Quadrilha Junina Tradição 2010 - Sinopse: Hoje é o Meu Dia de Sorte (PARTE 3)

14:33


By Anderson Gomes

Correção Textual: Diogo Didier

A QUADRILHA

É São João! Para os quadrilheiros o planeta terra completa a sua volta anual em torno do sol quando chega essa data, que saudades São João, seja bem vindo!

E com uma nova história, renasce uma quadrilha Junina para a edição de 2010, na qual a Junina Tradição apresentará um causo bem nordestino e pedimos a sua atenção.

Aliado ao Causo Nordestino: HOJE é meu dia de $ORTE, que apresentamos no casamento, outras coincidências que aconteceram, mas neste caso veio bem a calhar. Historicamente com a formação social do Brasil e o contexto histórico dos personagens que estão inseridos em uma quadrilha junina, percebemos que todos eles têm diretamente relação de intimidade com o dinheiro, como não? Vamos lá:

Casal de Noivos: Discussões já levantadas, os donos da festa, de maneira universalmente, necessitam gastar muito dinheiro para se casarem e conseguir pagar os gastos com a cerimônia e com a festança do casamento. Dependendo do tamanho do seu sonho, há casamento que acumulam no total 2.000.000.00 (dois milhões de reais) em gastos segundo o site: www.casamentoecia.com.br .

Rei e Rainha do Milho: A Rainha do Milho de toda cidade do nordeste, quando se candidata a rainha, é eleita aquela que venda mais brindes do que suas concorrentes, assim no inicio dos festejos juninos ela é coroada a rainha do período junino.

Casal de Ciganos: Outra relação evidente são os casais de ciganos que sempre seduziram nosso olhar na festança. Sempre apresentados com roupas e vestidos cobertos de mistério nas cores noturnas (azul, roxo e vermelho) e ornados por moedas de ouro, com seus sons e símbolos cabalísticos.

Cangaceiros (as): Na história socioeconômica do nordeste do Brasil, crônica do duelo sertanejo travado entre a Volante e os Cangaceiros liderados por Virgulino Ferreira – Lampião. Registra as ações de massacre e roubo de tesouros, pedras preciosas e dinheiro a partir do temido Rei do Cangaço e seus ideais de resistência e ganância pelo poder de vingança a todo custo.

A Volante: Era uma formação policial especializada, direcionada especificamente para prender vivo ou morto os bandidos do cangaço. O governo da Bahia chegou a oferecer a quantia de R$ 50:000$000 mil cruzeiros naquela época (equivalente hoje a R$ 350.000,00 – trezentos e cinquenta mil reais atualizados) para “o civil ou militar que capturar ou entregar de qualquer modo à Policia, o famigerado bandido Virgulino Ferreira, vulgo Lampião.” Diz o cartaz (preto e branco) com a imagem do cangaceiro.

Outros mais: O prefeito da cidade, autoridade máxima, sempre convidada para cerimônias importantes como casamentos, nunca perde a oportunidade de estar próximo aos seus eleitores; o coronel que exerceu sempre uma poder paralelo não declarado socialmente, mas politicamente nas relações de mando das cidades interioranas, homem de poses e de forte influência; o padeiro que vende o tradicional pão Frances o ano inteiro; o cangaceiro que invadia as casas consumindo os pertences da população, em sua bolsa joias, pedras preciosas, anéis de ouro e muito dinheiro fruto do roubo característico ao bando; o padre, autoridade religiosa respeitadíssima, tudo o que ele diz faz parte da lei de Deus e que ninguém o desobedeça, recebe dos fiéis além do dizimo ofertas em dinheiro, mas dependendo do fiel essas ofertas chegam a ser fortunas para o sertanejo; o delegado, capitão da polícia deve manter a ordem pública na cidade, entre uma apreensão e outra sempre se tem algum dinheiro que sobra e que ninguém conhece o destino; e por fim o sanfoneiro dos festejos junino, do qual, neste período não faltam o oportunidades de trabalho, ele é o rei da festa e o personagem junino que mais ganha dinheiro, gorjeta, e moeda nesta época de festa e alegria.

CÉDULAS DE DINHEIRO

Segundo o dicionário Aurélio a palavra Real significa: “Algo que existe”, “verdade”, “rei”, “realeza”. Já para nós pobres mortais brasileiros ela representa um pouco mais do que isso, pois é também o nome do dinheiro nosso de cada dia.

A cédula de dinheiro é a moeda da sorte convencional que foi criada historicamente para facilitar a trocar de bens e serviços entre as pessoas. Visualmente, dependendo da nota de dinheiro que você tenha ai no seu bolso ou na sua carteira, este papel moeda é dividido em valores, figuras e cores individuais aqui no Brasil. Uma “grana preta” que atribuem status de poder a quem as possui.

Nas cédulas encontramos facilmente o busto da Efígie, uma escultura humana, símbolo da republica “A Efígie da rainha Vitória, no cunho das suas moedas, é, em toda a Terra, a mais preciosa representação da riqueza” (Eduardo Prado, Coletâneas,I,p.254). E dá para serem ricos todos os dias? O dinheiro quando chega logo vai embora.

No dia a dia desta grande selva humana criada pelo homem, a natureza nos oferece vários privilégios. Entre eles, é natural ver voando de mãos em mãos Beija-Flores disfarçados nas cédulas de R$ 1,00 real, mas quem nunca nadou no mar azul com Tartarugas Marinhas de R$ 2,00 reais? Também, há quem prefira descansar na paz lilás e serena da Garça Branca presente nas notas de R$ 5 reais, já em contra posição tem gente que adora viver o lado R$ 10,00 reais da vida agitada nas metrópoles nacionais, dividindo a barulhenta vida moderna com o cantar arrasador das Araras vermelhas. Entretanto, nos finais de semana nada de amarelar, pois é bastante saudável curtir uma programação familiar para visitar o Zoológico e encontrar-se com o quase extinto Mico Leão Dourado em R$ 20,00, mas quem sabe admirar de longe a majestosa e destemida Onça Pintada, um medo desejável nas cédulas marrons de R$ 50,00. Contudo, nada é tão agradável quanto viver o lado azul da vida com R$ 100,00... Fato comum para uns e sinônimo de luxo para outros.

Nesse sentido, viver uma vida feliz é o sonho projetado de todo homem e mulher. Na individualidade cotidiana das cidades o dinheiro ocupa um lugar de destaque, um bem necessário, no qual muitos sonhos estão atrelados a ele, dependem dele, precisam dele, se realizam a partir dele. Já a felicidade... Bem, essa não tem nada haver com o dinheiro, mas com a maneira como o homem enxergar essa felicidade, um problema que não esta no dinheiro em si, está nos planos do homem para ele.

Uma criança que nasceu rica vai gastar seu dinheiro de um modo, agora entregue R$ 100,00 reais a outra criança que nasceu pobre. Ela terá naturalmente outras necessidades de uso daquele valor. Isto é relativo variando do comportamento individual.

Detalhe:

• Em todas as cédulas encontramos a inscrição “Deus seja louvado”. Uma co-relação direta com o catolicismo comum ao povo brasileiro, sentimento massivo nas crenças nordestinas e abordado comumente nos causos nordestinos.

PAPEL MOEDA

O dinheiro, papel moeda em sua forma simples é emitida por um banco como meio de pagamento, ato de troca. Na sociedade moderna se materializa no cartão de crédito, débito, no cheque SUPER especial, no ouro, nas pedras preciosas... Todas essas vias são veículos de troca por mercadorias, além de status. Mas nem sempre foi assim.

A ideia do papel moeda nasceu no dia em que uma pessoa, necessitando de moedas correntes, entregou a outra um vale para trocar de mercadorias e materiais (ouro, prata, ferro e cobre). Depois, dado o pagamento a um terceiro, com direito de recebê-lo do eminente.

No Brasil as primeiras ordens de pagamento circulando como papel moeda foram emitidas pelos holandeses em Pernambuco ainda no século XVI. Inicialmente, o homem comercializava as trocas de forma simples, o chamado “escambo” onde, não se inseria no objeto (de posse e desejo) o valor “comercial” digamos assim, mas o valor para saciar uma necessidade, um desejo, um sonho. A mercadoria (material ou humana) era avaliada pela sua quantidade ou pela força de trabalho. No país, entre outras, circulavam o pau-brasil, o negro escravizado, o açúcar, o cacau, o tabaco, etc. Após este longo período, não demorou muito para iniciar o processo de falsificação da moeda.

Etimologicamente, a palavra “moeda” proveem do nome do lugar onde se cunhavam moedas na Roma antiga: em uma casa situada ao lado do templo da deusa Juno Moneta, sob sua proteção.
A deusa Juno e a mesma divindade cultuada no ritual de fertilidade da terra e do homem, nas celebrações ditas “pagãs” na antiguidade. A Juno era atribuída à festa do solstício do verão Europeu, do fogo, louvação ao sol, das colheitas... A deusa da agricultura. Aqui no Brasil celebramos no mesmo período a colheita do milho em comemoração a São João Batista, adaptação cristã para festeja agora São João Batista, São Pedro, São José e Santo Antônio para realizar o sonho do casamento.

SANTO ANTÔNIO – LÍRIO, PÃO E CASAMENTO

Escolher símbolos é uma arte. Usar e explorar a linguagem simbólica são um dos mais valiosos recursos da comunicação. A cultura cristã explora com maestria a linguagem simbólica, em particular quando associa símbolos à vida de alguns de seus mais distintos heróis. Uma das figuras mais destacadas na hagiografia católica é certamente Santo Antônio, assim como, seus símbolos como o lírio e do pão. Estes elementos, quando inseridos no contexto da vida de Santo Antônio, adquirem uma formidável dimensão catequética.

O lírio sinaliza a pureza do coração, uma das bem-aventuranças que caracterizam o Reino. Ser puro de coração indica uma personalidade definida, um sujeito de coração, e sentimentos, não divididos. Um sujeito sincero, franco, que se comporta sem segundas intenções. Uma pessoa liberta, enfim, que encontrou o sentido da vida e nele persiste de uma maneira serena e convincente, independentemente de avaliações e aprovações alheias. Retrato oposto ao homem moderno, tão cheio de engenhocas e confortos vazios, de poucos valores ou ideais.

Na Grécia Antiga, os lírios enfeitavam as cerimônias matrimoniais e seguindo o costume da época, as noivas completavam seus trajes com uma coroa de lírios, indicando a pureza, e ramos de trigo, simbolizando a fertilidade. Segundo a tradição católica, quando Santo Antônio morreu, os campos estavam repletos de lírios brancos - flores que, no imaginário popular, estão associadas ao casamento, à doçura, à inocência, à pureza de alma.

Figura emblemática, Santo Antônio teve sempre sua imagem associada a um homem simpático, disponível a resolver os problemas sentimentais de todos que o procuravam “(...) a sua popularidade está mesmo relacionada às graças que realiza envolvendo o amor e o casamento”. É a definição mais popular sobre o frade franciscano também reforçado por Mário Ribeiro, historiador quando descreve a vida do santo na Cartinha do Ciclo Junino de 2008 – desenvolvida pela Prefeitura do Recife.

Na China, o lírio é o símbolo da maternidade. Por toda essa simbologia o lírio é uma das flores mais usadas para ornamentar casamentos em arranjos e também para compor os buquês das noivas. Elemento da natureza, flor e folhas transformadas em um símbolo sagrado.

ÁRVORES SAGRADAS

O Jardim do Éden, Jardim das Delícias ou Paraíso Terrestre é na tradição das religiões abraâmicas o local da primitiva habitação do homem.Na tradição bíblica, o Jardim do Éden, do hebraico Gan Eden, גן עדן, é o local onde ocorreram os eventos narrados no Livro do Génesis (Gen., 2 e 3), onde está descrita a forma como Deus cria Adão e Eva, planta um jardim no Éden (a oriente), do qual também, plantou ao centro, a Árvore da Vida, indicando ao homem que havia criado aquilo, para ele cultivar guardar.

A ordenança dado por Deus seria a de que o Homem podia comer os frutos de todas as árvores do jardim, exceto os da árvore do conhecimento, do que é bom e do que é mal. Ao desobedecer esta ordenança e comer esse fruto proibido, Deus expulsa o homem do jardim.
• Génesis 2:9
"Jeová Deus fez assim brotar do solo toda árvore de aspecto desejável e boa para alimento, e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau." - NM - Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, (1986)

A relação do homem com a natureza é antiga, remonta não apenas as escrituras sagradas da biblia, em defesa do criacionismo humano (visão católica para a criação do homem na terra), mas também na teoria evolucionista que defende a origem do homem seguindo uma lógica ancestral, fato analizado por Charles Darwin na Teoria da Evolução das Espécies.

Na infância, toda criança adota o hábito de fazer muitas perguntas para seus pais (quem é pai e mãe sabe muito bem do que estou falando) e, entre essas várias perguntas, saem perolas delas e dos pais para responder e não ficar de saia justa “mãe, pai... Eu quero dinheiro, onde eu pego?” os pais para manter o sonho na mente do filho, sem forçar o pensamento infantil para explicar burocráticamente o real sentido de como se ganha dinheiro, respondem em tom de brincadeira “dinheiro dá em árvore menino(a), amanhã eu vou buscar”.

Ter uma árvore de dinheiro no quintal, vê-la frutificar e poder recorrer a ela sempre que a situação complicar. Esse é o sonho de muita gente, infelizmente dinheiro não dá em árvore... Pelo menos na vida real, já na fantásia de um causo nordestino, o imaginário é possível de ser real, como o próprio sonho. Uma sorte verde, cor da esperança e do sonho de ter uma vida melhor. Assim, esse universo lúdico de criança tem prazo de validade para acabar ao crescer, porém por alguns anos faz a cabeça da garotada.

OBS: A criança falando à cima fui eu na infância, fiz esta pergurta a minha mãe quando tinha 7 anos, ela me enganou direitinho... (risos), mas com este ato e muito outros ela só me ajudou a ser esta criança grande e imaginosa que me tornei.
Anderson Gomes/ Produtor Artístico

Trabalhar a vida inteira, derramar todo o seu suor para construír algo seu e colher o fruto de sua luta amanhã é como uma árvore de dinheiro que, foi regada por você a vida inteira e, agora é justo que você aproveite da sombra que ela produz. Entretanto, há diversas classificações para tipos de árvores e suas simbologias associadas na cultura de cada civilização:

 Jardim do Éden: árvore do conhecimento, ávore do Paraíso, árvore do fruto proíbido;
 No mundo ocidental cristã ainda temos a árvore de natal;
 Grécia: A oliveira um símbolo de beleza, força, da bênção divina e da prosperidade;
 Babilónia: Havia um jardim, em que, uma árvore Sagrada mistériosa foi plantada pelos deuses, protegida por espíritos guardiões para nenhum homem tocá-la;
 Assíria: Uma árvore sagrada guardada por duas criaturas aladas;
 Egito: Os antigos egípcios, também possuíam lendas similares, sendo que, numa delas se apresentava a crença de que, depois da morte do Faraó, havia uma árvore da vida da qual teria de comer para se sustentar no domínio do seu pai, Rá no pós-vida;
 E muito outros povos: fenícios, sírios, persas, gregos, sicilianos, maias, aztecas, javaneses, japoneses, chineses e indianos.

É notável que deuses fantásticos e a própria sociedade tenham comparado o homem ao significado de assumir a personalidade de uma árvore. Notemos como metaforicamente, nós somos chamados pela vida para darmos frutos independentes do local onde fomos plantados (nascidos). Não importam as condições do terreno, mas sim a nossa perseverança em frutificar.

Plantados em solos hostis para ali darmos os frutos necessários naquela situação sem desanimar, pois colhemos o que plantamos. Há também conosco um período de amadurecimento para que possamos frutificar abundantemente no futuro! Durante esse período vamos crescendo em estatura física e intelectualmente até atingír-mos a maturidade plena, fato infindável de acontecer, tão fundamental para vida...






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2 FELICIDADES

  1. É realmente ótima, a quadrilha junina tradição. E se não bastasse toda a sua inpecável apresentação por meio de um excelente roteiro, fica ainda melhor quando esse é bem escrito e desenvolvido por pessoas capacitadas, o que vale a pena ressaltar a atuação de um excelente conhecedor da nossa lingua portuguesa, Diogo Didier que, conseguiu tornar uma idéia boa ainda melhor por meio de sua visão abalizada do assunto. Eu sou suspeito de dizer o quanto gosto dessa quadrilha e com um texto tão bem corrigido fica tudo ainda melhor. E entendo que o autor tirará bastante proveito dessa paceria quiça a melhor no intuito de descrever um tema tão interessante como o que fala sobre os costumes do nordeste.

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  2. Muito obrigado pelo simpático comentário Julio. Realmente foi muito bom ter tido o privilégio de corrigir o texto de Anderson que, na minha concepção, é um artista genial. A Quadrilha Junina Tradição está de PARABÉNS pelo belissimo espetaculo junino e por desenvolver tão bem o trabalho artistico do meu querido amigo Anderson Gomes. Espero ter contribuído, mesmo que de forma singela, para o engrandescimento do tema da Tradição que já se tornou a minha Quadrilha do coração...

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