15 outubro 2012

Entre o ser e o saber




Tema: Como entender o ser humano?

Entre o ser e o saber

Nomenclatura oficial da espécie humana, Homo sapiens quer dizer homem sábio, aquele que sabe. Em se tratando, contudo, das normas morais e éticas, ele sabe o que é certo e o errado, mas deixa-se atrair por caminhos muitas vezes inadequados, como é o caso da intrínseca individualidade. Porém, não há como o homem progredir social e cientificamente se ainda há mistérios no íntimo humano a serem descobertos, sendo os sentimentos controversos os principais responsáveis pela infinidade de comportamentos inerentes ao seres humanos.

Por maior que seja a ânsia por conhecer o desconhecido e conquistá-lo, o ser humano depara-se com atitudes que o impedem de seguir adiante. Seu erro, entretanto, é desejar explorar o universal quando sequer domina o pessoal. Em outras palavras, porque almejar objetivos tão grandiosos quando ainda não é possível conhecer psicologicamente o ser humano, seus sentimentos e concepções? Como escreveu Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, “ao acabarem [as conquistas] só resta ao homem a dificílima viagem de si a si mesmo”. Neste sentido, um dos fatores que impedem a sociedade de progredir em suas obstinações é a falta de conhecimento pessoal.

Apesar de, cientificamente, o ser humano ser considerado a espécie de maior sucesso, sua sabedoria é facilmente distorcida por “cortesias” que o fazem valorizar o “ter” em detrimento do “ser”. É o caso da corrupção, na qual uma parcela da população é favorecida quando uma maioria carrega o peso de uma nação injusta e desigual. Não há uma explicação lógica para o fato de o homem, ao mesmo tempo em que é intelectual, solidário e capaz, ser absurdamente corrupto e imoral. O desconhecimento do “eu”, então, proporciona caminhos favoráveis para tais contradições.

Sem autocrítica ou autocontrole, entre outros “autos”, as pessoas tornam-se susceptíveis a atos que, muitas vezes, ferem os direitos humanos, e isso requer uma reflexão concisa de quem é e o que pensa, bem como o que quer o ser humano. O ideal seria descobrir, de fato, esta espécie que pensa, que sente, que sabe, e colonizá-la a fim de extrair atitudes fortemente humanitárias. Apenas desta forma, o homem conhecerá, segundo Drummond, a “alegria de com-viver”.

Aluna: Ana Carolina Lima
Prof. Diogo Didier

Nenhum comentário:

Postar um comentário