Estudo revela desigualdade de tratamento para jovens LGBTs.

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Um estudo realizado por pesquisadores na Universidade de Yale, que foi publicado esta semana, dia 06/12, na revista Pediatrics, indicam que os adolescentes gays e lésbicas são mais susceptíveis a serem punidos do que os seus colegas heterossexuais. Escolas, polícia e os tribunais, tratam os jovens LGBT de maneira diferente dos jovens heterossexuais, especialmente as meninas, que têm até 2-3 vezes mais chances de ter esse tratamento desigual. Isso pode incluir ser expulso da escola, condenações judiciais, ou uma variedade de outras consequências negativas para crimes tão simples como mentir ou beber; ou tão graves como roubos e agressões.

Jovens da comunidade LGBT, não são mais propensos a cometer crimes, o estudo teve o cuidado de também fazer essa avaliação, mas para eles, as consequências são muito mais graves do que para infratores não-LGBT.

Por que isso acontece? Ainda não há uma boa explicação para isso. Mas os autores do estudo especulam que isso poderia ser devido ao preconceito inconsciente por parte dos adultos. Meninas e meninos que não estão em conformidade com as normas heterosexistas, podem estar, desta forma, mais expostos ao preconceito de professores, policiais ou juízes. Kathryn Himmelstein, o principal autor do estudo, disse ao Washington Post: "Eu acho que a maioria das pessoas que trabalham com a juventude, querem fazer o melhor possível para os jovens e tratá-los adequadamente, mas nosso estudo indica que não é o que está acontecendo."

De fato. Clara McCreery, que é co-presidente da Gay-Straight Alliance at Walt Whitman High School in Bethesda, diz que: "algumas pessoas interpretam mal a maneira como algumas meninas gays escolhem se vestir, e encaram isso como um sinal de agressão." Stacey Horn, professora associada de psicologia educacional da Universidade de Illinois, em Chicago, compara a situação a questões raciais no sistema de justiça criminal. Os resultados indicam que "há algum tipo de preconceito interno que os adultos não estão cientes", disse ela. Exatamente. E preconceitos inconscientes são os mais difíceis de combater.

Os jovens que são expulsos da escola são mais propensos a abandona-la mais tarde, reduzindo dessa forma, a sua educação e possivelmente acabando com as suas oportunidades de carreira. Adolescentes que se envolvem no sistema de justiça juvenil, podem enfrentar dificuldades mais tarde em conseguir um emprego, por exemplo. Em casos mais graves, o envolvimento precoce com o sistema judicial leva a um ciclo interminável de crimes.

Todos esses fatores devem chamar atenção para a importância desse estudo, pelo menos é o que acredita a "Gay-Straight Alliance Network" . "Esperamos que esse estudo sirva como um alerta para aqueles cujo trabalho é proteger a juventude", disse Carolyn Laub, diretor executivo do Grupo. Essas estatísticas alarmantes, ressaltam a necessidade de alternativas para as práticas escolares disciplinares, bem como a necessidade para a polícia e funcionários dos tribunais de receber treinamento adequado sobre as graves consequências dos ataques a juventude LGBT, sejam os autores, alunos valentões ou os próprios adultos.

O foco ultimamente tem sido a questão do bullying. Agora, descobre-se que mesmo as figuras de autoridades na vida dos jovens LGBTs, podem não ser lá muito confiáveis para tratá-los de forma justa.

A que se ressaltar que o estudo visa a juventude LGBT americana, mas alguém tem alguma dúvida de que por aqui é diferente? Na verdade acho que aqui a coisa tende a ser bem mais grave.

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