08 maio 2011


No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.

Somos o sétimo no valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda, melhor apenas do que Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.

Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política por causa da corrupção. A nota ideal é 10, o Brasil tem nota 3,7.

Somos a sétima potência em produção, mas, quando olhamos o perfil da produção, constatamos que há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos modernos da ciência e da tecnologia. Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.

Um relatório da Unesco divulgado em março mostra que a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil é um deles, com 14 milhões; com o agravante de que, no Brasil, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais. Somos a sétima economia e não temos um único Prêmio Nobel.

Segundo um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Estamos ainda piores quando levamos em conta a qualificação necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Letônia, Filipinas; a formação e a dedicação deles provavelmente em posição ainda mais desfavorável, por causa da péssima qualidade das escolas onde são obrigados a lecionar. Somos a 7ª potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo. Além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.

Somos a sétima potência, mas temos doenças como a dengue, a malária, o mal de Chagas e leishmaniose. Temos 22% de nossa população sem água encanada e mais da metade sem serviço de saneamento. Segundo o IBGE, 43% dos domicílios brasileiros, 25 milhões, não são considerados adequados para moradia; não têm simultaneamente abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

Esta dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que "país rico é país sem pobreza", como diz a presidenta Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada, economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento que está implantada em países com menor riqueza e mais futuro. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.

Cristovam Buarque é Professor da UnB e Senador pelo PDT-DF

Artigo publicado no jornal O Globo


Fixação

Kid Abelha

Composição : Beni / Leoni / Paula Toller

Seu rosto na TV
Parece um milagre
Uma perfeição
Nos mínimos detalhes...

Eu mudo o canal
Eu viro a página
Mas você me persegue
Por todos os lugares...

Eu vejo seu poster
Na folha central
Beijo sua boca
Te falo bobagens...

Fixação!
Seus olhos no retrato
Fixação!
Minha assombração
Fixação!
Fantasmas no meu quarto
Fixação!
I want to be alone...

Preciso de uma chance
De tocar em você
Captar a vibração
Que sinto em sua imagem...

Fecho os olhos
Pra te ver, você nem percebe
Penso em provas de amor
Ensaio um show passional...

Eu vejo seu poster
Na folha central
Beijo sua boca
Te falo bobagens...

Fixação!
Seus olhos no retrato
Fixação!
Minha assombração
Fixação!
Fantasmas no meu quarto
Fixação!
I want to be alone...

O assassinato brutal de 12 crianças em uma escola em Realengo não afetará o PIB de 2011. Por isso, corremos o risco de um fato tão grave ser esquecido dentro de pouco tempo, como aconteceu com o assassinato de seis crianças em Luziânia, Goiás, em 2010.

Isso porque ainda estamos presos à economia e ao imediatismo.

Quando ocorre um crime como o de Realengo, a busca pela segurança prevalece sobre a ideia da paz. Desde essa tragédia, surgiram várias propostas para evitar a violência nas escolas: muros, detectores de metal.

Mas não são solução para formar as futuras gerações que governarão o País. Mesmo para garantir a segurança imediata é preciso ter a perspectiva da paz, no médio e longo prazo. E para isso, devemos entender melhor o problema da violência nas escolas.

A sociedade brasileira é violenta, e é difícil imaginar uma escola em paz cercada pelo tráfico, pelo assassinato de crianças, por lares violentos. Existe ainda a violência da miséria convivendo com a riqueza, ainda mais em uma sociedade permissiva e que não pune a violência que se espalha diariamente.

É preciso lembrar que nos últimos cinco anos foram assassinadas mais de 10 mil crianças, que muitos outros milhares morreram por falta de cuidados. E que há uma violência aceita com naturalidade: o vandalismo na escola, das cadeiras quebradas, dos prédios degradados por atos de alunos ou pela omissão de governantes; o desrespeito ao professor; o bullying generalizado.

A construção da paz depende de uma mudança cultural, mas também de leis que estimulem o respeito pela escola e a punição de todos os crimes: dos assassinos em massa aos vândalos.

Um dos passos é criar no MEC um setor educacional dedicado à segurança, sob a ótica da paz. Para construir um pacto dentro da sala de aula, envolvendo professores, alunos, pais e servidores, e proteger os arredores da escola, usando a capacidade e a competência dos policiais. A escola passa a ser pacífica por dentro, e protegida de forma invisível por fora. Projeto nesse sentido está no Senado desde 2008, é o PLS 191.

Isso não basta, pois a violência não existe apenas na escola, afeta milhões de crianças que não têm um setor público federal que tome conta delas: uma Agência (Secretaria Presidencial) Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente. Como já existem para jovens, afro-descendentes, mulheres, índios. Um Projeto de Lei nesse sentido foi apresentado ao Senado há quase seis anos.

Cinco dias depois da tragédia de Realengo, a Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados mandou arquivar, porque ele envolvia algum custo. Foi aprovada a criação de um ministério para cuidar das pequenas e médias empresas, mas falta dinheiro para cuidar dos pequenos e médios brasileiros.

Também está tramitando no Senado o PLS 518/2009, que propõe concentrar a ação do MEC na educação de base. Nem é preciso criar um novo ministério, as universidades podem ser bem cuidadas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

Ajudaria a trazer paz às escolas o PLS 480/2007, pelo qual seria falta de decoro um político eleito proteger seus filhos em escolas privadas, abandonando as públicas para os filhos dos seus eleitores. Esse também está engavetado na Comissão de Constituição e Justiça.

Cabe lembrar que a paz na escola só virá se tivermos escolas com qualidade. Só temos um caminho: criar uma carreira nacional do magistério básico e um programa federal de qualidade escolar em horário integral. Projeto para ambos tramita no Senado desde 2008.

Finalmente, é preciso implantar o cartão federal de acompanhamento de toda criança, desde o nascimento, ou mesmo antes, desde a gestação, como o MEC iniciou os estudos em 2003.

Depois de assistirmos a tantas mortes, de sabermos que nossas escolas são depredadas e violentadas diariamente, esperemos que a monstruosidade cometida em Realengo desperte a população para a importância de ir além da segurança e construir a paz de que todas as escolas precisam.

Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF



Os constantes ataques contra a comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) deram origem a um neologismo que classifica os atos de violência cometidos contra essa classe. Homofobia é o nome da palavra em questão que trás no seu bojo as marcas da brutalidade de grupos extremistas, pautados num discurso dito “conservador” como justificativa para insultar, maltratar, inferiorizar e muitas vezes matar homossexuais no Brasil e mundo a fora. Essa onda de selvageria está alicerçada em normas sociais as quais dizem que a homossexualidade é uma abominação e deve ser contida. Ora, isto seria motivo suficiente para justificar a matança dos gays, como se estes fossem pragas sociais, ou uma epidemia que precisasse ser contida?

A nossa educação religiosa herdada, principalmente da cultura Cristã, e depois incorporada pelas Igrejas Evangélicas, pode ser destacada como a principal causa da perseguição contra os homossexuais. Essas instituições usam as escrituras sagradas para disseminar o ódio e a intolerância, dizendo para isto que a homossexualidade vai de encontro às leis de Deus e sendo assim, deve ser abolida da sociedade. Tal posicionamento, no entanto, não pode ser visto com total racionalidade, pois além de não justificar em completude a homossexualidade por um viés humanístico, contribui para alavancar os já altos índices de violência humana, reproduzidos com assiduidade pelos meios midiáticos.

Só no Brasil, por exemplo, tem se presenciado com perplexidade o tsunami de crueldade que está avançando contra a comunidade gay. Mesmo com conquistas significativas, como por exemplo, a aprovação recente da União Homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal – STF, os gays do país enfrentam um vilão ainda indomável por aqui, a violência. Esta que cresce assustadoramente, como sempre noticia o site do Grupo Gay da Bahia – GGB, que faz constantes levantamentos sobre a dura realidade vivida pelos LGBTTs no país. Geralmente muitos dos crimes de ódio contra os gays são motivados por razões desconhecidas, ou seja, mata-se por pura crueldade, ou pelo fato da vítima ser homossexual assumido.

Os chamados homofóbicos, pessoas que se sentem afrontadas com a presença/existência de gays na sociedade, são os principais responsáveis pelas barbáries defrontadas contra os LGBTTs. Eles, os homofóbicos, falam mal, batem e até matam homossexuais por se dizerem aversos as práticas sexuais de suas vítimas. Entretanto, a psicanálise explica, na figura renomada de Freud, que tamanho ódio nada mais é do que um conflito interior que tenta negar algo que está dentro do subconsciente do agressor. Em outras palavras, a pessoa homofóbica não consegue entender a homossexualidade por que algum membro da cadeia que constitui a sua própria sexualidade não está totalmente solidificado. Por isso, apoiam-se na força bruta como válvula canalizadora para expulsar de dentro os tormentos que lhe afligem. Porém, isso não justifica a brutalidade pelo qual os gays vêm sendo tratados nos últimos anos por esses trogloditas.

Para alguns, entender que a homossexualidade é uma prática tão normal quanto à heterossexualidade parace impossível. Por causa desse bloqueio, muitas pessoas se armam com um discurso violento, ou até mesmo com a força física, fazendo com que cresça no país os crimes desse gênero. Diferente do que muitos pensam a homossexualidade não veio para extinguir a raça humana. Ela, como se sabe, sempre existiu e continuará existindo, por isso qualquer argumento contra sua presença será inútil e a tentativa de conté-la será igualmente frustrada. Assim, não é na base de socos e ponta-pés que a sociedade vai “conter” a homossexualidade de ninguém. Ela não é um animal irracional que deve ser preso, acorrentado ou caçado. Homossexual é antes de tudo um ser humano e merece ter seus direitos perpetuados, preservados e, sobretudo respeitados.




Esse pequeno instrumento que bate dentro do meu peito desde o dia que te conheci é seu.

Esse sentimento que pulsa como sangue dentro do meu corpo é seu.

Esse desejo em forma de paixão desenfreada no meu interior é seu.

Esse louco sentir que me toma quando meu olhar encontra o teu é seu.

Esse tremor quando te vejo ao se aproximar do meu corpo é seu.

Esse calor que acende uma chama quando nossos corpos se unem é seu.

Esse desejo louco de esquecer o mundo quando estou do teu lado é seu.

Esse meu jeito tímido de te beijar é seu.

Esse meu modo sejavem de te amar é seu.

O meu respirar é seu.

O meu andar é seu.

O meu falar é seu.

O meu pensar é seu.

O meu amar é seu.

O meu coração é seu.

E tudo em mim é seu...


A Divindade nunca se revelou tão próxima de sua Criação quanto no livro A Cabana, tão singelo e tocante. Longe de se parecer com a imagem mosaica do Deus vingativo e punitivo, Ela se expõe em todo seu poder compassivo, mas também em sua enérgica e persistente determinação.

Quem espera encontrar mais um livro de auto-ajuda ou o libelo de uma determinada religião, percebe logo que está enganado ao avançar em sua leitura. Quanto mais o leitor mergulha nas páginas desta obra incomum, mais fundo deseja ir. E aos poucos sente que algo em seu interior vai se transformando, especialmente se abrir a mente para uma nova visão espiritual. E, o que é melhor, é uma obra universal, portanto qualquer pessoa, independente de sua religião, irá se apaixonar por esta história.

Capa do livro "A Cabana"

Aqueles que temem cair em uma cilada, em outra leitura piegas, também devem se despreocupar. Embora o enredo, a princípio, pareça se encaminhar para mais um melodrama comum, logo uma inesperada reviravolta o conduz para inesperadas direções. É difícil resumir esta trama sem desvelar os mistérios ocultos nas páginas deste livro.

Basicamente a história gira em torno da profunda desilusão sofrida pelo protagonista, Mackenzie Allen Phillips, mais conhecido pelos familiares e companheiros como Mack. O narrador é praticamente o melhor amigo deste personagem, encarregado de transpor para o papel a experiência profunda vivenciada por seu parceiro.

Logo no início, em um prefácio atípico, o leitor é informado pelo narrador que um dos personagens principais deste enredo é uma misteriosa cabana, testemunha de um trágico evento que marca definitivamente a vida do protagonista e de sua família. Descendente de uma linhagem irlandesa-americana, Mack já traz em seu coração marcas dolorosas de sua infância, especialmente de seu relacionamento com o pai.

Superando o passado, ele forma uma nova família, ao lado de Nannete A. Samuelson, chamada pelo marido e por amigos mais próximos de Nan, com quem tem cinco filhos excepcionais – Jon, Tyler, Josh, Katherine e a caçula, Melissa ou Missy, uma garota incomum, repleta de idéias e concepções brilhantes para sua idade, seis anos.

Um fim-de-semana que deveria ser muito especial, no qual Mack se sente mais que nunca próximo de Josh e das filhas, com quem ele partiu para uma última aventura de férias, antes do reinício das aulas, se transforma em um terrível pesadelo com o desaparecimento inexplicável de Missy. A partir de então, com todas as evidências apontando para um terrível crime, o protagonista mergulha em um sombrio abismo de tristeza e dor.

Quatro anos depois, porém, o protagonista tem a oportunidade de rever seu passado à luz de uma nova compreensão. Ironicamente o encontro de Mack com ele mesmo e com seus assustadores fantasmas interiores se dá justamente no lugar onde tudo começou, a cabana onde sua Missy supostamente havia sido assassinada. Guiado por um intrigante bilhete depositado em sua caixa de correio, ele embarca em uma viagem surpreendente que promete reconciliar sua alma com a Divindade que ele não consegue perdoar.

Este livro, concebido pelo estreante canadense William P. Young, foi lançado em 2007 por uma editora criada estritamente com o propósito de publicar esta obra. Inicialmente o autor só pretendia doar alguns volumes deste enredo para amigos mais próximos, no Natal de 2005. A história, porém, teve uma recepção tão surpreendente que ele decidiu revelar seu conteúdo para dois produtores cinematográficos, Wayne Jacobsen e Brad Cummings.

Recusado por inúmeras editoras, A Cabana foi finalmente publicada por Jacobsen e Cummings, que para isso criaram sua própria empresa editorial. Depois disso, recomendado boca a boca, já vendeu pelo menos dois milhões de exemplares. No idioma português ele foi lançado em 2008.

Este livro, que enfoca principalmente a verdadeira relação de Deus com o Homem, tem despertado e transformado a existência de inúmeras pessoas que, ansiosas por compartilhar suas experiências, formaram o Projeto Missy, que pretende divulgar ainda mais a importância da leitura desta obra.

Há inclusive a possibilidade de, com uma maior venda desta publicação, já considerada um best seller, o enredo ser transposto para as telas do cinema. Os leitores interessados em compartilhar seus pontos de vista sobre A Cabana devem acessar o site www.acabana.com.br.

Fonte: Infoescola