as diferenças, compreender as dificuldades que, ainda hoje, as mulheres sofrem.
A propósito do 11 de setembro, lembro que na época do atentado uma das coisas que mais se falava era que eram tantos passageiros contra apenas uns poucos terroristas que, se tivessem se unido, o desfecho poderia ter sido tão diferente. Uma tragédia poderia ter sido evitada.
Demorei dez anos pra admitir e chorar pelo meu estupro. Demorei dez anos pra ter coragem de me abrir e me expor. Não esperem isso tudo. Contem suas histórias. Somos mais frágeis, sim, mas somos muitas. Juntas, podemos mudar tudo.”
Visto no:Blog Mulherão

12 maio 2013



A maioridade penal é o assunto do momento. Isto porque jovens criminosos vêm se proliferando pela sociedade brasileira cometendo assaltos, roubos ou até mesmo matando vidas inocentes. Chocados com tanta brutalidade, a população reivindica uma posição mais enérgica do poder público, para penalizar duramente esses indivíduos que cada vez mais cedo entram no mundo da marginalidade. Infelizmente essa postura imediatista só acontece quando barbáries comovem a sociedade, como no caso de Realengo e entre outros mais recentes. Entre eles há um sentimento de descaso, tristeza, mas também a abrupta necessidade de culpar alguém remediadamente. Por não focar na raiz do problema, a redução talvez não seja a solução mais viável para punir menores infratores, uma vez que antes de criminalizar os maus atos cometidos por esses jovens, devemos lembrar que eles são vítimas de uma infinidade de outros crimes já conhecidos por nós, porém sócio e historicamente negligenciados pela sociedade como um todo.

O perfil da juventude brasileira tem mudado ao longo do tempo. Tal mudança é natural, visto que com as transformações sociais, o homem tenta se adequar a essa máquina complexa chamada de sociedade, buscando, pelo menos, sobreviver dentro dela. E isso não seria diferente com os jovens. Desde os transgressores hippies, passando pela jovem guarda e pelos revolucionários “caras pintada” do impeachment do ex-presidente Collor, eles se apresentavam para sociedade ora como protagonistas ora como antagonistas. Mais suscetíveis às mutações modernas, eles voltam a protagonizar o palco nacional, tendo como pano de fundo o espetáculo da violência praticada por eles. No entanto, antes de uma possível punição às vilanias desses infantes, é importante pontuar que a brutalidade dos seus atos decorre de uma série de abandonos e descasos de um país acostumado a resolver seus problemas no calor da emoção e, infelizmente com métodos inutilmente paliativos.

Sempre que ocorre um crime chocante, a sociedade trata logo de buscar soluções imediatistas para punir os “culpados” por tais atos. É o que se pode perceber com o possível plebiscito sobre a maioridade penal. Depois da morte do estudante Victor Hugo, que foi brutalmente assassinado na frente do prédio onde morava, e da dentista Cinthya Moutinho, que covardemente foi queimada viva por assaltantes, a sociedade rediscuti a possibilidade de diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos. É inegável que a barbaridade desses crimes deixa um clima de revolta no ar, o qual ofusca o pensar, levando-o a encontrar caminhos rápidos para que a justiça seja feita. Porém, por mais que alguns defendam a diminuição da idade penal, ela não salvará outras vítimas da selvageria juvenil, nem tem pouco evitará que novos jovens, cada mais cedo, cometam crimes dessa proporção. No máximo, a redução trará uma efêmera e reconfortante sensação de justiça feita, de “dever cumprido”.

Essas sensações logo são apagadas quando um novo caso é noticiado pela mídia. Então, novamente volta-se para o debate enfadonho em torno da penalidade juvenil, como se os governantes e a sociedade como um todo não soubessem as verdadeiras razões que levam crianças e adolescentes a cometer crimes de gente grande. Na verdade, o descaso começa pelo Estado. Numa nação onde as bases políticas são omissas quanto à educação pueril, o resultado não poderia ser diferente: jovens cada vez mais ignorantes, alienados, sem perspectiva de vida e nem de um futuro promissor. Entregues a própria sorte, muitos acabam sendo seduzidos pelo mundo do crime. Outros são impulsionados a ele, pois suas vidas não proporcionavam rotas melhores para sobreviver à fome, miséria e a tantos outros males sociais que transformam homens em bichos. E isso é mais intenso na juventude, porque a inexperiência unida com a ingenuidade e a imaturidade desse período são ingredientes suficientes para fabricar novos assaltantes, drogados e matadores impensantes.

Tudo isso ocorre porque a juventude brasileira vive abandonada ao Deus dará. Sem rumo, ela encontra na marginalidade a válvula para externar seus tormentos. Percebe-se isso tanto no assassinato do estudante como o da dentista. Em ambos, os assaltantes queriam dinheiro ou os bens pessoais das vítimas. Ou seja, sendo ou não para comprar drogas, a atitude desses casos evidencia que o problema em questão não está apenas na redução impensada da maioridade penal, mas sim na recorrente desigualdade social que impera no país. Por mais clichê que seja, é ela a principal pivô de todos os crimes que ceifam vidas inocentes dia após dia no Brasil. Isto porque, mesmo com o discurso em torno da economia aquecida, muitos ainda não fazem parte dessa utópica classe “c” enfatizada nos horários políticos que passam na televisão. Lamentavelmente, muitas famílias vivem sem acesso qualitativo a serviços básicos como saneamento básico, segurança saúde e educação. Esta última, a única capaz de civilizar esses jovens dando-lhes oportunidade de se tornarem cidadãos dignos, nessa terra onde a dignidade parece ter sido esquecida.

Mesmo com esses argumentos, há quem opine a favor da redução da maioridade penal, acreditando que se eles foram capazes de matar, roubar, estão também preparados para assumir pelos seus atos. Tal contraversão opinativa poderia ser válida se o Brasil tivesse um sistema prisional que funcionasse na prática, quando na verdade não é o que acontece. Nos presídios espalhados pelo país a superlotação de celas não aprisiona, mas sim potencializa a violência de homens e mulheres que deveriam estar presos para pagar pelos seus crimes. Entretanto, nas condições desumanas que vivem, eles acabam sendo condicionados a se tornarem bestialidades humanas, as quais, depois de soltas, retornam a cometer crimes tão hediondos quanto os que os levaram as celas. Caso semelhante acontece com os espaços de “ressocialização” destinados a menores infratores. Nesses locais, os jovens deveriam ser reeducados por profissionais competentes e preparados. Da mesma forma que eles deveriam ser acomodados numa estrutura que no mínimo oferecesse as condições necessárias uma possível reintegração social.

Acontece que tanto nos presídios nacionais quanto nas “FEBENS” a realidade é bem diferente. Celas superlotadas, falta de profissionais, alimentação e higienização precárias formam o quadro prisional de quem é retirado da sociedade. No caso dos menores de idade essa falta de estrutura resvala mais intensamente. Como as penas são curtas, logo eles estão à solta na sociedade e muitos voltam a cometer crimes tão bárbaros quanto os de antes. Tudo porque os espaços destinados à reconstrução da identidade civil desse grupo, na verdade se tornou um campo de guerra, ignorado pelo governo e esquecido pela sociedade. Daí quando soltos, despreparados e distantes de uma perspectiva futurista salutar, muitos retornam a criminalidade, já que eles aprenderam forçosamente a sobreviver através dela. E nesse jogo de abandono e descaso, quem ganha é a marginalidade, a qual precocemente tem angariado os seus para sua redoma. E, por outro lado, quem continua perdendo é a sociedade, ora por omissão, já que não reivindica melhores condições de vida para a juventude brasileira, ora literalmente, quando os frutos do seu próprio descaso se voltam contra ela.

E essa relação de causa e consequência, conhecida por todos, só terá um fim quando pararmos de encontrar paliativos e nos debruçarmos em torno da raiz desse problema. Enquanto o gritante abismo social, que separa os endinheirados dos assalariados, existir na proporção que existir hoje, a sociedade continuará a fabricar menores cada vez mais inconsequentes e indomados. E não adianta se agarrar a argumentos como: “se eles podem fazer filhos, podem se responsabilizar pelos seus atos”, ou “se eles matam, merecem ser penalizados por isso”. De fato, a penalização é necessária, mas reduzir a faixa etária para isso, sem uma reestruturação no sistema prisional, é o mesmo que alimentar, educar e preparar criminosos em série, que em breve estarão livres barbarizando tanto quanto antes. Por isso que reduzir a maioridade penal de 18 para 16, 15, 14 anos não vai ser suficiente para resolver a violência juvenil. Ela nasceu na discrepância social, a qual leva meninos e meninas à marginalidade, e ganhou força com o abandono governamental. Sem dinheiro, sem lenço e nem documento, estes pequenos “criminosos” servem de bode expiatórios para os verdadeiros culpados, estes que não estão preocupados em solucionar o problema, mas em encobrir as suas verdadeiras soluções.


TÍTULO: No banco dos réus


       No Brasil, a violência não é um fenômeno recente. Diante do crescimento hierárquico que vem desequilibrando a reciprocidade entre a igualdade, o país tem vivido à mercê da intolerância. A corrupção e a manipulação de poder tem influenciado para tal desequilíbrio. Mas, pode-se afirmar que foi através desses poderes que  ato de demasia foi, de certo modo, legitimado historicamente na sociedade brasileira?

        O ato violento tem-se nutrido através da corrupção que atinge níveis administrativos, o que acaba reprimindo a sociedade, fazendo com que os mesmos defendam-se com as próprias mãos. Tais acontecimentos refletem no crescimento generalizado da violência nacional. Segundo o IGBE/sendo 2010, a marginalidade cresce a cada ano cerca de 20%, o que leva o Brasil a se manter entre os países mais violentos. 

          Ainda que a manipulação de poder domine, a sociedade tem agido por conta própria devido ao não controle de seus atos. Segundo afirma o sociólogo Antônio Rangel, coordenador de desarmamento do Viva Rio, "a violência não é um fenômeno cíclico, sobre o qual interferem inúmeros fatores, muitos dos quais não se refletem nas estatísticas, que são necessariamente parciais."

         Apontar possíveis culpados para o aumento do desregramento é em contra partida, um tiro no escuro. Afinal, a sociedade ainda se contrapõe, o que leva ambos a estabilizarem a balança, não levando nenhum nem outro a condenação. 

        Portanto, é necessário que a hierarquia dominante se conscientize e exerça as leis que funcionam apenas no papel. Dessa forma, a balança decairá para algum dos lados, e, só assim saberemos quem realmente merece ocupar o banco dos réus.


Aluno: Welber Oliveira
Professor: Diogo Didier 


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector




Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos, ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente. Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marcá-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o sabe assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças brasileiras na terceira série do elementar não sabe ler nem escrever. Não entende para o que serve a pontuação num texto. Não sabe ler horas e minutos num relógio, não sabe que centímetro é uma medida de comprimento. Quase a metade dos mais adiantados escreve mal, lê mal, quase 60% têm dificuldades graves com números. Grande contingente de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples, pois não sabem pensar, muito menos expressar-se por escrito. Parafraseando um especialista, estamos produzindo estudantes analfabetos.

Naturalmente, a boa ou razoável escolarização é muito maior em escolas particulares: professores menos mal pagos, instalações melhores, algum livro na biblioteca, crianças mais bem alimentadas e saudáveis – pois o estado não cumpre o seu papel de garantir a todo cidadão (especialmente a criança) a necessária condição de saúde, moradia e alimentação.

Faxinar a miséria, louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria que nos orçamentos da União e dos estados a educação, como a saúde, tivesse uma posição privilegiada. Não há dinheiro, dizem. Mas políticos aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a coisa pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, criados sem limites, nada lhes é exigido, devem aprender brincando. Não lhes impuseram a mais elementar disciplina, como se não soubéssemos que escola, família, a vida sobretudo, se constroem em parte de erro e acerto, e esforço. Mas, se não podemos reprovar os alunos, se não temos mesas e cadeiras confortáveis e teto sólido sobre nossa cabeça nas salas de aula, como exigir aplicação, esforço, disciplina e limites, para o natural crescimento de cada um?

Cansei de falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça. Precisamos de atos e fatos, orçamentos em que educação e saúde (para poder ir a escola, prestar atenção, estudar, render e crescer) tenham um peso considerável: fora isso, não haverá solução. A educação brasileira continuará, como agora, escandalosamente reprovada.


Título: Um ofício e várias incumbências

         Ensinar em um país onde a educação é uma atividade de importância secundária tem sido uma ação cada vez mais árdua. A classe de professores perde o estímulo e o prazer de lecionar, a partir do momento que não são reconhecidos na sociedade, são mal remunerados e ainda estão sujeitos a agressões por parte de seus próprios alunos. 

       Teoricamente o papel do orientador é repassar o conhecimento adquirido com anos de esforços. No entanto, tem transcendido a isto na prática, pois além de perpassar conhecimentos técnicos, os educam também enquanto cidadãos. Ocorre muitas vezes de se envolverem com a vida pessoal dos educandos, passando a serem, inclusive, suportes emocionais.

       É cabível afirmar que o professor é um conjunto de instrutor, psicólogo, pai e mãe de muitos que não possuem estabilidade familiar. Isso porque no Brasil o descaso não é exclusivo da educação, mas acompanha a ausência de meios e direitos básicos que confiram uma vida estável às classes desfavorecidas. Com tantas incumbências exercidas por eles, mereciam se tratados com mais respeito, deveriam ser reverenciados da mesma forma, por exemplo, que se procede no Japão.

       Para impedir o agravamento deste panorama e agir a favor da progressão educacional, é essencial que haja uma interação entre professores, alunos, governo e família.  Porém,  o privilégio do governo é o futebol que proporciona a seu povo política de  pão e circo. Mudanças reais só irão acontecer quando a sociedade se libertar das rédeas e lutar intensamente para a alteração deste quadro.


                                                                                                       Aluna: Amanda Gabriele de F. Santos
                                                                                                                            Professor: Diogo Didier