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30 maio 2018


Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se
Sou Tempestade, mas entrei na mente tipo Jean Grey
Xinguei, quem diz que mina não pode ser sensei?
Jinguei, sim sei, desde a Santa Cruz, playboys
Deixei em choque, tipo Racionais, "Hey Boy"
Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença
Chega! Sou voz das nega que integra resistência
Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo
Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno
Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia
Basta de Globeleza, firmeza? Mó faia!
Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia
Devasta esses otário, tipo calendário Maia
Feminismo das preta bate forte, mó treta
Tanto que hoje cês vão sair com medo de bu
Drik Barbosa, não se esqueça
Se os outros é de tirar o chapéu, nóiz é de arrancar cabeça
Mas mano, sem identidade somos objeto da História
Que endeusa "herói" e forja, esconde os retos na história
Apropriação a eras, desses tá na repleto na história
Mas nem por isso que eu defeco na escória.
Pensa que eu num vi?
Eu senti a herança de Sundi
Ata, não morro incomum e
Pra variar, herdeiro de Zumbi
Segura o boom, fi
É um e dois e três e quatro, não importa, 
Já que querem eu cego eu "Tô pra ver um daqui sucumbir" (não!)
Pela honra vinha Mandume
Tira a mão da minha mãe!
Farejam medo? Vão ter que ter mais faro
Esse é o valor dos reais, "caros"
Ao chamado do alimamo: Nkosi Sikelel', mano!
Só sente quem teve banzo
(Entendeu?) Eu não consigo ser mais claro!
Olha pra onde os do gueto vão,
Pela dedução de quem quer redução,
Respeito, não vão ter por mim?
Protagonista, ele preto sim,
Pelo gueto vim, mostrar o que difere,
Não é a genital ou o "macaco! " que fere,
É igual me jogar aos lobos
Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele.
Meme de negro é, me inspira a querer ter um rifle
Meme de branco é, não trarão de volta Yan, Gamba e Rigue
Arranca meu dente no alicate
Mas não vou ser mascote de quem azeda marmita
Sou fogo no seu chicote
Enquanto a opção for morte pra manter a ideia viva.
Domado eu não vivo, não quero seu crime
Ver minha mãe jogar rosas
Sou cravo, vivi dentre os espinhos treinados
Com as pragas da horta
Pior que eu já morri tantas antes de você me encher de bala
Não marca, nossa alma sorri
Briga é resistir nesse campo de fardas.
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se
Banha meu símbolo, guarda meu manto que eu vou subir como rei
'Cês vive da minha cicatriz, eu tô pra ver sangrar o que eu sangrei
Com a mente a milhão, livre como Kunta Kinte, eu vou ser o que eu quiser
Tá pra nascer playboy pra entender o que foi ter as corrente no pé
Falsos quanto Kleber Aran, os vazio abraça,
La Revolução tucana, hip-hop reaça,
Doce na boca, lança perfume na mão, manda o mundo se foder
São os nóia da Faria Lima, jão, é a Cracolândia Blasé
Jesus de polo listrada, no corre, corte degradê
Descola o poster do 2pac, que cês nunca vão ser
Original favela, Golden Era, rua no mic
Hoje os boy paga de 'drão, ontem nóiz tomava seus Nike
Os vira lata de vila, e os pitbull de portão
Muzzike, o filho de faxineira, eu passo o rodo nesses cuzão
Ando com a morte no bolso, espinhos no meu coração
As hiena tão rindo de quê, se o rei da savana é o leão?
Canta pra saldar, negô, seu rei chegou
Sim, Alaafin, vim de Oyó, Xangô
Daqui de Mali pra Cuando, De Orubá ao bando
Não temos papa, nem na língua ou em escrita sagrada
Não, não na minha gestão, chapa
Abaixa sua lança-faca, espingarda faiada
Meia volta na Barja, Europa se prostra
Sem ideia torta no rap, eu vou na frente da tropa
Sem eucaristia no meu cântico
Me veem na Bahia em pé, dão ré no Atlântico
Tentar nos derrubar é secular
Hoje chegam pelas avenidas, mas já vieram pelo mar
Oya, todos temos a bússola de um bom lugar
Uns apontam pra Lisboa, eu busco Omonguá
Se a mente daqui pra frente é inimiga
O coração diz que não está errado, então siga!
Dores em Loop-cínio, os cult-cínio, quê?
Ao ver o Simonal que cês não vai foder
Grande tipo Ron Mueck, morô muleque? Zé do Caroço
Quer photoshop melhor que dinheiro no bolso?
Vendo os rap vender igual Coca, fato, não, não
Melhor, entre nóiz não tem cabeça de rato
É Brasil, exterior, capital interior
Vai ver nóiz gargalhando com o peito cheio de rancor
Como prever que freestyles, vários necessários
Vão me dar a coleção de Miley Cyrus
Misturei Marley, Cairo, Harley, Pairo, firmeza
Tipo Mario, entrei pelo cano mas levei as princesa
Várias diss, não sou santo, imã de inveja é banto
Fui na Xuxa pra ver o que fazer se alguém menor te escreve tanto
Tô pelo adianto e as favela entendeu
Considere, se a miséria é foda, chapa, imagina eu
Scorcese, minha tese não teme, não deve, tão breve
Vitória do gueto, luz pra quem serve?
Na trama conhece os louro da fama
Ok, agora olha os preto, chama!
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóiz vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finge que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se

Compositores: Raphao Alafin / . Amiri / Drika Barbosa / Rico Dalasam / Leandro Roque De Oliveira / Muzzike Phill Terceiro / Rafael Tudesco

10 abril 2018



Pabllo Vittar
  
exibições
419.853
Eu sei que tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Eu sei que tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar

O que me impede de sorrir
É tudo que eu já perdi
Eu fechei os olhos e pedi
Para quando abrir a dor não estar aqui
Mas sei que não é fácil assim
Mas vou aprender no fim
Minhas mãos se unem para que
Tirem do meu peito o que é de ruim
E vou dizendo

Tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar
Eu sei que tudo vai ficar bem!
Tudo vai ficar bem!

O que me impede de sorrir
É tudo que eu já perdi
Eu fechei os olhos e pedi
Para quando abrir a dor não estar aqui
Mas sei que não é fácil assim
Mas vou aprender no fim
Minhas mãos se unem para que
Tirem do meu peito o que é de ruim
E vou dizendo

Tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar

Se recebo dor, te devolvo amor
Se recebo dor, te devolvo amor
E quanto mais dor recebo
Mais percebo que sou
Indestrutível

21 fevereiro 2018


Publicado no Facebook de Elika Takimoto
Estou procurando entender que tanto empoderamento feminino estão encontrando por aparecer na tela uma puta raba sem Photoshop.
Exibir o corpo das mulheres é uma afirmação da sexualidade ou apenas uma outra forma de exploração? Eu, sinceramente, estou com muitas dúvidas.
Vejo Anitta “lacrando” e fico me perguntando em que medida o último clipe derruba padrões de beleza. Em que medida um clipe que exibe corpos femininos e começa com uma bunda, ainda que com celulite, mas uma puta raba daquelas tomando conta de toda a tela, ajuda na causa feminista? Em outras palavras: o que o cu tem a ver com a causa?
Não sejamos ingênuos. Anitta trabalha em um sistema que requer que as mulheres tenham uma determinada aparência porque se não forem lindas do jeito que são e rebolarem como fazem não serão expostas na televisão.
Entendo perfeitamente que tudo aquilo possa ser uma reivindicação da sexualidade. O que não percebo é uma ferramenta de mudança real na estrutura do patriarcado que muitas pessoas estão vendo com esse clipe. Mudança veria se me dissessem que o Brasil passou a ler mais e que havia parado de babar vendo bunda que ocupa a tela toda.
Olhando por um lado, vejo uma heroína, uma mulher forte, lucrando de forma inteligente com o que tem. Olhando por outro, percebo mais uma marionete. Constato que muitas manas são estrategistas bem perspicazes que sabem usar essa sexualidade e obter muito lucro. Palmas para elas.
Não percebo, porém, um clipe desse ajudar na desconstrução de um mundo machista de entretenimento que coloca a sexualidade feminina em uma caixa de forma que ela seja a mais chamativa possível.
Vi apenas mais um clipe não diferente de outros pornoficados exacerbando a cultura da hipersexualização da mulher. Cadê a ideia de que ser sexy pode ser algo diferente disso que estou assistindo? Cadê o ensinamento maior para as manas que o modo como elas percebem seus corpos é mais importante que a forma como os homens as vêem? Anitta seria rainha da porra toda se tivesse outro corpo?
“Ah mais antigamente mostrava a bunda para agradar macho, hoje não. Hoje temos Anitta com celulite.” Ah, gente.
Vi bunda de chacrete, bunda da Gretchen, bunda da Xuxa, bunda de Carla Perez, bunda bunda bunda. Curti a música, me distraí com o clipe Vai, malandra. Daí a afirmar que as mulheres estão lacrando, o Brasil evoluindo, mentes se abrindo e o machismo sendo desconstruido por causa da bunda da Anitta com celulite na tela toda vai um abismo.
Nada contra Anitta como não tive nada contra Carla Perez. São duas lindas e excelentes dançarinas. Estou me posicionando contra pessoas que estão vendo traços de evolução em uma humanidade cujo foco ainda é a bunda.
Foi divertido e só. O Brasil continua um cu.
Visto no: DCM

20 fevereiro 2018


Vivemos uma revolução musical no Brasil. Nunca na história nacional tantos artistas assumidamente LBGT’s encaram a cena artística do país. O momento para isso não poderia ser mais oportuno. Em meio às mídias sociais, os grupos de militância estão ganhando cada vez mais força, com discursos de empoderamento contrários aos preconceitos de gênero, orientação e identidade. Porém, tanta visibilidade tem um preço. É o que a Drag Pop brasileira Pabllo Vittar tem sentido na pele. Ícone das atuais transformações musicais, e culturais, do país, ela já foi ignorada em entrevista, atacada com discursos homofóbicos na rede e há pouco teve seu canal do YouTube Hackeado. Isso deixa claro o desconforto causado não apenas pela existência da cantora Pabllo, mas pelo sucesso que ela tem conquistado para além do público gay.

Apesar do que dita o preconceito, música não tem gênero, tão pouco sexualidade. Mesmo assim, durante anos, a sociedade foi construída a partir de versos cantados de hétero para hétero. A exceção se dava quando tinha como foco a comicidade. Atualmente, porém, há diversos cantores preenchendo esta lacuna. Liniker, Johnny Hooker, Rico Dalasam, são exemplos disso. Em suas canções são representados os dilemas vividos pelo segmento LGBT, os quais são ignorados pelo público em geral. A Pabllo não se destaca nesse sentido, pois suas músicas não trazem uma plataforma política como discurso principal. A ideia é dançar, se divertir, rebolar, bater cabelo, gritar, pular, coisa que independe da sexualidade da plateia. Por essa razão ela agradou tão rapidamente uns e desagradou a outros, por romper o padrão heteronormativo também existente no ideal de artista.

Evidentemente que entre os opositores da Pabllo nem todos são heterossexuais. Há muitos gays que afirmam não gostar da artista, seja por causa da voz, do estilo da música, pela falta de empoderamento em suas letras ou por ela ser afeminada (pasmem!). Os motivos são variados e, em alguns casos, compreensíveis. Deve ser difícil digerir uma drag cantora quando o país nem sequer sabe direito lidar com questões ligadas a sexualidade. Todavia, uma coisa é indiscutível, a Pabllo é um ícone, um fenômeno, pós marco iniciado lá atrás por artistas como Ney Matogrosso. Para os céticos, basta listar as conquistas recentes dela: parceira com Anitta e Major Lazer, convites para programas de auditório, clipes com milhares de visualizações no YouTube, shows lotados e uma legião de fãs nas redes sociais. Além dela está colocando o país na cena Pop Internacional como poucos cantores nacionais já o fizeram.

Claro que ninguém encara a fama de uma determinada celebridade da mesma forma. Enquanto uns aceitam e entendem o porquê da representatividade existente na Pabllo, há outros que simplesmente a ignoram. Sem problemas nisso. Até porque, a arte toca cada pessoa a sua maneira. Contudo, há um abismo entre não gostar e repudiar. Entre a mera rejeição e a declarada censura. Entre o ato de trocar de rádio ao de violar o canal da artista no YouTube. Percebam a ruína existente na completa aversão da artista quando se leva em conta que o real motivo para tudo isso está em sua performance no palco. Trata-se de um homem de peruca, vestido com roupas típicas do que se entende como “universo feminino”, cantando com uma voz fina e com a face exageradamente maquiada. Esse é o olhar grosseiro direcionado pelo preconceito, ignorando qualquer sutileza artística que há na apresentação daquela drag e o porquê dela está tão plena no palco.

É a inveja. Ela é responsável por menosprezar o triunfo alheio. Quando o outro é assumidamente LGBT esse pecado capital ganha novos contornos. Isto porque, temendo aquilo que não se conhece, e/ou não se permite conhecer, o invejoso cobiça para si o que ele considera que não pode ser do outro. No caso dos gays seria a liberdade de ser e de se expressar como se é. Para isso vale de tudo para anular tal êxito, desde xingamentos, espancamentos e mortes. Quantos LGBT’s são mortos porque somos uma sociedade que julga a homossexualidade de dia e se deleita dela à noite, através das estereotipadas travestis, pelos michês e tantos outros arranjos sexuais condenados pelos puritanos? Inúmeros. Nem saberíamos mensurar. Então, a Pabllo Vittar fomenta a inveja alheia por dar voz a tantos jovens da idade dela, que encaram a sociedade de frente, com suas identidades e construções sexuais diversas.

Em contrapartida, nem todos os famosos tiveram a mesma sorte dela. Vivemos num país onde há muitos artistas gays ainda nas coxias, temendo ir a público para não perder contratos e, o pior, o respeito adquirido às custas de uma farsa hétero. No Brasil, os poucos que se rebelaram sabem o quão penoso isso foi para suas carreiras. Os Cantores Netinho e Daniela Mercury são provas disso, que mesmo na grande mídia, não detém o prestígio social de antes. Acontece que a Pabllo já veio montada, de salto alto, blush e muito brilho. Ou seja, ela abriu caminho para que muitos outros artistas renegados aos guetos das boates, saunas e tantos outros espaços destinados ao público gay, ganhassem o grande público. Neles há transformistas, drags, cantores(as), comediantes, atores/atrizes, incríveis, mas que não têm oportunidade de mostrar nacionalmente seus talentos. Talvez a Pabllo tenha se tornado a fada madrinha dos próximos artistas que abrilhantarão a cena artística do país.

Enquanto uns jogam pedra na Pabllo, provavelmente a mesma lançada contra Geni na canção de Chico Buarque, estes deixam de observar o teor transgressivo que há na existência de uma grag cantora num país ditado pelo preconceito. A Pabllo Vittar subverteu o sistema através da forma artística mais acessível entre as massas, a música. A voz dela mostra que é possível sim ser gay, estar montada no palco e não necessariamente fazer um show voltado apenas ao público LGBT. As letras das canções dela, mesmo sem a pretensão de problematizar nada, já o fazem apenas por serem entoadas pela boca perfeitamente delineada de uma drag. Aliás, há muitos cantores(as) héteros com letras sem reflexão alguma e isso nem sequer é atribuído como argumento negativo para suas carreiras, porque com uma artista gay isso seria relevante? Possivelmente para sabotar seu trabalho. O que é uma pena, pois mostra que a inveja, o despeito e o preconceito continuam estampados na nossa cara, ops, na sua cara.

28 junho 2015





O Eduardo está em Paes desde que era Garotinho
O Fernando teve Collor pra salvar os nossos filhos
Zé Dirceu, Sarney, Nader em Serra isso
Getúlio nas horas Vargas não pensava em suicídio

Difícil achar um que Prestes na nação brasileira
Cabral se banha embaixo, Dilma Cachoeira
ACMergência, ACMinência
Indica um estado de Jaderpendência

Defesa civil, Sérgio na Yamaha
Mestre em dar voltas nos prédios da Barra
Porque no Brasil, corrupção é Genoíno
No Palócio do Planalto Nagi Narra Pinheirinhos

Depois de Dantas mentiras, de tucanos e petistas
Isso calha pra Calheiros, governo e oposicionistas
Todos tão do mesmo lado, todos são da mesma firma
Eles negam até a morte e você aperta CONFIRMA





Ninguém vai ser meu juiz, pois não há discernimento
Tá na hora de alguém justo ter poder no julgamento
NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
quem faz cara de santinho na real é quem mais peca
NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
corrupção é uma fonte e parece que não seca
NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
vejo no Brasil inteiro, mas Brasília é a MECA

Na tribo do Pajéfferson o que vale é Valério
Foi pro céu só Daniel, porque incomodou o império
Nem todo Cavalcanti é humorista Severino
O povo é aéreo e o Império é Marinho.

Beira mar é uma gota, ignoramos o oceano, 
isso vem do americano e do Russomano
O país não quer um Bastos e sim um BASTA!
O que não falta é valete pra completar os canastras

Maluficou rico, esses nunca rodam
Porque em São Paulo ele e Pita bordam
Quem teme não deve, mas quem deve Temer
Demóstenes porque existe a PM

Juiz Lalau dos Santos
Bispos não vão pro xadrez
Macedo 500 anos Crivela do português
PC também faria dinheiro no Bolsonaro
Não adianta pedir Arruda quando vir o mau olhado

Da Figueira de Figueredo não Delúbio os galhos
Kubitschek cheque mate seus adversários
Médici os Quadros pelo Castelo Branco, 
pois no meio da tortura nem o Itamar é Franco

Ninguém vai ser meu juiz, pois não há discernimento
Tá na hora de alguém justo ter poder no julgamento
NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
Quem faz cara de santinho na real é quem mais peca

NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
Corrupção é uma fonte e parece que não seca
NO PAÍS DA SAIA JUSTA E DO DINHEIRO NA CUECA
Vejo no Brasil inteiro, mas Brasília é a MECA



19 abril 2015

É difícil ter que continuar nadando nesse mar de gente sem coração.
É por isso que cada vez mais a gente vê tantas pessoas desacreditando sobre os mais bonitos sentimentos dessa vida.
Talvez seja por isso também que os refrões de mais sucesso são os de dor.
Vocês estão estragando tudo!
Esse negócio de entrar na vida de uma pessoa, ajudando a fazer com que 1 minuto se transforme em uma vida inteira, e depois sair dessa mesma vida sem mais nem menos, não é algo que se recomende pra ninguém.
Parece que ninguém mais se importa com ninguém.
As pessoas estão deixando de ser pessoas para se tornarem copos plásticos, daqueles que você usa e depois joga fora sem pensar duas vezes. A metáfora pode ser pobre mas nem por isso menos certeira.
Dizer que gosta de alguém se tornou motivo pra se afastar e não pra se aproximar; parece ser a pior coisa a se ouvir, parece que cria-se então um escudo ou algo do tipo “não me venha com essa história”. Aí vem gente que diz “calma, já sofri demais e não quero passar por isso de novo” e essa reação soa como uma vingança em outra pessoa que nem tem culpa de nada, e que até que prove o contrário, é só mais uma pessoa tentando ser feliz com alguém.
Confessar felicidade pela volta dos sorrisos, todos dedicados à alguém especial, também não é algo para se comemorar, é algo para prejudicar, para colocar por terra todos os planos.
O que vocês querem da vida então?
Não dá pra perceber na segunda palavra que a pessoa está abrindo a vida pra você entrar? Não tem como dizer pro coração: “goste um pouco mais devagar”. Quem consegue esconder que está gostando? Por quê então fazem tão pouco com o muito que tanto fazem por vocês?
Vocês estão estragando tudo!
É mais fácil conhecer uma pessoa que tem uma história triste pra contar do que uma feliz pra inspirar. E isso é culpa de vocês!
Isso é culpa de vocês que não sabem o que querem, que trocam de opinião como trocam de roupa, que passam de um amor pro outro com se fosse uma baldeação no metrô. A vida não é só de vocês que agem dessa maneira, não mesmo!
Um beijo é feito por duas bocas, que fazem parte de duas pessoas, onde cada uma tem um coração e uma reação diferente, onde cada uma aproveita de um jeito diferente. Isso significa que tudo o que você fizer que tenha relação com outra pessoa terá efeito nessa outra pessoa. A língua portuguesa resume isso em uma palavra: respeito.
O olho no olho depois de um beijo é o passaporte para fazer as malas e se mudar para dentro da vida da pessoa.
Mas por quê vocês estão estragando tudo, então?
Por quê vocês inventam tantas histórias como se lidassem com crianças recém nascidas? “Ah, porque eu não quero te ver mal”. Que saco, quanto mais você faz algo que não é sua vontade para não ver a pessoa mal, mais mal você está fazendo à ela. Se a sua vontade é ir embora e nunca mais telefonar, que seja dito isso e não algo do tipo: “Acho que você gosta mais de mim do que eu de você!”. Esta é uma das piores coisas a se ouvir!
Não se vive uma história pela competição, se vive pelo coração.
É este coração que diz o quanto está gostando, o quanto está fazendo bem; ele que diz o tamanho da vontade de planejar coisas e incluir alguém nesses planos. Não existe essa merda de história de alguém gostar mais que outro alguém, as pessoas gostam diferente, de jeitos diferentes, umas demonstram mais e outras menos. O que existe é o fim das coisas. Por mais cruel que seja. Existe o fim da vontade de continuar, de ligar, de perguntar se está tudo bem, de dizer que chegou em casa, de dizer pra onde está indo. Existe o fim, é isso, existe o fim, não existem desculpas, existe o fim das coisas.
“Ah você é uma pessoa perfeita, o problema sou eu e não você!”
Mas é claro que o problema está em vocês que dizem uma coisa dessas!
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e nem existe um contrato com data de validade das histórias, mas existem as pessoas reais que mergulham e vivem cada segundo construindo momentos incríveis, momentos dos dois, momentos da história dos dois. Também não existe ninguém perfeito. Nem dá pra falar que existe quem erra menos, porque voltamos na questão da competição. Mas existem erros e acertos, didaticamente dessa maneira. Custa falar que cansou e que não quer mais? Custa ser real pelo menos na hora do tchau? O que não dá pra entender é como vocês inventam coisas pra justificar a real vontade de vocês!
A vontade de não machucar só machuca mais.
A mentira pra esconder só traumatiza mais.
A preocupação em manter uma amizade só diminui as chances disso se tornar verdade.
Vocês estão estragando tudo!
Vocês e essas desculpas e esse jeito de lidar com as pessoas; jeito de lidar com o que as pessoas sentem. “Ah, mas você é sentimental demais, por isso fica mal assim!” É ISSO! Vocês precisam aprender que as pessoas não são iguais à vocês. Existem as que vão sofrer e vão chorar sangue com o fim de uma história, assim como existem as que vão sair pela porta sem olhar pra trás. O que não deve existir é essa falta de respeito de vocês para com todas as outras pessoas do mundo.
Valorize quem quis te dar um beijo, poderia ser qualquer outra pessoa, mas você foi a escolhida. Valorize quem te pede pra avisar se chegou bem em casa, poderia ser uma preocupação para qualquer outra pessoa, mas é por você. Valorize quem transa com você e te entrega o corpo, poderia ser pra qualquer outra pessoa, mas é com você. Valorize quem te pede desculpas, poderia ser qualquer mentira, mas é uma desculpa pra você. Que saco, valorize quem diz que gosta de você, poderia gostar de qualquer outra pessoa, mas gosta de você.
É tudo uma questão de valorizar o que realmente importa nessa vida: o coração das pequenas coisas; a origem. Ao invés de ver possessividade no pedido de “me avisa quando chegar”, veja como alguém que se preocupa. Ao invés de ver como quem reclama demais as conversas tipo “você parece distante, não me manda mais mensagem” veja como alguém que está tentando melhorar a vida dos dois.
Vocês, vendo com esses olhos egoístas, só estão estão estragando tudo!
Quem somos é tudo o que temos nesse mundo.
E por isso, somos responsáveis em fazer desse mundo algo melhor na medida do possível.
Existe amor dentro das pessoas, sabiam? Que vocês um dia percebam isso e parem de olhar só para os próprios umbigos e percebam que estão estragando tudo, antes que seja tarde demais. Vocês estão matando o que de melhor nós temos: nosso coração.
foto
Márcio Rodrigues. – http://www.bit.ly/TUKoPd
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05 abril 2015




Você ostenta o que não tem
Pra tentar parecer mais feliz
Mas não sabe que pra ser alguém
Tem que agir ao contrário do que você diz
Você pensa que tem liberdade
Exibindo riqueza e poder
Mas não vê que na realidade
O sistema é que lucra usando você

E o sistema tem a cor
Do racismo e da escravidão
Cada vez que você dá valor
À roupinha de marca e à ostentação
A elite burguesa e branca
Que é dona das lojas de grife
Se dá bem, pois você bota banca
Mas é o sistema que aumenta o cacife

Clipe norte-americano
De artista que faz hip hop
Você quer imitar por engano
Pensando que assim vai ganhar mais ibope
É a regra do capitalismo
Eles querem que a gente consuma
Pra vivermos à beira do abismo
A gente pra eles é p*rra nenhuma

Você pensa que é modelo
Pras crianças da comunidade
Sinto muito, mas devo dizê-lo
Que o que você faz é uma puta maldade
Se o moleque não tem condição
De entrar nesse mundo grã-fino
Isso pode virar frustração
E você vai f*der com o pobre menino

Que pra ter um tênis foda
Pode até assaltar um playboy
Pois se fica excluído da moda
Recebe desprezo e isso lhe dói
E as mulheres que dão atenção
Que te cobrem de beijo e afeto
Valem menos do que seu cordão
Pois você trata elas pior que objeto

Quem batalha pra viver
E botar a comida na mesa
De repente te vê na Tv
Dirigindo carrão e exibindo riqueza
Ostentando pra ter atenção
E achando que isso é maneiro
Sem saber que essa ostentação
Faz o branco do banco ganhar mais dinheiro

Negro tem que ter poder
Negro tem que ser protagonista
Tem que estar no jornal, na Tv
No outdoor e na capa de toda revista
Mas não tem a menor coerência
Ostentar um anel de brilhante
Isso só vai gerar violência
Inveja e recalque no seu semelhante

Que legal sua conquista
Sua história de vida também
Mas seu papo é tão consumista
Que faz de você um artista refém
Dessa pose fajuta e falida
Que só finge aumentar autoestima
Infeliz de quem sobe na vida
E não sabe o que faz quando chega lá em cima

19 janeiro 2015

Agradecer e Abraçar

Maria Bethânia


Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Escolhi melhor os pensamentos, pensei
Abraçei o mar
É festa no céu é lua cheia, sonhei
Abraçei o mar
E na hora marcada
Dona alvorada chegou para se banhar
E nada pediu, cantou pra o mar (e nada pediu)
Conversou com mar (e nada pediu)
E o dia sorriu...
Uma dúzia de rosas, cheiro de alfazema
Presente eu fui levar
E nada pedi, entreguei ao mar (e nada pedi)
Me molhei no mar (e nada pedi) só agradeci

31 agosto 2014



Não Me Deixe Só

Vanessa da Mata

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero de amor

Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem

Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou de bem, mas

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Ah ah.ah ah ah ah ah aah
Ah ah.ah ah ah ah ah aah
Ah ah.ah ah ah ah ah aah

Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem

Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou de bem, mas

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Ah ah.ah ah ah ah ah aah
Ah ah.ah ah ah ah ah aah
Ah ah.ah ah ah ah ah aah

25 maio 2014




"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. 
Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. 
Existe um biombo de ossos perto daqui. 
Eu acho que estou meio sangrando. 
Eu já sei, não precisa me dizer. 
Eu sou um fragmento gótico. 
Eu sou um castelo projetado. 
Eu sou um slide no meio do deserto. 
Eu sempre quis ser isso mesmo. 
Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, 
e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. 
Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos 
com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, 
gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação 
de alguma coisa planetária. 
Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. 
Aciono gametas guardados. 
Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. 
Uma notícia de saturno esquecida, 
uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, 
uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, 
que improvisou com restos de cinema e com seu amor, 
um disco voador..." 

(Fausto Fawcet)

30 março 2014


O poema:
Me Gritaron Negra



Tenía siete años apenas,
apenas siete años,
¡Que siete años!
¡No llegaba a cinco siquiera!

De pronto unas voces en la calle
me gritaron ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!

“¿Soy acaso negra?” – me dije ¡SÍ!
“¿Qué cosa es ser negra?” ¡Negra!
Y yo no sabía la triste verdad que aquello escondía. Negra!
Y me sentí negra, ¡Negra! 
Como ellos decían ¡Negra! 
Y retrocedí ¡Negra!
Como ellos querían ¡Negra!
Y odié mis cabellos y mis labios gruesos
y miré apenada mi carne tostada
Y retrocedí ¡Negra!
Y retrocedí…
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Neeegra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!

Y pasaba el tiempo,
y siempre amargada
Seguía llevando a mi espalda
mi pesada carga

¡Y cómo pesaba! ...
Me alacié el cabello,
me polveé la cara,
y entre mis cabellos siempre resonaba
la misma palabra
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Neeegra! 
Hasta que un día que retrocedía,
retrocedía y que iba a caer
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! ¡Negra!
¡Negra! ¡Negra! ¡Negra! 
¿Y qué?


¿Y qué? ¡Negra! 
Sí ¡Negra! 
Soy ¡Negra!
Negra ¡Negra! 
Negra soy

¡Negra! Sí
¡Negra! Soy
¡Negra! Negra
¡Negra! Negra soy
De hoy en adelante no quiero
laciar mi cabello
No quiero
Y voy a reírme de aquellos,
que por evitar – según ellos –
que por evitarnos algún sinsabor
Llaman a los negros gente de color
¡Y de qué color! NEGRO
¡Y qué lindo suena! NEGRO 
¡Y qué ritmo tiene! 
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO 
Al fin
Al fin comprendí AL FIN 
Ya no retrocedo AL FIN 
Y avanzo segura AL FIN 
Avanzo y espero AL FIN
Y bendigo al cielo porque quiso Dios
que negro azabache fuese mi color
Y ya comprendí AL FIN 
Ya tengo la llave 
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO 
¡Negra soy!