Ser Mulher, Ser Social

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O pensamento machista existente na sociedade brasileira, do qual muitas mulheres foram vítimas, está dando lugar a um novo ideal de igualdade. Não que o machismo tenha desaparecido por completo, mas sim porque elas estão cada vez mais ultrapassando obstáculos, na busca constante por um lugar sólido na sociedade. E não se trata de nenhum movimento feminista, mas de uma reviravolta continua na forma de enxergar essa classe que durante anos conviveu com o estigma da inferioridade.
 
Como se sabe, para a mulher conquistar seu espaço nas áreas que não estivessem ligadas aos trabalhos domésticos e de educar os filhos, não foi uma tarefa fácil. Muitas lutas, reivindicaçãoes e até mortes serviram de subsídios para que elas alcançassem o seu objetivo maior, ou seja, ser reconhecida igualitariamente entre os homens. Não se tratava de uma igualdade de gênero, mas sim, na condição de ser humano, capaz de realizar qualquer tarefa com igual ou maior precisão que muitos homens. Isto por que, em muitos países, sobretudo no Brasil, perdurava o pensamento patriarcalista do qual as mulheres eram submissas a serviços do lar, consequentemente educadas com recato por dogmas valorativos cristalizados.
 
Essa mentalidade empobrecida se perpetuou por décadas e ainda hoje há algumas pessoas com a ideia de que as mulheres são inferiores ou incapazes de realizar determinados papéis na sociedade. No entanto, a consagração feminina elevou-se de tal forma que atualmente a sociedade brasileira conta com a primeira “presidenta” da sua história. Esse marco da politica do país ratifica o quanto o movimento feminista, silenciosamente tem crescido de forma qualitativa, mostrando que o mito da incapacidade da mulher, o qual ronda a cabeça de muitos, não passa de um argumento fraco e infundado.
 
Aqui no Brasil, outras também merecem ser mencionadas, pois contribuem diretamente ou indiretamente na inclusão feminina na sociedade. Figuras como a saudosa Clarice Lispector, que enriqueceu a prosa nacional com o seu jeito único de escrever. Fernanda Montenegro que enche de orgulho a dramaturgia desse país. Maria Bethânia e o seu canto ufanista, faz o inventário das riquezas brasileiras através de sua voz invocativa. Zilda Arns que lutou bravamente até o fim da sua vida para ver crianças e adultos vivendo em condições mais dignas. Maria da penha, pela coragem e determinação em enfrentar os seus medos e denunciar as agressões praticadas pelo seu marido, dando origem a uma das lei mais importantes do país. Entre tantas outras, famosas e anônimas, que contribuem para o crescimento e melhoria dessa nação.
 
Diretoras, médicas, engenheiras, mestre de obras, motoristas, são inúmeras as profissões exercidas por elas como verdadeiras guerreiras, conciliando tudo isso a árdua tarefa de ser dona de casa, mãe e mulher. Essa proeza não é fruto do sobrenatural, não tem pouco um mecanismo de autoafirmação delas para a sociedade. Tudo isso é a desconstrução da mentalidade tacanha alimentada por alguns em segregar as mulheres de certas funções, apenas com a utilização de um discurso sexista antológico.
 
Ser mulher hoje é, antes de tudo, ser um agente social ativo capaz de trabalhar em pé de igualdade com os homens e, em muitas áreas, superá-los. É evidente, porém, que não é a intenção primordial das mulheres enfrentar, nem tão pouco tomar o lugar da classe masculina. Como qualquer “minoria estigmatizada”, elas só almejam ser tratadas com respeito e humanidade, sentimentos ainda vacantes nessa sociedade carente de conhecimento e intolerante.

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