30 novembro 2010


Sinopse:

Walter Vale (Richard Jenkins) é um professor universitário de 62 anos, que não tem um objetivo na vida. Solitário desde o falecimento de sua esposa, ele permanece na universidade em que trabalha e finge ser co-autor de livros os quais nem lê. Um dia é enviado para uma conferência em Nova York, já que a autora de um destes livros está impossibilitada de comparecer. Reticente a princípio, mas sem escapatória, Water viaja. Ele resolve ficar em seu apartamento na cidade, o qual não visita há vários meses. Porém ao chegar descobre que o local agora abriga um casal de imigrantes ilegais, formado pelo sírio Tarek (Haaz Sleiman) e a senegalesa Zainab (Danai Jekesai).


Elenco:

  • Richard Jenkins (Prof. Walter Vale)
  • Haaz Sleiman (Tarek Khalil)
  • Danai Jekesai Gurira (Zainab)
  • Hiam Abbass (Mouna Khalil)
  • Marian Seldes (Barbara)
  • Maggie Moore (Karen)
  • Michael Cumpsty (Charles)
  • Bill McHenry (Darin)
  • Richard Kind (Jacob)
  • Tzahi Moskovitz (Zev)
  • Amir Arison (Sr. Shah)
Ficha Técnica

título original:The Visitor

gênero:Drama

duração:1 hr 44 min

ano de lançamento: 2008

site oficial: http://www.thevisitorfilm.com/

estúdio: Next Wednesday Productions / Participant Productions / Groundswell Productions

distribuidora: Moviemobz

direção: Len Clayton

roteiro: Thomas McCarthy

produção: Michael London e Mary Jane Skalski

música: Jan A.P. Kaczmarek

fotografia: Oliver Bokelberg

direção de arte: Len Clayton

figurino: Len Clayton

edição: Tom McArdle

efeitos especiais:Janimation


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Paciência

Lenine

Composição: Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida é tão rara...

A vida é tão rara...



Gente, recebi um email bastante interessante sobre os avanços do combate ao Bullying na capital de Curitiba, considerada uma das principais capitais do Brasil que enfrentam esse problema:

Segundo pesquisa recente divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Curitiba é a terceira capital brasileira com maior registro de casos de bullying. De acordo com o estudo, 35,2% dos estudantes entrevistados afirmaram ter sido vítimas de agressões (físicas e psicológicas), ameaças, humilhações e outras ações perversas que caracterizam o problema.

No ranking nacional do bullying, a capital paranaense está à frente de grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, ficando atrás somente da primeira colocada, Brasília, com 35,6% dos casos, e da segunda, Belo Horizonte, com 35,3% das ocorrências.

Os índices apresentados ligaram o sinal de alerta na cidade. Tanto que dois vereadores de partidos opostos (um de apoio e outro de oposição ao prefeito) uniram-se para criar um projeto de lei para combater o bullying na rede de ensino, tanto pública quanto particular. A proposta, aprovada mês passado pela Câmara Municipal, prevê o cadastramento e o acompanhamento psicológico de autores e vítimas do bullying, entre outras medidas socioeducativas.

Os vereadores Mario Celso Cunha (PSB) e Pedro Paulo (PT) falaram ao portal sobre a nova Lei Antibullying e sobre como ela pode ajudar no combate ao problema. Confira a entrevista.

O bullying é hoje um problema mundial. Na sua opinião, onde está a raiz desse problema? Na educação que a criança/o adolescente recebe em casa ou na falta de uma ação mais efetiva do poder público?

Mario Celso Cunha – Eu diria que falta informação. Essa desinformação vem culturalmente, de muitos anos, e muitas crianças que sofriam esse tipo de assédio, esse tipo de violência, não sabiam o que estava acontecendo, achavam que eram vítimas de um grupo de pessoas. Com isso, afastavam-se da escola, escondiam-se, tornavam-se péssimos alunos, que não prestavam atenção nas aulas. Fora do colégio, socialmente, ficavam reclusas, trancadas em casa. E muitas vezes, os pais não sabiam o que estava ocorrendo, achavam que tais crianças eram preguiçosas, rebeldes, e na verdade era o bullying, que hoje se tornou conhecido internacionalmente por meio de casos que aconteceram nos Estados Unidos e que tiveram repercussão mundial.

Como surgiu a ideia da Lei Antibullying nas escolas de Curitiba? Foi baseada em alguma outra lei já existente no País?

Pedro Paulo – Exatamente. Nós temos uma experiência positiva no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro de combate ao bullying nas redes municipais de educação. Propusemos o mesmo aqui, claro que adaptando à nossa realidade. O importante é que esse enfrentamento seja feito onde há maior ocorrência de bullying, que é nas escolas. Nós queremos o atendimento às vítimas e também o acompanhamento dos agressores.

Qual o principal objetivo da Lei Antibullying nas escolas de Curitiba?

Mario Celso Cunha – O principal objetivo é a prevenção. Fazer um cadastramento das pessoas que praticam bullying, das que são vítimas desse tipo de agressão, e, principalmente, abrir uma porta para que sejam feitas as denúncias. Sem medo, sem perseguição, sem pressão. Que as vítimas denunciem, pois só assim nós acabaremos com o bullying.

Que papel os pais e os professores podem desempenhar no sentido de combater o bullying na escola e conscientizar os alunos sobre o problema?

Mario Celso Cunha – Reuniões pedagógicas com terapeutas, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais. Enfim, reuniões com pessoas que entendam o problema e já o tenham vivenciado, bem como com vítimas ou do bullying moral ou do bullying físico, e que possam também expressar isso em reuniões permanentes com as escolas, para que todos possam saber o que está acontecendo. Essas reuniões terão a participação de diretores. Depois, serão feitos relatórios, posteriormente encaminhados às respectivas secretarias do Estado e do Município.

Em relação à vítima, que procedimento ela deve tomar quando começa a sofrer o bullying?

Pedro Paulo – É importante que a família esteja atenta a mudanças em relação ao comportamento habitual dos seus filhos ou ao fato de apresentarem irritação frequente. Pode ser que estejam sendo vítimas de bullying. E aí nós queremos que a escola seja um espaço onde não apenas se identifica a violência, mas também se trata o problema, encaminham-se as vítimas para o acompanhamento psicológico, assim como os agressores, porque eles também precisam de tratamento, até porque ninguém nasce violento. Os hábitos de violência são adquiridos na convivência. Então, aquele sentimento de intolerância em relação às diferenças, a gozação que se faz com o adolescente porque ele é mais gordinho, porque ele é de um jeito ou de outro, por sua religião, enfim, tudo isso gera conflito. O importante, como eu disse, é a identificação do problema, para que tanto vítima quanto agressor possam ser atendidos.

Pesquisa recente divulgada pelo IBGE apontou que Curitiba é a terceira capital com maior número de ocorrências de bullying no Brasil. Como esse dado pode ajudar no combate ao problema e em medidas de conscientização?

Mario Celso Cunha – Esses são dados oficiais. Mas agora, extraoficialmente, nós temos números bem maiores. Isso acontece todo dia, não só em escolas municipais e estaduais, mas também em clubes, organizações, entidades. O bullying está presente em vários setores da sociedade. Por isso é que esse dado mostra-se tão expressivo. E só combatendo, só prevenindo, só denunciando é que nós colocaremos realmente um freio nessa crescente ação de bullying.

Como a Cartilha Antibullying, lançada recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça, pode ajudar no combate a esse grave problema?

Pedro Paulo – Ela é fundamental, porque sem conhecer o problema e sem ter informações sobre ele, é difícil até identificá-lo. Então, essa cartilha vem em um bom momento. É sinal também de que essa situação não é isolada. Trata-se de um fato mundial e nacional, e nós precisamos combatê-lo. E a melhor forma de enfrentá-lo é conhecendo-o, obtendo informações a respeito. Por isso, nós queremos inclusive reproduzir essa cartilha em nível municipal, anexando-a ao projeto de lei, para que essas informações sejam democratizadas, de modo que as pessoas possam conhecer esses casos e que cada uma, dentro da sua família, da sua escola, da sua igreja e na sua roda de amigos, possa debater o problema e combatê-lo.

O bullying está se expandindo para o mundo virtual, no que chamamos de ciberbullying. Que medidas podem ser tomadas para conter o problema via Internet?

Pedro Paulo – O ciberbullying também exige que as famílias acompanhem, de certa forma, o que os seus filhos fazem na Internet. Isso porque eles podem estar sendo tanto vítimas quanto autores de bullying. Daí a importância do acompanhamento. E na escola, deve-se orientar também como utilizar de forma positiva esse poderoso instrumento que é a rede mundial de computadores.

Raio X do bullying no Brasil

29 novembro 2010


Sinopse:

Madri, 1980. Enrique Goded (Fele Martínez) é um cineasta que passa por um bloqueio criativo e está tendo problemas em elaborar um novo projeto. É quando se aproxima dele um ator que procura trabalho, se identificando como Ignacio Rodriguez (Gael García Bernal), que foi o amigo mais íntimo de Enrique e também o primeiro amor da sua vida, quando ainda eram garotos e estudavam no mesmo colégio.

Goded recebe do antigo amigo um roteiro entitulado "A Visita", que parcialmente foi elaborado com experiências de vida que ambos tiveram. Goded lê o roteiro com profundo interesse. Este relata as fortes tendências de pedofilia que tinha um professor de literatura deles, o padre Manolo (Daniel Giménez Cacho), que vendo Ignacio e Enrique em atitude suspeita diz que vai expulsar Enrique. Ignacio, sabendo que Manolo era apaixonado por ele, diz que fará qualquer coisa se ele não expulsar Enrique.

Então Manolo promete e molesta Ignacio, mas não cumpre a promessa e expulsa Enrique. Goded decide usar a história como base do seu próximo filme e, por causa de um isqueiro, vai até a casa de Ignacio e constata uma verdade surpreendente.

Elenco:

Gael García Bernal

(Ignacio Rodriguez / Zahara)

Leonor Watling

(Mônica)

  • Fele Martínez (Enrique Goded)
  • Daniel Giménez Cacho (Padre Manolo)
  • Lluís Homar (Sr. Berenguer)
  • Javier Cámara (Paca / Paquito)
  • Petra Martínez (Madre)
  • Juan Fernandez (Martin)
  • Alberto Ferreiro (Enrique Serrano)
  • Francisco Maestre (Padre José)
  • Nacho Pérez (Ignacio - jovem)
  • Raul Garcia Forneiro (Enrique - jovem)

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28 novembro 2010

bifobia,homofobia, heterofobia, transfobia, fobia, medo, aversão, preconceito, discriminação

Ao analisar a palavra “fobia” que do Grego significa “medo”, percebe-se que em determinados contextos ela é usada indevidamente e para fins de ordem pessoal. Isto porque as fobias modernas não estão mais ligadas à aversão a animais ou a situações de pânico, na qual o individuo tem receio de estar em lugares públicos, ou em ambientes muito fechados, como nos casos das pessoas que têm claustrofobia. Hoje, utilizam-se dessa sigla para justificar atos de violência, geralmente direcionados às minorias desfavorecidas pelas esferas governamentais. A exemplo pode-se falar da comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transex) que vive sob o espectro da homofobia, lutando incessantemente para que essa prática criminosa seja coibida pelo Estado.

Se a palavra fobia significa medo, então a palavra “homofobia” deveria significar medo de homossexuais, não? Mas, na realidade o conceito que essa palavra emprega é outro. Ser homofóbico é sinônimo de ter aversão repulsiva as práticas homossexuais em todas as suas instâncias. Essa aversão tem sido usada como justificativa para os atos de violência cometidos pela sociedade que desconhece o real sentido que as palavras exercem, nem tão pouco conhece o significado da palavra tolerância. O resultado disso é a inversão de valores, pois hoje as vitimas da “fobia homofóbica” são os gays e não as pessoas consideradas “normais”.

Da variação dessas fobias surgiram várias outras, a mais absurda é a chamada “heterofobia”, termo que tem a mesma conotação da palavra homofobia, sendo que inversamente. Ora, se for feita uma comparação dos índices de preconceito e discriminação sofridos entre gays e héteros é evidente que a diferença vai ser gritante, pois os homossexuais, como todos sabem, são as maiores vítimas das segregações sociais existentes até hoje. Da mesma forma, não se pode equiparar a questão dos direitos entre essas duas classes, uma vez que os homossexuais lutam arduamente para garantir que direitos básicos sejam atribuídos a classe, enquanto os héteros têm total proteção do Estado nessa questão.

E a disseminação do termo “fobia” continua sendo deturpada por onde passa. Já se ouve com naturalidade bifobia e até transfobia. Se, no entanto, esses “medos” fossem justificados de forma racionalizada seria até compreensivo, mas o que acontece é a transfiguração do sentido desse termo para ações infindáveis de violência. As pessoas se apoiam em conceitos pré-concebidos/estabelecidos para justificar a sua falta de conhecimento sobre um determinado assunto/tema. Isso nada mais é do que o preconceito, no qual anda lado a lado com a ignorância e, sobretudo com o desconhecimento de tudo o que está além dos nossos valores moralizados.

Enquanto a sociedade busca se apoiar nesses termos para criar um distanciamento e/ou uma nova configuração para a temática LGBTT, muitos gays são violentados, físico e moralmente, quando não mortos, pois o descaso ainda é operante e sem previsão resolutiva. A lei do PLC122/2006, popularmente chamada de Lei da Homofobia, ainda não saiu do papel, impedindo que a violência praticada contra os homossexuais seja coibida pelo Estado. Será que para esse lei sair do papel vai ser preciso ocorrer algo similar ao da Lei Maria da Penha, na qual a mulher que deu seu nome a lei quase perdeu a vida para que outras tivessem o mesmo direito? Será que vai ser preciso que mais atos homofóbicos sejam praticados para que a lei garanta a proteção dos gays do nosso país? Ou vamos continuar mascarando o problema, com a criação de termos ridiculos como o da “heterofobia”.

Os negros passaram gerações para terem os seus direitos garantidos e mesmo assim ainda vivem sobre o prisma da discriminação; as mulheres foram inferiorizadas durante anos e agora conseguiram galgar alguns degraus para a questão da igualdade social; e os homossexuais? Até quando eles esperarão para que a sociedade enxergue a problemática vivida por eles de forma menos preconceituosa e mais racionalizada. Será que teremos que esperar mais duas ou três gerações para que a realidade dos gays no Brasil tome um rumo mais justo e igualitário?

Princesa Negra

Oxum Pandá

Vim de Luanda, meu pai é Rei
Eu sou Princesa Negra
Minha palavra é lei

Traz tapete vermelho que eu quero passar sem pedir licença
Da mamãe Oxum, herdei altivez, sedução e beleza
Hoje a ordem do dia, eu vim com meu povo a dançar afoxé
bate bate tambor que é na palma da mão é na ponta do pé


Bate tambor, bate atabaque, repica agogô na imensidão
hoje o decreto diz, seja livre e feliz, minha palavra é lei (minha palavra é lei)

Vim de Luanda, meu pai é Rei
Eu sou Princesa Negra
Minha palavra é lei

Traz tapete vermelho que eu quero passar sem pedir licença
Da mamãe Oxum, herdei altivez, sedução e beleza
Hoje a ordem do dia, eu vim com meu povo a dançar afoxé
bate bate tambor que é na palma da mão é na ponta do pé

Bate tambor, bate atabaque, repica agogô na imensidão
hoje o decreto diz, seja livre e feliz, minha palavra é lei (minha palavra é lei)

SER FELIZ É SER LIVRE!



Toda forma de amor é bonita

Desde a mais nova até a mais antiga

Quando dois corpos se encontram rola uma quimica

Não a nada no mundo que destrua essa sina


Toda forma de amor é bela

Mesmo que seja o amor entre a bela e a fera

Ou até mesmo entre o açucar e a canela

Enfrentarei qualquer sentinela

Para amar você por mais uma primavera


Toda forma de amor é encantada

Feitiço de uma receita açucarada

O que me interessa é esse amor, essa fábula

Que guia a minha vida, minha estrada

Como um livro de magia, uma bússula, uma fada


Toda forma de amor é linda

Desde que seja bem vivida

Aqui ou em outra vida

O que importa é que seja altiva

Vista com respeito e compreendida


Toda forma de amor é válida

Seja no Brasil ou no Alasca

Enfrentarei por você o sol do verão ou o frio da nevasca

Pois o que me importa é estar nessa cavalgada

Onde o amor nos espera na chegada


Toda forma de amor é...


Desde muito cedo somos estimulados a seguir a risca certos modelos pré-concebidos de valores que guiam as nossas escolhas, contribuindo para a construção da nossa personalidade. Na infância isso é evidenciado com a divisão entre meninos e meninas, na qual as brincadeiras, atitudes e amizades são agrupadas não por afinidade, mas sim por gênero. A partir de um dado momento meninos não se juntam com as meninas e virse-versa, pois existe uma linha tênue que separa esses dois hemisférios. Sem perceber, os pais muitas vezes são os primeiros responsáveis por essa separação quando, inconscientemente, atribuem valores diferenciados para os filhos de sexos opostos. 

Cor rosa é para menina, azul para os meninos; as meninas brincam de boneca, os meninos de carro, as meninas devem ser mais recatadas e educadas, os meninos também devem ser educados, mas o recato é desnecessário. E é com esse pensamento que muitas crianças, por gerações, são criadas e lançadas na nossa sociedade. Não é de se admirar de onde surgiu a causa para os atuais preconceitos. A educação familiar, que deveria primar pela diversidade e pelo respeito, muitas vezes, desconsidera isso e segue na direção oposta, onde está a irracionalidade e a discriminação.

Estudos recentes mostram que meninos que brincam com meninas e compartilham dos mesmos brinquedos, dificilmente desenvolveriam a homossexualidade na sua vida adulta. Além disso, a pesquisa ressalta a questão benéfica da interação entre eles nessa idade, uma vez que crianças que crescem convivendo com o gênero oposto são mais compreensivas, quando adultas, sobretudo para a temática da homossexualidade. Esse estudo só ratifica o conceito que eu já alimentava dentro de mim. Conheço pessoas que tiveram uma educação heteronormativa, jogavam bola, brincavam de carinho, usavam cor azul e mesmo assim se tornaram gays. Acredito que a homossexualidade é uma propensão e não somente uma adequação ao ambiente em que se vive.

No entanto, não estou dizendo que é para colocar uma roupa rosa no seu filho, ou comprar bonecas no natal ao invés de um carro. A questão vai muito além disso, pois penso que não se pode frear as escolhas do seu filho (a). Se ele (a) preferir usar uma cor que diverge do senso comum, ou brincar com algo que não está ligado ao seu gênero, você, como pai ou mãe, não pode recriminá-lo (a) ou proibir que ele (a) tenha contato com algo diferente do casual. A sexualidade do seu filho (a) é algo muito complexo e pode ser danificada se alguma prática traumática seja feita conscientemente ou não. Por isso, acredito na questão do ambiente como influenciador das nossas escolhas na infância, mas também penso que esse ambiente pode se tornar menos opressor quando os pais sabem educar os filhos de forma plurilateral, considerando que a vida deles, bem como as suas escolhas, estão alheias as suas vontades.

Dessa forma, você que é pai e mãe, não discriminem seus filhos (as) por que eles (as) brincam de bonecas ou de futebol, nem tão pouco por que eles (as) gostam de rosa ou azul, pois isso são simbologias que a sociedade impregnou nas nossas mentes para criar fantoches, crianças “perfeitas”, as quais nós sabemos que não existem. Eduquem seus filhos, acima de tudo com amor, respeito e liberdade. Liberdade sim, pois eles são livres, depois de uma certa idade, para escolherem o que devem fazer com as suas vidas. E durante a infância essa liberdade também pode acontecer, sendo que de forma assistida, com os olhos da tolerância. Lembrando sempre que cada ser humano é único e dificilmente mudaremos a propensão que cada um carrega dentro de si, pois SER FELIZ É SER LIVRE!

Azul

Djavan

Composição: Djavan

Eu não sei
Se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá
Dos olhos teus
Essa cor
Que azuleja o dia...

Se acaso anoitecer
E o céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha, vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
Essa côr não sai de mim
Bate e finca pé
A sangue de rei...

Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho (cedinho)
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...

Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho cedinho
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...

(Repetir a letra)


Fonte: Mundomais

Editorial simpatizante

Em editorial, jornal O Globo defende o PLC-122 e diz que criminalização da homofobia é necessária
por Redação MundoMais

RIO DE JANEIRO – O editorial de ontem, 25, do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, defendeu o Projeto de Lei da Câmara – 122/06 (PLC-122/06), que criminaliza a homofobia no Brasil. Intitulado A Necessária Criminalização da Homofobia, o editorial lembra as cenas dos cinco jovens agredindo homossexuais em São Paulo e o jovem homossexual alvejado por um tiro disparado por um sargento no Rio de Janeiro.

Além desses casos, o texto cita os números dos assassinatos de homossexuais divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Para o editorial, os crimes cometidos contra os LGBT fazem parte de “uma estatística contundente, retrato de um desvio social grave que precisa ser reprimida com firmeza”.

Além disso, lembra que o Brasil já conta com leis que dão garantias a algumas minorias, como as mulheres e negros, e que é necessária a aprovação de uma lei para os homossexuais. “No caso específico da homofobia, trata-se de dar pronta resposta a odiosos atos de selvageria, que, num crescendo, vão numa direção que ultrapassa a fronteira das manifestações de discriminação (no trabalho, na escola etc.) para ingressar no macabro terreno da violência física”, diz o texto.

Mais coisas – O editorial trata não só apenas da aprovação do PLC-122/06, mas de iniciativas mais amplas em nível nacional que colaborem com a mudança de comportamentos da intolerância aos LGBT. Por fim, o editorial critica o conservadorismo do brasileiro que deseja que o país se modernize com os países mais civilizados. “O Brasil que aspira a se tornar uma nação de ponta não pode crescer com pés de barro, dando abrigo ao barbarismo de grupos intransigentemente fora de sintonia com a Civilização”, conclui. Leia o editorial na íntegra:

EDITORIAL
A necessária criminalização da homofobia

As deploráveis cenas que mostram cinco jovens (quatro deles menores de idade) agredindo rapazes na Avenida Paulista, sem motivo aparente e, tudo indica, apenas pela suspeita (ou pelo "incômodo") de as vítimas serem homossexuais, devem ser vistas como preocupante advertência de que as cada vez mais constantes manifestações de intolerância no país precisam ser combatidas com ações imediatas e exemplares do Estado. Este não foi um episódio isolado. Dias antes, um soldado do Exército atirou num jovem que, pouco antes, havia participado no Rio de uma passeata em protesto contra a homofobia.

A estes exemplos juntam-se outros, materializados em atos discriminatórios que nem sempre chegam à violência de fato, mas que, igualmente, são inaceitáveis evidências de sério desvio social. Autores de agressões físicas, verbais ou psicológicas a cidadãos unicamente por suas opções sexuais são movidos pela mesma linha de pensamento, retrógrado e destituído de qualquer traço de racionalidade, que leva grupos incivilizados a atacar prostitutas, a agir de forma racista, a agredir correntes religiosas com as quais não comungam - enfim, a praticar toda sorte de intolerância.

No caso específico da homofobia, trata-se de dar pronta resposta a odiosos atos de selvageria, que, num crescendo, vão numa direção que ultrapassa a fronteira das manifestações de discriminação (no trabalho, na escola etc.) para ingressar no macabro terreno da violência física. Levantamentos recentes, com base em registros das polícias estaduais, mostram que cerca de 200 homossexuais são assassinados por ano no país. É uma estatística contundente, retrato de um desvio social grave que precisa ser reprimida com firmeza.

Disso trata o projeto de lei 122/2006, em tramitação na Câmara dos Deputados, propondo a criminalização da homofobia. O texto define como crime a discriminação por orientação de sexo e identidade de gênero, e estabelece que o autor de atos de intolerância e segregação sexual fica sujeito a penas que vão de reclusão a multa. Sua aprovação dotará o Estado de um eficiente dispositivo legal para punir uma infração não suficientemente tipificada no Código Penal.

É fundamental que assim o seja. O país já dispõe de legislação apropriada para punir outras expressões de intolerância e doença sociais - como as leis que prescrevem penas em casos de manifestação de racismo ou de agressões contra a mulher no âmbito doméstico ou familiar. A adoção de um dispositivo legal específico é providência imprescindível para dotar o Estado de um instrumento coercitivo capaz de inibir, ou, se for o caso, punir selvagens como aqueles que praticaram agressões no Rio e em São Paulo. Paralelamente a essa iniciativa pontual, devem ser promovidas, em âmbito nacional, ações mais amplas, estratégicas, de esclarecimento e de estímulo a mudanças de comportamento, que condenem a intolerância em todas as suas vertentes.

O Brasil que aspira a se tornar uma nação de ponta não pode crescer com pés de barro, dando abrigo ao barbarismo de grupos intransigentemente fora de sintonia com a Civilização.