09 novembro 2010

A Beleza Está nos Olhos de quem Vê!


Encontrar uma definição estanque que possa conceituar o que é o belo sempre foi uma questão polêmica. Na era clássica, a beleza estava associada com os traços perfeitos, com o culto à forma e a perfeição que os corpos deveriam estar estruturados para serem enquadrados nesse perfil. O tempo passou, e depois de alguns séculos esse modelo canônico se perdeu, ou foi simplesmente substituído pela liberdade estética, pois o conceito de perfeição ganhou uma nova siginificação, menos limitada aos traços corretos propagados até então.

Mesmo com a ressignificação dos conceitos de beleza, não se pode negar que a sua essência não sofreu muita mudança. Em todas as eras, o belo estava associado ao rejuvenecimento, a força física, a vaidade, caracteristicas que se perpetuaram até os dias atuais. Esse perfil estético atravessou gerações, causando profundas mudanças no comportamento humano e nas suas relações sociais.

Achar metódos que possibilitem deixar o individuo mais jovem e bonito é a principal meta da sociedade. Nós, sem percebermos, nos tornamos escravos de um ciclo vicioso do qual a vaidade é a bússola que rege as nossas escolhas estéticas. Não falo da vaidade salutar, aquela que está associada ao nosso bem-estar. Falo sobre essa valorização exacerbada da beleza, essa busca constante pela perfeição corpórea que ultrapassou os patrões criados pela cultura clássica, atingindo um patamar doentio, quiça compulsivo.

São implantes de silicones demasiados, lipo-aspirações (muitas vezes desnecessárias), tratamentos drásticos para o emagrecimento, métodos esdrúxulos para tratar os cabelos e a pele. Tudo para corresponder a um modelo superficial de beleza. Ainda nesse sentido, emagrecer está no topo de todos eles, pois a cultura propagada pela mídia (sobretudo a televisiva) constrói um discurso preconceituoso no qual segregam as pessoas que não se adequam a realidade prostosta por ela.

Nessa corrida desenfrada pela perfeição física, indubitavelmente as mulheres são as maiores vitimas. Isto porque, devido a questões sócio-culturais e históricas, elas querem sempre mascarar os efeitos do tempo ou aquela gordurinha localizada que apareceu durante o casamento. Ora querem estar magras, pois tomam como exemplo o estilo de vida de algumas profissionais que trabalham com o corpo (apresentadoras, atrizes, modelos, e top models). Ora querem estar com o corpo "sarado", com muito silicone no peito, bunda e em outras partes do corpo, para atender ao tão elogiado padrão da mulher brasileira. Nesse impasse eu me pergunto, e aquelas que não se enquandram nesses dois perfis, o que acontecem com elas? Não é dificil de responder, pois elas são simplesmente segregadas.

Essa busca incessante pelo "elixir" da beleza, na minha concepção, desconfigura a essência que cada ser humano possui dentro de si, criando figuras andrógenas e, sobretudo paranóicas. Temos que de alguma forma espatifar esse prisma clássico de beleza, no qual o corpo deve seguir formas rigídas, como se fosse um produto manufaturado; O rosto deve atender a critérios básicos de estética, como se fosse uma pintura renascentista; A pele tem que ter a cor e a textura adequada para causar uma boa impressão aos que veem; Os cabelos e olhos, então, estão sempre sujeitos a escolhas e transformações, para se encaixarem a um determinado estilo. Toda essa maquinização do corpo cria seres de porcelana, ou seja, belos esteticamente, mas frágeis em sua estrutura.

A época em que ter um corpo avantajado era sinônimo de beleza passou. Hoje, mulheres e muitos homens fazem de tudo, desde limpeza de pele até procedimentos cirúrgicos complexos ,para não serem excluidos dos padrões estipulados pela sociedade. Nas relações interacionais, em muitos casos, a aparência vale mais do que caráter e a honestidade. É uma pena que isso ocorra, pois não podemos exaltar a beleza exterior em detrimento dos valores que constroem cada individuo.

Cuidar da aparência é uma prática muito louvável, pois contribui para melhorar a nossa autoestima e, consequentemente da nossa saúde. Entretanto, temos que criar limites para não nos tornarmos escravos da beleza. Antes de tudo, você tem que gostar de si mesmo, para depois pensar em mudar alguma coisa no seu corpo. Penso que alterações de grande porte só devem ser feitas se algo estiver prejudicando o seu estado fisico, e não por modismo ou padrões narcisista de beleza. Gordo, magro, alto, baixo, feio ou bonito, o que mais importa na vida são os valores que você irá construir e propagar nas suas relações cotidianas. Seja FELIZ do seu jeito porque

SER FELIZ É SER LIVRE!

4 comentários:

  1. "Bonito é se assim lhe parece".

    Esta escravização da qual você fala com muita propriedade, já virou não um moto contínuo, mas um moto perpétuo. Infelizmente a aparência vem em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar e se sobrar lugar, coloca-se alguma essência. Talvez seja essa a raiz de tanta insatisfação humana e tantos descalabros vistos em atitudes das pessoas (e colocando a culpa em outros motivos). Adorei a abordagem, Diogo! Abraços. Paz e bem.

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  2. Mandou bem! A ditadura da estética castra a verdadeira beleza, a verdadeira sensualidade. O desejo não nasce nem nascerá de propaganda. Felizes são os corpos que se sentem e produzem sentidos... Isto, é o belo!

    Abraços, Diego!

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  3. Errei teu nome... Mas reforço o que disse...! rsrs rssrs

    "Mandou bem! A ditadura da estética castra a verdadeira beleza, a verdadeira sensualidade. O desejo não nasce nem nascerá de propaganda. Felizes são os corpos que se sentem e produzem sentidos... Isto, é o belo!"

    Abraços, DIOGO!

    PAZ E BEM! Axé!

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  4. Obrigado gente! Fico feliz em saber que existam pessoas que olham além da aparência humana.

    Luciana, minha linda, obrigado pelas palavras. E Cacá, sua presença é sempre uma honra.

    Bjoxxxxxxxxxx a todos!

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