05 abril 2015

Jesus amaria ver o que estão fazendo com o menino Eduardo - por Gustavo Magnani


Jesus, sentado em seu trono, lembra, hoje, o dia em que foi crucificado, morto e sepultado – a fim de redimir os pecados do mundo.

Morto por uma elite social, religiosa e moral, que não aceitava suas ideias, suas palavras e seus gestos. Deixou uma grande obra pro ser humano, a qual ele insiste em fingir que aproveita.

Milhões, hoje, não comeram carne, em seu nome. Milhões, hoje, saíram em procissão, também em seu nome. Milhões dizem viver e orar e seguir um caminho, de novo, em nome de Yeshua.

Sem seu nome, iludidos pela crença de que a tela do computador lhes coloca um véu perante o céu, dando-lhes o anonimato, espalham ódio, impropérios, absurdos para qualquer ser humano.

Não tenho dúvidas:

Teriam sido muito melhores que os soldados de Herodes, matariam Cristo ainda pequeno, quando ele fugiu de sua mãe e foi ensinar os sábios, no templo. Ou ali ou em outro momento.

A verdade vos libertará: Não duraria, o menino Yeshua.

Nos dias de hoje, morto, Yeshua, dum eventual céu, veria uma foto qualquer, de outra criança segurando uma arma, ser compartilhada como se o próprio Yeshua fosse tal criança e, portanto, justificando o assassinato.

Yeshua, acredito eu, diria: “Pai, na moral, perdoa esses caras. Eles não sabem a merda que tão falando”
Lembraria, também, de quando o policial, logo depois de atirar em sua cabeça, chamou ele e seu pai de vagabundo. Pacífico, como só Yeshua pode ser, responderia: veja bem, seu pm, eu tenho apenas 10 anos, não poderia trabalhar. E, meu pai, meu pai é pedreiro. Carteira assinada.

De lá de seu trono, veria outros dizendo que “foi um erro, humanos erram”, ignorando que não só o próprio Yeshua foi morto, mas ontem também João Batista, semana passada, Pedro, Tiago, Matheus, Maria – de Nazaré e Madalena, afinal, puta tem que morrer.

Também leria que a culpa era dos traficantes. Mas, só o dos morros, porque os de ternos, a polícia deixa passar – ou alguém meteu bala no dono do helicóptero com 500 kg de cocaína?

Yeshua entenderia que os erros quase sempre só acontecem apenas perto da tua casa, com preto e pobre, como o próprio era, ainda lá em Belém – ou alguém acha que ele era branquinho, loirinho de olhos azuis?

Talvez, alguns dissessem que todos os dias morrem pessoas e, inclusive, policiais. Ao qual Yeshua ficaria em dúvida: então, não devemos lamentar o meu luto, o luto do Salvador do Mundo, pros cristãos?

[Essa eu respondo, Yeshua: lamentar? Eles só fingem que lamentam. Custa menos empenho.]
Logo, perguntariam se existe um vídeo provando que a polícia o matou. Ora, “o testemunho de minha mãe e dos meus, de nada vale. Ao menos se fôssemos brancos e ricos…”

Gritariam, então, que Jesus é vitimista.

Ele, acredito eu, perguntaria como isso pode ser usado como ofensa contra o próprio que, de fato, é vítima – afinal, foi assassinado na porta de sua casa (!)

Finalmente, se pudessem, responderiam: então quando um di menor matar alguém da sua família, você leva ele pra Casa! Ou, quando você precisar de ajuda, vai ligar pra PM, daí?

Não, é claro que ele não vai ligar, não por birra, mas por saber que, pra ele e pros seus, PM não significa ajuda e o melhor é, mesmo, rezar – ah, e, claro, pelo simples fato de ele já estar morto, com um espinho cravado na cabeça.


Visto no: Litera Tortura

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