O medo do outro pode ser o medo de si próprio

12:33


Por Maurício dos Santos*


Enquanto de um lado a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) aparece com mais naturalidade em vários âmbitos da sociedade, a homofobia dispara como uma das causas de muitos crimes em todo o planeta. Em lugares onde essa violência específica não é punida oficialmente em lei, a homofobia cresce solta. É o caso do Brasil, um país de controversas. Mas a confusão de emoções gerada por essa temática nos faz pensar no porquê de tanto medo, prazer e ódio. 

A homofobia diz respeito a um transtorno que faz o agressor perseguir e maltratar homossexuais. Existem também a lesbofobia e a transfobia, aversão a lésbicas e a transexuais, respectivamente. O agressor tem aversão a essas pessoas. Um ato de violência física na escola pode ser a extensão de uma piada tolerada em casa, ainda na infância, por exemplo. O que precisamos enxergar é que preconceito é sinônimo de violência, baseado na falta de conhecimento e compreensão. 

Todos os envolvidos passam por momentos de tortura, sentem medo e desespero. Mas por que é tão difícil para o homofóbico conviver com os outros? O fenômeno afetivo que rebaixa certos sujeitos é utilizado como arma para classificar pessoas, e, consequentemente, diminuí-las. É um mecanismo de defesa usado para tentar mascarar quaisquer tipos de fraquezas. "O medo frente ao diferente é menos produto daquilo que não conhecemos do que daquilo que não queremos e não podemos reconhecer em nós mesmos por meio dos outros". Freud, o pai da teoria psicanalítica, evoca nessa citação a fuga do ser humano vindo após a sensação de medo. 

Diminuir a outra pessoa é uma ação prazerosa para muitos, prática sadomasoquista. Além da violência clara e exposta ao máximo, pode ser incluída ali uma repressão ao próprio sexo. Quando o homofóbico agride o homossexual ele nega a si mesmo. A forte negação revela um excesso doentio em querer mostrar-se diferente do outro, com uma sexualidade superior. É ressaltada, nessa prática fóbica, a sexualidade sob o falso status de simples escolha de vida e identidade de gênero. 

Tenta se passar, por muitos, a ideia de orientação sexual como algo plástico, frágil e indeciso. Todavia, a Psicanálise versa, desde seu início, sobre a diversidade sexual - normal e comum, que habita todo ser humano. Bissexual, por si só, seria uma condição de todo indivíduo. O princípio do prazer que orienta os lados humanos faz com que os seres humanos não sejam tão diferentes assim. Mudam na personalidade, alimentada pelas diferenças. A riqueza humana esta nas características pessoais de cada um. O self requer isso: diferenças para alcançar o amadurecimento. Crescemos com os diferentes.

Fundamental nos casos de preconceito é estabelecer um pacto de respeito. Para isso, o ego precisa estar forte. O homossexual necessita aceitar a si mesmo, com suas potencialidades e seus limites. O sujeito violento necessita se entender e aprender a conviver, além de encontrar uma outra saída de descarregar essas energias violentas, que não seja prejudicando o outro. Nesta sociedade colorida e plural, precisamos eliminar a auto-punição e o sentimento de culpa, tão disseminados em pensamentos rebaixados.

* O autor é Jornalista e Presidente da Câmara do Livro do Vale do Itajaí / Santa Catarina
Estudante de Psicanálise, pela SPOB (Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil)

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