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17 novembro 2016


O tema do Enem 2016, a princípio, parece óbvio pela sua conjuntura social envolvida, já que a onda de intolerância religiosa no país não é um assunto recente, mas que tem ganhado proporções maiores na atualidade. Entretanto, a banca da prova não queria apenas que o aluno falasse rasamente de tal fenômeno, mas que além disso mostrasse rotas possíveis para resolver o problema, algo típico do perfil do Enem. Por essa razão, a proposta deste ano, similar a muitas outras, questiona as lacunas que fazem daquele tema algo emergencial de ser discutido no texto. Para os brasileiros, religiosos ou não, porém com um nível básico de conhecimento, não é difícil destrinchar tal problemática.
Falar de Religião no país não é nada difícil. Há barreiras maculadas que impedem brasileiros de adentrarem nesse tema sem acabar em discussões desnecessárias e infindáveis. Isso não seria diferente com a intolerância. Num país abertamente Católico, Protestante, Pentecostal e Neopentecostal, dentre outros seguimentos religiosos majoritários, sofrem algum tipo de preconceito. A própria história de Jesus é uma prova disso. Mesmo com tal constatação, no panteão de religiões existentes no Brasil, aquelas que fogem do padrão Católico/Cristão são, evidentemente, as mais perseguidas.
De cara, o Candomblé é lembrado, por ser uma das religiões mais perseguidas historicamente. Por ser considerada uma "religião de negros", por muito tempo ela foi/é demonizada,sofrendo batidas policiais, fechamento de terreiros, motivos ainda de piadas pejorativas na mídia e usada como esteriótipo para tudo o que é do mal: "chuta que é macumba". Evidentemente que todo esse senso comum foi plantado pelo Catolicismo que durante anos renegou o Candomblé ao gueto. Hoje, muitos protestantes de diversos seguimentos continuam a satanizar os ritos daquele grupo, espalhando injúrias perante uma sociedade que não lê e é facilmente alienável.
Além dos negros, há outras ramificações religiosas tão invisibilizadas quanto. Compartilham disso a Umbanda e o Espiritismo, que por desconhecimento de causa, fruto da mesma ignorância vivenciada pelo Candomblé, vivem às escuras, às escondidas, mesmo tendo posturas comuns a muitas outras religiões. Com base nisso, o aluno ainda poderia ter falado sobre o silenciamento daqueles que vivenciam tais seguimentos. Há um temor de expor que tal pessoa faz parte da religião de matriz africana, ou que é adepta dos ensinamentos de Allan Kardec, ou mesmo que é Cristã ou Católico, fã de Bolsonaro ou do Papa Francisco, sob pena de represália e discriminações diversas.
Por conta disso que a intolerância religiosa ganhou como aliada a maior plataforma da atualidade: a Internet. Nela, preconceitos dos mais diversos encontram terreno fértil nos discursos de ódio de pessoas que anonimamente ou não expõe bravatas absurdas contra aqueles que não são de segmentos religiosos preponderantes. Sofrem dos mais fervorosos aos ateus, que são alvos da intolerância às avessas. As outras maiores vítimas sempre são aquelas que exibem suas identidades religiosas na rede através de turbantes, roupas, mensagens, ou quaisquer manifestações de fé. Utensílios estes que são responsáveis por perseguições na ruas, perdas nas vagas de emprego, quando não até assassinatos.
Por se tratar da intolerância religiosa, evidentemente que Católicos e Cristãos também são vítimas disso, como diz minha vizinha: "desde a época de Nero". Para esses, fazer parte de grupos religiosos majoritários também é motivo de perseguição, principalmente quando há representantes religiosos na política que não representam a todos. Neste ínterim, também, o aluno poderia fazer uma crítica sutil a dominação de alguns religiosos na nossa política pseudolaica, uma vez que esses cidadãos não contemplam a sociedade como o todo, muitos são desrespeitosos e verdadeiros déspotas, criam iniciativas/projetos tendenciosos e muitas vezes estão envolvidos em falcatruas/corrupção.
Fora do país, a intolerância religiosa é um dos principais motivos para a onda de terrorismo no mundo. Segundo editorial publicado pelo Jornal o Globo em 26/01/2016 " O mundo se chocou no primeiro mês do ano com o atentado ao “Charlie Hebdo”, em Paris; a execução de reféns do Estado Islâmico; e a destruição da cidade de Baga, na Nigéria — mais uma ação do Boko Haram, na qual teriam morrido duas mil pessoas. São casos de extrema violência que brasileiros repudiam da mesma forma que americanos e europeus." Essas ações parecem distantes daqui já que gozamos da fama de sermos unidos na diversidade, porém a realidade é outra e, muitas vezes, pouco evidenciada em dados.
Talvez seja por isso que no Brasil ignoramos a questão indígena também nesse tocante. Esse povo, por assim dizer, foi a primeira vítima da intolerância religiosa dos nossos Colonos, ao não entender o modo de vida selvagem vivido pelos índios, impondo-os o Catolicismo, evidentemente que guardadas as devidas proporções temporais. Entretanto, engana-se quem pensa que nossos nativos estão a salvo. Novas práticas catequéticas ainda acontecem no país, desta vez regidas por seguimentos protestantes. Além disso, a devastação das matas e rios (vide Belo Monte), expansão da agropecuária e a metropolização das tribos indígenas têm feito com que a fé desse povo perca o pouco de identidade que ainda resta.
Com base nisso, o alunado poderia ter escolhido vários caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil. Um deles é a difusão, e acompanhamento, de ensino religioso, de fato, no país e não apenas Católico/Cristão como acontece normalmente. A mídia contribuiria para isso difundindo respeitosamente outras religiões, socialmente estigmatizadas, à rotina da população brasileira, a qual passaria a ter um leque mais plural nesse sentido. Líderes religiosos diversos, sobretudo os de maior espaço social, devem difundir discursos contrários ao repúdio que há por outras religiões, como muitos ainda o fazem; da mesma forma que a sociedade civil precisa ser reeducada nesse sentido.
O apoio governamental é imprescindível, fazendo valer o que há na Constituição, nos parâmetros de cidadania e nos PCN´s. Assim, num prazo determinado, haverá maior representatividade política para outras religiões que atualmente não desfrutam desse privilégio. Tudo isso pode construir caminhos salutares para novas rotas religiosas no país. Porém, o Enem deu um largo passo rumo ao tão sonhado respeito às diferenças. Infelizmente, haverá muitos alunos hipnotizados por textos padrões que os impedirão de discursar com maturidade neste tema. A estes o tempo e a educação juntos se encarregarão de, talvez, transformá-los. Aos demais, abertos a diversidade, entendam hoje que não basta respeitar as religiões existentes no Brasil, mas também legitimá-las na sacralidade que compõe os diversos lares nacionais.

"A fé não precisa ser a mesma para ser autêntica" - Diogo Didier
Guia prático para não queimar mais o filme em provas, e-mails, redes sociais e vida profissional
Como qualquer outra disciplina, o português pode ser fácil para uns e difícil para outros. Além disso, a língua é viva, se altera com o passar dos anos, recebe influências do meio e, claro, conta com um amplo conjunto de regras que inegavelmente podem confundir.
— É certo dizer que o tempo presente, o grau de escolaridade e a classe social impactam em como produzo meu texto. Mas também é fato que o domínio da língua é diretamente proporcional ao volume de leitura. A dica é ler jornais, livros de bons autores e não ter vergonha de procurar o significado de uma palavra que não conhece —, recomenda o professor Caco Penna, do CPV Educacional.
Segundo Caco, as mudanças dos últimos anos no Enem resultaram em provas mais focadas no caráter sociolinguístico do que propriamente na gramática. Mesmo assim, essas são questões ainda relevantes na redação e muito presentes nos vestibulares. Indo muito além dos testes, vale lembrar que em toda a vida você vai lidar com as artimanhas do português. Nada mais queima o filme do que falar errado em uma entrevista de emprego ou enviar um e-mail profissional cheio de deslizes, por exemplo.
Para evitar essas derrapadas, listamos as 50 dúvidas gramaticais que mais costumam gerar erros. A lista foi elaborada com ajuda dos professores Simone Motta, coordenadora de Português do Grupo Etapa, Eduardo Calbucci, supervisor de Português do Anglo, e do próprio Caco.
50 DÚVIDAS DO PORTUGUÊS ESCLARECIDAS

1. Por que/Porque

Para começar, uma confusão que acompanha gerações:
Usa-se “por que” para perguntas, mesmo que implícitas. Exemplos: “Por que ela ainda não chegou?” e “Ele não sabe por que está aqui”.
Usa-se “porque” para respostas. Se consegue substituir por “pois”, essa é a forma correta: “Não foi trabalhar porque estava doente”.

2. Por quê/Porquê

No final de uma frase, seguido de pontuação (exclamação, interrogação, reticências), o correto é “por quê”, como em: “Estou chateado. Sabe por quê?”.
Já o “porquê” tem exatamente o mesmo sentido de motivo ou razão, por exemplo: “Não sabia o porquê de tanta pressa”.

3. De segunda a sexta (certo)/De segunda à sexta (errado)

Outro elemento de confusão frequente, a crase pode ser explicada como a junção de duas letras em uma só: a preposição “a” e o artigo feminino “a”. Então, se você tenta ler uma sentença com “a a” e não faz sentido, provavelmente não há crase. Logo, o correto é “de segunda a sexta”.

4. A prazo (certo)/À prazo (errado)

Como no caso anterior, a leitura com “a” duplicado não faz sentido. Além disso, não se aplica a crase antes de substantivos masculinos, como é o caso de “prazo”.

5. A você (certo)/À você (errado)

Não há crase antes de pronomes pessoais (eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas).

6. Das 9h às 18h (certo)/Das 9h as 18h (errado)

No caso de horas expressas, há crase quando a preposição “de” aparece combinada com artigo (de + as), mesmo que implícito como em “horário da prova: 8h às 11h”. Sendo assim, o correto é “das 9h às 18h”.

7. Mal/Mau

“Mal” é substantivo quando precedido de artigo, como em “o mal do mundo”, e advérbio quando acompanha verbo ou adjetivo. Resumidamente, é o contrário de “bem”.
“Mau” é adjetivo quando vem antes de substantivos, com os quais concorda. É o oposto de “bom”.

8. Mas/Mais

“Mas” é conjunção adversativa e tem o mesmo valor de “porém”, “contudo” ou “entretanto”.
“Mais” é advérbio de intensidade ou conjunção aditiva, indicando adição ou acréscimo. É também o oposto de “menos”.

9. Haver/A ver

“A confusão entre as expressões se dá porque a pronúncia é a mesma”, explica o professor Eduardo Calbucci. “Haver” é verbo e significa “existir”. “Ter a ver” é “ter ligação”.

10. Traz/Trás/Atrás

Segundo a professora Simone Motta, é bem comum se deparar com trocas de letra entre as palavras – erroneamente ‘tras’ e ‘atráz’ – por conta da sonoridade semelhante entre elas. Apesar disso, é fácil diferenciar: “traz” vem do verbo “trazer” (com Z, portanto); “trás” e “atrás” são advérbios e indicam posição (“ficará para trás”, “atrás da porta”).

11. Haja/Aja

Novamente a semelhança sonora induzindo ao erro. Para esclarecer: “haja” é conjugação do verbo “haver”, de existir. “Aja” vem do verbo “agir”: “Aja com cuidado”.

12. Interveio (certo)/Interviu (errado)

Esse é um verbo que se conjuga como “vir”, de que é derivado, sendo “interveio” a forma correta: “A polícia interveio na briga”.

13. Vêm/Têm

Os verbos “ter” e “vir” devem ser acentuados quando estiverem na 3ª pessoa do plural: “Eles sempre vêm de táxi, porque eles não têm carro”.

14. Em vez de/Ao invés de

Para indicar apenas uma coisa no lugar de outra, usa-se “em vez de”. Para mostrar opostos, vá de “ao invés de”, como no exemplo: “Ao invés de ser o primeiro, ele foi o último”.

15. Onde/Aonde

“Onde” é o lugar em que alguém ou alguma coisa está. “Aonde” está relacionado a movimento. Por isso, quem vai, vai “a” algum lugar: “vai aonde”.

16. Demais/De mais

Na maior parte dos casos, emprega-se o advérbio “demais”, que significa excessivamente, muito. Já a locução “de mais” é comparável à expressão “a mais”, como em “nem sal de mais, nem de menos”. “De mais” também é associada a estranheza: “Não vejo nada de mais naquilo”.

17. Em princípio/A princípio

“Em princípio” assemelha-se a “em tese”. “A princípio” é como “no início”.

18. Uso do hífen

O prefixo terminado por vogal é separado por hífen se a palavra seguinte começar com a mesma vogal ou H. Caso contrário, sem hífen. Exemplos: autoescola, micro-ondas, semianalfabeto, autoestima.

19. Tachar/Taxar

“Tachar” significa “denominar, chamar de, considerar”. Já “taxar” é impor uma taxa ou imposto. Portanto, contextos diferentes.

20. Através de/Por meio de

Expressões com significados distintos. “Através de” expressa a ideia de atravessar, indica um movimento físico. “Por meio de” é semelhante a “por intermédio de” e se relaciona a “instrumento para a realização de algo”. Portanto, ao começar um e-mail, por exemplo, o correto é “Venho por meio deste”, e não “Venho através deste”.

21. Vírgula entre sentenças

Quando as duas frases possuírem sujeitos diferentes, usa-se a vírgula antes da conjunção “e”.
Errado: A mãe demorou para chegar e o filho ficou desesperado.
Certo: A mãe demorou para chegar, e o filho ficou desesperado.

22. Eu/Mim

O pronome reto “eu” é utilizado apenas na posição de sujeito do verbo. Nas demais situações, usa-se o pronome oblíquo “mim”.
Errado: Não há mais nada entre eu e você.
Certo: Não há mais nada entre mim e você.

23. Haver/Fazer

Ambos os verbos, quando indicam passagem de tempo, não ganham plural: “Não conversávamos havia três anos” e ” Faz três anos que não nos vemos”.

24. Haver/Existir

No sentido de “existir”, o verbo “haver” não vai para o plural. O verbo “existir” pluraliza normalmente: “Na reunião, existiam cerca de 60 pessoas”.
Errado: Na reunião, haviam cerca de 60 pessoas.
Certo: Na reunião, havia cerca de 60 pessoas.

25. Assistir ao/Assistir o

Quando usado no sentido de “ver”, o verbo “assistir” rege a preposição “a”: “Assistiu ao programa”. Já no sentido de “ajudar” ou “prestar auxílio”, o verbo vem sem a preposição: “O técnico assistiu o cliente durante a instalação do equipamento”.

26. Afim/A fim de

“Afim” pode ser adjetivo ou substantivo e, nos dois casos, é associado a “parecido”, “similar” e “semelhante”. “A fim de” é locução prepositiva e está ligada à ideia de intenção ou finalidade, como em “aceitei ir à festa a fim de conhecê-lo melhor”.

27. Obrigado/Obrigada

Essa regra é muito simples. Homens dizem “obrigado”. Mulheres dizem “obrigada”. Pronto!

28. Bem-vindo (certo)/Benvindo (errado)

O Novo Acordo Ortográfico não alterou a escrita da palavra “bem-vindo”. Apesar de novas regras gramaticais em relação ao uso do hífen, ela continua como antes.

29. Beneficente (certo)/Beneficiente (errado)

A forma correta é “beneficente”. “Beneficiente” não existe na Língua Portuguesa.

30. Menos (certo)/Menas (errado)

Apesar de memes como “miga, seja menas”, a palavra “menas” não existe na nossa gramática. Escolha sempre “menos” em suas redações e e-mails formais.

31. Deixa eu escrever/Deixa-me escrever

Quando os verbos “deixar”, “fazer”, “ver” e “mandar” vêm seguidos de infinitivo, usam-se os pronomes oblíquos no padrão culto da língua: “Deixa-me escrever”. Aqui, porém, um adendo. “Esse tipo de construção com pronomes retos (‘deixa eu estudar’, ‘deixa ele estudar’) está se tornando cada vez mais comum, fundamentalmente na linguagem oral”, destaca o professor Eduardo Calbucci, em uma ressalva de que o certo e o errado podem não ser absolutos se levarmos em consideração a evolução da língua.

32. Seguem anexos os documentos (certo)/Seguem os documentos em anexo (errado)

Expressões bem comuns em e-mails. Se funciona como adjetivo, indicando que algo está ligado, a palavra “anexo” não exige o uso de “em” e deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere – no caso, “documentos”. De outra forma, se o interlocutor quer dizer o modo pelo qual algo está sendo enviado, é preferível dizer “no anexo” em vez de “em anexo”.

33. Proibida a entrada (certo)/Proibido a entrada (errada)

O sujeito da oração é “a entrada”, feminino e acompanhado de artigo, por isso “proibido” concorda com “entrada”: “Proibida a entrada”.

34. Vamos nos ver amanhã? (certo)/ Vamos se ver amanhã? (errado)

O sujeito do verbo “vamos” é de primeira pessoa do plural (nós), por isso a forma correta é “vamos nos ver”.

35. Senão/Se não

A escolha depende bastante do que você quer expressar. “Senão” é “caso contrário” ou “a não ser”. “Se não” mostra uma condição, como em “se não sabe como fazer, não faça”.

36. Dia a dia/Frente a frente/Cara a cara

Nenhuma das expressões tem acento no “a”. O acento grave não deve ser utilizado em termos com palavras repetidas.

37. Meio-dia e meia (certo)/ Meio-dia e meio (errado)

Quando a palavra “hora”, aqui implícita, é fracionada, sempre utiliza-se “meia” – portanto, “meio-dia e meia”. “Meia” é numeral fracionário e deve concordar em gênero com a unidade fracionada. Outra coisa: “meio-dia” permanece com hífen, mesmo após o Novo Acordo Ortográfico.

38. Eminente/Iminente

Formas parecidíssimas, significados diferentes e grande chance de confusão. Para memorizar: “eminente” está relacionado a qualidade, excelência, como em “é um profissional eminente”; já “iminente” indica que “vai acontecer em breve”.

39. Descrição/Discrição

Mais um caso de grafia e pronúncia semelhantes e significados distintos. “Descrição” está relacionada ao ato de detalhar algo, reunir características. Entre seus sinônimos, dependendo do contexto, estão palavras como “exposição” e “apresentação”. Já “discrição” é a qualidade de alguém ou algo discreto, que não chama muita atenção.

40. Sessão/Seção

A forma com S, “sessão”, é o intervalo de tempo em que alguma coisa acontece, por isso sessão de cinema, sessão fotográfica, sessão da tarde… Já “seção” é como divisão, uma parte de um todo, daí seção eleitoral, seção feminina e seção do jornal, por exemplo.

41. Admitem-se vendedores (certo)/ Admite-se vendedores (errado)

No exemplo, o verbo “admitir” é transitivo direto. Como tal, não exige preposição entre ele e o objeto da frase e concorda em número com o sujeito. Portanto, o correto é dizer “admitem-se vendedores”.

42. Precisa-se de vendedores (certo)/ Precisam-se de vendedores (errado)

Já nesse exemplo, a maneira correta é “precisa-se de vendedores”. Quem precisa, precisa “de” algo, daí a necessidade da preposição. Como verbo transitivo indireto, portanto, “precisar” permanece no singular.

43. Supor/Transpor

Os verbos derivados do verbo “pôr” serão conjugados como o verbo primitivo.
Errado: Se você supor que o seu plano dará certo, nós poderemos executá-lo.
Certo: Se você supuser que o seu plano dará certo, nós poderemos executá-lo.

44. Manter/Conter

Os verbos derivados do verbo “ter” serão conjugados como o verbo primitivo.
Errado: Se você manter a rotina de treinos, alcançará excelentes resultados.
Certo: Se você mantiver a rotina de treinos, alcançará excelentes resultados.

45. Tinha chego/Tinha chegado

Existem alguns verbos, chamados de abundantes, que admitem duas formas de particípio passado, entre eles “aceitar” (aceitado e aceito), “imprimir” (imprimido e impresso) e “eleger” (elegido e eleito). “Por analogia, obtêm-se formas como ‘chego’, ainda não acolhidas pela norma culta”, explica o professor Eduardo Calbucci. Ou seja, vá de “tinha chegado”.

46. Na minha opinião (certo)/ Na minha opinião pessoal (errado)

“Na minha opinião pessoal” é um pleonasmo, ou seja, a repetição desnecessária de uma informação, uma redundância: sua opinião já é pessoal. Por isso, diz-se apenas “na minha opinião”.

47. Anos atrás (certo)/ Há anos atrás (errado)

“Há anos atrás” também é um pleonasmo, pois o verbo “há”, nesse sentido, já indica passagem do tempo. Diga apenas “há anos” ou “anos atrás”.

48. De encontro a/Ao encontro de

Aqui temos praticamente opostos em termos de sentido. “De encontro a” expressa conflito, como em “sua opinião foi de encontro ao que ele acreditava”. Já “ao encontro de” expressa satisfação, “estar de acordo com”, ir “em direção a”: “Uma lei que vem ao encontro dos menos favorecidos”.

49. Por hora/Por ora

As duas expressões existem, mas dependem do contexto. “Por hora” está relacionada a um intervalo de 60 minutos: “Pedala 20 km por hora”. “Por ora” significa, simplesmente, “por enquanto”.

50. Ratificar/Retificar

Verbos com sentidos bem diferentes: “ratificar” é confirmar; “retificar” é corrigir.

02 novembro 2012



“Olá, eu sou o Vestibular”.

Se é sangue brasileiro que corre em suas veias, você já ouviu falar de mim. Não carrego armas ou munição, não porto vírus incuráveis mortíferos e não sou capaz de destruir um ser humano. Mas, as pessoas têm medo de mim, por motivos que eu nego compreender. Mas, a realidade é que todos compreendem. Eu, o Vestibular, sou capaz de muito mais do que pareço. Não sou um inocente papel, minhas verdades não estão confinadas a planos puramente acadêmicos. Não, eu não sou assunto para ser resolvido entre alunos, professores e reitores.

Eu envolvo deputados, governadores, ministros e presidentes. Não sou para os fracos. Sou para os fortes de mente e de alma. E para os fortes de corpo, capazes de aguentar a maratona de estudos à qual obrigo-os a perdurar. Não sou para aqueles que não acreditam na majestade de seus sonhos. Eu sou implacável. Eu alimento a confiança de alguns e destruo as esperanças de outros. Devo admitir que alguns são capazes de caminhar por cima de mim, e ao passar por mim, alegam que não sou tão duro quanto pareço. Não sou eu. São eles.

Eu permito que alguns passem por meus portões, e vou fechando-os lentamente, permitindo que outros derradeiros possam arrastar-se por entre eles. Mas, quando os fecho, sou inexorável. Só os abro novamente ano que vem. Não considero minha obrigação mudar. Eu mudo quando quero, e a sociedade tem que aceitar calada. Calada ela não fica, mas eu sofro de surdez seletiva. Só ouço aquilo que me favorece e, por conseguinte, prejudica você. Claro, sou o Vestibular, e você depende de mim. Eu não dependo de você. Cada vez mais profissões dependem de mim e só de mim para serem exercidas. E a sociedade continua se submetendo a mim, deixando em minhas mãos os destinos de milhares de pessoas, para que eu os resolva a meu bel-prazer. E que leve cinco, dez, quinze anos, mas, poucos desistem de passar por mim. E os que desistem sempre se arrependem de tê-lo feito. Eu sou o Vestibular.

Não carrego culpa. Não há vagas para todos por trás de meus portões. São tantos fora querendo entrar e tão pouco espaço dentro que tenho que recorrer aos mais duvidosos métodos para manter meu equilíbrio. Minha injustiça é despida de peso na consciência. Considero vital manter a permeabilidade das minhas portas assustadoramente baixa. Mas, uma vez que você atravessa minhas portas, abrem-se outras muitas. Uns livram-se dos cabelos, uns pintam o rosto, uns fazem festas, uns comemoram em silêncio, mas, todos admitem que valeu a pena.

Quando eu saio de sua vida, você enxerga o mundo inteiro com outros olhos. Dá valor a cada minuto de seu dia. Momentos outrora prosaicos mostram-se extraordinários uma vez que você tem a recém-adquirida maturidade para apreciá-los. Você pode ter certeza que vai me odiar com cada molécula do seu ser mais tarde, mas, lá no fundo, você admitirá que eu ajudei-o a ver a verdade. Quando eu estava presente, eu despertei partes de você que nem você mesmo conhecia. E daqui a vários anos, quando você for um profissional de sucesso, talvez você tenha um filho que passará por mim. E eu direi: Lembra de mim? Eu sou o Vestibular. Eu fui à causa e seu sucesso foi o efeito.

Você foi o esforço e seu sucesso foi o resultado. Diga a seus filhos que não se revoltem comigo. Esteja ao lado deles. Lute por eles. Diga a eles que sou duro, mas, passo, e uma vez passado, só trago alegrias. Diga a eles que esse período é pequeno, mas, vai contribuir para a formação de seu caráter. É um rito de passagem moderno. Eu não quero seu mal. Eu não quero fazê-lo sofrer. Se for para vê-lo chorar, que sejam lágrimas de alegria. Eu só quero que a vitória não seja fácil. Eu quero que ela valha muito. Conte comigo como porta de entrada para seu sucesso, mas, não espere que eu faça todo o trabalho. Poucos carregam nas costas tanto suor e lágrimas quanto eu. Mas, poucos são capazes de levá-lo tão longe. Sou eu, o Vestibular.