Uma nova configuração da escravidão

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Durante o período colonial vivenciado por este país, o uso de mão de obra escrava foi uma realidade que a poucos inquietava. Esta prática corriqueira de compra e venda de pessoas alcançou o marco legal, porém mesmo passado 500 anos a exploração do homem pelo homem não chegou ao fim. A busca de lucros exorbitantes permanece presente e desafiando a legislação vigente.
Se não é mais tão comum ouvirmos histórias de pessoas que foram vendidas para trabalharem em casas de prostituição, como crianças e adolescentes em cidades que beiram rodovias ou em regiões mais pobres e inóspitas do país, como a região norte, a questão do trabalho forçado tem ocupado os noticiários. Esse trabalho é caracterizado por uma relação de servidão perante uma dívida desproporcional ao dito salário.
Essa configuração do trabalho escravo na qual não há diretamente a compra e a venda de pessoas, mas a privação de liberdade por meio da coação é mais comum distante dos grandes centros urbanos, porém não deixa de acontecer nestes espaços também. Já foram identificadas situações de trabalho escravo em canaviais, em grandes propriedades de terra e, agora, em fábricas de costura de grandes marcas mundiais.
Os trabalhadores destas fábricas geralmente são estrangeiros, latino-americanos, que vêm para o Brasil em busca de trabalho e melhores condições de vida, mas acabam tendo sua documentação apreendida e não podem deixar o país, passando, então, a viverem em situação de escravidão. O mais interessante é que este é um trabalho terceirizado pelas marcas mundiais, logo estas não são responsabilizadas por tais atividades e permanecem buscando menores custos acima de qualquer escrúpulo.
A sociedade precisa estar atenta a esta questão e exigir que o Ministério Público e demais órgãos institucionais continuem a atuar na defesa dos direitos humanos e garantia do direito de liberdade, tornando este um marco real e não apenas legal. É necessário que seja posto um fim nesta herança colonial que acompanha a sociedade do capital e sua lógica de poder atrelada ao consumo.
Aluna: Tamy de Paula
Professor: Diogo Didier

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