05 maio 2019
24 fevereiro 2016
30 novembro 2010

INTRODUÇÃO
Quando em maio de 1908 tornou-se pública a conclusão a que havia chegado de ser Crisfal um pseudónimo do autor da Menina e moça, com a intenção de demonstrar no volume recentemente dado á estampa: Bernardim Ribeiro (O Poeta Crisfal), tinham o convencimento pleno de que tal nova, divulgada pela imprensa, seria bem acolhida por quantos se interessam pelo estudo da História literária.
Por isso, este trabalho se destina a trazer à luz da temática clássica a vida e obra de um grande nome da poesia desse período: Cristóvão Falcão, possível autor da famosa Écloga Crisfal. Sob o prisma dos elementos do classicismo português serão discutidos os fatores conteudisticos que constituem essa obra, bem como a relação dela com o autor e o momento literário pelo qual foi encandeada a poeticidade da Écloga.
CRISTÓVÃO FALCÃO
Poeta português, natural de Portalegre, supondo-se de ascendência aristocrática e educado na corte portuguesa. Cedo se encontrou envolvido numa complicada situação que o levaria à prisão, por se ter apaixonado por uma jovem com a qual lhe era impossível casar, dado não ter fortuna pessoal. Posteriormente libertado, após o casamento da jovem, entretanto encerrada num convento, foi enviado a Roma por D. João III, numa missão diplomática.
Cristóvão Falcão é considerado o autor mais provável da écloga Trovas de Um Pastor por Nome Crisfal, mas essa autoria permanece ainda hoje como um dos mistérios da história da literatura portuguesa. A écloga, que narra os amores e as desventuras do pastor Crisfal e da pastora Maria, aparece publicada pela primeira vez na edição de 1554 da Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, saída em Ferrara, e acompanhada da seguinte epígrafe: «Écloga de Cristóvão Falcão chamada Crisfal».
Existem várias teses que tentam explicar a autoria da écloga e a biografia do seu autor. Uma dessas teses defende que a autoria da écloga pertence realmente a um Cristóvão Falcão, até pelo seu título, «Crisfal», criptónimo que esconde a identidade do autor e que não é mais que a junção das sílabas iniciais de Cristóvão e Falcão. Para corroborar esta hipótese levantam-se os argumentos de Gaspar Frutuoso, Diogo do Couto, Faria e Sousa e António dos Reis. No entanto, desconhece-se se estes mesmos autores não seriam também eles o eco de uma tradição já lendária.
Há quem defenda, como Delfim Guimarães, que a sua autoria pertence a Bernardim Ribeiro, havendo outros autores que a atribuem a autor desconhecido. Mas a hipótese que parece mais provável é a de ser Cristóvão Falcão o seu autor, até pelas discrepâncias com o estilo de Bernardim Ribeiro. Quanto aos aspectos biográficos, para além dos já mencionados, dos quais, aliás, não há provas seguras, sabe-se ainda que houve um Cristóvão Falcão governador de Arguim.
A escrita de Crisfal poderá estar ligada, conforme vem referido numa carta em verso escrita muito provavelmente pelo autor da écloga, à sua paixão por Maria Brandão. Qualquer que seja a sua autoria, as Trovas de um Pastor por Nome Crisfal, misto de narrativa e poema lírico, são ainda hoje das mais belas páginas bucólicas que a literatura portuguesa produziu.
Écloga (ou ÉGLOGA)
Poema em forma de diálogo ou de solilóquio sobre temas rústicos, cujos intérpretes são em regra pastores. Inicialmente, o termo, que significava "poesia seleccionada", foi aplicado aos poemas bucólicos de Virgílio. A partir daí, aplica-se às pastorais e aos idílios tradicionais que Teócrito e outros poetas sicilianos escreveram. Outros poetas italianos como Dante, Petrarca e Boccaccio recuperaram o género, que acabaria por se tornar um dos preferidos dos poetas renascentistas e maneiristas europeus. A grafia égloga, popularizada por Dante, parte de uma falsa etimologia latina que derivava de aix ("cabra, bode") e logos ("palavra", "discurso", "diálogo"). De acordo com o comentário irónico do poeta inglês Spenser, em "E. K.", terá sido construída para significar qualquer coisa como "Goteheards tales" ("contos de cabreiros").
Luís de Camões, Bernardim Ribeiro, António Ferreira e Sá de Miranda estão entre os muitos poetas portugueses que nos legaram poemas do género. As suas composições seguem os modelos clássicos, não existia até então qualquer teorização portuguesa sobre as éclogas. A rigor, nem os modelos clássicos (Horácio e Diomedes) teorizam em particular sobre a écloga. O que sabemos sobre as regras da écloga advém dos próprios textos. No caso português, só em 1605 Francisco Rodrigues Lobo teoriza sobre o assunto em Discurso sobre a Vida e o Estilo dos Pastores (1605). Os poetas árcades do século XVIII ainda exploram o género tendo mesmo teorizado sobre a écloga, como Dinis da Cruz e Silva. Um dos melhores intérpretes da écloga nesta época é João Xavier de Matos, destacando-se Albano e Damiana (1758).
A écloga clássica parte quase sempre de um quadro idílico, o locus amoenus ou lugar aprazível, e desenvolve com certa brevidade o louvor de uma pessoa, por razões sentimentais, reflecte sobre a condição do poeta e/ou da própria poesia, ou entretém-se com subtilezas políticas ou religiosas. Outro tema clássico das éclogas é o da libertação espiritual, a renúncia aos bens terrenos e sociais para uma total entrega à natureza e aos mais puros ideiais de vida perseguindo a chamada aurea mediocritas. O longo poema de Sá de Miranda conhecido por "Écloga Basto" ilustra este desejo: "Quando tudo era falante / pascia um cervo um bom prado ...".
ÉCLOGA CRISFAL
Écloga editada primeiro anonimamente e posteriormente reeditada em 1554 em conjunto com as obras de Bernardim Ribeiro, na edição de Ferrara. Crisfal é o nome de uma personagem dessa écloga cuja verdadeira autoria é ainda hoje desconhecida. Segundo o editor da edição de Ferrara, seria Cristovão Falcão, pelo fato de o título ser formado das primeiras sílabas do nome e sobrenome do poeta: Cris(tovão) Fal(cão). Autores há que perfilham essa opinião; outros, porém, recusam-na e atribuem a autoria a Bernardim Ribeiro.
É evidente a semelhança entre Crisfal e Menina e Moça, deste último autor. Começa por uma introdução orientando a composição; segue-se um monólogo de Crisfal, o pastor, que dá lugar a uma longa narrativa dos acontecimentos de que foi ator durante um sonho: viaja do Alentejo Litoral até Lorvão; antes de encontrar a amada, a pastora Maria, são narradas a história de Natónio e Guiomar e a história de uma mal-maridada; no fim, o autor retoma a sua voz para concluir. Trata-se, pois, de uma écloga novelesca onde se misturam narrativa e lirismo.
CARACTERISTICAS DA ÉCLOGA CRISFAL
Esta é a obra mais conhecida de Cristóvão Falcão, a ponto de se confundir com o nome do autor. É provável que Crisfal seja um criptónimo de Cristóvão Falcão.
Crisfal, Chrisfal ou Trovas de Crisfal, é uma écloga (poema pastoral) com 1015 versos (no texto do folheto publicado por Oliveira Santos e editado por Cohen; vide infra) que conta a história dos jovens pastores Maria Brandão e Crisfal, que se amam desde a infância, mas são separados porque os pais da jovem a levam para um lugar distante.
Escrito em harmoniosa redondilha maior, é talvez o mais expressivo exemplo da adaptação da poesia bucólica grega e latina à sensibilidade portuguesa». É um poema impregnado de saudade, de emoções ternas e puras, glorificadas em versos escritos numa linguagem directa, mas de timbre requintado, onde perpassa uma sensualidade picante e um realismo por vezes atrevido. A obra colocou o Cristóvão Falcão numa posição única na literatura portuguesa e teve uma influência considerável em poetas posteriores, nomeadamente Camões.
ELEMENTOS CONTEUDISTICOS
1
Antre Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n'água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor
se amarom
como males lhe causarom
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidarom.
2
A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele tam mal merecia.
Sendo de pouca idade,
não se ver tanto sentiam,
que o dia que não se viam,
se viam na saudade
o que ambos se queriam.
3
Alguas horas falavam,
andando o gado pascendo,
e então se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
piquena, tinha cuidado
de guardar milhor o gado
o que lhe Crisfal dezia;
mas, em fim, foi mal
guardado;
4
Que, depois de assi viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana, outra pastora,
que a Crisfal queria bem;
(mas o bem que de tal vem
não ser bem maior bem fora,
por não ser mal a ninguém).
5
A qual, logo aquele dia
que soube de seus amores,
aos parentes de Maria
fez certos e sabedores
de tudo quanto sabia.
Crisfal não era então
dos bens do mundo abastado
tanto como do cuidado;
que, por curar da paixão,
não curava do seu gado.
Será ainda possível o arrebatamento estético pela linha do exotismo regional? E que espécie de exotismo resistirá depois que a globalização pôs o mundo todo à nossa disposição? Ali, à exacta distância de um clique? É – responderei –, pese embora o termos que procurá-lo em dois tempos (im) possíveis: no passado ou, mais esforçadamente, no futuro. Que quem o quiser no amanhã, outro remédio não tem, senão descobri-lo na literatura de antecipação, a ficção científica. E quem o preferir pretérito, há-de recorrer às matrizes originais, subterradas no passado, como na Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, ou na Crisfal, de Cristóvão Falcão, por exemplos.
Depois, como a irremediabilidade característica que assiste ao inevitável, constatar-se-á que o discurso literário actual nasceu da narrativa oral, e que a nossa história antes de escrita foi falada até nos fadar naquilo que somos. De quanto nele é possível observarmos o palimpsesto da oralidade, de tal modo, que apetece lê-lo em voz alta só para nos ouvirmos dizendo-a, à medida que a vamos vivendo. Cair na magia da palavra dita, sussurrada ao canto da lareira, sob o dançar fantasmagórico das sombras que as chamas activam e despertam. Que era como se refazia o sonho, se transmitia a moral, os costumes e as ideias, se compunha a noção de beleza e de liberdade, dando-lhe por cercadura os lintéis da vontade, dos valores, da honra, afecto e glória. Porque era com eles, que as gentes edificavam as portas prà vida, com que os homens eram esculpidos, talhados, determinados, programados, no heroísmo de sobreviverem sendo felizes. E fieis. Principalmente fiéis, ao seu amor, ou à sua rainha – deusa, dirão alguns, a quem a veia mística ainda não fez perder o tino.
Porque das éclogas se conta pouco, quando foi muito o seu cantar, neste recanto onde o pastoreio se fez, sobretudo, com rebanhos do sonhar. E, "no que toca à substância das ideias, ao temperamento", afiança Rodrigues Lapa, "aquela espécie de pudor que se nota nas éclogas de Bernardim Ribeiro, deu lugar, no Crisfal, a uma sensualidade picante, dum realismo por vezes atrevido. Em meio dos seus queixumes e desfalecimentos, sentimos que Crisfal é um homem que luta e sabe gozar a vida." Alguém de Portus Alacer.
Ficando, adianta ele no seu prefácio, "pois demonstrado, sem sombra de dúvida, a nosso ver, que foi Cristóvão Falcão de Sousa, fidalgo de Portalegre, o autor da écloga Crisfal e da carta em verso. As outras hipóteses apresentadas, em torno da questão, não têm fundamento, uma, de Patrocínio Ribeiro, formulada em 1917, pretendeu ver no poema uma composição de Luís de Camões, e no entrecho a narração dos amores de Jorge Silva pela infanta D. Maria. É um produto daquela imaginação delirante, que estraga muitas vezes o crítico em Portugal. A outra, apresentada em 1940 pelo professor António José Saraiva, supõe o Crisfal como composto por Bernardim Ribeiro, em torno dos amores de Cristóvão Falcão.
Além de tudo quanto se tem dito sobre as circunstâncias da vida e particularismos de estilo, não é razoável figurarmos um homem como Bernardim, já velho, torturado pelo seu drama pessoal, de que só sabia falar, metido a celebrante de amores escandalosos de um rapaz. Isto “admitindo mesmo que Bernardim Ribeiro estivesse em estado mental de fazê-lo, o que era duvidoso.” Por mim, confesso-me suficientemente elucidado. Quanto aos demais, experimentem lê-los, a ambos, e depois avaliem sobre a justeza desta paternidade.
CONSIDERAÇÕES SOBRE O AUTOR E OBRA
Fidalgo e poeta do século XVI, de seu nome completo Cristóvão Falcão de Sousa. Filho de João Vaz de Almada Falcão, cavaleiro com fama de grande honradez, que serviu como capitão da Mina, e de D. Brites Fernandes. Teve dois irmãos, Barnabé de Sousa e Damião de Sousa. Em 1527 era morador na Casa Real.
Sendo ainda mancebo apaixonou-se por uma moça, mais nova do que ele, que não tinha idade canónica. Casou clandestinamente e a esposa foi enviada para o convento de Lorvão e ele encarcerado por intervenção do seu pai. Saído do cárcere, D. João III confiou-lhe uma missão particular, ligado ao caso do bispo de Viseu, D. Miguel da Silva, que fugira de Portugal em 1540 contra vontade do rei, dirigindo-se a Roma, para o Papa lhe conceder o cardinalato. Para punir o bispo, o monarca pensou em utilizar a influência do embaixador de Carlos V na corte pontifícia, o marquês de Aguilar, de quem Cristóvão Falcão era primo.
Regressado de Itália foi despachado, a 31 de Março de 1545, como capitão para a fortaleza de Arguim, na ilha da costa da Guiné, onde havia uma feitoria destinada ao comércio com o interior de África. Supõe-se que veio a casar com Isabel Caldeira. Desta mulher não teve filhos, mas da outra teve um bastardo com o mesmo nome, que veio a exercer as funções de capitão da Madeira.
CONCLUSÃO
As considerações retratadas nesse trabalho serviram unicamente para enaltecer a poesia do classismo, bem como as contribuições que esta deixou na cultura poética da pós-modernidade. Além disso, foi trazido á tona o nome de poetas como Cristóvão Falcão, ainda desconhecido em sua essência literária.
Dessa forma, espera-se que os conhecimentos aqui dispostos sirvam para que pesquesas mais aprofundadas surjam no que tange a temática clássica e todo o seu rico legado para a poesia moderna. Da mesma forma, que os autores desse período sejam enaltecidos e estudados, para que a humanidade sinta a poeticidade das palavras dos artistas que compuseram esse rico periodo da literatura portuguesa.
Produzir linguagem significa produzir enunciados de um determinado modo, em um determinado momento sócio-histórico, o que representa, através de marcas lingüísticas, o próprio sentido e significação.
No jogo argumentativo da linguagem, as funções lingüísticas de representação e de comunicação complementam-se e se apresentam inter-relacionadas, permitindo a construção de novas representações, apreendidas e produzidas em situações sócio-comunicativas. Referindo-nos à construção de novas representações, dirigimos nossa atenção ao implícito que fundamentam, através das inferências e conhecimento prévio, a construção do sentido.
Ao produzir um enunciado, podemos regular e orientar nossas ações em um vínculo estreito com o pensamento. Dessa forma, podemos dizer que a dinâmica constitutiva da linguagem se dá, historicamente, através da ação sócio-lingüística dos falantes, pois, além de depreender o conjunto de articulações necessárias que se situa na esfera racional, também congrega as associações da vontade individual ao concretizar os atos de fala pela interação e intersubjetividade.
Considerando a multiplicidade de significações fundamentada nas intenções comunicativas do enunciador e as interações conversacionais que não consistem de enunciados desconexos ou incoerentes em situações reais de comunicação, o presente trabalho tem como objetivo o estudo do significado implícito enquanto processo inferencial de comunicação através das máximas de Grice.
A TEOARIA INFERENCIAL DAS IMPLICATURAS DE GRICE
Os primeiros textos importantes de Grice surgiram em 1956 e 1957. "Meaning" (1957) tornou conhecida a sua teoria da comunicação através dos conceitos de significação natural e não-natural (meaning-nn) tão decisivos na origem dos trabalhos sobre pragmática em especial no de Searle1. Foi, entretanto, com seu artigo "Logic and Conversation", que apareceu nas conferências realizadas pela Universidade de Harvard em 1967, em homenagem a William James que Grice provocou um dos maiores impactos teóricos na história das pesquisas sobre pragmática. Publicado em 1975, esse texto, de menos de vinte páginas, apresenta um sistema conceitual extremamente eficaz para o tratamento das complexas questões que envolvem o problema da significação na linguagem natural.
Conforme já havia demonstrado em "Meaning", a preocupação central de Grice era encontrar uma forma de descrever e explicar os efeitos de sentido que vão além do que é dito. Em última análise, como é possível que um enunciado signifique mais do que literalmente expresso. Deve haver algum tipo de regra que permita a um falante (A) transmitir algo além da frase e a um ouvinte (B) entender esta informação extra.
Grice propõe, inicialmente, um exemplo que se tornou clássico. 2 (A) e (B) estão conversando sobre (C). (A) pergunta a (B) sobre a situação de (C) no seu emprego. (B) responde: "Oh! muito bem, eu acho; ele gosta de seus colegas e ainda não foi preso". Um diálogo desse tipo observa Grice, possibilita perceber, claramente, que há duas formas de significação distintas. A resposta de (B) diz que (C) está bem e ainda não foi preso e implica ou sugere que isso pudesse ter acontecido, tendo em vista que (C) é o tipo de pessoa que pode ceder às pressões do seu trabalho e fazer algo que o leve à prisão. É a partir desse contexto que Grice introduz os termos técnicos implicitar (implicate), implicatura (implicature) e implicitado (implicatum). Seu objetivo é organizar, ao redor deles, um sistema explicativo dessa significação que (A) e (B) podem entender mas que, efetivamente, não foi dita. É importante ressaltar, aqui, que Grice usa "dito" como o significado expresso pelo enunciado em termos literais ou, em outras palavras, como a proposição em seu valor semântico. 3
Existem, dois tipos básicos de implicaturas, segundo Grice:
Implicatura Convencional que está presa ao significado convencional das palavras e a Implicatura Conversacional que não depende da significação usual, sendo determinada por certos princípios básicos do ato comunicativo.
Examinemos, inicialmente, a implicatura convencional tal como foi estabelecida, considerando os enunciados abaixo:
(1) "José é trabalhador, contudo é pobre."
(2) "João é carioca, portanto não é um homem sério."
No enunciado (1), está dito que José é trabalhador e que é pobre, mas não está dito que, sendo trabalhador, não devesse ser pobre. Isso está implicado através do significado convencional das palavras e, no caso, indicado através da conjunção "contudo”. No exemplo (2), ocorre a mesma coisa. "João é carioca" e "João não é um homem sério" é o dito.
Há, entretanto, uma implicatura convencional a partir da indicação feita pelo conetivo "portanto" de que o carioca não é serio e isso não foi, realmente, dito. Como se pode depreender dos exemplos dados, a implicatura convencional decorre da própria força significativa das palavras, sendo, por isso, intuída pelos interlocutores sem maiores dificuldades. O conceito de implicatura conversacional, porém, é o centro das atenções de Grice no seu artigo clássico e mesmo em trabalhos posteriores como o texto "Pressupositions and Conversational Implicative" de 1981.
Antes, contudo, de se analisar o conceito de implicatura conversacional, é preciso que se faça um breve comentário sobre a Teoria da Comunicação de Grice. Para ele, quando dois indivíduos estão dialogando, existem leis implícitas que governam o ato comunicativo. Isso significa que, mesmo inconscientemente, os interlocutores trabalham a mensagem lingüística de acordo com certas normas comuns que caracterizam um sistema cooperativo entre eles, para que as informações possam ser trocadas o mais univocamente possível. Grice chama, a esse conjunto de regras, "princípio de cooperação".
Não é possível, nem imaginável, segundo ele, que um ato comunicativo pudesse ser totalmente livre, a ponto de falante e ouvinte perderem o controle do próprio jogo. Ao contrário, as regras do ato comunicativo talvez tenham sido aprendidas concomitantemente à aquisição da língua, de tal forma que um falante competente do português também conhece os efeitos de sentido que uma mensagem em português pode adquirir pela ação das regras do jogo comunicacional a que está submetido. Não é por outra razão, alias, que se fala muito, hoje, numa teoria de competência comunicativa.
Nesse sentido, Grice, retomando uma formulação kantiana, sistematiza o seu "princípio de cooperação” (PC) através de quatro categorias fundamentais articuladas a máximas e submáximas.
AS MÁXIMAS DA TEORIA DE GRICE
A preocupação central de Grice era encontrar uma forma de descrever e explicar os efeitos de sentido que v o além do que é dito. Em última análise, como é possível que um enunciado signifique mais do que literalmente expresso. Deve haver algum tipo de regra que permita a um falante (A) transmitir algo além da frase e a um ouvinte (B) entender esta informação o extra.
Grice prop e, inicialmente, um exemplo que se tornou clássico. (A) e (B) est o conversando sobre (C). (A) pergunta a (B) sobre a situaç o de (C) no seu emprego. (B) responde: "Oh! muito bem, eu acho; ele gosta de seus colegas e ainda n o foi preso". Um diálogo desse tipo, observa Grice, possibilita perceber, claramente, que há duas formas de significaç o distintas. A resposta de (B) diz que (C) está bem e ainda n o foi preso e implica ou sugere que isso pudesse ter acontecido, tendo em vista que (C) é o tipo de pessoa que pode ceder s press es do seu trabalho e fazer algo que o leve pris o.
É a partir desse contexto que Grice introduz os termos técnicos implicitar (implicate), implicatura (implicature) e implicitado (implicatum). Seu objetivo é organizar, ao redor deles, um sistema explicativo dessa significaç o que (A) e (B) podem entender mas que, efetivamente, n o foi dita. É importante ressaltar, aqui, que Grice usa "dito" como o significado expresso pelo enunciado em termos literais ou, em outras palavras, como a proposiç o em seu valor semântico.
O conceito de implicatura conversacional é o centro das atenç es de Grice no seu artigo clássico e mesmo em trabalhos posteriores como o texto "Pressupositions and Conversational Implicative", de 1981.
Para ele, quando dois indivíduos est o dialogando, existem leis implícitas que governam o ato comunicativo. Isso significa que, mesmo inconscientemente, os interlocutores trabalham a mensagem lingüística de acordo com certas normas comuns que caracterizam um sistema cooperativo entre eles, para que as informaç es possam ser trocadas o mais univocamente possível. Grice chama, a esse conjunto de regras, "Princípio de Cooperaç o".
Não é possível, nem imaginável, segundo ele, que um ato comunicativo pudesse ser totalmente livre, a ponto de falante e ouvinte perderem o controle do próprio jogo. Ao contrário, as regras do ato comunicativo talvez tenham sido aprendidas concomitantemente aquisiç o da língua, de tal forma que um falante competente do portugu s também conhece os efeitos de sentido que uma mensagem em portugu s pode adquirir pela aç o das regras do jogo comunicacional a que está submetido. Não é por outra raz o, aliás, que se fala muito, hoje, numa teoria de compet ncia comunicativa.
Nesse sentido, Grice, retomando uma formulaç o kantiana, sistematiza o seu "princípio de cooperaç o"(PC) através de quatro categorias fundamentais articuladas a máximas e submáximas.
O Princípio da Cooperação - Máxima e Implicaturas
Categoria da Quantidade
Relacionada quantidade de informaç o que deve ser fornecida numa mensagem. A ela corresponde duas máximas:
Faça com que sua mensagem seja t o informativa quanto necessária para a conversação.
Não dê mais informações que o necessário.
Categoria da Qualidade
Relacionada inicialmente supermáxima "Procure afirmar coisas verdadeiras " e, indiretamente, a duas máximas mais específicas:
Não afirme o que você acredita ser falso.
Não afirme algo para o qual você não o possa fornecer evidência adequada.
Categoria de Relação
Ligada máxima "Seja Relevante".
Categoria do Modo
Ligada supermáxima "Seja Claro" e várias máximas como as citadas abaixo, entre outras:
Evite obscuridade de expressão
Evite ambigüidade
Seja breve (evite prolixidade desnecessária)
Seja ordenado.
Embora possa haver outras regras, ainda, como a da polidez, por exemplo, no circuito da comunicaç o, Grice deixa entender que as quatro categorias citadas s o suficientes para explicar o fenômeno da implicatura conversacional.
I - Nenhuma máxima é violada
(3) (A) - Estou com dor-de-cabeça. (B) - Há uma farmácia nesta rua.
(4) (A) - N o suporto mais minha m e. (B) - Freud explica isso.
(5) (A) - A crise econômica parece cada vez pior. (B) - Parece? Voc já leu "O Capital"?
Mesmo que, aparentemente, os tr s exemplos apresentem a quebra de uma máxima como a da relevância ou de uma supermáxima como a da clareza, ainda assim, n o há motivos para se afirmar que (B) violou o princípio da cooperaç o. Ao contrário, (A) poderá deduzir a implicatura conversacional exatamente por compreender que (B) está respeitando as regras do diálogo.
Em (3), (A) deduz que (B) diz haver uma farmácia na rua porque quer implicar que ela deve estar aberta e ter remédios que possam ser adquiridos por (A) para que seu problema seja resolvido.
O exemplo (4) é mais sutil, mas ainda n o representa um desrespeito ao PC. (A) depreende da resposta de (B) que ela quer implicar a natureza psicanalítica da relaç o de (A) com sua m e. No caso, a implicatura poderia remeter a um elemento do contexto cultural comum a (A) e (B) representado pelo "Complexo de Édipo".
II - Uma máxima é violada para que a outra não o seja
Neste caso, sup e-se que a máxima preservada seja mais relevante que a abandonada. (Respeito máxima de relevância quanto escolha da máxima a ser preservada)
(6) (A) - Que significa "pressuposição"? (B) - Consulte uma obra de semântica.
(7) (A) - Que horas s o? (B) - Já é tarde.
(8) (A) - Voc me ama? (B) - Eu gosto de estar em sua companhia.
Os três exemplos demonstram que a resposta de (B) quebra a máxima da quantidade por n o ser t o informativa quanto o requerido. Entretanto, (B) parece estar respondendo assim, para implicar que n o teria condiç es de oferecer uma resposta mais precisa e, por respeitar a supermáxima da qualidade, e acreditar que ela seja mais relevante no contexto que a da quantidade, prefere ser menos informativo a mentir.
No primeiro caso, (B) n o responde pergunta, oferecendo em seu lugar uma informaç o relativamente vaga mas que implica uma informaç o segura e sincera.
O exemplo seguinte também é bastante comum e os interlocutores de um diálogo, como esse, sabem perfeitamente o que (B) está dizendo e implicando. A pergunta de (A) requer uma resposta exata, a hora certa. Sabe-se, entretanto, que é muito freqüente que (B), n o tendo condiç es de dar a informaç o exigida, ofereça alguma satisfaç o pergunta, embora de forma vaga. (A) entende, perfeitamente, que (B) está dizendo que é tarde e implicando que n o pode, honestamente, dar uma resposta certa e exata para (A), mas assim mesmo, está atento mensagem e posicionando-se diante dela.
CONCLUSÃO
Ao abordarmos o conhecimento compartilhado, referimo-nos a uma intenção comunicativa que pode abranger diferentes conteúdos como o metafórico e o irônico através do significado comunicado implicitamente pelos enunciados. No decorrer das explanações, visamos à integração dos princípios que regem a conversação em uma dimensão social e psicológica nos atos de persuadir, argumentar ou simplesmente proferir um enunciado, envolvendo a subjetividade e o contexto sócio-político-histórico.
Após analisarmos as máximas de Grice em “ditos políticos”, podemos afirmar que é preciso dedicarmos uma atenção especial à comunicação verbal, em relação ao uso que as pessoas fazem da linguagem, enquanto atividade constitutiva e produtiva, pois é no jogo argumentativo da linguagem e é pelas inferências que fizemos que a comunicação se transforma em conhecimento mútuo.
Ao observarmos as implicaturas nas relações sujeito/linguagem/sujeito, que direta ou indiretamente, fazem parte do nosso cotidiano através de expressões e estruturas frasais que manifestam opiniões, divergências em idéias, ideais e decisões no contexto sócio-político-histórico, chegamos à constatação de que os atos de fala envolvem um jogo de palavras, muitas vezes, despercebido, mas um verdadeiro incluído: o implícito.
02 julho 2010

By Julio Moura (Live and Let Live)
Produzido e Corrigido: Diogo Didier
A poluição hídrica é uma das alterações ambientais que mais nos chama atenção, pelo fato de danificar os cursos de água de uma maneira bastante significativa, destruindo a fauna e a flora desse ambiente natural, interferindo na qualidade de vida dos seres humanos que dela precisam. Com a produção exagerada dos resíduos sólidos, a sua destinação final inadequada, faz com que a população utilize os cursos hídricos como deposito de lixo, degradando-os.
Nesse sentido, o rio Morno, localizado no bairro de Dois Unidos na cidade do Recife, encontra-se degradado pela deposição do lixo urbano pela comunidade que reside em torno dele. Analisando essa questão em tela, justifica-se o referido trabalho que será desempenhado na Escola Estadual Álvaro Lins, já que este busca a conscientização dos alunos sob a necessidade de conservação dos recursos naturais, especificamente do Rio Morno.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivos Gerais
O objetivo geral desse projeto é despertar nos alunos do 3° ano do ensino médio a importância e/ou necessidade de preservar o meio ambiente circundante. Através de um trabalho de conscientização esperamos sensibilizar nesses jovens o espírito de cidadão para que no futuro possamos conter a degradação maciça dos nossos recursos hídricos.
2.2 Objetivos Específicos
Demonstrar a importância do Rio Morno para a comunidade.
Verificar as causas da poluição hídrica.
Sensibilizar os alunos sobre a necessidade de deposição adequada dos resíduos sólidos.
Promover a Educação Ambiental de forma interdisciplinar no contexto escolar.
3. METODOLOGIA
Em meio a isso, vamos utilizar uma metodologia interligada com as informações disponíveis no meio da comunicação. Entre elas a internet será a mais importante ferramenta, pois dessa fonte será retirada algumas características referentes ao rio e seu atual nível de degradação. Além disso, buscaremos novas atividades lúdicas para atrair ainda mais os jovens para os assuntos ligados à preservação do meio ambiente. Depois dessa busca inicial, iremos elaborar palestras educativas, feiras, peças teatrais, mesas redondas, panfletagem junto à comunidade ribeirinha e uma pequena caminhada com cartazes pela comunidade que vive em torno do rio. Todo esse trabalho vem só para enfatizar ainda mais a importância da preservação da bacia do Rio Morno.
3. INTRODUÇÃO
Discutir sobre os problemas sofridos pelo meio ambiente tornam-se relevantes quando atingem comunidades que, basicamente pouco tem ou desconhecem o seu papel na relação existente com a natureza. Isso toma maiores proporções num país que, mesmo com toda diversidade ambiental, vive com uma política inexistente quando o foco é a fauna e flora.
A primeira, em especial, é desconsiderada quando delimitamos para os recursos hídricos, já que estes são usados de forma inapropriada por uma população que ignora a importância de usufruir desse recurso sustentavelmente. Isso ganha dimensões catastróficas quando essa população vive próxima dos rios, lagos e mares. Essa massa ribeirinha, muitas vezes desconsidera a crucialidade desses recursos para as suas vidas, poluindo-o gradativamente. Com isso, cometem um ato, às vezes inconsciente, de destruição da natureza.
Nessa óptica, a desinformação dessa sociedade agrava-se ainda mais quando, somado a condição social vivida por eles, acaba a desconsiderar a necessidade de manter a integração com o curso natural da natureza. Nisso, como foco deste trabalho, o rio e seus afluentes ganham papel de destaque, já que muitas pessoas dependem dele para subsistir. Por isso, é válido despertar nestes o interesse pela preservação desse recurso que, como se sabe, é limitado e não renovável.
Em linhas gerais, a ideia principal deste artigo está pautada não somente na preservação do rio Morno como afluente, mas também na conscientização das pessoas que dependem e vivem perto dele. Dessa forma, estarão entrelaçados todos os aspectos básicos que constituem a relação sustentável que deve preexistir entre homem-natureza.

4.1 ÁGUA: BEM COMUM DA HUMANIDADE
A busca pelo progresso tem causado mudanças significativas em várias esferas do âmbito social. Conseqüentemente, o homem tem contribuído de forma direta para que essas mudanças ocorram. O resultado disso pode ser verificado quando são feitas comparações do estilo de vida vivido por outras civilizações em contrapartida aos avanços tecnológicos em que o homem, principal condutor dessa transformação, tornou-se mestre e maestro. Infelizmente, a combinação entre progresso e respeito ambiental nem sempre estiveram intrinsecamente interligadas. O homem muitas vezes, em nome do capitalismo, acaba desrespeitando e até invadindo espaços onde a natureza reinava absoluta.
Nesse sentido, toda fauna e flora, além de rios, lagos, mananciais, afluentes, são degradados para dar espaço à urbanização desenfreada da sociedade moderna. Com isso, a falta de planejamento na expansão populacional afeta diretamente o habitat de diversos seres, alterando o ecossistema do planeta. Isto porque, como se sabe, o ecossistema funciona como uma rede, um elo, onde todos os elementos são de extrema importância para manter o equilíbrio, o funcionamento do planeta. Por isso, a água, principal agente do equilíbrio dessa rede, é a maior prejudicada com o crescimento desordenado da poluição das grandes metrópoles, junto com a falta de consciência ambiental, o que resulta no descaso ainda maior por parte da sociedade.
A água ocupa grande parte do nosso globo terrestre, pois recentes estudos apontam que o planeta é constituído aproximadamente de 70% de água, sendo que deste total, cerca de 1% é de água doce, ou seja, aquela que é utilizada para consumo humano. Esta pequena quantidade, lamentavelmente está sendo destruída pela ação do homem que não criou um mecanismo eficaz que concilie o progresso ao planejamento sustentável.
O rio morno, que nasce na BR 101 norte, tem 12 km de extensão, atravessando centenas de casas em seu percurso. Devido a essa proximidade com a população, ele está sofrendo com o alto índice de poluição, sobretudo o lixo doméstico. Além desse impacto, o rio ainda conta com a contaminação por parte da feira local e do matadouro que descarregam pesadas quantidades de entulho em suas águas.
Lamentavelmente, isso ocorre devido a uma inexistência relacionada à informatividade preventivo-conservadora que estivesse presente constantemente na vida da população ribeirinha. Em meio a isso, as políticas ambientais voltadas a restaurar o rio esbarram na burocracia da máquina publica, sobretudo por que o rio morno é apenas um afluente integrado ao rio Beberibe, outro importante rio do estado de Pernambuco.
Nessa perspectiva, pode-se citar que a perda desse importante afluente do rio Beberibe que, como fora mencionado acima, pode chegar a 12 km de extensão, seria como se um paciente que está com o seu corpo doente tivesse que cortar um braço ou perna. Este mesmo paciente poderia sobreviver, embora com muita dificuldade, pela falta do seu membro que não deveria ter adoecido e menos ainda ter sido retirado. Assim é o caso do rio Morno que, devido a sua importância, consequentemente a sua perda seria imensurável para a sociedade, quiçá para o mundo.
Pensando nisso, recentemente uma escola da comunidade de Beberibe, Ricardo Gama, realizou um trabalho de pesquisa e conscientização ao redor do rio morno. Para a surpresa dessa pesquisa, um dos maiores obstáculos para a revitalização das águas do rio está no descaso da população que vive nos arredores, pois, segundo a pesquisa, a comunidade parece ignorar a importância do rio morno. Esse desapego pelo meio ambiente está intimamente relacionado com a falta de um discurso contundente na vida diária dessas pessoas que teimam em desrespeitar a natureza circundante.
O impacto sofrido pelo rio morno é apenas o reflexo do descaso que ainda é presente em vários outros mananciais existentes no Brasil. Isto por que, como fora mencionado, a falta de uma política maciça, que tente integrar à população dos problemas do rio, acaba gerando a carência de informação, consequentemente, o povo não toma consciência da importância, quiçá necessidade, de proteger o ecossistema em que vivem. Partindo dessa premissa, acredito que com a criação de projetos ambientais poderemos mudar a realidade, não só do rio morno, mas também de vários outros rios que passam por problemas semelhantes.
É através desses pequenos gestos que, lentamente vamos reestruturar o que cotidianamente o homem vem destruindo. Mesmo parecendo ser algo utópico, não podemos deixar de dar o primeiro passo para melhorar a qualidade de vida das pessoas. E para isso, é preciso começar pelo pouco de ecossistema que ainda está vivo ao nosso redor.
Por isso, quando observamos o despejo de resíduos sólidos nos rios e mananciais, como: pano e papel, que leva de 3 a 6 meses para ser decomposto pela natureza; filtro de cigarro e chiclete que passa 5 anos para se decompor; madeira pintada 13 anos e nylon chega a 30 anos para ser decomposto; plástico e metal 100 anos; vidros 1 milhão de anos e borracha como de pneus tem tempo indeterminado, ou seja, pode passar milhões e milhões de anos para ser decomposto. Isso para mencionar alguns vilões do meio ambiente, no entanto, o maior deles ainda é o homem, pois ele é o principal causador de toda essa destruição na natureza, que em muitos casos é irreversível.
Toda essa catástrofe na natureza poderia ser evitada por meio de ações simples, de reeducação da população em relação aos cuidados necessários com os recursos hídricos que bem sabemos São limitados e em alguns casos não renováveis. Essa orientação a população acerca de como acomodar os seus resíduos domésticos para ser coletados por empresas especializadas em reciclagem e reutilização de materiais descartáveis seria uma solução para resolver um dos maiores problemas das grandes metrópoles, o grande volume de lixo, jogado não só nas ruas mais também em locais inadequados como mares; rios; córregos; lagos; canais, canaletas e etc.
Além de ser economicamente viável para o país que é campeão mundial de reciclagem de latinhas de alumínio devolvendo para os cofres públicos milhões de reais. É possível notar que o problema relacionado com a poluição hídrica, apesar de grave, não é algo impossível de ser corrigido, podemos usar como exemplo de êxito os resultados obtidos por países como França, que trata as suas águas antes de ser lançado nos seus canais, o que pode ser notado ao observar os canais.
Isso é um processo necessário num país onde o volume de água potável é menor que a do Brasil, que chega a ter até 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em extensão e volume do Planeta, o Amazonas. Além disso, mais de 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano e as condições climáticas e geológicas propiciam a formação de uma extensa e densa rede de rios, com exceção do Semi-Árido, onde os rios são pobres e temporários. Essa água, no entanto, é distribuída de forma irregular, apesar da abundância em termos gerais. A Amazônia, onde estão as mais baixas concentrações populacionais, possui 78% da água superficial. Enquanto isso, no Sudeste, essa relação se inverte: a maior concentração populacional do País tem disponíveis 6% do total da água. Essa política de preservação ambiental hoje é uma necessidade cada vez maior não só em países como a França, mas também em todo o mundo, pois é de conhecimento geral que a água é o bem maior dos seres vivos é algo indispensável para a manutenção da vida.
É relevante citar também o pensamento limitado de uma parcela da sociedade sobre as causas da destruição no nosso planeta. Muitos justificam sua interferência por mencionar o ciclo da água como sendo constantes e que há lençóis de água em baixo da terra que poderiam fazer a manutenção da vida por muitos anos. Já outros, acham que eles não poluem o suficiente para causar tanta destruição. E existem aqueles que imaginam que não é problema deles e que nunca serão atingidos pelas consequências de seus atos. Mas é engano, pois para esses que acreditam na existência de água por muitos anos, seja pelos lençóis ou ciclos de água, não são eternos e sim findáveis.
Em relação aos que acreditam que não poluem o suficiente para causar danos ao meio ambiente, pode-se lembrar que apenas uma pessoa produz cerca de um quilo de lixo por dia, e se juntar esse número a uma população como a de Recife que é de mais de um milhão de habitantes veremos o estrago que esse pouco pode causar. Para completar têm-se aqueles que jogam a culpa nos outros por seus atos, é o caso das pessoas que moram nas margens de lagos, córregos, rios, canais e canaletas. Esses têm um exemplo ainda mais forte e claro, já que ao jogar seus resíduos em locais inapropriados como já mencionado, causam deslizamento de barreira, além de poluir os recursos hídricos em volta. Ainda assim achar que é um problema político que não recolhe o lixo doméstico de suas casas, o que em alguns casos é verdade, mas, geralmente é a falta de conscientização adequada com o próximo e consigo mesmo e acabam sofrendo por atos irrefletidos.
Despertar na sociedade a necessidade de respeitar o meu ambiente é uma tarefa que muitos ambientalistas almejam, sobretudo quando o publico alvo são os jovens, pois conscientizá-los é garantir que, no futuro, possamos usufruir das maravilhas que a natureza tem a nos oferecer. Por isso, ao escolhermos os alunos do 3° ano do ensino médio, entendemos que estes são mais maduros para compreender que a natureza deve ser preservada. O trabalho com esses jovens, inicialmente, foi o de despertar acerca dos problemas vividos pelo rio morno. Em seguida, começou o processo de conscientização para alavancar a importância de preservar, não só os nossos rios, mas também os mananciais e afluentes, pois estes juntos são primordiais para a existência do rio.
Para que isso fosse possível, contamos com a colaboração do professor Luiz Mario, docente de geografia da Escola Álvaro Lins, que por sua vez foi o elo entre os alunos, indicando o 3° ano, pois já havia desenvolvido um trabalho semelhante a esse com total sucesso. Não só esta escola, mas também a Escola Ricardo Gama, desenvolveu pesquisas e discussões para tentar excitar na comunidade o seu papel como cidadãos junto aos temas relacionados aos recursos hídricos. Além disso, as escolas trouxeram para dentro da atmosfera escolar os problemas vivenciados pela comunidade local, desenvolvendo o senso critico dessas pessoas em torno da degradação do rio e, consequentemente, trazendo significativas soluções para melhorar a relação existente entre o homem e a natureza.
No inicio da pesquisa percebemos que a comunidade ribeirinha abraçou a causa de preservação do rio morno com bons olhos. No entanto, devido ao longo histórico de degradação e, principalmente, a falta de mobilização social por parte dos nossos governantes para conscientizar a sociedade sobre os malefícios que a poluição dos rios pode acarretar, também pode ser considerada como um dos maiores entraves para a falta de respeito com o meio ambiente. Por isso, desenvolver um trabalho que tenha como meta reverter os hábitos dessas pessoas requer, além de tempo, recursos conjuntos da sociedade e dos órgãos competentes. Portanto, foi feito uma minúscula parcela para tentar resolver um grande problema ambiental que, possivelmente é irreversível. Acreditamos que atitudes significativas como estas, além de proteger o meu ambiente, contribui para construir um modelo de cidadão mais voltado ao seu papel como ser que desfruta do meio ambiente e que está consciente de que, para poder usufruir dos recursos que a natureza tem a oferecer, primeiramente ele tem que preservar o pouco que restou; e nada mais justo que isso ocorra dentro da comunidade onde o individuo vive.


