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05 maio 2019



A corriqueira sucessão de absurdos advindos da gestão de loucuras que rege o nosso país não cansa de se autossuperar. Chega a nos furtar o ar todas as vezes, e não são poucas, em que o presidente mais insano que o Brasil já teve anuncia na sua principal tribuna, o Twitter, as mudanças pretendidas para a sociedade; todas elas levando em conta seus próprios devaneios alucinógenos. Deve ser algo de propósito, pois sem oxigênio suficiente, as funções cerebrais ficam comprometidas. Assim, sufocar a mentalidade social até a exaustão faz parte do projeto político do atual presidente, já que pensar nos dias de hoje transformou-se em uma arma mais letal do que aquela metálica defendida pelo clã de dedinhos apontados.
Por essas razões também, a educação tornou-se fantoche no jogo delirante do governo de alienar a sociedade. As Fake News, popularizadas no período eleitoral, foram apenas o primeiro passo. Agora, para que o emburrecimento social esteja completo, é preciso atacar a formação da intelectualidade do país, criando mais zumbis do que os muitos existentes. Para tanto, precisamos enumerar os tiros e contabilizar os estilhaços: escola sem partido; educação domiciliar; proibição da educação sexual nas escolas; permissão para filmar professores nas aulas; vilipêndio da vida, obra e contribuição de Paulo Freire; exaltação do descredenciado Olavo de Carvalho; notório saber em detrimento da formação específica dos educadores; corte nas verbas das universidades federais do Brasil.
Qualquer pessoa mentalmente saudável precisaria de um balão de oxigênio para refrescar os pulmões diante dessa lista sufocante. Entretanto, a paulatina vereda do não saber, não questionar e não refletir chegou às universidades. Numa tática de retaliação, o governo infantiloide brinca de se vingar daqueles que promoveram qualquer tentativa de se opor ao seu plano político de alienar o país, e estende o revanchismo a outras instituições da nação. A desculpa? "Vamos investir na educação de base!". Outra falácia descarada recentemente rebatida pelos veículos de informação, os quais comunicaram também novos cortes na educação basilar brasileira.
Em mais uma contraditória ação, o "mito" prova que nem a base nem o topo são a prioridade do seu plano educacional (se é que pode haver algum tipo de educação em seu governo), mas sim a mediocridade, a mesmice, o entorpecimento social a serviço da mera perpetuação de tolices. Quem são seus principais alvos, para além da educação? Professores e alunos! Talvez não nesta ordem. Os primeiros têm seus direitos cerceados por um plano governamental focado em silenciar os docentes, impedindo que qualquer reflexão chegue às salas de aula brasileira. Para os outros os impactos são ainda mais nocivos. Trata-se de hipnotizar os mais jovens a acreditar em um projeto de governo inquestionavelmente desumano, violento, elitista, ofuscando e deturpando meios mais humanísticos de se ensinar.
O reflexo disso já está em voga. Há hordas de professores e estudantes sob o efeito viciante da droga Bolsonaro, chapados com suas ideias estapafúrdias de mudar o país literalmente a tapas. O medo fez com que a violência fosse injetada nas veias de muitas dessas pessoas criando uma espécie de Cracolândia de proporções nacionais. Lamentavelmente, nossa única forma de reabilitação, o saber oriundo da educação, está sendo duramente atacada por aqueles que mais deveriam protegê-la. Assim, mais drogados políticos se proliferam na sociedade alardeando boçalidades sob o efeito delirante do tráfico de influência de Bolsonaro.
Fica então o questionamento: por que tanto esmero em se debruçar sobre a educação, numa nação que ocupa os piores indicadores sociais nessa área no mundo, onde a valorização docente e a autonomia pedagógica nunca foram prioridades? Uma das respostas pode estar neste texto, porém, inebriados de tantas mentiras, muitos não conseguirão concatenar. Outros esclarecimentos estão guardados em cada um de nós, basta apenas que haja um exame antidoping coletivo para descobrir e purificar as toxinas injetadas. Se isso não for feito às pressas, continuaremos doidões e a educação uma droga.

28 março 2019



"É no icônico Asilo Arkham que os criminalmente insanos são internados, enquanto o Batman tenta arduamente livrar a cidade de Gotham City da bandidagem. Coringa é um desses criminosos, que frequentemente escapa daquele hospital psiquiátrico para aterrorizar àquela metrópole. Guardada as devidas proporções, Bolsonaro encarna bem esse vilão, pois, embora não tenha sido preso (ainda), mostra claramente não está de posse de todas as suas faculdades mentais. Enquanto isso, a sociedade tem servido de experimento para as suas lunáticas decisões, o que é passível de um estudo mais aprofundado.
Certa vez li que determinados estágios de loucura nem sempre são passíveis de internação. Há casos nos quais a mera observação do indivíduo é o suficiente para traçar mecanismos de tratamento eficazes. Entretanto, no caso de Bolsonaro internar não é suficiente, é preciso interditá-lo. O presidente eleito por um discurso enlouquecido pelas fale news não para de demonstrar sintomas claros da sua sandice, que por sinal tem se tornado coletiva. Após o tosco episódio do golden shower e da bajulação deslavada ao seu correlato Trump, agora o mentecapto regente do Brasil trata de permitir a comemoração de um dos episódios mais vergonhosos da história do país, o Golpe Militar que deu início a Ditadura no Brasil.
Para os desmemoriados, este período foi o responsável pela tortura, expulsão e morte de centenas de pessoas do Brasil, além de impor um regime ditatorial aos que aqui ficaram. Mesmo diante dessas verdades históricas, o insano presidente desta nação determina as "devidas comemorações" ao ano de 1964, ignorando as vítimas desse período ao passo que exalta seus algozes. Só uma mente delirante é capaz de tratar como natural acontecimentos desta estirpe. Na verdade, o desequilíbrio desse ser humano tem demonstrado que a loucura pode ser viral. Por causa dele há uma inegável perseguição a intelectualidade, às pesquisas científicas e todo o saber crítico que ouse confrontar os "sábios" do WhatsApp bem como os "pensadores" do Facebook.
Nestas plataformas, o discurso temerário é o único possível, pois reproduz os treslocados modos desse presidente que conseguiu a proeza de colocar a ignorância a frente da sabedoria. Nesta inversão de valores, as falácias presidenciais querem ressignificar positivamente um dos períodos mais nefastos da memória nacional. Com um eleitorado que sequer legitima as fontes históricas, e que está mais preocupado em militarizar as escolas (em nome de Deus, claro!) do que estruturá-las com a livre expressão do pensamento, esse desatino de Bolsonaro passará despercebido. Porém, para os poucos ainda sãos, não será tão simples impor uma lógica desvairada sobre a sociedade sem uma análise patológica das ações.
Em boa medida, precisamos fazer uma grande terapia de grupo com Brasil, transformando-o em um consultório a céu aberto para conseguir tratar o avanço da irracionalidade proporcionado da presidência às residências do país. Antes, é preciso encarar certas verdades: o Brasil é a transfiguração da Gotham City. Hordas e hordas de criminosos, corrupção, discrepância social e uma crescente onda de loucura. Temos até o nosso Coringa tão ou mais louco que o dos quadrinhos. Falta o nosso Batman, ou pelo menos um excelente psiquiatra para, se não internar, receitar algo para a perturbada mentalidade do nosso presidente e dos contaminados por ele."


"Apesar de conhecer a simbologia que o termo "sexo frágil" carrega ao longo da história, nunca pensei que ele poderia portar outra conotação para além daquela que inferiorizou as mulheres por tanto tempo. Essa é uma das novidades dos tempos nefastos de agora, a capacidade inventiva de atribuir conceitos piores ao que já era ruim. Isto porque, em plena comemoração do dia Internacional da Mulher, o sexo continua sendo frágil, não apenas o delas, mas o de todos. Nunca se fragilizou tanto este assunto quanto no modelo inquisitorial que governa o Brasil de hoje.
Saímos da seara do tabu e estamos rapidamente adentrando às cercanias da proibição. A presidência censura qualquer tentativa salutar de discutir questões ligadas a sexo, sexualidade, gênero e identidade, demonizando estes temas nos lares brasileiros onde pouco se problematiza tais pautas. Setores ultraconservadores religiosos aproveitam a deixa presidencial para coagir a sociedade leiga a tratar com mais recato àqueles pontos, ignorando eixos transversais de cunho científico comprovadamente estudados. Na fogueira de vaidades em torno disso, quem está sendo levado às chamas são os jovens.
Já nas escolas, temáticas ligadas a feminismo e machismo são vistas como ideologias, não como problemáticas emergenciais para minar as inúmeras violências sexistas que assolam o país. O "Kit gay" é inventado para causar mais polêmica entre os ignorantes, alavancando a escalada do conservadorismo na política. Além disso, tratar de DSTs e gravidezes indesejadas também é um risco, já que os jovens não podem ter acesso a conteúdos didáticos que mostrem como por uma camisinha e quais são as partes que compõem uma vagina; na recente remoção da Caderneta Saúde do Adolescente.
Enquanto de um lado o governo tenta inutilmente enfraquecer o debate sexual, na outra margem do rio a cultura mainstream segue sexualizando a juventude por meio da mídia, da moda e da música. Meninas são retalhadas em bundas e peitos para atender aos anseios machistas da sociedade que corporifica seus corpos, mas não as ensina devidamente sobre prevenção e a autonomia do prazer sexual. Assim como elas, os meninos também são incitados a iniciar precocemente na vida do sexo sem quaisquer responsabilidades com o próprio corpo e o do outrem. Ou seja, impedir que a juventude tenha contato com o sexo é praticamente impossível.
Nossa sociedade cheira a sexo. O erotismo é a mercadoria mais barata do mercado. Logo, não seria mais lógico atribuir valor a esse produto para que os mais jovens entendessem a importância que há por trás do ato sexual? Ao contrário da censura, que é inútil na era da internet, por que não tratar com mais naturalidade a questão, esvaindo do discurso a visão pecaminosa que resiste em torno do sexo? Será mesmo que evitar mostrar pênis e vaginas na adolescência, bem como suas funcionalidades, é o caminho mais acertado para construir uma vida sexual plena? Quais são os reais temores governamentais por trás dessa perseguição ao orgasmo?
Antes, é preciso lembrar que sexo é conhecimento de si mesmo e do outro. Decerto, as pessoas que têm uma vida sexual bem resolvida tratam com mais naturalidade as variações em torno deste campo. Porém, quando fragilizado sexualmente, o indivíduo entra na paranóia hipócrita que resume o coito a dois à procriação, numa visão medieval sobre o prazer humano. Aí vem preconceito, céu, inferno, pode, não pode, etc, etc, etc. É raso, é tosco, é ineficaz. Logo, neste dia Internacional da Mulher, para além das merecidas homenagens, vamos fortalecer nosso sexo, exaltar todas as sexualidades, legitimar as identidades sexuais, extirpando mais essa visão pejorativa sobre o "sexo frágil." Se for para fragilizar, que façamos isso com a política. Lá está a parte denotativamente mal resolvida do país. O sexo frágil está na presidência."


"Numa das lendas medievais mais difundidas do planeta, o rei Arthur consagra-se perante os outros cavaleiros ao ser capaz de retirar uma espada de uma rocha, transformando-se no rei da Bretanha. Questões ligadas a honra, virtude e respeito norteiam esta narrativa literária-histórica, permeada de ritos celtas e interferências cristãs à época. Fora do mito cavalheiresco, pouco restou de honradez, empatia e respeito no desvirtuoso reinado de ódio que impera no Brasil. Pelo contrário, hoje os nossos combatentes são sadicamente ofendidos por um discurso doentio que vem polarizando o país entre militares e "comunistas".
Sem haver espaço para mediação e diálogo, assistimos aterrorizados o ataque desumano a morte do pequeno Arthur, neto do ex-presidente do Brasil, Lula. Ao atacarem covardemente a morte desse inocente, percebemos, (ou pelo menos deveríamos), entender o agravamento da barbárie que tem assolado a sociedade. Não há mais espaço para condolências, pêsames, ou qualquer tentativa de enlutar, se a vítima for do lado "inimigo". Nem a morte de uma criança cessa a fúria da intolerância. Lembro-me que quando o atual presidente da república levou uma facada num comício, eu fui um dos poucos que viu o lado humano daquela situação, mesmo tendo profundas reservas com o dito cujo.
Isto porque, quando há ações que acometem o nosso corpo debilitando-nos, é preciso dar uma trégua no embate político para que aquele indivíduo possa se restabelecer para continuar na luta. Claro, quando há o mínimo de caráter envolvido na questão. Porém, no país dos dedos engatilhados em forma de arma caso o adversário esteja desarmado, ferido ou morto é preciso assegurar a sua derrota com mais crueldade; atitudes que vão desde comentários animalescos exaltando a brutalidade, a não percepção do quão selvagem se tornou esta nação. Não nos compadecemos com as dores alheias faz tempo, mas agora avançamos para algo bem mais atroz: estamos nos regojizando com as tragédias alheias, que podem ser nossas, e são. É inegável que tamanha apatia é oriunda das marcas históricas que nos feriram neste Brasil de violências mil.
Contudo, o revanchismo que tem se criado, sobretudo dentro das redes sociais, não perdoa mais ninguém. Às vezes tenho a impressão que muitas pessoas pararam de pensar e vivem vegetando no universo. São zumbis programados para levar outras pessoas a morte. Qualquer tentativa de reflexão é mimimi; questionar transformou-se em defesa de bandidos; problematizar é coisa de comunista; os direitos humanos só servem para proteger marginais... E nesta neura a espada que poderia ser alçada para salvar o Brasil do caos iminente vai sendo enfiada cada vez mais goela abaixo. A hostilidade em torno da morte de Arthur é uma prova disso, mas não se encerra aí.
Esta na perseguição aos direitos indígenas; na deturpação da imagem das feministas; no silenciamento e extermínio dos militantes (vide Jean Wyllys e Marielle Franco); na censura implantada nas escolas; no impedimento das discussões de gênero e sexualidade; na exaltação de setores ultraconservadores religiosos em detrimento da laicidade do país; na manipulação pública através do medo. Tudo isso despertou o que há de odioso em nós: o desamor. Com a legitimação do atual governo, veremos mais episódios dantescos ganharem ares de normalidade e muitos assistirão reticentes a escalada do horror. Eu, todavia, faço parte do lado oposto.
Enquanto houver discernimento, estarei no campo de batalha com os outros muitos cavaleiros, erguendo a minha espada em prol dos meus, que ainda são negligenciados por uma política inegavelmente omissa. Estarei com Arthur, Marielle e Jean. Mesmo que o fronte de batalha sofra perdas, outros muitos cavaleiros (e não soldados), sairão em defesa da quase extinta democracia nacional. Ao nosso Arthur brasileiro, minhas desculpas em nome da vergonhosa e inescrupulosa mentalidade do país de hoje. Descanse em paz e emane inocência de onde estiver para abrandar os corações dessa nação obscurecida de mentiras e falsas promessas. E saiba, Arthur, em sua homenagem, e de todos que penam para existir nesta pátria, vamos tirar esta espada fincada no Brasil."


Cantei o Hino Nacional e o de Pernambuco durante todo o meu período de alfabetização. Apesar de repetitivo e pouco problematizado, era divertido cumprir esse ritual na infância. Mesmo inconsciente disso, a cerimônia de hastear a bandeira e bradar os versos brasileiros guardava em si uma esperança patriótica, um sopro de possibilidades para um futuro sempre incerto. O presente chegou e com ele a atrofia mental, fruto de um dos golpes de estado mais bem sucedidos da história desse país.
Nesta mudança brusca de governo, que resvalou na mutação da mentalidade social, os símbolos identitários nacionais estão sendo "resgatados" a serviço da alienação populacional. Além dos eventos futebolísticos, que impõem um pseudo nacionalismo, a política quer usar das mesmas artimanhas para impor seu regime disfarçado de verde e amarelo. A intenção de sugerir que escolas cantem o hino do país, perfilando professores e alunos, mesmo que não tenha declarado a obrigatoriedade do ato, mostra os interesses escusos de um projeto de governo incoerente, despreparado e antipatriótico.
Isto deixa nítido a incongruência do projeto "Escola sem Partido", o desconhecimento da pluralidade e livre expressão do pensamento das escolas bem como da formação educacional e o rompimento das alianças democráticas, o que é imprescindível para se fundamentar as bases patrícias de uma nação. Para compor o festival de chorume proferido por esse "novo" governo, a "sugestão" do Ministro da Educação ainda pedia para que, após cantar o hino, as escolas mencionassem o slogan presidencial: "Deus acima de tudo, Brasil acima de todos." Onde fica a liberdade de credo prevista na Constituição? De que Brasil a assertiva anterior está se referindo? 
É ultrajante, uma afronta a mínima inteligência que se pretende ser humana. É um achincalhe a criticidade, cada vez mais perseguida e deturpada para ignorância que ganhou posse em nosso país. Mais uma vez a escola volta a ser o alvo desses calhordas. Não é à toa. Numa sociedade cega, iletrada, ludibriada pelas redes sociais e abandonada há anos pelo governo, resta desestruturá-la também pelo pensamento para ter o controle absoluto da pátria. Com o aval de outros muitos imbecis, o plano de conversão tem dado passos largos. Porém, haverá resistência. Não será tão simples encobrir estratagemas políticos daqueles que não foram fisgados pelo discurso de barbárie travestido de pacificador.
Então, apesar de não levada a sério pelos políticos, não pensem que a educação está abandonada por completo. Há muitos profissionais, pais, e alunos comprometidos com um ensino vanguardista, e que não caem facilmente nessas artimanhas. A escola precisa continuar tendo a autonomia para realizar suas atividades pedagógicas, sobretudo aquelas que contemplem o país como um todo: respeitando sua pluralidade de raças, crenças, sexualidades, opiniões, posições políticas, respeito aos Direitos Humanos e, sobretudo, valorização do saber crítico.
Antes de injetar um slogan político nas manhãs escolares, é preciso investir mais em educação; ampliar os valores míseros pagos aos professores; construir escolas de qualidade; acompanhar, de fato, o aprendizado desse aluno, colocando a educação no epicentro da política nacional. Após ultrapassar essas etapas, precisamos ressignificar nosso nacionalismo para que todos se sintam parte dessa nação. Até lá qualquer "sugestão" patriótica soará contraproducente.