14 abril 2013



    Salários baixos, falta de estímulo, desrespeito e desvalorização do trabalho. Infelizmente é essa a realidade do profissional que oferece instrumentos indispensáveis para a construção do aprendizado. Ele também é responsável pela formação do indivíduo enquanto ser pensante. Esse profissional é o professor, que mesmo contribuindo de forma significativa para a evolução da sociedade, não tem seu esforço reconhecido e recebe um salário muito baixo.

      Existe um documentário chamado “pro dia nascer feliz” que conta a realidade do professor. O problema começa na formação, pois muitos profissionais não são bem preparados para atuar nas escolas e infelizmente, uma grande parte das universidades, sobretudo as públicas, não oferecem um monitoramento para regular a qualidade daquele universitário que no futuro se tornará um professor, um futuro formador de mentes da sociedade.

     Não raro, muitos professores abandonam sua profissão, pois acabam doentes por causa do estresse, muitas vezes não são preparados psicologicamente para tanta cobrança, como: diário de classe, ficha avaliativa, correções de provas, testes, trabalhos, projetos e muitos outros. Além do mais, o professor ainda é submetido a agressões, sejam elas verbais ou físicas. Mas, mesmo com todas essas dificuldades, o número de professores têm crescido.

       Muitos se perguntam o porquê desse crescimento, já que essa profissão é muitas vezes desvalorizada. É simples, isso é a prova de que ainda existem profissionais que sentem amor pelo que fazem. Esse sentimento é atrelado à vocação que muitos têm e fazem questão de não ser só mais um na sociedade, de deixar um legado, de mostrar que foram importantes para a formação de seres capazes de pensar e consequentemente existir. Com dizia Descartes: “Cogito ergo sum”. Esses sim são verdadeiros profissionais.

      Portanto, o que se espera é que cada vez mais profissionais ultrapassem as barreiras do descaso e consigam levar conhecimento para a mente de mais pessoas. Espera-se também que a situação do professor mude que um dia essa profissão seja realmente valorizada para que esse conhecimento seja passado da forma mais prazerosa possível. Pois é fato que o professor é a peça chave na qualidade do aprendizado. Então, essa mudança tem que ocorrer. Segundo Paulo Freire “mudar é difícil mas é possível”.

Aluna: Juliana do Nascimento Ferreira
Professor: Diogo Didier


     Viver numa sociedade viciosa tem sido a realidade de muitos povos ao redor do mundo. O padrão estético tem acomodado as pessoas a escolherem pelo estereótipo ao invés de avaliar a sensatez e o caráter das pessoas fora do padrão físico.
    Cerca de mais da metade da população mundial, no atual século, prende-se aos padrões de beleza moderna. Academias têm ganhado ainda mais frequentadores, clínicas estéticas tem triplicado o ganho mensal, levando em conta que esse grande número cresce à medida que a concorrência aumenta. É um mundo que se torna cada vez mais padronizado de forma geral.
     Adentrar a uma política física deveria em sumo ser algo para benefício da saúde em prol de si mesmo. No entanto, com o aumento na demanda de anabolizantes, esteroides e outras drogas musculares, a saúde tem ficado em segundo plano na mente de quem preza pela perfeição do corpo como arma de sedução, de impressionismo ou mesmo de trabalho.
    O interesse pela beleza tem substituído os hábitos que faziam das pessoas belas por natureza. Foi-se o tempo em que alguém se apaixonava por outra por vê-la lendo algo interessante, ou mesmo rabiscando poemas nas últimas páginas do caderno. Não aqueles namoros antiquados, mas os namoros sinceros, que respeitavam e jamais colocavam a beleza como fator primordial de escolha.
     Hoje em dia, se você não fizer parte da massa, certamente não fará parte da sociedade que domina. Uma classe burocrática até na estética alheia, que aliena, modifica até a maneira de pensar. As pessoas estão deixando de ser quem são para ser quem todo mundo quer que sejam. Não percebem, mas estão perdendo sua essência dia após dias em cada gota de suor derramado no exagero das academias, nas cinco ou dez colheres de esteroides disfarçados de compostos naturais.
    O planeta está perdendo a essência que o fazia lindo. O amor ao corpo pisoteia o amor à essência, ao caráter propriamente dito. Falta consciência, relatividade e aceitação ao que se foi e ainda luta pra ser. Infelizmente, é cada vez maior o número de seres pré-programados para supervalorizar o corpo e esquecer-se de supervalorização da mente. Enquanto metade do mundo se perde em alienação física, outra metade caminha a passos largos em busca da aceitação social. Beleza é relativo, a partir do momento que você modifica seu corpo, perde o valor, porque você é exatamente como tem que ser, não como a sociedade te obriga a ser.
    Portanto, não peço que deixe de praticar suas múltiplas sessões de bíceps e costas. Ou mesmo, de fazer abdominais à espera do carnaval pra mostrar o “tanque”. Peço apenas que cuide disso de forma saudável, sem o exagero das drogas ou o esvaziamento da mente; porque se as pessoas preferem beleza, que ela venha acompanhada de um caráter válido e não uma mente popularizada pela ideia geral do ser perfeito.

  
  A desvalorização da educação

Baixa remuneração, agressões físicas e psicológicas. Esta é a nova realidade com a qual milhares de professores lidam diariamente. Além disso, atualmente torna-se comum os casos de indisciplina e desinteresse dos alunos com os estudos. Por isso a culpa pela formação de possíveis cidadãos ignorantes, geralmente, tende a cair sobre os professores. 

      A educação é considerada por muitos como o grande fator que influi no desenvolvimento do país. Esta é uma afirmação, muitas vezes contrária ao que se passa no Brasil, apesar do seu crescente desenvolvimento econômico, sua educação é usualmente desvalorizada. Aliás, dados nacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) afirma que o Brasil ocupa o 53º lugar em educação entre 65 países avaliados. 

      Há quem diga que  se a sociedade se desenvolve, a escola poderia evoluir também. Porém o que de fato acontece é uma adaptação a nova modernidade sem necessariamente garantir a melhora em sua qualidade. Pois os investimentos públicos são insuficientes para atender necessidades educacionais. Em virtude disto, em parte, esta insuficiência implica na desistência de alunos na rede pública. 

     Vale ressaltar que são constantes os casos de desvalorização dos professores e de agressões físicas e psicológicas contra eles. Não só lidam com frequentes críticas ou a cobrança cada vez maior no seu trabalho como também vivem sob o medo de ameaças ou agressões da parte de seus alunos, que passam a frequentar a sala de aula muitas vezes armados. 

    Desta forma, perceber-se que ao contrário do que se pensa, os responsáveis por isto não são os professores, mas sim uma falta se consenso entre a sociedade e o governo. Por isso, é necessária uma relação mútua entre elas, para que o professor prossiga com seu papel ensinando o seu aluno a questionar ou formular suas opiniões. Pois assim poderemos ter no Brasil verdadeiros cidadão que reflitam e questionem sua realidade.

Aluna: Mariana Santana
Professor: Diogo Didier


Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos".
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.
Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisão".
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros.

As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.


Se não quiser adoecer - "Busque soluções".
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.

Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências".
Quem esconde a realidade, finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.

Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se". 
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. 

Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie".
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.


Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.


Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste".
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.

07 abril 2013



As inquietações do homem sempre o ajudaram a transformar sua realidade circundante. Esse mecanismo natural foi determinante para que a nossa espécie sobrevivesse ao tempo e se perpetuasse soberana nessa fauna em constante mutação. Então, a célebre frase do filósofo René Descartes evidencia essa busca por respostas existenciais feitas por esse bicho humano, numa conclusão indubitável sobre a racionalidade e a sua superioridade entre os outros animais. Pensar, de fato, é uma das grandes maravilhas da nossa espécie, quiçá a principal delas. É através do pensamento que os questionamentos brotam e, posteriormente as soluções são germinadas. Acontece que quanto mais pensamos mais próximo estamos das verdades obscurecidas pela ignorância. Nesse sentido, numa sociedade que não privilegia a educação, qual é a vantagem de ser alguém pensante?

É indiscutível que as chaves que abrem as portas do conhecimento estão na educação. O ser educado é capaz de pensar criticamente sobre a vida ao ponto de transformá-la resvalando positivamente na do outrem. No Brasil, porém, esboçar postulados cognitivos ainda se limita a esfera dos grupos sócio e historicamente favorecidos, sobretudo por uma educação de qualidade. Na verdade, a grande massa populacional não tem o devido contato com o saber, servindo de marionete para um sistema ditatorial que se manifesta sob vários prismas, alienando mentes e reproduzindo conceitos arcaicos na modernidade. Essa contraversão acaba potencializando a incivilidade social acerca de inúmeros temas, principalmente aqueles que podem macular a imagem dos que dominam o discurso nessa sociedade opressora e seccionada.

Nesse sentido, quando Aristóteles, por exemplo, disse que “o sábio nunca diz tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz” tal máxima configura-se numa postura paradoxal na atualidade, uma vez que o que é mais visto entre nós são pessoas que não pensam antes de falar, mas sim se utilizam de discursos nocivos para atacar segmentos sociais. É neste momento que as religiões adentram na discussão. Sua importância para a sociedade é incontestável, pois a fé disseminada por elas é capaz de sacralizar as mais marginalizadas e miseráveis vidas. Entretanto, o posicionamento conservador de algumas delas, com destaque para aquelas de cunho cristã protestante, é usado por alguns angariadores de almas como verdadeiras armas de guerra. Entrincheirados, alguns pastores saem da sepulcral áurea das Igrejas e adentram nas redes sociais para destilar o seu veneno em nome de uma “fé” no mínimo dúbia. Nomes para citar são muitos, mas Jair Bolsonaro, Sílas Malafaia e a estrela do momento, Marcos Feliciano, constatam que é muito fácil manipular as mentes de pessoas que vivem expostas a carência educacional.

Além deles, há de se destacar as figuras políticas desse país. Conhecido como a nação do futebol, do samba e das mulheres exuberantes, nosso currículo também foi acrescido com as palavras corrupção, falcatrua, nepotismo, estelionato, dentre outras que denigrem a tão fragilizada imagem do Brasil. Donos de um pensar que vai além da limitação de boa parte da sociedade, muitos parlamentares usam e abusam da sua inteligência para permanecer existindo perante uma sociedade ignorante que luta contra a subsistência e tenta constantemente (sobre)viver nessa selva onde o homem caça o seu semelhante. Fragilizado e desprovido de armamento intelectual, o povo continua usando o pouco pensar que ainda lhe resta para manter viva a esperança de que as mudanças nesse sentido irão acontecer cedo ou tarde. Enquanto isso, quem de fato possui a mente em constante produção a utiliza em benefício próprio, enriquecendo-se de bens públicos, quando do outro lado à massa amarga a ausência de todos os direitos, inclusive o de pensar por si só.

E essa conduta alienatória infelizmente é potencializada pela nossa sociedade da tecnologia. Canais de tv, sites, jornais e revistas, muitas vezes deturpam a cara de certos assuntos, direcionando o interlocutor a um entendimento errôneo sobre diversos temas. Esta tática, muito comum entre os meios midiáticos, tenta podar uma forma de pensamento, a qual beneficie aqueles que detêm o poder, ou seja, as rédeas da nossa sociedade. Desprotegidos, o povo não é capaz de perceber as artimanhas desses mecanismos comunicativos e acaba inevitavelmente acatando o que foi transmitido. Isso ocorre porque não estamos acostumados a seguir o exemplo de Albert Einstein quanto este disse que “penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela”. Ou seja, quando a reflexão toma conta dos nossos pensamentos, certas verdades passam a ter o controle desse leme chamado vida.

Tudo isso ocorre por causa do maior vilão perpetrado nessa sociedade, a educação, ou melhor, a falta dela. A lacuna exercida por essa ausência tem, de certa forma, contribuído para que a existência dos indivíduos seja minorada a estatísticas e não a capacidade de transformação deles. Vivendo num modelo educacional amplamente tecnicista, o universo do pensar vem sendo paulatinamente reduzido. O descaso com as universidades públicas, escolas, corpo docente e a pseudoalfabetização do alunado corrobora para um quadro de descaso no ensino no país. Hoje, nossa educação se resume a dados noticiados, os quais enaltecem os “avanços” quantitativos do aprendizado, mas escondem a sua inexistente qualidade. Isso acontece porque investir em uma educação qualitativa é dar ao povo a chance de pensar, de ser crítico e, portanto, de ofertar a estes as armas para mudar a própria realidade. Coisa que historicamente nunca fez parte desse país onde o direito de pensar está intimamente relacionado a “status” e posição econômica.

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”. Ao falar isso, Buda não imaginou que a sociedade levaria seu pensamento tão ao pé da letra. Para quem tem o contato com o pensar (leia-se conhecimento) as chances de ser alguém, garantir um futuro equilibrado e de viver bem nessa terra sem lei são enormes. Agora para os outros, a grande maioria da população, resta a incompreensível desigualdade ditada por uma limitação educacional, a qual não permite escolhas apenas estigmas a serem seguidos do início ao fim da vida. Em outras palavras, se pensamos, temos direito de existir, porém quando não pensamos, vagamos pelo mundo sem saber o real sentido da vida, alheios ao bem e ao mal, servindo apenas como presas fáceis para os grandes predadores que sorrateiramente alimentam-se de nós. É por isso que o abismo entre opressores e oprimidos não termina, pois estes últimos são incapacitados de lutar, pois até para arquitetar algo revolucionário o pensar se faz presente; e muitos não contam com isso.

Para existir, no sentido Descartes da palavra, é preciso primeiramente desmembrar essa ideia de que há ignorantes e intelectuais. Na verdade, numa sociedade onde quem teve o direito de pensar pouco faz para mudar a realidade de quem não teve tal direito, não há de fato, inteligência, mas sim ignorância em níveis variados. Nessa dicotomia, uns existem e outros fingem esse papel. Os primeiros são formados pelos ignorantes, pois alheios a tudo e a todos, sua existência é formada a partir do momento em que eles são apassivados pela sociedade. Enquanto isso, os outros não existem, pois mesmo dotados de certa sabedoria, não a utilizam em benefício daqueles que estão às cegas. Disso, pessoas que acabam buscando o conhecimento se confrontam com verdades que sempre estiveram na frente delas, mas que não podiam ser vistas porque elas viviam obscurecidas pela nossa infinita limitação. Dai a necessidade de clarear a mente com coisas que possam nos fazer refletir sobre esse mundo tortuoso que vivemos. Mesmo assim, acredito que vale a pena continuar pensando, por mais doloroso que seja, pois é a partir disso que as mudanças vão sendo feitas e lentamente o mundo vai se modificando. Quem sabe um dia para melhor.


Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.

Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!

De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.

Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também – adivinha – começa com a letra c.

Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.

Impressionante, hein?

E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.

Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade… cinco.

Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos, pois a humanidade seria viciada em Cultura.

Luiz Fernando Veríssimo



Título: É preciso romper as barreiras do silêncio

Cuidar do lar, ser esposa, educar os filhos e ainda ser agredida. Infelizmente é a realidade enfrentada por muitas mulheres. A violência domestica é uma das principais causas de morte feminina no Brasil, que vem aumentando com o passar do tempo. Mesmo com a lei Maria da Penha, um grande número de mulheres ainda tem medo de denunciar seus agressores.

 “Um gosto estranho de metal se fez sentir forte na minha boca, enquanto um borbulhamento nas costas me deixou perplexa”. Em uma entrevista dada a revista TPM, foi essa a frase dita por Maria da Penha Maia, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio por parte do ex-marido e com um tiro de espingarda ficou paraplégica. Foi a partir daí que ela resolveu se engajar na luta pelos direitos da mulher e na busca pela punição dos culpados. Então, foi criada a Lei foi Maria da Penha no ano de 2006.

Mas Infelizmente, ainda existem muitas “Marias” que são agredidas constantemente, algumas têm medo de denunciar, pois dependem economicamente dos companheiros. Outras ainda vivem com a ilusão de que um dia a situação será diferente, que o seu tão amado esposo irá parar de lhe agredir. É bem provável que isso não aconteça. Um agressor sempre será um agressor e isso não vai mudar enquanto essa mulher não tomar uma atitude.

A ausência de denúncias é um dos principais agravantes que impedem as investigações sobre o uso da violência contra a mulher.  Isso resulta na triste cena do sangue inocente que escorre nas mãos daqueles que elas escolheram para ser seu companheiro, e que em momento algum mostraram sinais de companheirismo. Mas aos poucos isso está mudando.

Antes conhecidas como o “sexo frágil”, hoje, felizmente as mulheres estão ganhando vez e voz.  Muitas estão perdendo o medo de denunciar e estão ajudando a lei a punir de forma mais rápida os agressores.  O que se espera é que cada vez mais mulheres percam o medo e denunciem seus agressores, para que eles não continuem cometendo esses crimes.

Aluna: Juliana do Nascimento Ferreira
 Prof: Diogo Didier



Título: A desigualdade desestrutural
       
       A linguagem oral e escrita foi elaborada pelas primeiras civilizações com o intuito de se expressarem e de se organizarem. Com passar do tempo, foram sendo aprimoradas e sofreram uma série de modificações devido a aspectos sociais e culturais. Mas, hoje regras são impostas naquela que é instrumento de comunicação entre letrados e não letrados, dificultando a compreensão entre eles.

       Sabemos que a língua é uma essência humana, a qual se adapta a um determinado lugar. Assim, acaba predominando muitas vezes, na escrita, os costumes e os dizeres, fato que para a gramática é um erro. Porém, deve-se levar em conta que há compreensão mesmo sem o uso das regras gramaticais.

       Além disso, muitas regras que são impostas, desfavorecem uma certa parte da sociedade. No caso da classe que predomina em termos de quantidade, a pobre, que é preparada em locais com um grande déficit no setor educacional e sem uma infraestrutura adequada, é a mais prejudicada por estar às margens do conhecimento.

       Contudo, existe uma espécie de manipulação imposta que permanece restrita. Logo, quanto maior o número de pessoas sem o conhecimento, menor o número de pessoas no poder, na elite. Com isso, a educação se mostra como um objeto manipulado, prejudicando a alguns e favorecendo a outros.

       Portanto, deve haver conscientização por parte das pessoas que impõem essas regras, sabendo que para impô-las é preciso preparação. Com isso a sociedade poderia ser modificada e planejada de uma forma melhor e sem desfavorecimento algum e dessa maneira poderiam ser cobradas tais regras.

Aluno: Alisson Ulisses Dos Santos Silva
Prof: Diogo Didier 


Vejo-a deitada sobre a cama com os lençóis desordenados. Seu corpo nu absorve toda pouca luz que transcende a janela quebrada. Seus olhos entorpecidos de uma noite suada e quente. Seus cabelos ainda úmidos de sua água salgada. Em sua boca resta uma mancha vermelha e apagada do que antes foi o rubro negro de um batom.

            Passeio o quarto com meus olhos e encontro os dela, belos tons de esmeraldas, e com eles um sentimento de culpa que me afunda. Mas logo se vai quando a observo, novamente, nua. Sua pele branca faz um contraste com os lençóis marrons ressaltando-a. Desejo tocá-la, mas apenas a observo. Decalco suas curvas e entranças com o olhar. Deleitando-me como um voyeur, pois já a toquei, beijei e amei durante a noite anterior e agora a observo, desfrutando de sua imagem quase perfeita.

            A pouca luz que antes banhava o seu corpo agora esta se findando, presa entre as nuvens nubladas que lá fora em instantes banhará nossa habitação.

            Os trovões começam a cantar.

A meia luz que alumiava o quarto partiu. Restam-nos agora, sons de trovão e o escuro entre os lençóis.

            Ouço batidas lá fora. A chuva forte e furiosa joga-se contra a janela e entra sem convite por entre o vidro quebrado. Em poucos segundos uma poça molhada começa a se formar no chão de madeira emanando um cheiro úmido e frio. Ela busca refúgio entre os lençóis. Eu amaldiçoo a chuva. Seus olhos culpados são o que restou livre dos lençóis. Não consigo fitá-los.

            Acendo um cigarro, baforando fumaça sobre a cama que viaja até o rosto dela e é inspirado por seu nariz. Repito as baforadas, criando uma ponte fluida que leva minha alma para dentro de seu corpo regozijando novamente o prazer que senti horas atrás.

            A poça no chão tomou forma maior, transformando nossa cama numa ilha. Lembro-me então de Ulisses preso na ilha de Ogígia com a ninfa Calipso. Mas ao contrário do herói, eu permaneceria na ilha deleitando do corpo da deusa e da imortalidade da alma.

            A chuva cessa.
Silêncio...
            Ela se desfaz dos lençóis.
            Chama meu nome, movimentando sem som, os lábios.
            Rejeito seu convite.
Cravo meus olhos em seu corpo, redesenhando-o.
            Vejo o brando som meu nome em seus lábios mais uma vez.
Em seus olhos verdes, vejo culpa.

            A luz retorna, iluminando um dos lados de seu corpo, criando uma sombra no lado oposto. Resisto a sua estonteante beleza.

Apenas a observo. 

            Deleito-me de sua imagem nua. Sei que é tudo que me restará quando ela sair por aquela porta de volta para meu irmão.

            E eu ficarei aqui.
            Sozinha.



A patroa e duas domésticas. Um depoimento justo, digno e surpreendente, que serve de exemplo para todos que reagiram com ódio à ampliação dos direitos das domésticas

Leonardo Sakamoto, em seu blog
Tenho recebido muitas mensagens de pessoas questionando meus elogios às mudanças constitucionais que trouxeram mais direitos às empregadas domésticas. “Quero ver defender isso no dia em que você tiver filhos”, “Não posso mais pedir para ela preparar algo para eu comer à noite porque vou ter que pagar hora extra?” e – aquela que adoro – “Já que gosta de ficar defendendo empregadinha, por que não vem ajudar minha faxineira aqui então”. Sobre esse último ponto, recomendo a leitura de notícia do The piauí Herald.
Pensei que era apenas mais um ataque do pessoal que surfa nas ondas cibernéticas conservadoras, mas meus colegas também têm recebido o mesmo tipo de achaque em suas caixas postais jornalísticas. Daí, achei por bem pedir um texto a alguém na mesma situação e condição que os missivistas chorões. O único pedido dela foi o de manter o anonimato, pois não quer se indispor (ainda mais) com amigos e família. Segue:
Sou uma mulher branca, de 42 anos, curso superior completo, cinco filhos, dois casamentos. Trabalho fora de casa o dia inteiro. Sou adequadamente remunerada pelo que faço e exerço meu trabalho em condições de liberdade, equidade e segurança, o que me garante uma vida digna. Para conciliar minhas responsabilidades familiares com as exigências do meu trabalho, conto com os serviços de duas empregadas domésticas em minha casa.
doméstica brasil
Aprovação da ampliação dos direitos das domésticas no Brasil ganhou repercussão internacional (Foto: Reprodução)
Sou consciente de que meu arranjo trabalho-família só é possível porque está lastreado nas desigualdades sociais do meu país. Se o Brasil não fosse um país tão desigual, tão injusto, a diferença entre o que ganho e o que uma empregada doméstica ganha seria muito menor e eu, certamente, não poderia pagar por um serviço tão caro.
Se fossemos mais iguais, as duas empregadas que cuidam dos meus filhos e da minha casa teriam estudado em boas escolas, como eu estudei, e seriam profissionais qualificadas, como eu sou. A vida delas seria muito melhor do que é. Ambas ganhariam melhor e não teriam que deixar seus filhos de segunda a sexta-feira com outras pessoas, para cuidar dos meus.
Mas a minha vida também seria muito melhor. Minha demanda por serviços domésticos prestados por outras pessoas seria a menor possível (por razões econômicas) e tudo dentro de casa seria diferente: todos os adultos teriam que cuidar de sua própria roupa, da limpeza dos ambientes que usam individualmente; as crianças teriam mais consciência sobre a necessidade de manter a ordem dos objetos que usam; a preparação das refeições e a limpeza dos espaços comuns seria uma linda oportunidade de colaboração entre todas as pessoas da casa; haveria uma economia brutal de recursos já que todos seriam mais conscientes da carga de trabalho envolvida em lavar, limpar, passar, cozinhar.
Cresci em uma casa onde sempre houve uma empregada doméstica prestando serviços e estou certa de que isso me fez muito mal. Naturalizou a desigualdade dentro de mim, quando criança, e me fez sentir que o trabalho doméstico não era para pessoas como eu e sim para os pobres “que não se esforçaram, não estudaram porque não quiseram e agora tem mesmo que fazer esse trabalho”.
Parecia justo. Tive que chegar à vida adulta para perceber que não havia justiça nenhuma nessa forma de pensar. Que os pobres são pobres não por serem preguiçosos e sim em função de um caminhão de injustiças sociais acumuladas desde sempre. Mesmo assim, o fato é que repliquei e sigo replicando esse modelo até hoje dentro da minha própria casa. Vejo meus filhos crescendo com a mesma inconsciência, achando que no universo as coisas naturalmente se arrumam (já que tem sempre uma empregada doméstica arrumando tudo) quando o que acontece é o contrário: tudo se desarruma o tempo todo e é preciso um esforço constante de por ordem nas coisas.
E aí, espetacularmente, a PEC das empregadas domésticas é aprovada. Alegria real em meu coração! Um passo a mais no rumo da justiça. Solto foguetes coloridos, quero mais é que tudo mude mesmo. Que a trabalhadora doméstica seja olhada com todo o respeito com o qual se olha para qualquer outra pessoa trabalhadora. Que o trabalho dela seja cada vez mais protegido e bem remunerado. Que seja tão digno quanto o meu. Vai pesar mais no bolso de empregadores? Vai haver demissões em massa por conta disso? Me poupem… O impacto no bolso de quem emprega vai ser mínimo. Milhares de empregadas domésticas nem sequer têm suas carteiras de trabalho assinadas e ganham menos do que o salário mínimo. Nesse cenário, como assim demissão em massa? Estamos falando do mesmo país?
Incendiária, quero tocar fogo nas revistas semanais desta semana. Truculenta, tenho vontade de bater boca com várias mulheres que empregam domésticas e que, injuriadas, reclamam dessa lei que vai dar mais direitos para essas empregadas “que não merecem nem um centavo a mais, que são péssimas, que dormem na nossa casa, comem demais, trabalham pouco, são desatentas, são preguiçosas, ficam grávidas, tratam mal as nossas crianças…” Meu Deus…
Entendo o que é fazer uma reclamação sobre o serviço de uma empregada: tal pessoa cozinha mal, lava mal, não corresponde às expectativas. Já reclamei nesses termos e me parece natural num processo de ajuste em torno dos acordos de trabalho feitos. Mas esse tom, que faz referência “às empregadas” é muito nocivo e injusto. Me perdoem, mas lembra sim uma relação escravagista. Temos muito caminho pela frente em termos de curar essa relação de trabalho e até lá, pessoalmente, declaro minha alegria e minha satisfação de me sentir parte de uma sociedade que caminha num rumo melhor depois da nova lei.
Visto no: Blog do Sakamoto