10 novembro 2013

 
Por Marília de Camargo César*
 
No último dia 13, no Rio de Janeiro, em meio à extravagância e ao carnaval que costumam marcar a Parada Gay, um grupo de jovens ligados à Igreja da Comunidade Metropolitana distribuiu folhetos e ergueu cartazes em que anunciavam o amor incondicional de Deus por todos os homens, incluindo homossexuais, travestis e transgêneros.
 
Esse pequeno rebanho de ovelhas, lideradas no Rio pelo pastor Márcio Retamero, faz parte de uma das comunidades chamadas “inclusivas”. São pessoas, em sua maioria de orientação homoafetiva, que acreditam na releitura dos trechos das Sagradas Escrituras que condenam a prática homossexual. Dados aproximados revelam a existência de 28 comunidades desse tipo organizadas no Brasil, em nove Estados. Um levantamento entre os líderes dessas comunidades, feito a pedido da BBC-Brasil em 2012, sugere uma frequência estimada de 10 mil pessoas. Muitas delas foram expulsas de igrejas evangélicas tradicionais, após assumir ser gays, ou afastadas por uma forma mais sutil de assassinato: o desprezo ou a indiferença.
 
Sem saber, os participantes da Parada Gay repetirão uma forma de manifesto organizada pela primeira vez na história em 1970, nas ruas de Los Angeles, nos Estados Unidos, por um pastor protestante. Ordenado pastor batista quando tinha apenas 15 anos, numa pequena congregação no Estado da Flórida, onde se casou e teve dois filhos, o reverendo Troy Perry se afastara do trabalho após divorciar-se da esposa e admitir ser gay.
 
Depois de entrar numa crise existencial, que o levou perto do suicídio, Perry diz ter recebido um chamado divino para voltar a pastorear – desta vez, com a atenção voltada às pessoas que, como ele, eram discriminadas por causa da orientação sexual. Assim nasceu a Metropolitan Community Churches (MCC), a primeira denominação inclusiva dos Estados Unidos. A MCC reúne hoje 43 mil membros, em 222 congregações espalhadas por 37 países. Está no Brasil desde 2009, onde conta com oito comunidades. O trabalho do pastor carioca Márcio Retamero está vinculado à MCC.
 
O chamado pastoral de Perry deu origem à controversa teologia inclusiva, também denominada teologia queer (outra palavra para gay, em inglês), ou afirmativa. Trata-se de uma reinterpretação bíblica contestada pelos teólogos tradicionais.
 
Um exemplo dessa releitura está na conhecida história sobre a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra, narrada no livro de Gênesis. Os inclusivos usam uma passagem bíblica do livro do profeta Ezequiel (Ezequiel 16:49) para reforçar sua teoria de que o grande pecado das duas cidades não foi a devassidão homossexual, mas a falta de hospitalidade e de justiça social. O texto bíblico afirma: “Eis que essa foi a iniquidade de Sodoma, fartura de pão e próspera ociosidade teve ela e suas filhas, mas nunca amparou o pobre e o necessitado”. Ausência de interesse por justiça social e de preocupação com os viajantes numa cultura nômade, onde ser hospitaleiro era um dos traços de generosidade mais importantes, são os grandes pecados que os teólogos gays atribuem a Sodoma e Gomorra.
 
Os pesquisadores tradicionais contestam. Dizem que aqueles que advogam apenas falta de cortesia ou de preocupação social por parte da população de Sodoma ignoram a passagem do livro de Judas, que afirma: “De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo”.
 
“Há uma tradição de 5 mil anos de história judaico-cristã-islâmica e até agora não surgira nenhum teólogo, nenhum exegeta que tivesse feito outra leitura desses textos. De Abraão até o século XX, não houve releituras. De repente, surge um grupo que teve uma iluminação”, afirmou, com ironia, em entrevista para o livro Entre a cruz e o arco-íris, de minha autoria, Dom Robinson Cavalcanti, arcebispo da Diocese de Olinda da Igreja Anglicana do Cone Sul da América. Dom Robinson, morto em 2012, acreditava que esse debate estava inserido num movimento cultural global, de caráter ideológico. “A Igreja teve os pais apostólicos, os pais da Igreja, os reformadores, a filosofia oriental ortodoxa, e ninguém nunca viu isso. Agora chegam os americanos e fazem uma releitura”, afirmou. “Trata-se de uma grande pirueta teológica.”
 
A discussão teológica é apenas uma das questões que pautam o difícil relacionamento entre as igrejas cristãs e os fiéis homossexuais. Quando se mergulha nesse universo, como eu fiz, fica claro que as igrejas ainda não estão dispostas nem preparadas para desenvolver uma pastoral adequada aos homossexuais, uma minoria que, como os leprosos nos tempos de Jesus, é deixada à margem e condenada ao isolamento.
 
O pastor Ricardo Barbosa, da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, um experiente conselheiro de casais cristãos, resume bem a questão: “Ouvi de um rapaz que foi homossexual praticante durante muito tempo que nós afirmamos que a graça de Deus basta, que Deus ama o pecador. Cantamos para que eles venham como estão. Mas não no caso dos gays. No caso dos gays, pedimos que mudem primeiro. A Igreja deve manter o mesmo convite para todos, para que todos possam caminhar em direção à vida que Cristo nos oferece. A Igreja precisa se preparar para isso”.
 
Não se trata de uma conversa fácil e, nessa arena, muitos lutam com as armas de que dispõem em favor daquilo em que acreditam. Pastores surgem na televisão, inflamados, amaldiçoando a homossexualidade como o pecado sem perdão. Ativistas gays, por outro lado, combatem a postura das igrejas, na tentativa de amordaçá-las e impedi-las, por via legal, de ensinar o que as Escrituras Sagradas estabelecem a respeito do assunto. Assim descreve o teólogo e escritor Richard Foster: “A homossexualidade é um problema tão difícil de tratar dentro da comunidade cristã que tudo o que for dito será severamente criticado”.
 
Por mais que pareça estranho, muitos cristãos ignoram o fato de que há um rebanho formado por homossexuais que congrega, nas igrejas, anônimos, sem poder assumir quem são, levando vidas que Henry David Thoreau definiu como de “silencioso desespero”. São pessoas comuns, cristãos sinceros que nutrem o desejo de servir ao mesmo Senhor adorado pela maioria heterossexual. São homens e mulheres que foram aceitos pelo amor incondicional de um Deus que, segundo a Bíblia, não faz distinção entre as pessoas, mas que descobriram, na prática, igrejas que a fazem.
 
Por essa razão, é de esperar que as igrejas inclusivas continuem crescendo também no Brasil. Os líderes das comunidades evangélicas amigas dos gays preveem o dobro do número de fiéis nos próximos cinco anos. Mesmo essas congregações podem não ser a resposta ideal para alguns. A arquiteta Fátima Regina de Souza, um dos personagens de meu livro, frequentou por um tempo uma dessas comunidades, onde fez amigos. Ela não se adaptou. Não gostou da sensação de ficar confinada a um gueto.
 
Para Fátima, o lado mais difícil em sua viagem de autoconhecimento e autoaceitação é enfrentar o preconceito. Ela tem a impressão de que as pessoas sempre pensam que o homossexual cristão não fez tudo o que podia para mudar, não buscou a Deus o suficiente. “É como se a gente estivesse sempre em falta”, diz ela. “As pessoas lançam esse olhar de desconfiança sobre nós sem nem antes encarar os próprios problemas. Isso machuca muito. Com o tempo, a gente vai aprendendo a se proteger.”
 
Há alguns anos, Fátima voltou a reunir-se numa pequena e acolhedora congregação, em Ribeirão Preto, onde mora. Ali, diz ter encontrado cristãos que a amaram do jeito que ela é e, segundo diz, tornaram sua vida viável.
 
*A jornalista Marília de Camargo César, do jornal Valor Econômico, é autora de Feridos em nome de Deus. Seu novo livro, Entre a cruz e o arco-íris, foi lançado pela Editora Gutenberg em 14 de outubro

Visto no: Época
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porque uma mulher boa
é uma mulher limpa
e se ela é uma mulher limpa
ela é uma mulher boa

Angelica Freitas
Toda mulher é uma puta. Inclusive a sua mãe. Toda mulher é uma puta. Inclusive a sua. Toda mulher é uma puta. Inclusive. Toda mulher é uma puta, até que se prove o contrário. Toda mulher é uma puta e cobra barato. Toda mulher é uma puta e tem seu valor. Toda mulher é uma puta e merece respeito. Toda mulher é uma puta, graças a Deus.
Toda mulher é uma puta. Quando dá na primeira noite. Quando não dá no primeiro encontro. Quando dá o cu. E quando não dá também. Toda mulher é uma puta se posa pelada. Se sai de sainha. Se sai sem calcinha. Toda mulher é uma puta quando finge o orgasmo. Quando cospe. E quando engole também. Toda mulher é uma puta chupando buceta.
Toda mulher é uma puta maldita quando fecha as pernas pra você. Toda mulher é uma puta desbocada quando fala palavrão. Atrevida quando te desafia. Sem-vergonha quando dá mole, quando dá de quatro, quando dá motivo. Quando apanha. Calada. E quando apanha. Gritando. E quando denuncia. Quando enfrenta. Quando reage. Puta mãe solteira. Quando faz um aborto, quando tira o útero. Quando joga a criança no lixo. Puta.
Toda mulher é uma puta se senta de perna aberta, se peida, se arrota, se coça o saco. Quando ganha mais que você. Quando é mais inteligente, mais sexy, mais bem sucedida, mais vivida e mais gostosa que você. Toda mulher é uma puta quando manda em você. Toda mulher é uma puta quando come mais mulher que você.
Toda mulher é uma puta mesmo sendo um cara. Mesmo se tiver barba e bigode, um pau enorme e pentelhos grossos. Seu vizinho e seu irmão. Toda mulher é uma puta se for o seu zelador. Todos somos umas putas quando estamos. Amargos, cansados, famintos, angustiados, magoados, desenganados. E quando temos dor de barriga. E quando pisamos no calo de alguém. Quando tudo dá errado. E na vitória, somos putas. E ganhando na megasena. Putas!
Então somos todos umas putinhas arrombadas no inferno e nos restaurantes fast-food. No alto do Himalaia e rodando bolsinha na alça de acesso da Marginal. Afinal puta que é puta não conhece fronteira, moral nem contra-mão. Puta que é puta não pede perdão. Nem permissão. Puta que é puta paga sua própria fiança. E sabe os filhos que tem.
por Patricia Chmielewski – a Japa Tratante
Visto no: De Proposito
O desinteresse dos alunos pelos estudos, aumento dos casos de indisciplina, violência e atos infracionais nas escolas preocupam os educadores. Além dos baixos salários e as más condições de trabalho, são as principais causas geradoras de angústia, insatisfação, medo, desestimulando-os ao exercício da profissão. Frase como, por exemplo: “os jovens de hoje não tem limites”, “não querem saber de nada”, “não estudam”, “são apáticos”, “sem educação”, tornaram-se comum. As escolas públicas são muito mais vulneráveis a esses problemas pelas suas características: plural, universalizada, composta por uma clientela heterogênea quanto à condição econômica, social e cultural.
A educação básica na escola pública vai mal. As universidades reclamam, dizem que os alunos que chegam as universidades tem informação, mas são incapazes de compreendê-las. De que será a culpa? Da escola? Dos educadores? Do Estado? Dos Jovens? A racionalidade nos indica que a culpa não é dos nossos jovens, afinal, eles não nasceram prontos, foram produzidos assim na configuração política e social em voga. Sabemos que desde que o “mundo é mundo” os jovens sempre manifestaram certa rebeldia. O que mudou foi à configuração da rebeldia. A indisciplina e a violência revelam-se cada vez mais cruel e perversa.
A indisciplina e a violência na escola é a reprodução da violência que ocorrem na sociedade. A escola não é desconectada da sociedade, faz parte dela. As condições políticas e sociais do país, má distribuição de renda, impunidade, corrupção, baixa escolaridade e de renda da maior parte da população são exemplos de problemas sociais que refletem na escola. Além disso, as mudanças sociais contemporâneas ocorridas no modelo de família refletem na formação dos jovens.  Atualmente os pais necessitam trabalhar, as crianças e adolescentes tem ficado cada vez mais aos cuidados de terceiros ou sós, numa fase da vida tão importante para a educação de valores indispensáveis à boa convivência humana. O pior é que, muitas vezes, a família não é referência. Esses problemas se agravam nas famílias de baixa renda, eles não podem pagar uma cuidadora capacitada ou colocar numa escola infantil de qualidade. Faltam vagas nas creches e de projetos alternativos que acolham essas crianças e adolescentes enquanto os pais trabalham.
Pois bem, esses jovens indisciplinados e violentos estão nas escolas, não é a maioria, mas são muitos. Não estão lá para estudar, estão ali porque a escola é um ambiente social deles ou porque são obrigados. No final dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio os problemas se agravam. Aumentam à falta de respeito, alunos se recusam a fazer atividades e estudarem, atrapalham as aulas, brigas, xingamentos, palavrões, depredação do patrimônio público, bulling e ameaças são exemplos de ocorrências diárias no cotidiano das escolas. A figura do professor, que antes, e não faz muito tempo assim, talvez uns vinte ou trinta anos atrás, tinha a função de professar o conhecimento, hoje não é, mas assim. Hoje, ele tem que mediar conflitos, chamar atenção dos alunos, enfim, tentar primeiro manter a ordem para que a sala de aula tenha condições de fazer o que ele fazia antigamente.
 A questão é que manter a ordem da sala está cada vez mais difícil, os professore não obtém êxito. É humilhado, ameaçado e ofendido com palavrões. O bom aluno que tentar defender o professor e a ordem, também é ameaçado.  Outros, menos violentos quando é chamado atenção, olham para o professor com “cara” de deboche e respondem: “tô suave”; “não dá nada não professora”. Ah! Vai me mandar para a diretoria? Vai chamar meus pais? Conselho Tutelar? Boletim de Ocorrência? Fica a vontade “fessora”.  “Não dá nada não”. Suspensão? Que bom vou ficar uns dias em casa e ficar mais na internet, “na brisa”, vou curtir.
Os educadores trabalham em situações extremas de nervosismo, medo e angústia. Preparam aulas maravilhosas e não conseguem colocar em prática. Não é possível produzir se o ambiente e as condições não são favoráveis, o resultado é a baixa qualidade do ensino e não está pior porque muitos não desistem. A maioria é consciente de suas responsabilidades: transformar vidas, mudar a realidade caótica de muitas crianças e adolescentes, prepara-los para serem cidadãos críticos, conscientes, responsáveis e com uma formação moral e ética por uma sociedade melhor. O paradoxo é que eles são responsabilizados pelo fracasso e o insucesso escolar. Angústia dupla. Na hora de receber o salário, outra angústia.
Jovens, educadores e pais são vitimas do modelo educacional político social e histórico. A melhoria da qualidade da educação acontecerá na medida em que o país melhore a qualidade de vida da sua população, valorize a nossa cultura e desvincule do modelo de práticas curriculares eurocentrista, uniformizadora e colonizadora. Por enquanto, qualquer intervenção nas escolas é apenas um paliativo e isso não dispensa qualquer ação dos sistemas de ensino. Por exemplo, capacitar os educadores é muito importante, mas hoje não é esse o principal problema. O maior problema é tê-los. Ninguém quer ser professor com o salário que ganha e com as condições de trabalho vigente e se nada for feito a educação brasileira travará em breve.
Visto no: GGN

         O Brasil é um dos principais países onde mais se acontecem mortes ligadas ao trânsito. O exacerbado uso de bebidas alcoólicas é um dos motivos que está relacionado com este crescente número de acidentes fatais. Por conta destes episódios, o Governo de vários estados federais implantou uma lei com o intuito de conscientizar certas pessoas que usam veículos, a “Lei Seca”. Porém, esta ainda não conseguiu inibir totalmente o uso de bebidas alcoólicas ao volante.

            Todos os dias pessoas são bombardeadas por diversos tipos de informações, seja ela construtiva ou não. Assim, percebe-se muitas vezes que os meios midiáticos corroboram de forma implícita para o uso de tais bebidas como a cerveja, tida como um símbolo da população brasileira. Isto demonstra uma erroneidade, ao invés de haver uma recomendação deste meio para este tipo de bebida ser ingerida de forma consciente acaba ocorrendo o oposto.

Além disso, o sistema capitalista, o qual visa apenas o lucro, deixa uma ambiguidade no que é posto como lei. Pois, este depende da produção de produtos e do consumo destes para ser forte, e com isso a diminuição da bebida não ocorre, aliás, cresce ainda mais e os acidentes em proporcionalidade com este crescimento acelerado.

Contudo, esta lei se faz um pouco errônea, ficando às vezes restritas as classes inferiores. Como no país o poder ainda se concentra nas mãos de poucos, esta lei acaba sendo falha para estes, os quais tem privilégios e são imunes a certas penalidades por conta do poder, o dinheiro é posto acima da vida. Assim, nota-se o caso do filho do empresário Eike Batista, Thor Batista, acusado de atropelar um ciclista, porém, sem punição.

Portanto, precisa-se que a Lei Seca seja imposta a todos e não que uma minoria permaneça de fora. Também precisa-se de reeducação para que este costume, o qual está se tornando inerente à população brasileira seja exilado da sociedade. Dessa forma as leis seriam bem absorvidas e não haveria mais estas fatalidades ocorrentes.

 Aluno: Alisson Ulisses dos Santos Silva.
Professor: Diogo Didier.


Uma caricatura da mulher permite excessos, pré-requisito fundamental para se tornar uma drag queen. “Economia” é proibido, e timidez vira palavrão. É preciso “explodir” em cores no figurino, brilhos, glamour, feminilidade, maquiagem e alegria. Não à toa, são conhecidas também como “palhaços de luxo”. A personagem ganha nome e sobrenome diferentes do da certidão de nascimento do intérprete. A denominação, às vezes, vem da “identidade” de madrinhas. Ou seja, drags veteranas batizam a novata. Assim, é mais fácil começar a carreira que tem o improviso como base.

teatro é a escola da maioria das drag queens do Recife. Algumas até nasceram de espetáculos, como a bailarina Thyna Flyer e a cantora Jurema Fox. Das mais bem-sucedidas, algumas carreiras são sustentadas por noção empreendedora, enquanto outras se nutrem pelo sentido artístico. Um alerta: a essência de drag não está só no “bate-cabelo”. A construção da personagem depende de pesquisa. O perigo é que a falta de profissionalização de algumas prejudica a valorização do ofício. No Recife, os estilos mais comuns são as top drags - com postura mais feminina - e as caricatas. No palco, não há preconceito. Mas muitas se deparam com o desafio de quebrar um tabu: nem toda drag é gay. É o caso de Vagiene Cokeluche.

“Por existir esta correlação, acho que o mercado drag queen vem se desenvolvendo no estado junto com o crescimento da valorização da população LGBT”, analisa Thiago Rocha, coordenador de projetos do Instituto Papai. No Recife, boates como o MKB e o Clube Metrópole (ambos na Boa Vista) dão espaço a essa arte. Algumas críticas giram em torno da parte financeira. Segundo os artistas, o cachê pago por algumas casas não compensa a montagem de uma drag. A produção é cara. Inclui maquiagem, acessórios e figurino de alto custo. Em média, gastam de R$ 400 a R$ 1 mil por look. A ressalva mobiliza os artistas a procurarem outros “palcos”. Por isso, justifica a predominância de drag queens em festas particulares e eventos de empresas privadas.

Vagiene Cokeluche completa 20 anos no mercado de entretenimento. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Vagiene Cokeluche completa 20 anos no mercado de entretenimento. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Vagiene Cokeluche
Nome na certidão: Junior Barros
Idade: 44 anos

Uma das referências da atual geração, Vagiene Cokeluche festejou, no domingo, os 20 anos de carreira. Para se manter por tanto tempo no mercado, ela se destaca em dois quesitos: a experiência no teatro e a visão empreendedora. Junior é formado em marketing e aposta na indústria de entretenimento para alavancar a carreira. De cara, quebra um tabu: não é homossexual. É casado há 15 anos e tem dois filhos (um de 13 anos e um de quatro). A esposa e as crianças têm participação efetiva nos bastidores de Vagiene. Segundo Junior, os filhos sabem separar a figura do pai à da personagem. “As pessoas estranham muito o fato de ser casado e ter filhos... Assim como também estranho certas posturas de qualquer cidadão. O tabu sempre vai existir, principalmente, porque é um homem vestido de mulher. Mas quando conhece a essência do personagem, isso passa despercebido. A gente quebra tabus com respeito”, pontua.

Jurema Fox se inspira em divas e representa o brega. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press (Blenda Souto Maior/DP/D.A Press)
Jurema Fox se inspira em divas e representa o brega. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Jurema Fox
Nome na certidão: Reyson Santos
Idade: 24 anos

De dia, Reyson traja bermuda, tênis esportivo, camisa e boné. Tem jeito de boy. À noite, dá vida ao mulherão Jurema Fox, drag com a bandeira de dois movimentos: LGBT e brega. Jurema nasceu em 2010, no musical Paloma para matar (em cartaz, leia abaixo), de Lano de Lins, no qual interpretava Jurema Knowles, inspirada em Beyoncé. Ela começou a receber convites para ultrapassar os limites do teatro. “Aqui em Pernambuco tem o esquema de apadrinhamento de drags. A Joelma Fox me apadrinhou com o sobrenome dela. Quando você chega na noite, desconhecido, com o sobrenome de uma drag mais forte, fica mais fácil começar”. Para se diferenciar das veteranas, decidiu investir como cantora. “Jurema é tudo que vejo que uma mulher pode ser. Diva, feliz, expressiva, que sai na rua pronta para arrasar”. Ela faz a linha do humor escrachado. Por mês, são de 8 a dez shows em pubs LGBT e boates ou festas privadas. Em novembro, grava o primeiro DVD da carreira, com participação de João do Morro e Michelle Melo.

Renathinha Picaxú nasceu para atuar no mercado adulto de eventos. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Renathinha Picaxú nasceu para atuar no mercado adulto de eventos. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Renathinha Picaxú
Nome na certidão: Williams Ferreira de Castro
Idade: 30 anos

Há dez anos, Williams Ferreira é chamado por Picaxú, sobrenome da drag criada por ele. A vida profissional e pessoal mudou completamente por causa do personagem. A trajetória artística começou como recreador infantil e, depois, saltou para o mercado adulto. Em uma festa privada, o pai de um aniversariante de oito anos queria algo que associasse adulto e criança. “Picaxú fez a referência ao Pokémon”, explica. Passou a frequentar a Metrópole, onde se tornou drag hostess (recepcionista). A escolha pelo ramo rendeu um fim de namoro. “Ele não aceitava a profissão. Achava que ia cansar. Mas quando viu que era sério, acabou”, relembra. Picaxú integra a lista de drags caricatas. Apresenta-se, principalmente, em festas privadas, como formaturas e aniversários. Não gosta de humor escrachado e exclui palavrões das performances. “Ser drag é a arte do improviso. Fui me adaptando ao longo do tempo, me baseando em outras drags. Cada festa é diferente. A personagem vai ficando mais forte”.

A performance de Thyna Flyer inclui dança nas apresentações. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press (Blenda Souto Maior/DP/D.A Press)
A performance de Thyna Flyer inclui dança nas apresentações. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Thyna Flyer
Nome na certidão: Ricardo da Silva
Idade: 28 anos

A personagem é referência no mercado pernambucano de drags. O diferencial: é bailarina e se apresenta em todo o país. Por mês, são cerca de 15 shows. Thyna surgiu quando Ricardo tinha 17 anos. Ali, deparou-se com as primeiras dificuldades. Não podia viajar a trabalho por conta da idade. Com a maioridade, foi mais tranquilo. Aprendeu a andar de salto em laboratórios de ensaios. Escolheu a dança como elemento artístico da performance. O seu “bate-cabelo” (movimento no qual as drags abusam da “força da peruca”) é considerado um dos melhores do Norte e Nordeste. Figurino impecável, cheio de pedrarias, e peruca com cabelos de verdade dão status de diva drag performática - que se centra mais na coreografia do que no humor. Além de dar vida a Thyna Flyer, Ricardo atua em espetáculos teatrais (infantis, inclusive). “Nunca tive muita dificuldade. Sempre fui bem recebido, tanto pela comunidade LGBT, como na comunidade hétero”.

Thanya Tulmuto alimenta arte e visão empreendedora do ator.  Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Thanya Tulmuto alimenta arte e visão empreendedora do ator. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Thanya Tulmuto
Nome na certidão: Rafael Silva
Idade: 30 anos

Rafael aposta na linha de humor caricato. Sem palavrões, ofensas ou humor escrachado. Antes de criar Thanya Tulmuto, a diva dos leques gigantes, fazia teatro e a noite do terror do Playcenter. Por sugestão de um amigo, há nove anos, incorporou uma drag queen em ação personalizada na Praça do Entroncamento. O começo foi difícil. Largou os cursos de informática, computação gráfica e web design para percorrer o ramo de entretenimento. Uma das referências de Thanya é Vagiene Cokeluche, sobretudo na aposta empreendedora. Rafael criou a produtora de entretenimento RSPA Produções, que agenda os shows. “Para mim, Thanya é uma fonte de renda. Larguei minha área para trabalhar com isso. Acho que faltam pessoas mais qualificadas. O artista tem que se valorizar mais”. Thanya faz de 20 a 30 apresentações por mês (incluindo fora do estado). Também é fundadora da ONG MAJG, que procura instruir artistas do universo LGBT a se formalizar e trabalhar em todas as esferas.

Além da noite recifense, Salário Mínimo atua na televisão - Foto: TV Clube/Reprodução (TV Clube/Reprodução)
Além da noite recifense, Salário Mínimo atua na televisão - Foto: TV Clube/Reprodução

Salário Mínimo
Nome na certidão: José Lidu de Oliveira
Idade: 45 anos

O primeiro diferencial de Salário Mínimo é participar de programas de televisão. Está há dez anos na equipe de Jeison Wallace. Atualmente, interpreta vários personagens no programa Clube da Cinderela, da TV Clube/Record. Na atração, também incorpora a cadelinha Xôla, bastante querida do público. Começou como transformista. Antes mesmo de fazer 18 anos, conta que fugia da polícia, quando se apresentava em boates. Ganhava um cachê mínimo pelo trabalho, que consistia em uma “passagem de ônibus, coxinha e refrigerante”. “Na época, não existia isso de drag queens. Era transformista, caricata ou travesti”, lembra. Além da atuação na televisão, preenche a agenda com apresentações em casas noturnas, peças teatrais (como Preta de neve e um anão e Mãezona) e festas particulares. “Salário Mínimo é para mim um sustento. Tenho tudo através dela. Todo mundo me chama de Salário. É minha vida”, reconhece.

15 outubro 2013


Todo ano é a mesma coisa. Chega o mês de outubro, mas precisamente no dia 15, e as pessoas se entregam as manifestações de agradecimento e carinho aos milhares de professores que compõem o corpo docente brasileiro. Nada mais que justo, visto que vivendo durante quase todos os dias do ano no esquecimento, essa classe de trabalhadores merece, no mínimo, ser lembrada e condecorada com uma data especial. Entretanto, para além das homenagens, bem como as demonstrações de afeto de colegas de trabalho e alunos, o que mais se pode comemorar nesse dia? Com baixíssimos salários, trabalhando em condições desumanas e com um diminuto reconhecimento da sociedade, poucos são aqueles que são presenteados com a honra de serem professores nos dias atuais, já que devido e esses e outros problemas, essa classe vem paulatinamente deixando essa honrosa carreira para se aventurar em outros caminhos onde o dinheiro e o prestígio social de fato existem.

Ser professor. Ser pai e mãe ao mesmo tempo. Ser amigo, confidente e psicólogo. Ser educador. Ser assíduo. Ser responsável. Ser coerente. Ser inteligente. Ser dinâmico, atualizado e vanguardista. Ser firme e, ao mesmo tempo, dócil. Ser, estar, parecer e nunca padecer.  Esses são alguns dos muitos verbos que predominam na vida daqueles que enveredam pelos caminhos do ensino. Para esses, ser é estar pronto a enfrentar a dura realidade da educação brasileira que perdura há gerações. Uma educação secundarizada, a qual o ensinar é colocado em segundo, terceiro, derradeiro plano por aqueles que regem o poder econômico e político da sociedade. Ser é estar disposto a trabalhar de mão atadas, sem os instrumentos corretos para salvar o alunado do abismo de que são obrigados a caminhar desde o seu nascimento. Ser é estar preparado para lutar contra as presas da ignorância que a todo o momento insistem em confinar nossos jovens direcionando-os, muitas vezes, à marginalidade. Ser professor é estar preparado para tudo isso e ainda amargar o desrespeito cultural de um país que não valoriza como deveria esses profissionais. Se ser professor é ser tudo isso e muito mais, por que sua existência é invisibilizadas por nós?

Entre tantas respostas possíveis, a primeira delas se refere a nossa cultura histórica. Nossa nação nunca deu o devido valor a esse profissional no passado e, atualmente, tenta reverter essa situação com mecanismos paliativos, que não resolvem de fato o problema. Fala-se sempre que o país está investindo mais em educação. Mais escolas estão sendo construídas. Mais alunos estão matriculados nesses espaços, alguns até de forma integral. O material escolar e a merenda são melhores e de melhor qualidade. Tudo isso é indiscutivelmente benéfico para o ambiente educacional brasileiro, que durante anos viveu grandes lacunas nesse sentido. Agora, quando o assunto é investir no professor a história muda completamente de rumo. Esses profissionais ainda são os mais mal remunerados do país. Na realidade, há quem discorde dessa verdade, contradizendo que muitos profissionais da educação recebem bem e vivem confortavelmente. Porém, o que é viver bem? O que é também, nesse contexto, viver confortavelmente? Nesse âmbito, vale acrescentar outra questão: como esses ditos professores conseguiram viver bem e confortável? As respostas para tais indagações se resumem em apenas uma frase: anos de trabalho árduo.

Para aqueles que conseguiram se estabilizar nessa área, parabéns. É um feito digno de reconhecimento. No entanto, não é essa a mesma realidade de tantos outros docentes espalhados pelo país. Isto porque, as constantes paralisações da categoria mostram claramente à dura vida de quem tenta sobreviver com a educação. São greves, passeatas e, infelizmente, até depredações e pancadarias realizadas por esses indivíduos, que perdem a sensatez para serem notados pela sociedade e, consequentemente pelo governo. Se vão as ruas em mais de um estado brasileiro é porque os problemas vividos por eles, dentro e fora de sala de aula, já chegaram e um ponto insustentável. Entre as reivindicações, o aumento salarial é sempre o principal. O valor da hora aula é simplesmente desumano, obrigando muitos deles a dobrar, triplicar, quadruplicar..., a rotina em sala de aula, para terem uma vida digna e uma aposentadoria decente no fenecimento da vida. Enquanto esses heróis, que formam todos os profissionais do mundo, recebem esmolas em forma de salário. Outras “personalidades” desfrutam de milhões por mês, sem ter, muitas vezes, terminado o colegial. Os exemplos são muitos, desde jogadores de futebol a celebridades relâmpagos. Entretanto, a nação pouco se importa, pois se acostumaram com essa dicotômica realidade e pouco se mobilizam para muda-la.

Além disso, os professores ainda são obrigados a trabalhar em condições precárias. Mesmo com os avanços educacionais brasileiros, muitas escolas do país pecam no quesito estrutura. Faltam carteiras confortáveis para alunos e professores. A água e alimentação nem sempre chegam para alimentar e saciar esses alunos carentes e famintos de nutrientes e saber. Não há bibliotecas apropriadas para aulas dinâmicas ou laboratórios para experimentos extra sala. O material didático é de baixa qualidade, reduzindo ainda mais o nível das aulas. Somado a isso, estratégias governamentais para atenuar essa realidade acabam assumindo outros efeitos colaterais. As inúmeras “bolsas” ofertadas pelos políticos, para manter o alunado na escola, não surtiram os efeitos esperados. Contraditoriamente, financiar a permanência de jovens na escola serviu apenas como potencializador de gravidezes entre miseráveis, que encontram nessas migalhas a chance de usufruir do dinheiro público e também ampliar a já gritante taxa de natalidade no país. Nesse sentido, vale pontuar a criação das escolas integrais e semi-integrais, que tem como finalidade manter o aluno na escola, com aulas dinâmicas e produtivas. Contudo, a falta de fiscalização governamental mostra que, em muitas instituições, a teoria não vem sendo aplicada a prática, pois a construção do saber desses jovens integralmente não vem sendo realizada como se desejara.

Em meio a isso, o professor ainda é obrigado a conviver com um fenômeno antigo, mas que vem protagonizando o palco escolar com cada vez mais veemência: a violência. Ela que não se restringiu aos limites externos da escola e conseguiu adentrar em seu espaço. Fruto da árvore genealógica da desigualdade social, muitas crianças e jovens trazem na bagagem a brutalidade de que foram e são vítimas fora da atmosfera de ensino. Então, inconscientemente acabam muitas vezes agredindo colegas, professores, entre outros profissionais. No Brasil, cresce exponencialmente os casos de agressão escolar entre alunos e professores. Ao mesmo tempo, o Bullying vem se popularizando entre os corredores de colégio e a sociedade, omissa, deixa para o educador o papel de solucionar essas lacunas. Diante desse quadro violento, os educadores são obrigados a ministrar suas aulas, tentando salvar muitos jovens da selvageria de que foram raptados. Tudo isso sem proteção, nem respaldo escolar, visto que muitos alunos agridem professores e nada de fato é resolvido em prol desse profissional. Sem contar que, devido a acumulo de tarefas, esgotamento, fadiga, e doses cavalares de desrespeito, muitos educadores perdem os sentidos e acabam ferindo aqueles alunos que violam a fronteira entre eles e aqueles profissionais. Todo esse caos é fruto do descaso que o governo e a sociedade exercem sobre o professor. Enquanto o país não se conscientizar da importância desse docente para a construção de uma nação mais rica, em múltiplos sentidos, não poderemos sonhar com o real desenvolvimento da pátria.


Diante desse quadro, não há muito que se comemorar, mas sim, o que melhorar. Melhorar o salário desses profissionais, para que eles recebem o valor digno pelos seus esforços e possam se aposentar confortavelmente no fim de suas carreiras.  Melhorar a estrutura física das escolas e todos os instrumentos compostos por ela, para que o educador se sinta apto a exercer sua função da melhor forma possível. Melhorar a relação professor e sociedade, perpetuando uma cultura social da qual a família tem o dever de ensinar aos seus filhos desde cedo à importância de se respeitar essa figura, não apenas por ser alguém que vai lhe passar um dado conhecimento, mas porque o professor é a segunda família daquele indivíduo e que sua contribuição mudará a vida daquele jovem. Melhorar também e, sobretudo, o reconhecimento midiático desses trabalhadores, para que a sociedade valorize esses educadores que passam anos estudando numa faculdade, fazem pós-graduações, mestrados, doutorados, porém são esquecidos e invisibilizados no cotidiano, pois não fazem parte do grupo das profissões mais prestigiosas e/ou privilegiadas do país. Se estes e outros pontos foram significativamente melhorados, poderemos cogitar e quem sabe pensar numa nação desenvolvida e rica em vários sentidos. Se isso for feito, então teremos muito que comemorar e a quem homenagear de verdade nos próximos 15 de outubro.
 
          Como se sabe, o nosso país é um dos mais ricos em recursos hídricos. No entanto, o crescimento desordenado das cidades e a falta de planejamento adequado para o tratamento da água acaba resultando na escassez que afeta diversas regiões do país. Além desse manejo inadequado do líquido, existe também a ausência de chuvas que atinge grande parte da população, sobretudo aquela que vive no nordeste brasileiro, onde enfrenta a mais grave e devastadora estiagem vista nos últimos 50 anos.
            Infelizmente, o crescimento desenfreado das cidades acaba dificultando o acesso a uma água de qualidade e em quantidade satisfatória a todos. Isto porque, a falta de planejamento das instalações nas cidades acarreta a perda de milhões de litros por vazamento nos canos subterrâneos. Segundo pesquisas do Instituto Ambiental, as capitais brasileiras perdem diariamente quase metade da água captada durante a distribuição, um volume suficiente para abastecer aproximadamente 38 milhões de pessoas.
            Além disso, a estiagem no nordeste brasileiro vem tornando pior a qualidade de vida dos moradores desta região. A seca retratada por Graciliano Ramos, a qual é responsável por enfraquecer as perspectivas de vida, e por João Cabral de Melo Neto, o qual narra a peregrinação de Severino, mais um entre tantos “Severinos” que morrem a cada dia um pouco pela fome, é a mesma seca que hoje é vista no semiárido nordestino. Esta ausência de água vem desde 2011 e tirou dos nordestinos os meios que eles tinham para sobreviver.
            Além do mais, as plantações foram sendo destruídas paulatinamente, o sertão tornou-se um grande cemitério, onde a fome e a sede destruíram tanto o gado quanto a população. Os que sobreviveram esperam o auxílio do governo ou optam por sair de suas terras e buscam trabalho bem longe do sertão. Euclides da Cunha estava certo ao dizer que “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, afinal, nem todo mundo seria forte o bastante para alimentar-se de ratos com o intuito de matar a fome como fazem os nordestinos.
            Sendo assim, é preciso que haja uma manutenção das instalações subterrâneas das cidades, para que o desperdício seja mínimo. Quanto a seca no nordeste, apesar de ser um fenômeno natural, é necessário que o Estado desenvolva mais políticas de combate aos seus efeitos. Além disso, a população do país deve se mobilizar para ajudar os sertanejos, mandando alimento e água, e também fazer a sua parte evitando desperdícios, assim, esse líquido tão precioso e raro em algumas regiões alcançará boa parte da população.
Aluna: Juliana do Nascimento
Professor: Diogo Didier
 


 Eu não sou preconceituoso, mas…
 
Esta frase é deliciosa. Não é um aviso de “olha, não encare isso como preconceito”, mas um alerta. Do tipo “segura, que lá vem um preconceito”. A ressalva, completamente inútil, serve, pelo contrário, para reforçar que a pessoa em questão é exatamente aquilo pelo qual não gostaria de ser tomada.
 
Cultivamos nosso medo e ódio, mas, às vezes, pega mal expressá-los em público assim, tão abertamente. Porque pode ser visto como crime ou delito. Ou ser alvo de críticas - mesmo que os críticos compartilhem da mesma visão de mundo. E, além do mais, como todos sabemos, o Brasil é o país da alegre miscigenação, em que todos são considerados iguais em direitos. Os que discordam disso devem se mudar ou levar um corretivo para deixarem de serem bestas. É isso: ame-o ou deixe-o.
 
É engraçado como o preconceituoso não se vê como tal. Quem solta um “Eu não sou preconceituoso, mas…” separa essa palavra de seu significado e pensa o preconceito como algo abstrato, etéreo. Uma ideia que não teria nada a ver com tratar pessoas de forma diferente ou fazer um julgamento prévio de seu caráter devido à sua classe social, orientação sexual, cor de pele, etnia, nacionalidade, identidade de gênero, pela presença de alguma deficiência e por aí vai.
 
Dizem que falta informação e, por isso, temos uma sociedade que pensa de forma tão tacanha. Que não temos contato com o “outro” e, portanto, continuamos a temê-lo e a achar que ele é um risco à nossa existência. Conscientizar sobre isso passa por estimular a vivência comum na sociedade, pela tentativa do conhecimento do outro. Tolerância é bom. Porém, legal mesmo não é apenas tolerar, mas acreditar que as diferenças tornam o mundo mais interessante e rico do que uma monotonia monocromática a que estamos subjugados pela religião, pela tradição, pelo preconceito…
 
E cabe tanta abobrinha em um “Eu não sou preconceituoso, mas…” que ele se tornou o novo “Amar é…”, presente naqueles livrinhos simpáticos da minha infância.
 
Duvida?
 
Eu não sou preconceituoso, mas bandido bom é bandido morto.
 
Eu não sou preconceituoso, mas baiano é foda. Quando não faz na entrada faz na saída.
 
Eu não sou preconceituoso, mas mulher no volante é um perigo.
 
Eu não sou preconceituoso, mas tenho medo desses escurinhos mal encarados qe pedem dinheiro no semáforo.
 
Eu não sou preconceituoso, mas cigano é tudo vagabundo.
 
Eu não sou preconceituoso, mas os gays podiam não se beijar em público. Assim, eles atraem a violência para eles.
 
Eu não sou preconceituoso, mas acho o ó ter um terreiro de macumba na nossa rua.
 
Eu não sou preconceituoso, mas é aquela coisa: não estudou, vira lixeiro.
 
Eu não sou preconceituoso, mas não gostaria de ver minha filha casada com um negro. Não por ele, é claro, mas eles sofreriam muito preconceito.
 
Eu não sou preconceituoso, mas esses sem-teto são todos vagabundos.
 
Eu não sou preconceituoso, mas chega de terra para índio, né? Se eles ainda produzissem para o país, mas nem isso acontece.
 
Eu não sou preconceituoso, mas esses mendigos deviam ir para a periferia onde não incomodariam ninguém.
 
Eu não sou preconceituoso, mas sabe como é esse pessoal de esquerda. É tudo petralha.
 
Eu não sou preconceituoso, mas sabe como é pessoal da direito. É tudo tucanalha.
 
Eu não sou preconceituoso, mas São Paulo é São Paulo, né amiga? Não é Fortaleza.
 
Eu não sou preconceituoso, mas esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária.
 
Eu não sou preconceituoso, mas adoro esse shopping. Só tem gente bonita por aqui.
 
Eu não sou preconceituoso, mas sobe o vidro, amor. Você não tá nos Jardins.
 
Eu não sou preconceituosa, mas vocês não acham que essas médicas cubanas têm cara de empregada doméstica?
 
Cuidado, seja sutil. Preconceito é para ser dito, repetido e aplicado, mas com naturalidade. Diluído no dia a dia, aparece como uma forma de manter a ordem das coisas e de lembrar quem manda. E quem obedece.
 
 
*Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.
 
Visto no: Blog do Sakamoto  
          
            Indubitavelmente, a intensa produção de lixo na sociedade moderna acaba desestruturando todo o ecossistema. Uma vez que, o lixo jogado na natureza contamina a água, prejudica a fauna e a flora, compromete a saúde de grande parte da população e ainda contribui para as enchentes que ocorrem em algumas cidades. Além disso, o desperdício de água, que é bastante latente, colabora de forma negativa para que haja um desequilíbrio ambiental, afetando assim, não só o meio ambiente, mas também toda a humanidade, já que os dois estão interligados.
            Como se sabe, diversas empresas contribuem para a intensificação da poluição ambiental, uma vez que seus gases altamente tóxicos contaminam tudo e todos que estão a sua volta. Além disso, essas empresas ainda depositam resíduos nos rios, tirando assim a vida dos animais aquáticos e prejudicando a saúde dos ribeirinhos que por sua vez dependem quase que exclusivamente dessas águas.
            No entanto, existem empresas como a Biogás do Estado de São Paulo, que retiram o metano que se forma com a putrefação do lixo nos aterros sanitários e o transforma em eletricidade. Esta iniciativa é bastante benéfica. Isto porque, procura diminuir a quantidade de lixo que é depositado nos aterros. Mas, não são apenas as empresas que contribuem para a degradação, a própria população não se preocupa muitas vezes em fazer coleta seletiva no bairro, nem mesmo em casa e ainda desperdiça água, atitude esta que deveria ser evitada.
            Portanto, faz-se necessário que haja uma maior preocupação por parte das empresas. Se elas começarem a diminuir a quantidade de gases emitidos e de lixos depositados em rios e solos, sem dúvidas diminuirá o risco de doenças por contaminação da água que acaba gerando intoxicação. É preciso também que a população faça sua parte, deixando de lado o velho hábito de jogar lixo nas ruas e começando a separá-lo, assim evitará os riscos de enchentes. São pequenos atos que podem salvar a natureza e consequentemente a humanidade.
Aluna: Juliana do Nascimento
Professor: Diogo Didier
 
Não faz muito tempo, tocar violão era tido como coisa de vagabundo, malandro, irresponsável. Atrizes eram tidas como prostitutas. As mulheres viviam sob o julgo masculino. Tidas como menos inteligentes, nem mesmo podiam votar. Casamentos eram arranjados e o sexo, vejam só, era somente para procriação. Houve uma época em que negros eram vistos como coisas; animais a serem domesticados; seres sem alma, cuja única finalidade para existir era servir os brancos. Século XXI. Ainda hoje homossexuais são vistos por muitos como anormais, libertinos, pecadores. Em nome da literalidade de um livro escrito há mais de dois milênios, julga-se e condena-se a pessoa que ama outro do mesmo sexo. Amar. É por este direito que lutam milhões de pessoas. É contra este direito que batalham tantas outras.
Na atualidade, se eu depreciar alguém por causa da cor da pele, posso ser preso por racismo. Chamar o outro de “negrinho fedido”, “macaco queimado” é crime, definido em lei como imprescritível e inafiançável. Contudo, se eu chamo um gay de “pecador nojento”, “promíscuo sujo”, “viadinho”, “mulherzinha”, em vez de ser punido, posso ser coroado por defender os bons costumes e a moralidade. Crimes de ódio contra homossexuais não são punidos como tal, uma vez que não há respaldo legal para tanto. Fanáticos religiosos, a maioria evangélicos, não aceitam a ideia de não poderem exclamar, incitar, propagar o ódio aos quatro cantos. A lei que pretende tornar crime a violência homofóbica, tipificando-a como aconteceu com o racismo, encontra resistência de parlamentares fundamentalistas, que não aceitam a ideia, puramente humana e generosa, de que se deve aceitar e respeitar o próximo do jeito que ele é.
Acham os conservadores que a liberdade de expressão é um valor absoluto, capaz de absolvê-los das barbaridades ditas em suas congregações. Usam como escudo a liberdade religiosa, a quem chamam de sagrada e inquestionável. Ignoram o fato de que a pregação feita por líderes religiosos contra gays reforça o preconceito e abençoa a prática discriminatória. Fecham os olhos para a realidade de milhares de homossexuais, que são violentados todos os dias somente por serem homossexuais. Negam-se a perceber que muitas vidas são ceifadas por conta do discurso anti-gay. Que liberdade é essa que dá legitimidade a atos covardes, cruéis, desumanos, contra quem, sabe-se lá porque, ama o igual? Que liberdade é essa que dá razão para o agressor e que faz da vítima o culpado?
Lembro-me do dia em que um colega confessou algo que me marcou profundamente. Ele disse que tinha relevado ao seu “melhor” amigo que era homossexual. Sua esperança era de encontrar alguém com quem pudesse contar num momento difícil de descobertas. A resposta não poderia ser pior. O “melhor” amigo disse: “nunca mais chegue perto de mim, ou eu prometo que vou te queimar vivo”. Na hora que ele me contou, fiquei sem palavras, e me perguntei em silêncio: “até quando?”. É o que pergunto agora a você, querido leitor: até quando usarão o nome de deus para justificar a própria hipocrisia? Até quando o amor será motivo de deboche, de chacota? Finalmente, até quando amar será pecado?
Por Daniel Lélis (publicado originalmente na Revista Jfashion Chic E Essencial)
 
Um fenômeno agravado por displicências

   Alguns processos naturais corroboram para o agravamento de situações ínfimas na sociedade. Pobreza, fome, entre outras consequências geradas a partir do descaso governamental são notórias. Contudo, desde o surgimento da teoria possibilista, acredita-se que o homem por deter a natureza, por meio do seu conhecimento.

  Nesse contexto, o avanço desenfreado da tecnologia veio a aguçar o sentimento humano. Entretanto, algumas coisas no âmbito geográfico são irremediáveis. Tira-se como exemplo, a poluição, na qual, pode prejudicar o ciclo do solvente universal, a água. Sem contar com o período de estiagem, especificamente, no nordeste brasileiro, do qual, sofre de maneira exacerbada.

   Nessa perspectiva, um ponto a ser analisado é o detrimento causado durante este espaço de tempo. Sucedem-se assim, posturas aquém em relação à conjuntura social. A falta de alimentos, produtos de higiene e o deterioramento das cabeças de gado são amostras no decorrer desse fato. Tornando difícil a sobrevivência de aproximadamente de 10 a 15 milhões de indivíduos, de acordo com pesquisas de meios midiáticos.

   Todavia, o fenômeno é passível de solução. Segundo o filósofo Aristóteles, “Não existe um governo perfeito, mas, há uma forma correta de governar”. Esta frase apenas evidencia o descaso político para com o povo. Pois, os parlamentares acabam por ludibriar a sociedade com falsas promessas, que remetem a estabilidade e atenuação, de alguma forma, da estiagem.

   É necessária a elaboração de medidas para obster alguns efeitos da seca. No qual, criar organizações vinculadas em prol de benefícios sociais é uma das alternativas. No entanto, o investimento governamental na estrutura de poços, cisternas e reservas de água, seria um bom começo.
Aluno: Matheus Henrique
Professor: Diogo Didier