13 março 2012


A intolerância dos fundamentalistas da bancada evangélica se mostra cada vez mais ameaçadora e passível de qualquer manobra para desviar a atenção da sociedade de sua cortina de fumaças. Desta vez é o Projeto de Decreto de Lei (PDL) do deputado João Campos (PSDB/GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, que busca sustar a aplicação do parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

Não bastasse a inconstitucionalidade do projeto, que contraria os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988, a proposta vai contra todos os tratados internacionais de Direitos Humanos que têm como objetivo fundamental o direito à saúde, a não discriminação e a dignidade da pessoa humana, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, entre outros.

Com essa proposta, que busca legalizar a “cura gay”, o deputado, por convicções puramente religiosas, se considera no direito não só de ir contra os direitos humanos de milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras, mas também de desconstruir um ponto pacífico entre toda uma comunidade científica: nem a homossexualidade, nem a heterossexualidade, e nem a bissexualidade são doenças, e sim uma forma natural de desenvolvimento sexual. São simplesmente diferentes e não há nenhuma dissidência quanto à isso. O argumento de que a homossexualidade pode ser curada é usado sem qualquer tipo de embasamento teórico ou científico e sempre por fanáticos religiosos que tem com o objetivo confundir a população.

O PDL do deputado – o mesmo da PEC n° 99 de 2011, ou a “PEC da Teocracia” que pretende que as “associações religiosas” possam “propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal” – é, no mínimo, criminoso e vai também contra os direitos à saúde da população, pois sabemos que essas supostas terapias de “cura gay” nada mais são do que mecanismos de tortura que produzem efeitos psíquicos e físicos altamente danosos, que vão da destruição da auto-estima de um ser humano, até o suicídio de muitos jovens - como ocorreu recentemente nos Estados Unidos, onde mais um adolescente gay, de 14 anos, tirou sua própria vida apos ter sofrido assedio homofóbico na escola.

A tragédia ocorreu no Tennessee, estado dos EUA cujo Senado votava, há um ano, um projeto de lei que proibia professores de mencionar a homossexualidade em sala de aula e logo após outro adolescente gay do Tennessee, Jacob Rogers, tirar sua própria vida. Alguns dias antes, mais dois jovens norte-americanos também se suicidaram, depois de anos de sofrimento: Jeffrey Fehr, 18, e Eric James Borges, de 19 (este último cresceu em uma família fundamentalista cristã que inclusive tentou exorcizá-lo).

Há uma preocupante confusão na sociedade incitada por esse fundamentalismo religioso que precisa ser esclarecida antes que a saúde física e psíquica de mais jovens seja afetada: ao contrario da religião, a orientação sexual de um indivíduo não é uma opção. Se o Estado é laico – como o é o brasileiro desde 1980 – questões de cunho moral e místico não podem ser parâmetro nem para a elaboração das normas nem para o seu controle. Valores espirituais não podem ser impostos normativamente ao conjunto da população.

Como cidadão brasileiro homossexual e deputado federal que defende a causa de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), entre outras, farei de tudo, em parceria com a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT e os parceiros e parceiras do mandato, para que essa Proposta de Decreto de Lei não seja mais uma proposta que viole o direito dos cidadãos e cidadãs brasileiras.

Jean Wyllys
Deputado Federal

04 março 2012


O homem de hoje carrega nas costas o peso do progresso. Constantemente obrigado a avançar, ele vive sob a responsabilidade de sempre fazer o melhor, de construir um futuro promissor para si e para os demais que o rodeiam. No entanto, essa função que lhe foi incumbida nem sempre é cumprida à risca, visto que as barreiras da globalização acabam impedindo que determinados problemas ganhem visibilidade e, consequentemente uma solução imediata. Na realidade, vivemos num modelo social procrastinado, ou seja, acostumando a adiar a resolução de assuntos importantes e supervalorizando a execução de outros que poderiam esperar de verdade. Nessa atitude bifurcada, a sociedade é guiada para dois caminhos: o da artificialidade, onde o faz de conta predomina e todos fingem que vivem bem e felizes. E, por outro lado, o do esquecimento, rota que nos leva aos nossos reais problemas, aqueles que insistimos em esquecer, ou mascarar, mas que estão vivos, pulsantes, como as batidas dos nossos corações, esperando apenas por uma solução definitiva.
 
O meio ambiente é o maior exemplo a ser citado a respeito dessa temática. Devastado pela fúria do progresso em várias partes do mundo, ele geralmente tem a solução dos seus problemas deixada de lado. Dito de outra maneira, nós não estamos verdadeiramente preocupados com o futuro do planeta e nem tão pouco intimidados com as previsões cataclísmicas dos renomados cientistas dessa área. Isto porque, caso houvesse uma real preocupação com o nosso hábitat, não sujaríamos ruas, nem poluiríamos o ar com a fumaça tóxica de carros e indústrias. Também não destruiríamos florestas, obrigando os que ali residem a viverem em pequenos redutos ou quando não expulsá-los desses ambientes, extinguindo animais que vão ampliar a já grande lista dos que são raros, e eliminando árvores que demorarão décadas para crescerem novamente.
 
Nesse rastro de destruição, o homem de hoje também tem posto de lado coisas valiosas como caráter e a honestidade. A política, por exemplo, segue seu curso de desonestidade e o pior, de descompromisso com as causas daqueles que investiram o voto em pessoas que se comprometeram em servir ao bem do povo. No Brasil essa nebulosa prática é popularmente conhecida como corrupção e já se tornou banalizada. Se isso, então, já é verídico, por que o povo não se mobilizou para reverter tal quadro? Porque, infelizmente estamos acostumados a esquecer das falhas cometidas por muitos políticos e deixar para depois a devida punição destes. Nisso uma grande bola de neve se formou e até hoje nada foi feito de verdade para detê-la. Tanto que, o povo que aqui reside, pode até não acreditar mais em certas promessas, mesmo assim, não são capazes de votar de forma consciente, no intuito de transformar esse humilhante cenário.
 
Disso, outras coisas cruciais para a vida em sociedade acabam sendo postergadas, porque lamentavelmente não há uma real intenção de mudança. O nosso tripé pode servir de exemplo para isso: educação, saúde e segurança. Incansavelmente devemos reiterar a importância dessas instâncias, pois são elas que regulam a normalidade da nossa vida em sociedade. Entretanto, adiamos as melhorias nesses serviços essências, quando não cobramos que os nossos representantes legais cumpram o seu papel de garantir que os nossos direitos sejam efetivamente realizados. Ou seja, escolas em maior quantidade, atendendo jovens e adultos de todo o país com qualidade e compromisso com o saber. Policiais estruturados para proteger o povo da criminalidade, esta fruto de uma nação desigual e mergulhada na violência. E espaços hospitalares dignos de atenderem pessoas, não esses prédios que estão em vigor, os quais o ambiente animalesco assustaria qualquer espécie irracional.
 
Diante de tanto descaso, o homem moderno vai adiando a solução dos problemas causados por ele para as futuras gerações. Logo, a nova sociedade que se formará, possivelmente receberá como herança um mundo poluído, com florestas devastadas e animais extintos. Em se tratando do Brasil, eles receberão um país marcado pela desonestidade politica e pela absurda divisão de renda que culmina nas rançosas mazelas sociais. Herdarão também serviços públicos defasados, com escolas tecnicistas, descompromissadas com a formação do aluno pensante. Serviços de proteção ao povo voltado para as camadas mais abastardas, esquecendo-se que os que mais precisam ser protegidos são os grupos sócio e historicamente desfavorecidos de direitos. E hospitais cada vez mais lotados, incapazes de prestar um serviço de qualidade para a grande massa da população que não pode arcar com um plano de saúde decente.
 
Tudo isso, e muito mais, acontecerá se continuarmos a adiar a resolução dos nossos reais problemas. Se não encararmos de frente a responsabilidade, individual e coletiva, sobre a vida da qual estamos semeando, estaremos legando um mundo destinado a banalidade e ao esquecimento. Um ambiente insalubre se instalará, caso não assumirmos a responsabilidade pelos nossos atos agora. Por isso, conscientizar-se de que ainda há uma chance, mesmo que diminuta de mudança é o primeiro passo para transformar nossa realidade. O segundo é pontuar esses e outros problemas, tirando-os da lista do adiamento e colocando-os como objetivos prioritários que devem ser urgentemente solucionados. E por último, alimentar dentro de cada um de nós o espirito de esperança, ou seja, ter uma perspectiva otimista de que, mesmo com o poder de destruir tudo por onde passa, o homem é capaz de refazer os seus danos e criar um mundo do qual a qualidade de vida de todos esteja realmente em primeiro lugar.
A greve da força policial na Bahia é uma opção danosa para a sociedade, coloca em risco o patrimônio público e privado, põe em risco as pessoas que por algum motivo, se reconhecem como pessoas comuns, embora a minha percepção não consiga vislumbrar quem seja comum ou incomum, possa ser que exista alguma explicação freudiana ou kafkaniana sobre o assunto.

Mas isto não importa, as pessoas não estão muito incomodadas com a questão salarial da PM, estão incomodadas com a quebra das suas rotinas, algumas sentindo falta do ar frio e bacteriano dos escritórios, dos engarrafamentos e do pão abaixo do peso na padaria da esquina. O direito particular de ir e vir esta sendo conspurcado devido falta de “consciência” de uma categoria “essencial’ ao controle da ordem social, que reivindica melhores condições de trabalho e vida.

A impressão que se tem, é que antes deste movimento grevista ocorrer, não existiam barbaridades e violências domésticas ou urbanas, com crimes hediondos e atrozes, tudo começou com a deflagração da paralização. Tais fatos, demonstram a cada cidadão a importância das forças de segurança pública. Com elas é ruim, sem elas é pior. Então cada qual deve desgarrar-se dos seus interesses momentaneamente, passando a apoiar o movimento para que tudo seja reestabelecido e as rotinas retornem ao tradicional.

Qualquer greve pode ser considerada crime, de acordo com ponto de vista jurídico e princípios legais, sem que esqueçamos, os interesses do estado. Ao mesmo tempo, os salários podem ser legais, por estarem determinados e registrados em algum papiro com a chancela do estado, mas será sempre imoral, quando não atende necessidades básicas e interesses do trabalhador, inclusive o policial, sendo este, o ponto de vista humano e social.

Direitos de cada um e direitos humanos resguardados ou não, e desconsiderando a desigualdade das forças, quando ocorre uma mobilização de estudantes, estes quebram vidraças, depredam estátuas, sendo sempre, obra de algum exaltado, baderneiro ou infiltrado, que ao agir elimina o elemento pacífico da mobilização, surge o confronto, mas somente a polícia é truculenta. Se uma comunidade resolve bloquear uma via pública, por qualquer reivindicação, a polícia tenta impedir a ocorrência ou negociar uma abertura para o tráfego, iniciam-se reciprocidades de ofensas, mas somente a polícia é truculenta.

Agir com brutalidade, contra cidadãos desarmados e indefesos, é crime de responsabilidade dos comandos. Infelizmente a força policial não é preparada para o diálogo, para o meio-termo. O cidadão, a comunidade, concordam ou não, conforme as próprias necessidades e interesses. Permanecemos quietos, expomos a nossa indignação reproduzindo jargões de apresentadores jornalísticos da TV: “Um absurdo!”, “Isto é uma vergonha!

Se existe mobilização, inexiste satisfação. Tal insatisfação ao ser exposta, será sempre contrária as regras escritas, as leis, sempre estará desacatando o estado, que imediatamente, considera a mais simples mobilização, imoral, ilegal ou criminosa. Com isto toda a comunidade diz amém, concorda que os mobilizados sejam criminosos, e dizem repletos de razão: - “Mas é preciso cumprir a lei.” – Quando então, me surgem perguntas: 1. Por quê é lei, é justa? 2. Por quê é lei, todos são contemplados? 3. Por quê é lei, não pode ser modificada?

Devido a um vício do estado, que trabalha a partir de princípios positivistas e liberais, quando não absolutistas, o policial aprende a ser opressor em nome do estado, com a finalidade de manter a ordem e o progresso, permitindo a cada cidadão, “liberdade” para desfrutar dos seus direitos e fazer a sua parte no intrincado quadro social. Aos sujeitos que não se enquadram, bastam algumas palavras de ordens e um “start” do comando para que estes mesmos policiais desencadeiem ação furiosa, contra irmãos que sentem os mesmos problemas que eles, mesmo assim, estão cumprindo ordens legais.

Observemos que ao tentarmos defender direitos, ou cobrá-los, somos sempre violentos, basta que se esgotem as alternativas de diálogo e acordo. Foi inclusive por este tipo de comportamento que Trotsky tornou-se inimigo mortal de Stalin. Reclamar que manifestantes estão portando armas e expondo-as, é mais do que necessário, pois é ato de grande irresponsabilidade, falta de estrutura do comando grevista que não é hábil o suficiente para controlar a ira, a indignação e revolta reprimidas dos seus associados.

Vai além do estrutural, a forma como estes homens e mulheres se comportam, são treinados para cumprir ordens dentro de uma hierarquia. Observemos as abelhas, ao perderem a sua rainha, desorientam-se, descontrola-se, morrem. Quer dizer, ao sentirem-se fora da tutela do próprio comando e do estado, aterrorizam-se, pois descobrem que estão por conta própria. A partir deste ponto, os sentimentos represados de opressão e as carências cotidianas, extravasam-se neste lapso de liberdade.

Temos direito a proteção plena do estado, qual tem o dever de fomentar e manter políticas que satisfaçam as necessidades essenciais de cada um de nós. Se existem movimentos em luta, é porque o estado não esta cumprindo com o seu papel, e toda a responsabilidade deve ser direcionada ao estado. O governo por sua vez, falha em não ser capaz de negociar com o comando grevista, que visivelmente, tem a missão acortinada de promover a desestabilização política e enfraquece-lo moralmente diante da população.

O policial militar é trabalhador, assim como outro qualquer, a população precisa de paz, cabe inteiramente ao estado a finalização da pendenga, com um acordo que satisfaça minimamente os anseios da categoria. É preciso também que estes profissionais sejam incluídos em programas de valorização, precisamos de uma Polícia Militar mais humana.

Visto no: Altair Blog

“Imagine que você tenha uma conta corrente e a cada manhã você acorde com um saldo de R$ 86.400,00. Só que não é permitido transferir o saldo do dia para o dia seguinte. Todas as noites o seu saldo é zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia.

Todos nós somos cliente deste banco e esse banco se chama TEMPO. Todas as manhãs é creditado para cada um 86.400 segundos. Todas as noites o saldo é debitado, como perda. Não é permitido acumular este saldo para o dia seguinte.

Todas as manhãs a sua conta é reinicializada, e todas as noites as sobras do dia se evaporam. Não há volta. Você precisa gastar vivendo no presente o seu depósito diário. Invista, então, no que for melhor, na saúde, felicidade e sucesso! O relógio está correndo. Faça o melhor para o seu dia-dia. Para você perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para você perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve o seu bebê prematuro.

Para você perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal. Para você perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrar. Para você perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu um trem. Para você perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você perceber o valor de UM MILISEGUNDO, pergunte a alguém que ganhou a medalha de prata em uma Olimpíada.

Valorize cada momento que você tem! E valorize mais porque você deve dividir com alguém especial, especial o suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Lembre-se: o tempo não espera por ninguém …

Ontem é história. O amanhã é um mistério. O hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de PRESENTE DE DEUS!

Como Uma Onda

Lulu Santos

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar




Quase todas as pessoas da nossa cultura têm, instalados, dois elementos negativos na constituição psicológica: medo e culpa. São inibidores comportamentais, limitadores densos que impõem tetos baixos para os vôos do crescimento individual.

O medo está relacionado a finitude, ao processo natural de crescimento, envelhecimento e morte. Desta forma, para alguns, pesam os dias vividos, pois, a percepção de tempo, pode ser muito diferente para cada um de nós. Os que contam o tempo chegando não se importam com os dias corridos, mas aqueles que olham a ampulheta, temerosos com a chegada ao fim da areia, receiam o anoitecer.

O medo se espalha no organismo, de tal forma, que torna o ser humano que está preso a ele, incapaz de se arriscar em novos projetos de mudança. Investir energia com possibilidade de fracasso é jogar fora o único bem (precioso) que ele não poderá repor: tempo de vida.

O outro sentimento limitante é a culpa, que está relacionada a possibilidade de ser feliz em comparação aos outros, menos felizes, ao seu redor. Todo processo está ligado a empatia, possibilidade de se colocar no lugar de outras pessoas e presumir o que elas estão sentindo, isto é bom e, é o que nos faz humanos. Mas, em exagero, pode ser absurdamente limitante.

Pessoas “amarradas” neste complexo de culpa pensam que ser feliz na vida, vencer e alcançar a desejada realização, tendo ao seu redor pessoas infelizes e que não conseguiram obter êxito em seus sacrifícios, é um pecado, uma coisa errada, ou, ainda pior, que ela não fez por merecer.

Para auxiliar a quebrar estes dogmas – nas pessoas que os têm, claro – desenvolvemos dois atos simbólicos que propomos como exercício de imposição do sistema vígil sobre a programação instalada no inconsciente. Não espero sua plena aceitação à nossa proposta e, deixamos claro que, seu índice de rejeição, só irá afirmar o quanto você pode estar preso aos dois sentimentos de medo e culpa.

Ato simbólico é o mesmo que ritual, quer comunicar uma crença, neste caso quer derrubar uma crença calcificada no sistema psicológico que limita as possibilidades do ser humano a ela submetida. Antes de ler as duas propostas, se dispa de conceitos estabelecidos, lembre-se que você é livre para fazer ou não, isto é, se achar que é, de fato, necessário fazer algo para demonstrar, ao seu inconsciente, que existe um desejo de mudança.

1) MEDO - para fazer uma marcação, em ato simbólico, que você está livre do medo da morte, faça uma pequena oração antes de dormir. Quando já estiver deitado, próximo ao momento de adormecer, converse com o Senhor seu Deus e peça, durante o sono, sua libertação carnal caso sua missão já esteja completamente finalizada.

2) CULPA – durante a próxima refeição, pode ser no almoço ou jantar, caso se lembre deste texto, levante-se e jogue o resto da comida fora. Não importa em que estágio de consumo o prato esteja, levante-se, em ato contínuo, e jogue todo resto do alimento fora.


Pense alguns momentos antes de prosseguir a leitura. Analise o porque destes dois procedimentos tão brutais (para alguns) serem positivos no processo interno de mudança e aceitação de um novo ser em construção.

A explicação é simples para os dois atos.

Ao acordar, no dia seguinte, a mensagem está enviada ao sistema, ainda há o que se fazer pois nossa missão não está terminada. A morte não é um problema é a finalização do processo de vida. Não tem hora, nem lugar, mas, se estou vivo, devo prosseguir tentando acertar. Fazer, mudar, construir é parte desta espetacular estrada e, não é segredo, a longevidade é algo que não está em nosso domínio. Existe um ditado na Índia que diz: “Aquele que Deus quer matar não há remédio ou médico que possa salvar e, aquele que ele quer preservar, não há arma de flecha ou fogo que o possa derrubar”.

Para o alimento é mais complexo, pois envolve um simbolismo bem mais forte, acredite. A comida está relacionada, em nossa cultura, com o resultado do trabalho. Ela, portanto, é a materialização do prêmio. Quando você, mesmo com fome, consegue jogar fora o alimento, a mensagem simbólica é que você não está aqui pelo resultado e sim pelo prazer de estar presente ao jogo da vida. Não importa o lucro! Assim, fica mais leve receber o prêmio, afinal não é “só” por ele que vivemos neste plano. Antes que eu me esqueça, você pode voltar a comer apenas depois de uma hora de praticar o ato simbólico de jogar a comida fora. O sacrifício faz parte do ritual.

Espero que possa ter sido útil. Aos que estão revirando a cabeça agora, revoltados com as duas propostas, temo afirmar que, quando se acostuma com a escuridão, os olhos doem na presença da luz. Mas é só no começo...

Prof. Msc. João Oliveira
Psicólogo CRP 05/32031
Diretor de Cursos – ISEC

12 fevereiro 2012


Dinheiro, viagens, shows, reconhecimento internacional, fortuna, todo esse mar de prestígio é almejado por muitas pessoas no mundo todo. Nele a palavra sucesso é o leme que direciona algumas delas para uma carreira bem-sucedida, na qual ter talento é sinônimo de fama e, consequentemente de uma vida glamorosa sob os holofotes da ribalta. No entanto, para alguns artistas, o excesso de prestígio acaba abrindo pequenas e doentias fendas mentais, as quais com o passar do tempo se tornam verdadeiras crateras das quais eles próprios irão se lançar. Essas aberturas, na modernidade, surgem de inúmeras formas, com uso de drogas, lícitas ou não, depressão, isolamento e outras psicopatias resultantes de um constante estado de solidão. Estar só, no caso de algumas celebridades, não se refere à solidão física, mas aquela interna, latente, que leva muitos a rotas de autodestruição.

A perda de Michael Jackson para a música pop mundial foi um choque. De família humilde, negro, ele alcançou o sucesso ainda garoto e aos poucos começou a trilhar seu caminho para o estrelato solo. Dono de inúmeras polêmicas, com destaque a mudança da tonalidade da pele e a sua duvidosa relação com menores de idade, ele se consagrou como o maior nome da música, com um estilo único e inconfundível de dançar e cantar. Caminho similar teve também a maior diva da musica internacional Whitney Houston que nos deixou recentemente. Negra e de família humilde, ela conseguiu, com sua voz forte e perfeitamente afinada, um espaço eterno entre os maiores nomes do cenário musical do mundo. Sua forma única e comovente de cantar embalaram grandes sucessos como o do hit do filme “O Guarda Costas”, seu maior sucesso. Estes monstros dos palcos partem e deixam na terra, além de um indubitável caminho de sucesso, tristeza, dúvidas e um mar de questionamentos sobre o tipo de artista que a sociedade está criando e que paulatinamente vem destruindo.

Michael Jackson, Amy Winehouse e a mais recente Whitney Houston, dentre tantas outras celebridades que tiveram em comum o talento, uma carreira de sucesso, fama, dinheiro e, ao mesmo tempo, uma vida dilacerada por bebidas, drogas pesadas e polêmicas familiares. Precocemente eles deixam fãs ao redor do mundo estarrecidos e se perguntando como pessoas que conseguiram tudo na vida, pelo menos tudo aquilo que a nossa sociedade capitalista e voltada a superficialidade preza, morrem tão cedo e de causas até então “desconhecidas”. A resposta pode parecer complexa, porém numa análise mais racional, uma única expressão pode solucionar o “x” da questão que envolve essa dicotomia: equilíbrio. Na nossa sociedade de consumo, pautada unicamente no ter, no possuir e principalmente no ostentar, não há mais espaço para equilibrar sucesso profissional com o emocional e, sobretudo mental. Não temos tempo para cuidar das feridas da mente, esta repleta de inquietações que lotam os consultórios terapêuticos, já fadados de teorias e conceitos, alguns até ultrapassados.

De um lado, para alguns, a vida efêmera desses artistas pode ser justificada pela intensidade na qual ela é vivida. Ícones de uma geração, eles carregaram nas costas a responsabilidade de fazer parte da vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Formando legiões de fãs por onde passam, suas músicas são cantadas e eternizadas, seus comportamentos são copiados e difundidos por culturas diversas, ou seja, tudo o que fazem é absolvido e multiplicado, visto que eles não são mais meros mortais, mas sim estrelas, entidades tomadas como exemplo de perfeição. Entretanto, por outro lado, o que se vê são artistas mergulhados nas drogas, entrando e saindo de clinicas de reabilitação. Carreiras de sucesso destruídas por famílias que não se entendem, ora pela falta de diálogo, ora pela nociva relação que o dinheiro, ou excesso dele, resulta. Ou seja, por mais que se tente, poucas são as explicações capazes de definir o porquê de trajetórias brilhantes acabarem tão cedo e sem uma causa aparente.

Na verdade, uma das causas dessa autoaniquilação é o modelo de vida do qual a nossa sociedade nos impele seguir. Para pessoas não famosas, já é determinado certos padrões a serem seguidos, como a conquista de um bom emprego, a compra de uma casa, de um carro e o investimento do dinheiro em bens que possam render ainda mais lucros futuros. Tudo isso não estaria errado se aliado a essa cobiça estivesse também à busca pelo equilíbrio interno, pelo respeito ao ser humano e a autoaceitação das próprias falhas no intuito de corrigi-las. Se entre nós, meros mortais, isso não acontece, imagine então com as celebridades. Elas são obrigadas a viverem escondidas, numa vida blindada que acaba trancafiando-as, além dos bens, sua personalidade, aprisionando assim tormentos como ansiedade, angustia, frustração, sentimentos ruins que quando eclodem são tão destrutivos como a erupção de um vulcão fossilizado. O resultado são suicídios, overdoses e mortes inexplicáveis no auge da carreira destes.

Preponderante a essa análise, mas não menos importante, está à ociosidade. Muitos artistas se preocupam tanto em acumular riquezas que se esquecem de fazer algo em prol das outras pessoas. Poucos são aqueles que investem o seu dinheiro em causas humanitárias, as quais além de acalantar a alma e melhorar a vida de indivíduos mais necessitados, ajudariam muitos deles a sanar suas próprias carências. Contudo, o que ocorre é o isolamento. Muito dinheiro no caixa, mas pouca utilidade para ele, o que resulta em desorientação, falta de foco e ampliação dos tormentos já mencionados há pouco. Logo, investir passaria pelo crivo de deixar um legado, este muito além do artístico, mas um legado humanístico, o qual se não resolvesse, pelo menos traria um pouco mais de paz aos corações e mentes desolados de muitos famosos que vivem paradoxalmente: à luz dos grandes palcos e na escuridão dos seus sofrimentos.

Esse é o preço a ser pago por tanto sucesso: viver entre a luz e a escuridão. Muitos artistas internacionais como Elvis Presley, Marilyn Monroe, outros nacionais como Cazuza, Elis Regina, Raul Seixas e Renato Russo, conheceram os dois lados da fama, mas acabaram sucumbindo ao que era mais perigoso, que na maioria das vezes é intenso, porém passageiro. Talentos inquestionáveis se perdem, seja por uma vida de inconformidades, seja por que conquistaram tudo o que queriam: fãs, dinheiro e estrelato, despertando as mais singelas emoções no público. Em contrapartida, esqueceram-se de dominar os próprios sentimentos e entraram no mundo insólito da solidão, numa luta egoísta contra si mesmo. Estes artistas devem ser lembrados, não apenas pelo seu indiscutível talento e legado, mas como modelos de resistência e, principalmente de referência, para que futuros artistas possam se espelhar, não nas suas fragilidades, mas na força da qual eles emanaram para serem felizes e semear a felicidades, através das artes, nos corações dos seus fãs.