22 junho 2014


 A dupla face da beleza

    Buscar o estereótipo perfeito tem levado muitos indivíduos a serem escravos do consumo,da mídia e de si mesmo. A prática do culto ao corpo coloca-se hoje como um padrão de vida que atravessa todas as esferas sociais e faixas etárias. Apoiado numa ideia na qual o corpo se torna ao mesmo tempo um espaço de liberdade e aprisionamento, a beleza parnasiana mostra sua dupla face: Ora a perfeição estética e por outro lado o risco a saúde.

    O sexo femenino é o mais atingido pela dicotomia da beleza. Historicamente o estereótipo ideal passou por diferentes mudanças, no início do século XIX, por exemplo, eram apreciadas as mulheres mais largas e com formas arredondadas. Em contrapartida, a sociedade de hoje tem como padrão o corpo cada vez mais magro. Visto que os meios midiáticos são os principais ditadores do pensamento errôneo de que ser feliz está restrito ao ser belo.

    Cada vez mais indústrias de cosméticos criam métodos para o rejuvenecimento, que dessa vez não está atribuído apenas a mulher, os homens também ocupam lugares e usufruem de muitos recursos de beleza que antes estavam limitados ao sexo femenino. A busca consciente pelo belo está atrelada a satisfação própria, diferente disso ter o corpo como objeto de culto pode contribuir para transtornos físicos e mentais.

    Segundo pesquisas realizadas pela OMS, crianças e jovens entre 9 à 20 anos sofrem de algum distúrbio alimentar, pois mesmo novos já afirmam ser insatisfeitos com o corpo. Sendo as mais frequêntes a anorexia e a bulimia doenças ocasionadas pelo culto à magreza.

    Portanto é importante a sociedade saber usar os recursos estéticos de forma moderada. É necessário também estimular pesquisas voltadas às consequências da busca exagerada pelo estereótipo perfeito, criando meios preventivos para os possíveis riscos a saúde.
                          
                                                                                                                                                                 Aluna: Nathalia Emmanuella.
Professor: Diogo Didier
2oTAYyGvxFRpBRX8p7ASSxP3Imm

Fabio Hernandez

Um poeta português disse que as cartas de amor são ridículas. Mas mais ridículo ainda é não escrever cartas de amor. Tenho um acréscimo à voz do poeta: algumas cartas de amor ultrapassam os limites do ridículo. São pomposas, verborrágicas, exageradas. A grande carta de amor é necessariamente simples e objetiva. Assim como a grande declaração de amor. A simplicidade é bela ao falar e ao escrever. Uma pessoa afetada na forma de se comunicar com as demais é afetada em outras esferas. “A verdade tem que falar uma linguagem simples, sem artifícios”, escreveu um filósofo da Antigüidade. O amor também. Isto é, se for verdadeiro.

As virtudes da economia ao se expressar têm notáveis exemplos históricos. Conta-se que os embaixadores de uma cidade grega tentavam convencer o rei de Esparta a aderir a uma esforço de guerra. O espartano deixou-os falar longamente. Depois disse: “Não lembro do começo nem do meio da argumentação de vocês. Quanto à conclusão, simplesmente não me interessa”. Num outro caso, dois arquitetos atenienses disputavam a honra de construir um grande edifício. A platéia à qual cabia a escolha ouviu um extenso discurso do primeiro arquiteto. As pessoas já se inclinavam por ele quando o segundo disse apenas: “Senhores atenienses, o que este acaba de dizer eu vou fazer”. Para o pensador romano Sêneca, nos grandes arroubos da eloqüência há mais ruído que sentido”.

Os espartanos serão eternamente reverenciados pela simplicidade com que viviam e se expressavam. Uma vez perguntaram a uma autoridade de Esparta por que os espartanos não colocavam por escrito as regras da valentia para que os jovens pudessem lê-las. A resposta foi que os espartanos queriam acostumar seus jovens aos feitos e não às palavras. “O mundo é apenas tagarelice e nunca vi homem que não dissesse antes mais do que menos do que devia”, escreveu o filósofo francês Montaigne. (Realmente sinto que estou exagerando nas citações. Deus, pareço um almanaque. Mas olho para trás e tento cortar algumas citações, e não consigo, não por mérito meu, mas dos donos das frases. Dá para deletar a seguinte reflexão do escritor e historiador Plutarco? Disse ele: “A palavra expõe-nos, como nos ensina o divino Platão, aos mais pesados castigos que deuses e homens podem infligir. Mas o silêncio jamais tem contas a dar. Não só não causa sede como confere um traço de nobreza”.)

Também no amor, há mais “ruído que sentido” nas frases espalhafatosas ditas ou escritas. A mais genuína, a mais poderosa declaração de amor é, muitas vezes, o olhar silencioso, o gesto mudo, e, no entanto, estamos quase sempre inclinados a berrar nossa paixão. Na cama, sobretudo, trava-se muitas vezes uma competição para ver quem gritar mais alto, um torneio de gemidos geralmente insinceros e ensurdecedores que cada parceiro acredita, numa mistura de ignorância e ingenuidade, serem excitantes. O berro amoroso incomoda o ouvido e dificilmente chega ao coração. E provoca não orgasmos maravilhosos, não maratonas sexuais inacreditáveis, mas simplesmente sede.
Sobre o Autor
O cubano Fabio Hernandez é, em sua autodefinição, um “escritor barato”.

Fonte: DCM

            Vênus para os romanos. Afrodite para o gregos. Clínicas cirúrgicas, cosméticos e academia para os brasileiros. Com a incessante busca por uma vaga nos padrões de beleza impostos pelos meios midiáticos, pessoas de diferentes graus adentram no mundo “fotoshapado” projetando em si o estereótipo ideal da beleza moderna.

            Outdoors, panfletos, propagandas e comerciais são a alma do negócio, assim como a beleza é o caminho para o sucesso. Usando meios comunicativos, o mundo dos cosméticos faz apologia ao rejuvenescimento milagroso. Produtos que prometem deixar qualquer pessoa 10 a 20 anos mais jovem. Como resultado, o Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, encontra-se em segundo lugar no ranking global do mercado de cosméticos.

            Similarmente, a procura por procedimentos mais rápidos como cirurgias plásticas para a implantação de silicone, Botox, dentre outros, não está longe de ser descartado pelos brasileiros. Com o aumento de 130,5% desde 2009, segundo especialistas do ramo, o grupo de mulheres é o que mais se destaca, mas isso não deixa de fora os homens, visto que hoje eles estão mais ingressos na área da beleza.

            Outrossim, é importante inferir as pessoas que não possuem a quantidade de posses necessárias para a utilização desses meios. Por isso, a cada ano o número de academias cresce no país, visto que a maioria busca entrar no manequim perfeito e expor as curvas exuberantes que os exercícios e as dietas proporcionam. 

            Desta maneira, é importante conscientizar a população de que a beleza formada pela mídia não é obrigatória, não é um modelo a ser seguido. Para ser feliz não é necessário embalsamar a beleza com maquiagens e cirurgias, mas  apenas se aceitar.

Aluna: Larissa Furtado
Professor: Diogo Didier

Por Fernando Horta*, Sul 21 

Em 2013, num evento que reuniu o ex-presidente Lula, o cientista político Emir Sader e o economista Márcio Pochmann, a filósofa e professora da USP Marilena Chauí virou vídeo viralizado em redes sociais. No vídeo faz um pronunciamento em que afirmava que a “classe média é uma abominação política, uma abominação ética e uma abominação cognitiva”. Um discurso forte que recebeu críticas de grupos que, pela conceituação de Chauí, sequer foram atacados. Em realidade, o desconhecimento sobre exatamente o quê Chauí atacava provocou celeuma por toda a rede. O fato é que depois do lamentável fato ocorrido na inauguração da Copa de 2014 – quando a área VIP do estádio passou a ofender a presidenta com palavras de baixo calão, machistas e sexistas – temos que reconhecer: Marilena Chauí tinha razão.

O argumento da professora Chauí é bastante antigo e tem sua base num trabalho do sociólogo americano Charles Wright Mills publicado pela primeira vez em 1951 chamado “White Collar: The American Middle Classes”. Nesse trabalho, o cientista americano argumenta que ao passar a ganhar uma maior remuneração por cargos de chefia, coordenação, planejamento e etc. esse grupo de trabalhadores (“White Collars” para Mills) se sente diferenciado do simples proletariado (aqueles que vendem sua força de trabalho) criando, literalmente, toda uma cultura de alteridade. Fazendo isso, esses indivíduos – que são tão proletários como qualquer outro – passam a desenvolver padrões comportamentais, culturais e argumentativos que os distanciam dos grupos “subalternos”. Ao mesmo tempo, esses indivíduos se aproximam das mentalidades das elites comprando suas posições políticas, seus padrões de consumo, seus gostos culturais e negando sua origem econômica de fato. Desse modo, o termo “nova classe média”, tal qual usada pela professora, não é o mesmo que “classe dos que ganham mais ou menos” e tampouco se confunde com os profissionais liberais que compõem a clássica classe média.

Essa “nova classe média” tem padrões culturais e sociológicos bastante claros que estudiosos de marketing, publicidade e propaganda, sociologia e antropologia já mapearam com sucesso: ela é conservadora, materialista, paternalista, machista, religiosa (mesmo não tendo credo único), tem um senso de dever que se traduz no acúmulo de bens materiais duráveis, é avessa ao risco e dá uma importância ímpar a uma educação de caráter funcional. Educação voltada para o mercado de trabalho (medicina, engenharia, direito, arquitetura e etc.) e não uma educação de erudição ou voltada para a ciência como forma de pensamento teórica. Um traço interessante do comportamento dessa “nova classe média” é que ela não aceita que seus filhos tenham um nível cultural menor que os pais. O caminho da faculdade (o terceiro grau) como o caminho da redenção social é um culto sagrado. Mesmo que hoje saibamos que existem carreiras técnicas que trazem tanto ou maior retorno financeiro, esse culto ao bacharelado por anos inflou nossos vestibulares e transformou as universidades públicas em recintos redentores das gerações filhas da “nova classe média”. Gente empurrada a fazer faculdades para “agradar a família” e assim internalizando de fato uma diferença pedagógica crucial, como se existisse um trabalho para “fazer dinheiro e melhorar de vida” e aquilo que realmente se gosta de fazer é apenas “hobbie”.

O grande problema é que diante do processo da ditadura brasileira, em que foram suprimidas matérias como sociologia, filosofia, teatro, línguas e etc … e onde o tempo na nossa educação de ensino básico e médio (antigo primeiro e segundo graus) destinado às disciplinas de história, literatura e geografia se viu extirpado pelo aumento da matemática, química e física, se consolidou uma educação aos moldes dos interesses dessa classe média e do regime ditatorial: educação para a o mercado. Sem uma base sólida de conhecimento humanístico o conservadorismo se tornou reacionário, o machismo se tornou homofóbico, a diferenciação de espaços de trabalho se tornou preconceito de classe e de raça, a religiosidade se tornou extremista e o apego aos bens materiais tomou forma num anticomunismo anacrônico que ainda (em pleno século XXI!!) aparece em textos de “meninos maluquinhos” e “jornalistas opinativos” por alguns meios de comunicação em nosso país afora.

Ao mesmo tempo, se consolidou um dito repetido à exaustão durante o período ditatorial brasileiro: “quem sabe faz, quem não sabe ensina”. Ávidos a suprirem a demanda dessa “classe média” os cursos superiores passaram a retirar de seus currículos disciplinas formativas como filosofia, sociologia, história e etc. Assim os cursos de Direito perderam a filosofia, a ciência política e a história trocando por “Teoria Geral do Estado” ou “História das instituições brasileiras”. Cursos de jornalismo, pasmem, não trazem em seu currículo história do Brasil como disciplinas formativas e obrigatórias. O fazer e o pensar se separaram completamente, criando uma geração inteira de pessoas com diplomas de terceiro grau que não são capazes de entender o sentido do termo “ética” ou diferenciar o Brasil do século XX da antiga URSS. Médicos se formavam sem conhecimentos sociais, engenheiros construíam casas para uma sociedade que desconheciam e amigos não mais discutiam “futebol, religião ou política” pois a vida privada, vigiada pela ditadura, separava-se claramente da vida pública e do exercício da cidadania. Quanto mais afastado da política um cidadão estivesse mais “correto” ele parecia aos olhos dessa sociedade distorcida. Se criou uma ojeriza pelas teorias, um desdém pelos livros não técnicos, rápidos e funcionais do tipo “faça você mesmo”, “guia de auto-ajuda” ou “guia politicamente incorreto” de alguma coisa …

Voltando à Chauí, ela diz que essa “nova classe média” é uma “abominação política” por não se reconhecer como NÃO parte da elite e é frequentemente cooptada por esta, sendo usada como “pelego” para manter a plebe distante. O interessante é que, como já chamava a atenção Mills, a elite não cede em nada seu poder político ou material para essa “nova classe média” é um jogo de sedução social (simbólica) e nada mais. No vídeo-viral inclusive, a filósofa clama para que essa “nova classe média” assim não se sinta, que não deixe de ser veículo de mudança sócio-histórica para virar bastião do conservadorismo político porque alcançou alguma (falsa) estabilidade econômica. No mesmo vídeo ela chama esse grupo de uma “abominação ética” uma vez que frequentemente a radicalização do conservadorismo em preconceito, do machismo em homofobia, e do anticomunismo em preconceito de classe gera violência. Violência que vemos travestida em bordões como “bandido bom é bandido morto” e que está nos levando de volta à Idade Média quando lincham pessoas simplesmente pela acusação de bruxaria. Para terminar, Chauí ainda acusa esse grupo de ser uma “abominação cognitiva”, pois, segundo ela, essa classe média abandonou o conhecimento formativo (não voltado ao mercado). Nossas publicações de literatura minguam ano a ano e o teatro-reflexão é confinado a uma parcela significativamente pequena da população.

Nossas orquestras dependem de verbas governamentais, pois a música se não mercantilizada não sobrevive. Gasta-se mil reais em celulares último tipo, mas um livro ou um ingresso a uma peça de teatro no valor de oitenta reais é considerado caro. É uma “classe média” que acredita que seu conhecimento funcional se basta em si mesmo, que desconhece as fundações daquilo que compra culturalmente, que não conhece a sociedade em que vive, que não tem capacidade de crítica e não sabe seu lugar no tempo. Aqui a mídia tão bem se serve. Dizendo o que é certo e o que é errado. O que deve ou não ser consumido. Um vestido que apareça em novela da Globo esgota-se na loja quase que imediatamente. E um hoax falso na rede se alastra como rastilho de pólvora.

Críticas à parte, depois do ocorrido na abertura da Copa, como não dar razão à Marilena Chauí? Abominações políticas, éticas e cognitivas que podem gastar três ou quatro salários mínimos em apenas uma bela tarde de futebol.

*Fernando Horta, historiador, professor, doutorando em Relações Internacionais UNB.

A afirmação inicial que intitula esse texto não poderia ser mais apropriada. Numa sociedade onde os relacionamentos mudaram consideravelmente nas últimas décadas, não é de se surpreender com a inexistente ideia da cara metade. Na realidade, além desta, não temos mais a alma gêmea, a outra metade da laranja, a pessoa predestinada a namorar, noivar e quem sabe casar. Essas formalidades vêm perdendo cada vez mais espaço.

Tudo isso porque poucos são aqueles que buscam firmar um compromisso com alguém. A maioria quer “ficar”, curtir e até compartilhar pessoas, mas não se juntar com ninguém. Então, o resultado disso são indivíduos vazios, vagando em busca de prazeres temporários, ao passo que suas reais carências são abandonadas por uma cultura da qual o individualismo afetou também as relações conjugais.

A priori, é importante mencionar que, com a evolução social,o modelo de família “comercial de margarina” não ocupa o palco central das relações. Numa cultura onde predomina a individualidade, as pessoas se sentem mais a vontade para construir as relações que acharem mais saudáveis para si. Ou seja, o decréscimo das “conjugações” se deu porque não há mais em muitas pessoas a necessidade ou o desejo de construir uma história matrimonial duradoura. Muitos querem/preferem se dedicar as suas respectivas carreiras e/ou projetos pessoais, deixando a questão da vida pessoal para último plano.

A posteriori, cabe pontuar que, com o tempo, as exigências para se ter alguém também foram ampliadas. Se antes muitas vezes um acordo familiar tratava de “arranjar” o parceiro ideal; visto que a mulher não tinha autonomia para tal. Hoje, elas e eles sentem-se livres para escolher a parceria ideal. Tal escolha, obviamente, ainda é regida por segmentos sociais poderosos que impõem o outro lado da moeda para uma vida a dois. Entre eles está a mídia televisiva e toda a sua influência novelesca, musical e cinematográfica.

Nas novelas, os pares românticos criam o enfadonho modelo matrimonial. Nas músicas, ora há a reafirmação do amor romântico propagado pela histórica cultura literária, ora há o descompromisso nesse sentido e a retratação de uma sociedade mais real. Já o cinema é o aglutinador de tudo isso, com seus clássicos e a imposição “hollywoodiana”.  Passível a tudo isso está o telespectador, absorvendo cada uma dessas vertentes de acordo com as suas limitações.

Sobre a parte musical, bem como a cultura de massa inserida nela, vale ressaltar que não há em muitas canções letras que valorizem uma relação duradoura. Nelas, a curtição fica explícita em letras que propagam uma vida bandoleira, regada a muita bebida, drogas ilícitas e sexo sem compromisso. Longe de moralismos, mas é complicado encontrar alguém disposto a arcar de sua vida de solteiro, a qual envolve descompromissados entre indivíduos que aprenderam a ser livres e não querem largar mão disso.

Almas carentes que se unem apenas para saciar os desejos da carne, que são bons, mas efêmeros, enquanto a alma ânsia por uma companhia. Tal carência não se limita a bares e boates. Na internet, os aplicativos de relacionamentos brotam como água e a procura é intensa por estas páginas. A promessa de encontrar alguém é o que alimenta esses indivíduos contemporâneos, que conseguiram tudo: dinheiro, carreira, estabilidade; menos alguém para compartilhar tudo isso.

Nessa atmosfera, engana-se que apenas o tradicional casal, homem e mulher, penem para encontrar alguém para fincar morada. Infelizmente a questão do ninho vai além dos ditames ligados ao sexo, sexualidade, gênero ou identidade de gênero. Obviamente que os casais heterossexuais sejam mais afetados nesse assunto, por estarem no ápice da pirâmide social, onde temas como casamento, procriação e constituição familiar são pilares fundamentais para aqueles que creem no modelo clássico de família.

No entanto, com a reformulação social, outros modelos de famílias foram surgindo e com eles seus dilemas. Ou seja, casais homossexuais também passam pelo drama de conseguir manter uma relação estável. Aos gays solteiros a coisa é bem pior, pois devido à intensa promiscuidade, arranjar alguém disposto a uma vida a dois é quase como achar uma agulha no palheiro numa noite escura.

Diante de tudo isso, parece que a desesperança tomou conta dos relacionamentos humanos. Porém, é sempre bom destacar que mesmo com tudo isso, ainda há pessoas dispostas a manter uma relação estável, independente de ser hétero ou homossexual. O problema é que para encontrar tais indivíduos se tornou uma tarefa cada vez mais árdua nessa sociedade plastificada onde o individualismo tentar controlar até o amor que poderíamos sentir pelo próximo.

Tirano, derivação conotativamente inglesa para traduzir a palavra “bully”, que não obstante, descreve tão bem uma característica do ser praticante. A nova geração de filhos do Brasil prende-se a violência escolar promovida pela prática do bullying, oprimindo seus colegas de classe, professores, direção, dentre outros, cujo motivo é crescentemente notório: O desrespeito ao que é diferente.

            Não é de hoje que meios midiáticos relatam o avanço da prática do bullying entre estudantes, seja ele por: racismo, preconceito e até mesmo quem é mais bonito do que o outro. Este último ganhou um destaque maior no caso da aluna Ágatha Roque, 15 anos, agredida por uma colega de sala, na cidade de Limeira (SP) por ser muito bonita. Desta forma, é visível a intolerância a diversidade.

            Outrossim, é preciso mencionar a intimidação sofrida por grupos minoritários como os homossexuais, os negros e as mulheres. Esse, segundo a Unifesf, mostra que o percentual de violência verbal é de 12,6%, onde apelidos, piadinhas de mal gosto e humilhações são crescente no âmbito escolar.

            O Brasil não possui uma lei federal de combate ao bullying. Porém, em Belo Horizonte, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei, cujas escolas e clubes de recreação são obrigadas a adotarem práticas de combate, conscientização e prevenção ao bullying. Nesse ínterim, aumentando as chances de indenização e erradicação das práticas que trazem malefícios a saúde dos estudantes agredidos.

            Portanto, o treinamento de professores, pais e alunos por meio de debates e palestras é de suma importância para o ampliamento do respeito e a propagação da conscientização. Com a melhoria da comunicação e nas relações interpessoais, viver em harmonia com o outro e respeitando a sua diversidade, confirmará o pensamento de Mário Quintana, onde: “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver”.


Aluna: Larissa Furtado
Professor: Diogo Didier


JAIRO BOUER

Quem busca parceiros sexuais em aplicativos de celular tem um risco maior de se expor a uma doença sexualmente transmissível (DST) do que se o encontro acontecer em bar, festa ou até mesmo em site de relacionamento. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado no jornal médico Sexually Transmitted Infections, revelado na semana passada pelo jornal britânico Daily Mail.

No momento em que os aplicativos que usam o GPS do celular para avisar sobre “candidatos potenciais” que estão por perto ganham popularidade, principalmente entre os mais jovens, esse risco elevado pode ser um problema. O Tinder, por exemplo, cresce de forma impressionante a cada dia. O Grindr (um dos mais antigos, voltado ao público gay) tinha seis milhões de usuários em quase 200 países, em 2013.

A pesquisa acompanhou 7 mil homens gays que se consultaram em uma clínica de saúde sexual em Los Angeles, nos Estados Unidos, de 2011 a 2013. Um terço deles só conheceu parceiros pessoalmente, 30% combinaram encontros reais com outros online e 36% só usaram aplicativos de celular. Os aplicativos eram mais utilizados pelos mais jovens e pelas pessoas com melhor nível educacional.

Em média, os encontros pelos aplicativos expunham os homens a um risco 23% maior de se contaminar por gonorreia e 35% maior de se contaminar por clamídia. Não houve diferença em relação à sífilis ou ao HIV entre os usuários dos celulares.

Se, por um lado, as novas tecnologias permitem uma revolução, que está facilitando o encontro de milhões de pessoa ao redor do mundo, por outro, elas podem expor mais gente às DSTs. Ao conhecer alguém de forma muito rápida e fazer sexo quase por impulso, o risco de não se proteger pode ser maior. O uso de drogas recreativas entre os usuários de aplicativos também foi mais alto, o que também pode agravar falhas na prevenção.

Prevenção. Por falar em revolução no campo da sexualidade, artigo do fim de maio do jornal The New York Times traz uma reflexão interessante sobre os efeitos que o Truvada (medicamento contra a aids), recentemente aprovado nos Estados Unidos para uso preventivo, pode ter no comportamento sexual das pessoas.

O uso profilático consiste na ingestão diária de uma pílula antiviral por quem não está contaminado pelo HIV, mas que se expõe seguidamente a risco (por exemplo, sexo com múltiplos parceiros, sem proteção). As evidências mostram que pode ocorrer uma redução do risco de contaminação pelo vírus de até 99%.

O próprio esquema atual de tratamento dos soropositivos reduz drasticamente a transmissão. O resultado preliminar de um novo estudo europeu, que está acompanhando quase 800 casais gays e heterossexuais sorodiscordantes (um é portador do vírus e o outro não) e em que o parceiro infectado está tomando corretamente os medicamentos, trouxe um resultado animador. Em mais de 30 mil contatos sexuais, ao longo de dois anos, não houve um único caso de transmissão.

Da mesma forma que as revoluções sexuais trazidas pela pílula, para as mulheres, nos anos 1960, e depois pelo Viagra e seus similares, para os homens, no fim dos anos 1990, condicionaram mudanças de comportamento e o aparecimento de novos desafios do ponto de vista da prevenção em saúde sexual, o surgimento de terapias altamente eficazes (talvez até mais eficazes que uma vacina) na prevenção da infecção pelo vírus HIV pode fazer com que as pessoas usem ainda menos os preservativos e se exponham mais a outras DSTs.

Em tempos em que o sexo está disponível, de forma fácil e rápida, graças à revolução tecnológica, a poucos toques na tela de um smartphone, em que a aids poderá ser evitada com uma pílula diária e em que a gestação indesejada pode ser driblada com a pílula do dia seguinte, os esforços de prevenção para fazer com que as pessoas continuem a se cuidar e a usar camisinha vão ter de ser redobrados.

Por último, os fabricantes de alguns dos medicamentos facilitadores da ereção (responsáveis pela revolução na vida sexual dos homens mais velhos) planejam solicitar às agências reguladoras dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e da Europa que eles sejam vendidos, em breve, sem receita médica. Bom lembrar que, apesar de baixo risco, eles podem não ser seguros para cardíacos e para quem usa alguns remédios para o coração e para redução da pressão arterial. Seria importante que alguém, além da bula, alertasse os homens mais velhos sobre esses riscos.

JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

Fonte: Estadão

No decorrer da história da sociedade homens e mulheres apreciavam valores e significações diferentes frentes aos diversos padrões de beleza, já existentes na idade antiga. No entanto a busca incessante pela aparência ideal e o culto ao corpo perfeito ganhou mais ênfase na massa atual. A mídia e a indústria da moda a cada dia impõem mais estereótipos de força e magreza a serem seguidas pelas pessoas. Porém nem sempre os resultados desta vaidade são satisfatórios.

     A origem do culto ao corpo está remota a antiguidade. Os gregos acreditavam que a estética e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca pela perfeição. Na contemporaneidade, a pressão dos ideais de beleza imposta através dos meios midiáticos e por medo da rejeição social, a valorização das proporções quiméricas, tornou-se uma obsessão global.

     Cada vez mais jovens homens e mulheres se submetem a métodos artificiais para alcançar a simetria perfeita. Uma pesquisa realizada pelo IBGE, com mais de cem mil estudantes brasileiros, entre 13 e 17 anos, apontou que 31% das meninas fazem regime e 21% dos meninos se preocupam em ganhar massa muscular e peso. E ainda entre os rapazes, 6% alegaram usar algum tipo de medicamento ou fórmula.

     Vale ressaltar que a vaidade para alcançar as medidas ideais nem sempre consiste na melhores intenções. Muitos se submetem a regimes impróprios, que acabam resultando em doenças crônicas, distúrbios alimentares e em algumas situações, até a morte. No caso dos esteróides e anabolizantes, segundo a sociedade brasileira de endocrinologia e metabologia (SBEM), o uso incorreto desses produtos e sem recomendação médica, geram gravem conseqüências, tais como a esterilidade e a impotência sexual. Uma tirania insólita da dita perfeição física.

     Portanto, a constante busca pela aparência ideal, parte de uma perspectiva narcisista, em que o homem contemporâneo, nas palavras da historiadora Mary Del Priore, serve ao corpo em vez de servi-se dele. Contudo é necessário entender a individualidade de cada um, buscando uma perfeita harmonia na integridade da beleza corporal. A fim de que esta busca, torne-se uma atividade prazerosa e não a atrição do próprio ser.



Aluna: Líbna Monteiro
Professor: Diogo Didier
bell hooks

Apesar das diversas mudanças na política racial, às mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos com respeito a nosso valor na sociedade de supremacia branca! 

Nas manhãs de sábado, nos reuníamos na cozinha para arrumar o cabelo, quer dizer, para alisar os nossos cabelos. Os cheiros de óleo e cabelo queimado misturavam-se com os aromas dos nossos corpos acabados de tomar banho e o perfume do peixe frito.

Não íamos ao salão de beleza. Minha mãe arrumava os nossos cabelos. Seis filhas: não havia a possibilidade de pagar cabeleireira. Naqueles dias, esse processo de alisar o cabelo das mulheres negras com pente quente (inventado por Madame C. J. Waler) não estava associado na minha mente ao esforço de parecermos brancas, de colocar em prática os padrões de beleza estabelecidos pela supremacia branca. 

Estava associado somente ao rito de iniciação de minha condição de mulher. Chegar a esse ponto de poder alisar o cabelo era deixar de ser percebida como menina (a qual o cabelo podia estar lindamente penteado e trançado) para ser quase uma mulher. Esse momento de transição era o que eu e minhas irmãs ansiávamos.
Fazer chapinha era um ritual da cultura das mulheres negras, um ritual de intimidade. Era um momento exclusivo no qual as mulheres (mesmo as que não se conheciam bem) podiam se encontrar em casa ou no salão para conversar umas com as outras, ou simplesmente para escutar a conversa. Era um mundo tão importante quanto à barbearia dos homens, cheia de mistério e segredo.

Tínhamos um mundo no qual as imagens construídas como barreiras entre a nossa identidade e o mundo eram abandonadas momentaneamente, antes de serem reestabelecidas. Vivíamos um instante de criatividade, de mudança.

Eu queria essa mudança mesmo sabendo que em toda a minha vida me disseram que eu era “abençoada” porque tinha nascido com “cabelo bom” – um cabelo fino, quase liso –, não suficientemente bom, mais ainda assim era bom. Um cabelo que não tinha o “pé na senzala”, não tinha carapinha, essa parte na nuca onde o pente quente não consegue alisar. Mas esse “cabelo bom” não significava nada para mim quando se colocava como uma barreira ao meu ingresso nesse mundo secreto da mulher negra.

Eu regozijei de alegria quando a minha mãe finalmente decretou que eu poderia me somar ao ritual de sábado, não mais como observadora, mas esperando pacientemente a minha vez. Sobre este ritual escrevi o seguinte:

Para cada uma de nós, passar o pente quente é um ritual importante. Não é um símbolo de nosso anseio em tornar-nos brancas. Não existem brancos no nosso mundo íntimo. É um símbolo de nosso desejo de sermos mulheres.

É um gesto que mostra que estamos nos aproximando da condição de mulher [...] Antes que se alcance a idade apropriada, usaremos tranças; tranças que são símbolo de nossa inocência, juventude, nossa meninice. Então, as mãos que separam, penteiam e traçam nos confortam. A intimidade e a sina nos confortam.

Existe uma intimidade tamanha na cozinha aos sábados quando se alisa o cabelo, quando se frita o peixe, quando se fazem rodadas de refrigerante, quando a música soul flutua sobre a conversa.

É um instante sem os homens. Um tempo em que trabalhamos como mulheres para satisfazer umas as necessidades das outras, para nos proporcionarmos um bem-estar interior, um instante de alegrias e boas conversas.

Levando em consideração que o mundo em que vivíamos estava segregado racialmente, era fácil desvincular a relação entre a supremacia branca e a nossa obsessão pelo cabelo. Mesmo sabendo que as mulheres negras com cabelo liso eram percebidas como mais bonitas do que as que tinham cabelo crespo e/ou encaracolado, isso não era abertamente relacionado com a idéia de que as mulheres brancas eram um grupo feminino mais atrativo ou de que seu cabelo liso estabelecia um padrão de beleza que as mulheres negras estavam lutando para colocar em prática.

Esse momento é um marco histórico e ideológico do qual emergiu o processo de alisamento do cabelo de mulheres negras. Esse processo foi ampliado de maneira tal que estabeleceu um espaço real de formação de íntimos vínculos pessoais da mulher negra mediante uma experiência ritualística compartilhada.

O salão de beleza era um espaço de aumento da consciência, um espaço em que as mulheres negras compartilhavam contos, lamúrias, atribulações, fofocas – um lugar onde se poderia ser acolhida e renovar o espírito.

Para algumas mulheres, era um lugar de descanso em que não se teria de satisfazer as exigências das crianças ou dos homens. Era a hora em que algumas teriam sossego, meditação e silêncio. Entretanto, essas implicações positivas do ritual do alisamento do cabelo ponderavam, mas não alteravam as implicações negativas. Essas existiam concomitantemente.

Dentro do patriarcado capitalista – o contexto social e político em que surge o costume entre os negros de alisarmos os nossos cabelos –, essa postura representa uma imitação da aparência do grupo branco dominante e, com freqüência, indica um racismo interiorizado, um ódio a si mesmo que pode ser somado a uma baixa auto-estima.

Durante os anos 1960, os negros que trabalhavam ativamente para criticar, desafiar e alterar o racismo branco, sinalavam a obsessão dos negros com o cabelo liso como um reflexo da mentalidade colonizada. Foi nesse momento em que os penteados afros, principalmente o black, entraram na moda como um símbolo de resistência cultural à opressão racista e fora considerado uma celebração da condição de negro(a).

Os penteados naturais eram associados à militância política. Muitos(as) jovens negros(as), quando pararam de alisar o cabelo, perceberam o valor político atribuído ao cabelo alisado como sinal de reverência e conformidade frente às expectativas da sociedade.

Entretanto, quando as lutas de libertação negra não conduziram à mudança revolucionária na sociedade, não se deu mais tanta atenção à relação política entre a aparência e a cumplicidade com o segregacionismo branco, e aqueles que outrora ostentavam os seus blacks começaram a alisar o cabelo.

Sem ficar atrás dessa manobra para suprimir a consciência negra e os esforços das pessoas negras por serem sujeitos que se autodefinem, as empresas brancas começaram a reconhecer os negros, e de maneira especialíssima, às mulheres negras, como consumidoras potenciais de produtos que poderiam ser subministrados, incluindo aqueles para os cuidados com o cabelo. Permanentes especialmente concebidos para as mulheres negras eliminaram a necessidade do pente quente e da chapinha. Esses permanentes não só custavam mais caro, mas também levavam todas as economias e ganâncias das comunidades negras, especificamente dos bolsos das mulheres negras que anteriormente colhiam benefícios materiais (ver Como o Capitalismo Desenvolveu a América Negra, de Manning Marable, South End Pree).

O contexto do ritual havia desaparecido, não haveria mais a formação de vínculos íntimos e pessoais entre as mulheres negras. Sentadas embaixo de secadores barulhentos, as mulheres negras perderam um espaço para o diálogo, para a conversa criativa.

Desposadas desses rituais de formação de íntimos vínculos pessoais positivos, que rodeavam tradicionalmente a experiência, o alisamento parecia cada vez mais um significante da opressão e da exploração da ditadura branca.

O alisamento era claramente um processo no qual as mulheres negras estavam mudando a sua aparência para imitar a aparência dos brancos. Essa necessidade de ter a aparência mais parecida possível à dos brancos, de ter um visual inócuo, está relacionada com um desejo de triunfar no mundo branco. Antes da integração, os negros podiam se preocupar menos sobre o que os brancos pensavam sobre o seu cabelo.

Em discussão sobre a beleza com mulheres negras em Spelman College , as estudantes falavam sobre a importância de ter o cabelo liso quando se procura um emprego. Estavam convencidas, e provavelmente com toda a razão, de que sua oportunidade de encontrar bons empregos aumentaria se tivessem cabelo alisado. Quando se pediam mais detalhes sobre essa assertiva, essas mulheres se concentravam na conexão entre as políticas radicais e os penteados naturais, seja com ou sem tranças. Uma jovem que tinha o cabelo natural e curto falava até mesmo em comprar uma peruca de cabelo liso e comprido na hora de procurar emprego.

Nenhuma das participantes pensava na possibilidade de que nós mulheres negras éramos livres para usar os nossos cabelos naturais sem refletir sobre as possíveis conseqüências negativas. Com freqüência, os adultos negros, os mais velhos, especialmente os pais, respondiam negativamente aos penteados naturais. Contei ao grupo que, quando cheguei em casa com o cabelo trançado logo após conseguir um emprego em Yale, os meus pais me disseram que eu tinha um aspecto desagradável.

Apesar das diversas mudanças na política racial, as mulheres negras continuam obcecadas com os seus cabelos, e o alisamento ainda é considerado um assunto sério. Por meio de diversas práticas insistem em se aproveitar da insegurança que nós mulheres negras sentimos a respeito de nosso valor na sociedade de supremacia branca. Conversando com grupos de mulheres em diversas cidades universitárias e com mulheres negras em nossas comunidades, parece haver um consenso geral sobre a nossa obsessão com o cabelo, que geralmente reflete lutas contínuas com a auto-estima e a auto-realizaçã o. Falamos sobre o quanto as mulheres negras percebem seu cabelo como um inimigo, como um problema que devemos resolver, um território que deve ser conquistado. Sobretudo, é uma parte de nosso corpo de mulher negra que deve ser controlado. A maioria de nós não foi criada em ambientes nos quais aprendêssemos a considerar o nosso cabelo como sensual, ou bonito, em um estado não processado. Muitas de nós falamos de situações nas quais pessoas brancas pedem para tocar o nosso cabelo natural e demonstram grande surpresa quando percebem que a textura é suave ou agradável ao toque.

Aos olhos de muita gente branca e outras não negras, o black parece palha de aço ou um casco. As respostas aos estilos de penteado naturais usados por mulheres negras revelam comumente como o nosso cabelo é percebido na cultura branca: não só como feio, como também atemorizante. Nós tendemos a interiorizar esse medo.O grau em que nos sentimos cômodas com o nosso cabelo reflete os nossos sentimentos gerais sobre o nosso corpo.

Em nosso grupo de apoio de mulheres negras, Irmãs do Yam, conversávamos sobre como não gostávamos de nossos corpos, especialmente nossos cabelos. Sugeri ao grupo que considerássemos o nosso cabelo como se ele não fizesse parte do nosso corpo, mas que se percebesse como algo separado, de novo um território que deve ser controlado, domado.

Para mim era importante que fosse vinculada a necessidade de controlar o cabelo com a repressão sexual. Tendo curiosidade sobre o que passavam as mulheres negras que faziam chapinha ou que fizessem amaciamento, permanente ou outras químicas, quando refletiam sobre a relação do cabelo alisado e a prática sexual, perguntei se as pessoas se preocupavam com o cabelo delas, se temiam que seus pares tocassem os seus cabelos. Sempre tive a impressão de que o cabelo alisado chama a atenção pelo desejo de que permaneça no mesmo lugar. Não foi surpreendente que muitas mulheres negras respondessem que se sentiam incomodadas se as pessoas se concentravam e davam muita atenção aos seus cabelos, sentiam como se o seu cabelo estivesse desordenado, fora de controle. Isso porque aquelas de nós que já liberaram o seu cabelo e deixamosque ele se movimente na direção que ele queira, freqüentemente, recebemos comentários negativos.

Olhando fotografias de mim mesma e das minhas irmãs de quando tínhamos o cabelo alisado no segundo grau, percebi que parecíamos ter mais idade do que quando deixamos o cabelo natural. É irônico viver em uma cultura que enfatiza tanto a necessidade das mulheres serem ou parecerem jovens, mas por outro lado incentiva as mulheres negras a mudarem os seus cabelos de maneira tal que parecemos ser mais velhas.
No último semestre, estávamos lendo O Olho mais azul, de Toni Morrison, em uma aula de Literatura. Pedi aos estudantes que escrevessem textos autobiográficos, que refletissem sobre o que eles pensavam sobre a relação entre raça e beleza física. Uma grande maioria das mulheres negras escreveu sobre os seus cabelos. Quando eu perguntei isoladamente a algumas delas porque continuavam alisando o cabelo, muitas atestaram que os penteados naturais não ficavam bonitos nelas, ou que demandavam muito trabalho. Emily, uma das minhas favoritas, de cabelo curto sempre alisava, e eu lhe questionava e desafiava, até que ela me explicou de maneira muito convincente que um penteado natural ficaria horrível no seu rosto, que ela não tinha a fronte nem a estrutura óssea apropriada.

No semestre seguinte, nos reencontramos e ela me contou que durante as férias tinha ido ao salão fazer o permanente e, enquanto esperava, pensou sobre as leituras e as discussões de sala de aula e percebeu que estava realmente muito incomodada e amedrontada com a idéia de que as pessoas achassem que ela não seria mais atraente se não alisasse o cabelo. Reconheceu que esse medo estava enraizado nos sentimentos de baixa auto-estima. Decidiu fazer uma mudança e se surpreendeu, pois estava linda e muito atraente. Conversamos bastante sobre como dói perceber a relação entre a opressão racista e os argumentos que usamos para convencer a nós mesmas e aos outros de que não somos belos ou aceitáveis como somos.

Em inúmeras discussões com mulheres negras sobre o cabelo, ficou constatado um manifesto de que um dos fatores mais poderosos que nos impedem de usarmos o cabelo sem química é o temor de perder a aprovação e a consideração das outras pessoas. As mulheres negras heterossexuais falaram sobre o quanto os homens negros respondem de forma mais favorável quando se tem um cabelo liso ou alisado. Entre as homossexuais, muitas afirmam que não alisavam o cabelo por uma reflexão de que esse gesto estaria vinculado à heterossexualidade e à necessidade de aprovação do macho.

Lembro-me de ter visitado uma amiga com seu par, um homem negro, em Nova York , faz anos, e tivemos uma intensa discussão sobre o cabelo. Ele se encarregou de me dizer que eu poderia ser uma irmã excelente (bonita) se fizesse algo (“dar um jeito”) com o meu cabelo. Por dentro pensei que a minha mãe o tinha contratado. O que me lembro é do espanto quando com calma e entusiasmo garanti que eu gostava do tato no cabelo não processado.

Quando os estudantes lêem sobre raça e beleza física, várias mulheres negras descrevem fases da infância em que estavam atormentadas e obcecadas com a idéia de ter cabelos lisos, já que estavam tão associados à idéia de essas serem desejadas e amadas. Poucas mulheres receberam apoio de suas famílias, amigos(as) e parceiros(as) amorosos(as) quando decidiam não alisar mais o cabelo. E temos várias histórias para contar sobre os conselhos recebidos de todo o mundo, até mesmo de pessoas completamente estanhas, que se sentem gabaritadas para atestar que parecemos mais bonitas se “arrumamos” (alisamos) o cabelo.

Quando eu ia para a minha entrevista de emprego em Yale, conselheiras brancas que nunca haviam feito nenhum comentário sobre o meu cabelo me animaram para que eu não usasse tranças ou um penteado natural grande (black) na entrevista. Elas não disseram “alisa o seu cabelo”, sugeriam que eu mudasse o meu estilo de cabelo de modo tal que parecesse ao máximo ao cabelo delas, indicando certo conformismo. Usei tranças e ninguém pareceu notar. Quando fui contratada, não perguntei se importava ou não que eu usasse tranças. Conto essa história aos meus alunos para que saibam que nem sempre temos de renunciar a nossa capacidade de ser pessoas que se autodefinem para ter sucesso no emprego.

Já percebi que o meu estilo de cabelo às vezes incomoda os estudantes durante as minhas conferências. Certa vez, em uma conferência sobre mulheres negras e liderança, entrei em um auditório repleto com o meu cabelo sem química, fora de controle e desordenado. A grande maioria das mulheres negras que ali estavam tinham o cabelo alisado. Muitas delas foram hostis com olhares de desdém. Senti como se estivesse sendo julgada, como uma marginal, indesejável. Tais julgamentos se fazem especialmente direcionado às mulheres negras nos Estados Unidos que resolvem usar dreads. São consideradas, com toda razão, da antítese do alisamento, o que torna o seu estilo uma decisão política. Freqüentemente, as mulheres negras expressam desprezo por aquelas de nós que escolhemos essa aparência.

Curiosamente, ao mesmo tempo em que o cabelo natural é um motivo de desatenção e desdém, somos testemunhas da volta da moda das pinturas, mechas loiras, cabelo comprido. Em seus escritos, minhas alunas negras descreveram o uso de mechas amarelas em suas cabeças quando eram meninas, para fingir ter o cabelo comprido e loiro. Recentemente as cantoras que estão trabalhando para ser atrativas para a platéia branca, para serem consideradas como artistas que ampliaram o público, usam implantes e apliques para conseguir cabelos compridos e lisos. Parece haver um nexo definido entre a popularidade de uma artista negra com auditórios brancos e o grau em que ela trabalha para parecer branca, ou para encarnar aspectos do estilo branco. Tina Tuner e Aretha Franklin foram percussoras dessa tendência, as duas pintavam o cabelo de loiro. Na vida cotidiana vemos cada vez mais mulheres usando cada vez mais químicas para ter cabelo liso e loiro.

Em uma de minhas conversas que se concentravam na construção social da identidade da mulher negra dentro de uma sociedade sexista e racista, uma mulher negra veio até mim no final da discussão e me contou que sua filha de sete anos de idade estava deslumbrada com a idéia do cabelo loiro, de tal forma que ela havia feito uma peruca que imitava os cachinhos dourados. Essa mãe queria saber o que estava fazendo de errado em sua tutela, já que sua casa era um lugar onde a condição de negro era afirmada e celebrada. Mas ela não havia considerado que o seu cabelo alisado era uma mensagem para a sua filha: nós mulheres negras não somos aceitas a menos que alteremos nossa aparência ou textura do cabelo.

Recentemente conversei com uma de minhas irmãs mais novas sobre o seu cabelo. Ela usa tintura de cores berrantes em diversos tons de vermelho. No que lhe diz respeito, essas escolhas de cabelo pintado e alisado estavam diretamente relacionadas com sentimentos de baixa auto-estima. Ela não gosta dos seus traços e acredita que o estilo de cabelo transforma a sua fisionomia. O que eu percebia era que a escolha dela na realidade chamava mais atenção para a sua fisionomia e era tudo o que ela pretendia ocultar.

Quando ela comentou que com essa aparência ela recebia mais atenção e elogios, sugeri que a reação positiva podia ser resposta direta da sua própria projeção de um alto nível de auto-satisfaçã o. As pessoas podem estar respondendo a isso e não à tentativa de ocultar ou mascarar o seu fenótipo. Conversamos sobre as mensagens que estava mandando para as suas filhas de pele escura: que elas certamente seriam aceitas se alisassem os seus cabelos!

Certo número de mulheres afirmou que essa é uma estratégia de sobrevivência: é mais fácil de funcionar nessa sociedade com o cabelo alisado. Os problemas são menores; ou, como alguns dizem, “dá menos trabalho” por ser mais fácil de controlar e por isso toma menos tempo. Quando respondi a esse argumento em uma discussão em Spelman College , sugeri que talvez o fato de gastar tempo com nós mesmas cuidando de nossos corpos é também um reflexo de uma sensação de que não é importante ou de que nós não merecemos tal cuidado. Nesse grupo e em outros, as mulheres negras falavam de ter sido criadas em famílias que ridicularizavam ou consideravam desperdício gastar muito tempo com a aparência.

Independentemente da maneira como escolhemos individualmente usar o cabelo, é evidente que o grau em que sofremos a opressão e a exploração racistas e sexistas afeta o grau em que nos sentimos capazes tanto de auto-amor quanto de afirmar uma presença autônoma que seja aceitável e agradável para nós mesmas. As preferências individuais (estejam ou não enraizadas na autonegação) não podem escamotear a realidade em que nossa obsessão coletiva com alisar o cabelo negro reflete psicologicamente como opressão e impacto da colonização racista.

Juntos racismo e sexismo nos recalcam diariamente pelos meios de comunicação. Todos os tipos de publicidade e cenas cotidianas nos aferem a condição de que não seremos bonitas e atraentes se não mudarmos a nós mesmas, especialmente o nosso cabelo. Não podemos nos resignar se sabemos que a supremacia branca informa e trata de sabotar nossos esforços por construir uma individualidade e uma identidade.

Como nas lutas organizadas que aconteceram nos anos 1960 e princípios da década de 1970, as mulheres negras, como indivíduos, devemos lutar sozinhas por adquirir a consciência crítica que nos capacite para examinar as questões de raça e beleza e pautar nossas escolhas pessoais de um ponto de vista político.

Existem momentos em que penso em alisar o meu cabelo só por capricho, aí me lembro que, mesmo que esse gesto pudesse ser simplesmente festivo para mim, uma expressão individual de desejo, eu sei que gesto semelhante traria outras implicações que fogem ao meu controle. A realidade é que o cabelo alisado está vinculado historicamente e atualmente a um sistema de dominação racial que é incutida nas pessoas negras, e especialmente nas mulheres negras de que não somos aceitas como somos porque não somos belas.

Fazer esse gesto como uma expressão de liberdade e opção individual me faria cúmplice de uma política de dominação que nos fere. É fácil renunciar a essa liberdade. É mais importante que as mulheres façam resistência ao racismo e ao sexismo que se dissemina pelos meios de comunicação, e tratarem para que todo aspecto da nossa auto- representação seja uma feroz resistência, uma celebração radical de nossa condição e nosso respeito por nós mesmas.

Mesmo não tendo usado o cabelo alisado por muito tempo, isso não significa que eu era capaz de desfrutar ou realmente apreciar meu cabelo em estado natural. Durante anos, ainda considerava isso um problema. Ele não era natural o suficiente, crespo o necessário para fazer um black interessante e decente, o cabelo era muito fino. Essas queixas expressavam a minha continua insatisfação. A verdadeira liberação do meu cabelo veio quando parei de tentar controlar em qualquer estado e o aceitei como era.

Só há poucos anos é que deixei de me preocupar com o quê os outros possam dizer sobre o meu cabelo. Só nesses últimos anos foi que eu sentir consecutivamente o prazer lavando, penteando e cuidando do meu cabelo. Esses sentimentos me lembram o aconchego e o deleite que eu sentia quando menina, sentada entre as pernas de minha mãe, sentindo o calor do seu corpo e do seu ser enquanto ela penteava e trançava o meu cabelo.

Em uma cultura de dominação e antiintimidade, devemos lutar diariamente por permanecer em contato com nos mesmos e com os nossos corpos, uns com os outros. Especialmente as mulheres negras e os homens negros, já que são nossos corpos os que freqüentemente são desmerecidos, menosprezados, humilhados e mutilados em uma ideologia que aliena. Celebrando os nossos corpos, participamos de uma luta libertadora que libera a mente e o coração.

Revista Gazeta de Cuba – Unión de escritores y Artista de Cuba, janeiro-fevereiro de 2005. Tradução do espanhol: Lia Maria dos Santos. 

Retirado do blog coletivomarias.blogspot.com

Fonte: Criola

       Os padrões de beleza mudaram muito durante os séculos. Na Pré-História, as mulheres que tinham seios fartos, quadris largos e estavam acima do peso ideal eram mais valorizadas, pois passavam a ideia de fertilidade. Hoje o cenário oposto traz consigo o fardo da magreza, afetando física e psicologicamente mulheres de todas as faixas etárias. 

         Ser esbelta. É assim desde os anos 1960, esse se tornou o foco das modelos que norteiam a moda até hoje. E é se espelhando nelas que muitas mulheres vaidosas se tornam bulímicas ou anoréxicas, tudo pelo que, na visão delas, é o padrão ideal de beleza. Outras vivem numa rotina de exercícios e um regime calculado grama a grama.

        Recorrer a cirurgias plásticas tem sido mais uma alternativa para ter o corpo desejado. Lipoaspirações, silicone, botox; sonho de muitas insatisfeitas consigo. O tipo de coisa até aceitável pela sociedade cada vez mais moderna.

       Nesse sentido, o problema aparece quando tais cirurgias precisam ser feitas a todo custo ou quase nenhum custo, no caso de clínicas clandestinas. Segundo o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremsp), de 300 reclamações contra procedimentos de plásticas 97% são feitas por não especialistas, causando até mortes.

       Diante disso, alternativas como maior fiscalização de clínicas e punições mais severas para os falsos cirurgiões são válidas. Porém, não suficientes se a aceitação de si não for a principal ideia quando se trata de beleza; a mulher precisa de um Narcisismo saudável.


Aluna: Edmara Patrícia
professor: Diogo Didier
Malévola, Frozen e Valente: o amor entre mulheres começa a despontar
.
Por Jarid Arraes

Atenção: esse texto pode conter alguns spoilers.

As animações Disney foram e continuam a ser uma forte influência na infância de muita gente; as meninas, na maioria das vezes, são ensinadas a desejar a realeza inquestionável do “ser princesa”. Para além da quantia exorbitante de dinheiro movimentado em brinquedos e merchandise com os personagens dos desenhos e filmes, a Disney traz à tona questões pertinentes à subjetividade humana: padrões de beleza, estereótipos sexuais e a heterossexualidade compulsória estão presentes em todos os contos de fadas da Disney, que muitas vezes ensinaram às garotas que príncipes são necessários para que elas sejam salvas e tenham um final feliz.

Ultimamente, a Disney tem feito o que por muitas décadas se recusou a concretizar: a indústria tem criado personagens femininas fortes e que existem em tramas variadas, que não giram em torno de conseguir um homem. Pelo contrário, os mais recentes filmes, como Valente, Frozen e Malévola, mostram histórias em que amor verdadeiro existem entre mulheres, que não apenas mantêm relacionamentos únicos e profundos, mas ajudam e salvam umas às outras.

Há outros desenhos Disney que contam histórias de protagonistas femininas fortes e corajosas, como “Pocahontas”, que impede uma guerra, ou “Mulan”, que salva seu país de uma invasão. No entanto, seus relacionamentos ainda se constituíam entre pares românticos e figuras paternas; por muito tempo, a imagem da mãe foi colocada de lado, substituída por madrastas cruéis e invejosas. Essa corrente foi rompida com o lançamento de “Valente”, que além de contar com uma princesa quase totalmente fora dos padrões, apresentou um relacionamento entre mãe e filha como foco do enredo. Já em “Frozen”, a narrativa emocionante gira em torno da amizade de duas irmãs, surpreendendo com uma das maiores quebras de paradigmas dos contos de fadas: o ato de amor verdadeiro para o fechamento da trama não era o beijo de nenhum dos galãs, mas sim a coragem de uma irmã se arriscar pela outra.

Em “Malévola”, mais recente estreia da Disney, muita coisa é desconstruída: a clássica vilã é transformada em uma personagem multidimensional, complexa e com uma história profundamente tocante. Violentada e traída pelo homem que amava, Malévola encontra em outra figura feminina a descoberta do amor verdadeiro e a sua redenção. Assim como em “Frozen”, o príncipe é deixado para o final, como uma espécie de complemento para que o desfecho seja feliz em todos os aspectos, mas certamente há muito para ser apontado como avanço.

Para aqueles que consideram frívolos os debates sobre filmes Disney, a pertinência dos contos de fadas na formação subjetiva de meninas e meninos já foi investigada em diversos livros e pesquisas acadêmicas, expondo a criação e manutenção de padrões e costumes sociais. A representatividade é importante; é por isso que a Disney, que se mantém como a mais importante companhia de entretenimento infantojuvenil, ainda tem um longo caminho pela frente. “Valente”, “Frozen” e “Malévola” continuam trazendo exclusivamente mulheres brancas e magras como heroínas. Ao considerarmos então a questão da inclusão de personagens com deficiência, o quadro fica bem pessimista. Isso tudo influencia a autoestima de milhares de crianças, que são expostas aos contos da Disney desde a mais tenra idade, mas não se encaixam nesses padrões e não se enxergam nos enredos.
Apesar de tudo, é revigorante saber que já estão disponíveis obras de ficção da Disney que dialogam melhor com as realidades das meninas, mostrando relacionamentos cheios de sentimentos entre mães e filhas, irmãs e amigas e provando que mulheres podem e devem contar umas com as outras. Mulheres também podem ser fortes, guerreiras e capazes de enfrentar monstros – tanto os fictícios quanto os simbólicos, como relacionamentos abusivos e crises existenciais.

É importante lembrar que esse tipo de mudança também é extremamente positiva para garotos e homens. Enxergar mulheres como seres humanos independentes e dotados de força auxilia uma formação menos machista e dominadora, que também abrirá espaço para que esses homens escapem dos rígidos padrões de masculinidade. E, ao contrário do que pensam os misóginos, muita gente quer blockbusters com mulheres protagonistas. O sucesso estrondoso de bilheteria de “Malévola” e “Frozen” não mente: existe uma grande audiência interessada em vilãs complexas, que roubam a simpatia do público, e mocinhas autônomas e habilidosas. Afinal, muitas mulheres reais são assim.