02 novembro 2012



“Olá, eu sou o Vestibular”.

Se é sangue brasileiro que corre em suas veias, você já ouviu falar de mim. Não carrego armas ou munição, não porto vírus incuráveis mortíferos e não sou capaz de destruir um ser humano. Mas, as pessoas têm medo de mim, por motivos que eu nego compreender. Mas, a realidade é que todos compreendem. Eu, o Vestibular, sou capaz de muito mais do que pareço. Não sou um inocente papel, minhas verdades não estão confinadas a planos puramente acadêmicos. Não, eu não sou assunto para ser resolvido entre alunos, professores e reitores.

Eu envolvo deputados, governadores, ministros e presidentes. Não sou para os fracos. Sou para os fortes de mente e de alma. E para os fortes de corpo, capazes de aguentar a maratona de estudos à qual obrigo-os a perdurar. Não sou para aqueles que não acreditam na majestade de seus sonhos. Eu sou implacável. Eu alimento a confiança de alguns e destruo as esperanças de outros. Devo admitir que alguns são capazes de caminhar por cima de mim, e ao passar por mim, alegam que não sou tão duro quanto pareço. Não sou eu. São eles.

Eu permito que alguns passem por meus portões, e vou fechando-os lentamente, permitindo que outros derradeiros possam arrastar-se por entre eles. Mas, quando os fecho, sou inexorável. Só os abro novamente ano que vem. Não considero minha obrigação mudar. Eu mudo quando quero, e a sociedade tem que aceitar calada. Calada ela não fica, mas eu sofro de surdez seletiva. Só ouço aquilo que me favorece e, por conseguinte, prejudica você. Claro, sou o Vestibular, e você depende de mim. Eu não dependo de você. Cada vez mais profissões dependem de mim e só de mim para serem exercidas. E a sociedade continua se submetendo a mim, deixando em minhas mãos os destinos de milhares de pessoas, para que eu os resolva a meu bel-prazer. E que leve cinco, dez, quinze anos, mas, poucos desistem de passar por mim. E os que desistem sempre se arrependem de tê-lo feito. Eu sou o Vestibular.

Não carrego culpa. Não há vagas para todos por trás de meus portões. São tantos fora querendo entrar e tão pouco espaço dentro que tenho que recorrer aos mais duvidosos métodos para manter meu equilíbrio. Minha injustiça é despida de peso na consciência. Considero vital manter a permeabilidade das minhas portas assustadoramente baixa. Mas, uma vez que você atravessa minhas portas, abrem-se outras muitas. Uns livram-se dos cabelos, uns pintam o rosto, uns fazem festas, uns comemoram em silêncio, mas, todos admitem que valeu a pena.

Quando eu saio de sua vida, você enxerga o mundo inteiro com outros olhos. Dá valor a cada minuto de seu dia. Momentos outrora prosaicos mostram-se extraordinários uma vez que você tem a recém-adquirida maturidade para apreciá-los. Você pode ter certeza que vai me odiar com cada molécula do seu ser mais tarde, mas, lá no fundo, você admitirá que eu ajudei-o a ver a verdade. Quando eu estava presente, eu despertei partes de você que nem você mesmo conhecia. E daqui a vários anos, quando você for um profissional de sucesso, talvez você tenha um filho que passará por mim. E eu direi: Lembra de mim? Eu sou o Vestibular. Eu fui à causa e seu sucesso foi o efeito.

Você foi o esforço e seu sucesso foi o resultado. Diga a seus filhos que não se revoltem comigo. Esteja ao lado deles. Lute por eles. Diga a eles que sou duro, mas, passo, e uma vez passado, só trago alegrias. Diga a eles que esse período é pequeno, mas, vai contribuir para a formação de seu caráter. É um rito de passagem moderno. Eu não quero seu mal. Eu não quero fazê-lo sofrer. Se for para vê-lo chorar, que sejam lágrimas de alegria. Eu só quero que a vitória não seja fácil. Eu quero que ela valha muito. Conte comigo como porta de entrada para seu sucesso, mas, não espere que eu faça todo o trabalho. Poucos carregam nas costas tanto suor e lágrimas quanto eu. Mas, poucos são capazes de levá-lo tão longe. Sou eu, o Vestibular.


DICAS PARA VOCÊ ARRASAR NA REDAÇÃO!

 

Estrutura da Redação

Antes de qualquer coisa, é preciso saber a estrutura que toda redação deve conter:
  1. Introdução: aqui você vai começar com o seu texto, expondo brevemente e com bastante clareza o tema que será abordado. Geralmente essa parte contém apenas um parágrafo.
  2. Desenvolvimento: é a parte onde será destrinchado o tema. Onde você deverá por suas ideias e analisar o tema proposto. Dois ou três parágrafos são suficientes para um desenvolvimento.
  3. Conclusão: nessa parte você vai concluir a sua ideia e fechar a sua redação. Todos os pontos de vista abordados no decorrer do texto, vão ser enfatizados também nessa parte.

Mais Dicas

  • Evite escrever períodos longos ou curtos demais. Isso deixa a leitura cansativa e você poderá perder pontos na prova;
  • Se for uma dissertação, sempre escreva impessoalmente. Ou seja, evite falar na primeira pessoa;
  • Já se trata-se de uma carta argumentativa, é obrigatório o uso da primeira pessoa, já que você deve agir como se estivesse escrevendo para alguém;
  • Não fuja em nenhum momento do tema proposto só para adicionar mais conteúdo a sua redação, isso pode levar à anulação da mesma;
  • No caso das dissertações, evite totalmente expressões do tipo: “eu penso”, “eu acho” e afins. Elas causam efeito de dúvida, o que não é admissível nesse tipo de texto;
  • Treine sua grafia, pois se ela for ilegível, pode dificultar a leitura, levando à anulação;
  • Evite o uso de letras de forma (caixa alta), pois elas dificultam a distinção entre maiúsculas e minúsculas;
  • Não faça a redação com pressa. Pense bem antes de escrever qualquer coisa;
  • Não invente fatos e nem afirme o que você não sabe;
  • Não desrespeite o limite mínimo e o máximo de linhas propostas na prova.

MOTIVOS QUE PODEM LEVAR A REDAÇÃO A RECEBER NOTA ZERO
1 - Fugir do tema
2 - Não fazer uma dissertação-argumentativa
3 - Não respeitar os valores humanos e a diversidade sociocultural
4 - Não apresentar texto escrito na folha de redação (cuidado para não se esquecer de passar seu texto do rascunho para a folha definitiva!).
5 - Ter até sete linhas, que é considerado como “texto insuficiente”.
6 - Apresentar linhas com cópia dos textos de apoio, que serão desconsideradas para efeito de correção e de contagem do mínimo de linhas.
7 - Ter desenhos ou outras formas propositais de anulação







Bullying

Bullying, palavra que define um dos maiores problemas da atualidade. Intrínseco ao âmbito juvenil trata-se da violência física ou psicológica contra indivíduos que se distinguem do grupo pela aparência, pelo comportamento introspectivo ou por pertencer a grupos minotários. Esse tipo de violência é antigo e recorrente, principalmente, nas escolas. E mais recentemente o uso da tecnologia deu um novo nome ao problema, cyberbullying.

No Brasil, vem aumentando rapidamente o número utilização da internet para atos de violência desta categoria. E-mails ameaçadores, mensagens negativas em sites de relacionamentos e blogs, torpedos com fotos e textos constrangedores para a vítima, foram batizados de cyberbullying. E um dos fatores que faz aumentar cada vez mais esse número é a exposição exagerada dos jovens no ambiente virtual.

A intimidação virtual tem sido ainda mais cruel que o bullying tradicional, isso porque o constrangimento, antes restrito ao convívio dentro da escola, agora se tornou permanente no espaço virtual. Outro fator relevante é a dificuldade, na maioria dos casos, de identificar o agressor, o que aumenta a sensação de impotência por parte da vítima.

O bullying e o cyberbullying estão relacionados ao desenvolvimento de baixa auto estima, ao isolamento social e a depressão. Vale ressaltar, que em muitos casos, as vítimas se tornam agressores no futuro. Tendo em vista essas consequências, o problema deve ser tratado com educação e orientação por todas as partes envolvidas na vida do jovem, os quais devem prevenir, identificar e tratar o problema. 

Aluna: Juliete Cristine
Prof. Diogo Didier

Desde ontem o assunto das redes sociais vem sendo a inauguração do Shopping Riomar. Fotos no Instagram, imagens no Facebook e muitas mensagens no Twitter.
Ontem foi a cerimônia de inauguração do centro de compras, que contou até com a presença do Governador, prefeito, ministro, senadores, deputados e o establishment em geral. O negócio chega a ser tão sério que até o Arcebispo apareceu para abençoar o Shopping.
Foi uma espécie de celebração coletiva de um empreendimento arrojado, mas que só demonstra que algo está errado.
Quando se comemora a abertura de um shopping como se fosse um parque público, é sinal de que a cidade está doente.
Vamos combinar uma coisa: shopping center é coisa de lugar subdesenvolvido. (Americano é subdesenvolvido com dinheiro)
E isso nada tem a ver com questão ideológica ou coisa do tipo. Apenas falo isso porque para um centro de compras neste formato dar certo, é preciso que a cidade esteja uma porcaria, que é exatamente o caso de Recife.
O sucesso de um shopping está diretamente relacionado a uma falha de mercado. Ele cobre todos os aspectos que o Poder Público não consegue atender, que é a qualidade dos espaços públicos na cidade.
 
Me dei conta disso na primeira vez que estive no exterior. Estava em Bruxelas, olhando para os lados e percebi os motivos de ali não ter um shopping: as ruas eram bonitas, seguras, com calçadas largas e bem cuidadas, sem comércio ilegal e ainda fazia um friozinho. (foto acima)
Para que shopping center?
Por aqui é exatamente o contrário. As ruas são fétidas, inseguras e com as calçadas esculhambadas. Para piorar, como o deslocamento da classe média é todo feito de carro, ainda falta estacionamento privado perto dos locais de compra. Na verdade o espaço público está totalmente privatizado, seja por camelôs, construtores que espalham metralha nas calçadas, ou ainda pelos famigerados donos das ruas, chamados aqui de flanelinhas, que hoje são os verdadeiros representantes da esculhambação que se tornou o Recife.
Por tudo isso o shopping center vira um excepcional empreendimento. É mais seguro, não se cai em um buraco, estaciona-se com facilidade e ainda tem o ambiente geladinho.
Engana-se quem acredita que isso é uma luta do bem contra o mal, ou ainda que isso se deve a um empreendedor privado, que no caso é João Carlos Paes Mendonça.
Vamos combinar outra coisa: JCPM é empresário e faz o que bem entender com seus investimentos, e a abertura de um shopping é apenas a percepção perspicaz de uma falha de mercado que pode se tornar uma grande oportunidade de negócio.
Na outra ponta, costuma-se dizer: “Ah…mas aqui em Recife quem manda é o seu grupo e meia dúzia de construtoras.”
Isso não é verdade, quem manda na cidade é qualquer um que queira. Seja ele um construtor, um camelô, um empresário, ou mesmo um flanelinha.
Essa cidade vive um clima de anarquia completa, patrocinada por um Poder Público inerte, tendo à frente um prefeito sem moral, que está à frente de uma cidade sem planejamento algum. Um Prefeito que chega ao cúmulo de fazer uma via pública de acesso ao centro de compras sem calçada, como se ninguém pudesse ir a pé. De bicicleta saindo do centro da cidade então, nem pensar.
A única questão é que este grupo de empresários com visão mais imediatista aposta no estilo de cidade morta a qualquer custo, pois bastaria uma boa reforma urbana em alguns bairros que o cenário mudaria por completo. O único risco está aí.
Por outro lado, temos uma população cujo sonho de consumo é refrescar os fundilhos em um ar-condicionado a qualquer custo.
O nosso padrão de sucesso hoje é morar em um prédio com um muro de 7 metros, descer por um elevador geladinho, entrar no carro e ir passear no shopping center.
É a completa encapsularização do cidadão.
O indivíduo bem sucedido por aqui é aquele que compra um apartamento na praia e vislumbra o mar de um esteira ergométrica de 15 mil reais, pois não se dá nem ao trabalho de ir passear no calçadão da avenida Boa Viagem. Na casa deste cidadão toma-se banho quente com o ar-condicionado do banheiro ligado. Ar puro só é respirado em alguns poucos momentos.
E as argumentações a favor da encapsularização são as mais pobres possíveis, como por exemplo a beleza dos centros de compras. Já outros preferem ser mais agressivos, dizendo que quem é contra está contra a geração de empregos.
Mas o melhor mesmo são aqueles que vêm com a frase mágica matadora: “aposto que você vai frequentar o shoppping”.
Ora, os empregos seriam gerados da mesma forma se as lojas fossem nas ruas. E não nego que, apesar de não gostar, vou frequentar o Shopping porque ali estão os cinemas, restaurantes, etc. É como tentar proibir de frequentar o estádio de futebol adversário.
E esse fenômeno da encapsularização vem acontecendo em quase todas as metrópoles do Brasil. Não acontece na Europa ou em qualquer outro lugar desenvolvido justamente pelo que coloquei acima.
E os argumentos ainda podem piorar, indo até a politização do tema, como se isso fosse uma briga entre esquerda ou direta, ou entre ricos e pobres. Como se a urbanização da cidade devesse ser ideologizada.
Esquecem que o lugar mais valorizado do Brasil, a Zona Sul carioca, se orgulha de ter suas principais lojas nas ruas. Em Ipanema as principais lojas estão todas pelas ruas, como H Stern, Puma, Richards, etc. Estão todas em calçadas bem cuidadas, apinhadas de gente, dando vida ao lugar. Até os cinemas são na ruas, assim como bons restaurantes.
E quando instalaram um centro de compras semelhante a um Shopping no Leblon, a população reclamou porque estava preocupada com a vida do bairro. O resultado hoje é que as lojas deste centro de compras são muito mais baratas do que as instaladas nas ruas, porque é lá que está a vida de uma cidade. E os empregos são gerados da mesma forma, seja em lojas de ruas ou em centro de compras.
E para quem pensa que aqui não é Ipanema, basta relembrar que as ruas eram uma bagunça, até que o então prefeito Cesar Maia resolveu fazer uma reforma na cidade, aumentando as calçadas. A revolta naquele momento foi grande, já que ele pensou no absurdo de tirar uma faixa de carro para dar ao pedestre.
Mas no Rio de Janeiro todos acabaram percebendo que isso foi melhor para a cidade.
Mas por aqui comemora-se com toda pompa a catarse subdesenvolvimentista como progresso.
O pior é que, de um lado temos a galera encapsularizada celebrando o “progresso” modernoso ao gosto do empresariado selvagem. De outro os defensores dos “fracos e oprimidos” camelôs e flanelinhas, que ajudaram na privatização da cidade. E no meio, espremidos como recheio de sanduíche, aqueles que ainda imploram por uma cidade melhor, e mais humana, com melhor transporte coletivo, com mais bicicletas andando em segurança, com as ruas cheios de pedestres em calçadas amplas e bem cuidadas.
Mas está difícil.
Como diz Renato Russo:
Vamos celebrar nossa tristeza,
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas

Visto no: Acerto de Contas

15 outubro 2012



Para fazer parte de determinados mundos, o ser humano precisou seguir certos modelos sociais que foram paulatinamente sendo incorporados a sua rotina. Tal inserção não é algo recente, já que, historicamente, o homem sempre buscou formas de se manter agrupado, em comunidades, até por uma questão de sobrevivência. Este papel de unir pessoas semelhantes, numa cadeia, é exercido, na atualidade, pelas redes sociais. Elas que povoam a internet com suas múltiplas funções, modelos variados e nomes bem distintos, porém, com o mesmo propósito: aproximar pessoas através de mecanismos simples, dos quais com uma simples dedilhada é possível reencontrar aquele amigo esquecido ou parente distante. No entanto, a popularização desses veículos acabou desconfigurando o seu real papel de unificar, criando mundos paralelos, onde os usuários, às vezes isolados, não conseguem distinguir o real do virtual.

A popularização das redes sociais tem atraído um número cada vez maior de indivíduos. Iludem-se aqueles que pensam que as facetas desse mundo são atrativas apenas ao público mais jovial. Adultos e muitos idosos também fazem parte da rede de pessoas conectadas ao magnetismo desse ambiente. No entanto, ao passo que se estreitam as relações virtuais, distanciam-se, por outro lado, as relações sociais restritas ao ambiente familiar, colegial e até mesmo amigacional. As famílias “modernas” não conversam mais entre si. São filhos indomados, pais desorientados, culminando na formação de indivíduos vazios, artificializados, totalmente desconectados do humano que habitam dentro de si. Ao contrário disso, são formadas pessoas mecanizadas, pequenos androides que irão reproduzir o que veem, leem, apreendem e aprendem dentro dessas redes, como verdades absolutas.

Também há na utilização desses veículos uma forma de humanizar aqueles que na vida real não tem vida. O simples ato de curtir e ser curtido, compartilhar e ser compartilhado, faz com que indivíduos mais introspectivos ganhem visibilidade, destacando-se numa cadeia de outros seres sem vida em busca de holofotes para se sentirem ativos e, por fim, vivos. São pessoas tímidas, ou antissociais, que se mostram super populares e comunicativas, a partir do momento que criam um perfil nessas redes. Quem não conhece alguns casos de pessoas introvertidas, pacatas ou altamente isoladas que quando fizeram uma conta nas redes sociais se transformaram por completo? Exemplos não faltam. Há cada vez mais indivíduos que encontram nessa ferramenta a chance de existirem de fato. O problema é quando essa matrix acaba sobrepondo-se a realidade, atingindo a percepção dos dois mundos.

A quantidade de seguidores (“amigos”); a qualidade das fotos, bem como os melhores ângulos delas; o grau de intelectualidade das mensagens que são curtidas e compartilhadas. Tudo isso é avaliado numa escala de importância para mais ou para menos, de acordo com os adornos que enfeitam os milhares de perfis que povoam os campos da internet. Devido a essa fartura, sérios problemas acabam surgindo. Os jovens, por serem mais propensos as vicissitudes da modernidade, tornam-se presas fácies nas mãos de internautas mal intencionados que encontram na ousadia de algumas fotos a chance de aliciar os pueris ao ponto de ampliar os índices de pedofilia e cyberbullying que se proliferam pela net. Além disso, pessoas com baixa autoestima constroem uma falsa ilusão de si mesmas, criando duplas, triplas e múltiplas personalidades, que são álter egos eletrônicos, os quais se manifestam de acordo com os desejos do usuário. Tal atitude é insalubre para ambos os lados, tanto para quem se ilude ao criar personagens de si mesmo, quanto para quem acredita nelas.

Parece que essa cadeia de mentiras é o que alimenta a vida nas redes sociais. As pessoas preferem se enganar, postando coisas que não acreditam, compartilhando mensagens que não traduzem o que elas realmente gostam e curtem de forma demasiada tudo o que é curtido por todos, como forma de sinalizar que elas fazem parte daquele contexto. Há nesses atos a necessidade de pertencimento, de fazer parte deste ou daquele mundo onde todos são inteligentes, bem informados e altamente sociáveis. Tamanha hipnose poderia ter um lado positivo, se pelo menos a metade de todos aqueles que se utilizam das redes sociais todos os dias expressassem genuinamente o seu eu, ao invés de disseminar ideologias encapsuladas em subterfúgios que não correspondem ao âmago dos indivíduos que usufruem dessas redes. Isso pode ser reflexo de uma sociedade doentia, que prefere enganar seus problemas, elaborando escapismos nos quais a representação da vida crua, pode ganhar uma conotação menos dura se receber uma dose de fantasia.

De certa forma, essa postura é o reflexo da carência humana de não estar, nem permanecer, sozinho no mundo. Sabendo disso, talvez o sucesso de tais redes seja justificado, a priori, como algo positivo, pois é uma ferramenta capaz de aproximar pessoas distantes, unificar aqueles que comungam de pensamentos e ideologias semelhantes e ainda dá a chance de popularizar aqueles que na vida real são mais inibidos. Em contrapartida, não se pode desconsiderar que a periculosidade dessas redes reside na desumanização da sociedade, a partir do momento que o virtual mistura-se ou esmaga o mundo real e a pessoa acaba perdendo a sensibilidade de beijar, abraçar, conversar, discutir, festejar, amar, etc., características inatas ao ser humano e que podem ser trancafiadas no corpo como microchips andantes. O homem precisa estar em contato, com outras pessoas para se humanizar e saber que não é superior nem tão pouco inferior a ninguém, mas membro de uma grande árvore genealógica da qual todos somos parentes. Seja esta árvore vegetal, seja cibernética, o que ele não pode é deixar de ser humano.



Tema: Como entender o ser humano?

Entre o ser e o saber

Nomenclatura oficial da espécie humana, Homo sapiens quer dizer homem sábio, aquele que sabe. Em se tratando, contudo, das normas morais e éticas, ele sabe o que é certo e o errado, mas deixa-se atrair por caminhos muitas vezes inadequados, como é o caso da intrínseca individualidade. Porém, não há como o homem progredir social e cientificamente se ainda há mistérios no íntimo humano a serem descobertos, sendo os sentimentos controversos os principais responsáveis pela infinidade de comportamentos inerentes ao seres humanos.

Por maior que seja a ânsia por conhecer o desconhecido e conquistá-lo, o ser humano depara-se com atitudes que o impedem de seguir adiante. Seu erro, entretanto, é desejar explorar o universal quando sequer domina o pessoal. Em outras palavras, porque almejar objetivos tão grandiosos quando ainda não é possível conhecer psicologicamente o ser humano, seus sentimentos e concepções? Como escreveu Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, “ao acabarem [as conquistas] só resta ao homem a dificílima viagem de si a si mesmo”. Neste sentido, um dos fatores que impedem a sociedade de progredir em suas obstinações é a falta de conhecimento pessoal.

Apesar de, cientificamente, o ser humano ser considerado a espécie de maior sucesso, sua sabedoria é facilmente distorcida por “cortesias” que o fazem valorizar o “ter” em detrimento do “ser”. É o caso da corrupção, na qual uma parcela da população é favorecida quando uma maioria carrega o peso de uma nação injusta e desigual. Não há uma explicação lógica para o fato de o homem, ao mesmo tempo em que é intelectual, solidário e capaz, ser absurdamente corrupto e imoral. O desconhecimento do “eu”, então, proporciona caminhos favoráveis para tais contradições.

Sem autocrítica ou autocontrole, entre outros “autos”, as pessoas tornam-se susceptíveis a atos que, muitas vezes, ferem os direitos humanos, e isso requer uma reflexão concisa de quem é e o que pensa, bem como o que quer o ser humano. O ideal seria descobrir, de fato, esta espécie que pensa, que sente, que sabe, e colonizá-la a fim de extrair atitudes fortemente humanitárias. Apenas desta forma, o homem conhecerá, segundo Drummond, a “alegria de com-viver”.

Aluna: Ana Carolina Lima
Prof. Diogo Didier


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.


Mais Uma Vez

Renato Russo


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está

Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!



Ei! Sorria... 
Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.


Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.


Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?


Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.


Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.


Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.


Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe.



Salmo 90
Sitael

DEUS, PROTETOR DOS JUSTOS


1. Deus,
eu moro sob a proteção do Altíssimo
e descanso à sombra do oponente.

2. Digam todos:
"O Senhor é meu refúgio e
meu escudo,
meu Deus em quem confio."

3. Porque o Senhor há de livrá-lo
do laço do caçador e das doenças
perigosas.

4. Com Suas penas o cobrirá
e o abrigará sob Suas asas.
Escudo, verdade e aliança são lealdade divina.

5. O filho que crê no Pai
não teme jamais,
nem à noite nem à luz do Sol,

6. as doenças que se propagam
ou os flagelos que arrasam o dia.

7. Podem cair mil a Seu lado,
e à direita, mais dez mil,
mesmo assim nada O atinge.

8. Inclinará os Seus olhos em tudo,
e verá que o caminho contrário
não leva a nada.

9. Pois Ele é de fato
meu refúgio.
Sinto-me confortado
no Senhor Altíssimo.

10. Nada poderá me atingir.
Em minha casa não haverá doenças
nem desavenças.

11. Pois o Senhor deu ordens aos anjos
para que guardasse Seu filho por
onde quer que Ele caminhe.

12. Eles irão levá-lo,
segurando suas mãos,
para que não machuque
os pés nas pedras.

13. Andará por sobre os
contrários mais temíveis, como
o leão, o dragão...
E Seu filho pisará a salvo.

14. Porque quem está unido ao Senhor
estará salvo e protegido.

15. "Se invocado,
Eu ouvirei.
Serei Seu amigo nos momentos
mais difíceis
Eu lhe darei a salvação e a glória.

16. Darei fartura, prolongando a vida.

...amém...