03 maio 2012




Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente às situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "Foda-se!"? O "Foda-se!" aumenta a minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.



01. A voz passiva deve ser evitada.
02. Anule aliterações altamente abusivas.
03. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
04. Conforme recomenda a A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.
05. Cuidado com a ortografia, para não estuprar a língua portuguesa.
06. Deve evitar ao máximo a utilização de abreviações etc.
07. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
08. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
09. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
10. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
11. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
12. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??…Então valeu!
13. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”.
14. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
15. Frases incompletas podem causar
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem ideias próprias”.
18. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
19. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
20. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
21. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
22. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
23. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
24. Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras! ..Nada de mandar esse trem…vixi..entendeu bichinho?
25. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
26. Quem precisa de perguntas retóricas?
27. Seja mais ou menos específico.
28. Seja incisivo e coerente, ou não.
29. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.



O medo contemporâneo

O medo de não dar certo na vida tem cercado muitos jovens. Eu conversava com uma pessoa recentemente e ela me dizia que já não tinha forças para conquistar seus sonhos e que se contentaria com a vida medíocre que ela poderia ter.

As pessoas costumam lamentar o próprio fracasso. Do que adianta sonhar e continuar dormindo? Sonhos, como eu disse em um artigo anterior a este, são projetos de vida, se não o uni-los com disciplina do que nos servirá? Estaremos dispostos a tal vida medíocre?
''Não podemos querer viver uma vida ensaiada, a vida não é uma pose para fotografia. A vida é uma viagem no qual a bagagem deve ser proporcional à necessidade do viajante''. 
O mundo não está acostumado a aceitar suas derrotas e fazer delas uma escada para o sucesso. Porque para eles parece mais fácil vencer o medo de não dar certo apontando para o erro dos outros do que vasculhando internamente a própria essência. Vivemos competindo com os acertos dos outros, tentando superá-los, e com as falhas dos outros tentando mostrar que não falhamos tanto. Sempre o outro o prato principal. E eu? Onde eu fico? - Não se trata de egocentrismo, mas de identidade. Fracassar faz parte da trajetória.
Descubra quem você é, escolha o que você quer, sonhe, mas compreenda as suas próprias escolhas. Uma pessoa inteligente não se prepara para o sucesso, mas se prepara para o fracasso. Há uma frase muito conhecida que diz: ''os desafios são inevitáveis, porém as derrotas são opcionais''.  Shakespeare acertou ao dizer que o ser humano é ''essência de vidro''. Quebramos com facilidade, o que eu quero dizer é que ninguém caminha sozinho. Nos tropeços da vida, você vai precisar de alguém para lhe amparar. 

A gente tem um exemplo perfeito dessa necessidade do outro, na trilogia O Senhor dos Anéis, no Retorno do Rei, quando o frodo já cansado desmaia e o Sam, amigo de Frodo que o acompanhou durante toda essa jornada, olhou para o amigo e disse: ''eu não posso carregar o anel, mas posso carregar você''. Colocou o amigo desfalecido nos ombros e o levou até o local onde ele cumpriria sua missão. Foi uma das cenas mais lindas do filme.

Sua essência de vidro pode está ameaçada, sei que o vou dizer pode parecer impossível, mas não tenha medo do fracasso. Estude, entre numa universidade, e corra atrás da sua realização profissional, mas não caminhe sozinho. Você precisará de um ''Sam'' na sua vida. Esgote ao máximo suas possibilidades de realização. E depois você vai poder dizer igual Adélia Prado: ''Eu não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome!''

Não seja mais um; seja alguém!


Kellen Reis

A grande festa do futebol vai ser na nossa casa...
O futebol muda as pessoas...
O futebol muda o país...
Vamos jogar bola que vai dar certo."

Ãhn?!! Jogar bola?

Itaú, lembra que em meados de 70 o governo Médici tornava-se o mais bárbaro período da ditadura? E que nesse mesmo ano, o Brasil jogou muita bola? Como nunca? Tanta que virou tricampeão mundial?
Mas não adiantou. Jogar bola não deu certo, Itaú. Não sei se você lembra.
Felizmente tinha gente fazendo outras coisas. Apesar das torturas e mortes, muita gente foi às ruas, foi fazer política. Fazer política deu certo!

Itaú, acho que meio que entendi (mais ou menos) o que você e a agência Africa estão querendo dizer.
"Chega de pessimismo, vamos em frente"..é isso? Tipo metáfora, né?

A propaganda é muito bonita...música envolvente, locução serena mas firme, pausada, fotografia impecável, boa redação publicitária (as velhas e boas frases curtas e de impacto, algumas no imperativo).
Mas "Vamos jogar bola que vai dar certo" acho que forçou um pouco, sabe?
Ainda mais agora, com tantas suspeitas de corrupção..Mensalão sem culpados, Carlos Cachoeira, Construtora Delta e as obras nos estádios da Copa... "jogar bola que vai dar certo" não me parece muito apropriado.

Apesar de ter minhas dúvidas sobre a Copa no Brasil, torço para dar certo sim, com certeza! Mas mantendo o pé no chão, na vida real. Um olho na Copa, outro na rapadura.

Então Itaú, sei que você está "convocando a todos os que amam este país para jogar bola". Mas apesar de amar meu país, vou recusar sua convocação. Primeiro, você não tem o direito de me convocar para nada, concorda?
Segundo porque acho que tem outras coisas que dão muito mais certo que "jogar bola".

Nem vou falar "vamos abaixar os juros que vai dar certo", porque respeito a regra, você está no seu direito de buscar o lucro. É do capitalismo, paciência.
Então tenho outras sugestões.

Sei que "jogar bola" é mais legal, mas vamos votar direito que vai dar certo, Itaú!
Nem precisa de aspas! Não é metáfora não! Vamos votar direito que vai dar certo!

Vamos ler jornal que vai dar certo!
Vamos ser honestos que vai dar certo!
Vamos estudar que vai dar certo!
A educação muda as pessoas!
A educação muda o país!

Esta é uma devolução de convocação minha a você, Itaú, e uma sugestão a todos os que amam este país. Vamos estudar. Brasil, vamos estudar que vai dar certo!

PS aos amigos: Este ano tem eleição. Apesar do tema parecer cada vez mais chato continuo pesquisando e discutindo política...meu foco é educação! Pois estudar dá certo mesmo, tenho certeza! Quais candidatos tem compromisso ou já fizeram algo pela educação? O Haddad foi um bom ministro da educação? O Serra foi bem na gestão estadual e municipal? E a Soninha? Muita coisa para ver..vou deixar a bola de lado para pesquisar.


Carta de Amor

Maria Bethânia

Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Eu tenho zumbi, besouro o chefe dos cupis
Sou tupinambá, tenho erês, caboclo boiadeiro
Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris
Zarabatanas, curarês, flechas e altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura
O breu o silêncio a espera. eu tenho jesus,
Maria e josé, todos os pajés em minha companhia
O menino deus brinca e dorme nos meus sonhos
O poeta me contou
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Não misturo, não me dobro a rainha do mar
Anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
Das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
Ouro de oxum que é feita a armadura guarda o
Meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
O veneno do mal não acha passagem e em meu
Coração maria ascende sua luz, e me aponta o
Caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de iansã,
Giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
Tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
Ser uma traço o cruzeiro do sul, com a tocha
Da fogueira de joão menino, rezo com as três
Marias, vou além me recolho no esplendor das
Nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
Na forja de algum, mergulho no calor da lava
Dos vulcões, corpo vivo de xangô
Não ando no breu nem ando na treva
Não ando no breu nem ando na treva
É por onde eu vou o santo me leva
É por onde eu vou o santo me leva
Medo não me alcança, no deserto me acho, faço
Cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
Meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
Mãos de maria, irmã de marta e lázaro, no
Oásis de bethânia.
Pensou que eu ando só, atente ao tempo num
Comece nem termine, é nunca é sempre, é tempo
De reparar na balança de nobre cobre que o rei
Equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça
Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão
E pra onde você for não leva o meu nome não
E pra onde você for não leva o meu nome não
Onde vai valente? você secô seus olhos insones
Secaram, não vêêm brotar a relva que cresce livre
E verde, longe da tua cegueira. seus ouvidos se
Fecharam à qualquer música, qualquer som, nem o
Bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
Você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
Apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
Teclas do teu piano, você está tão mirrado que
Nem o diabo te ambiciona, não tem alma você é
O oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.
O que é teu já tá guardado
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar
Eu posso engolir você só pra cuspir depois,
Minha forma é matéria que você não alcança
Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
Fim dos versos, versos, versos, que brota do
Poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
Na palma da inspiração de caymmi, se choro quando
Choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
Alimenta a visa, chorando eu refaço as nascentes
Que você secou.
Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
Sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
Quero me molhar. o terço de fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
Mas, nenhuma espada corta
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe comigo

Por Maurício dos Santos*


Enquanto de um lado a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) aparece com mais naturalidade em vários âmbitos da sociedade, a homofobia dispara como uma das causas de muitos crimes em todo o planeta. Em lugares onde essa violência específica não é punida oficialmente em lei, a homofobia cresce solta. É o caso do Brasil, um país de controversas. Mas a confusão de emoções gerada por essa temática nos faz pensar no porquê de tanto medo, prazer e ódio. 

A homofobia diz respeito a um transtorno que faz o agressor perseguir e maltratar homossexuais. Existem também a lesbofobia e a transfobia, aversão a lésbicas e a transexuais, respectivamente. O agressor tem aversão a essas pessoas. Um ato de violência física na escola pode ser a extensão de uma piada tolerada em casa, ainda na infância, por exemplo. O que precisamos enxergar é que preconceito é sinônimo de violência, baseado na falta de conhecimento e compreensão. 

Todos os envolvidos passam por momentos de tortura, sentem medo e desespero. Mas por que é tão difícil para o homofóbico conviver com os outros? O fenômeno afetivo que rebaixa certos sujeitos é utilizado como arma para classificar pessoas, e, consequentemente, diminuí-las. É um mecanismo de defesa usado para tentar mascarar quaisquer tipos de fraquezas. "O medo frente ao diferente é menos produto daquilo que não conhecemos do que daquilo que não queremos e não podemos reconhecer em nós mesmos por meio dos outros". Freud, o pai da teoria psicanalítica, evoca nessa citação a fuga do ser humano vindo após a sensação de medo. 

Diminuir a outra pessoa é uma ação prazerosa para muitos, prática sadomasoquista. Além da violência clara e exposta ao máximo, pode ser incluída ali uma repressão ao próprio sexo. Quando o homofóbico agride o homossexual ele nega a si mesmo. A forte negação revela um excesso doentio em querer mostrar-se diferente do outro, com uma sexualidade superior. É ressaltada, nessa prática fóbica, a sexualidade sob o falso status de simples escolha de vida e identidade de gênero. 

Tenta se passar, por muitos, a ideia de orientação sexual como algo plástico, frágil e indeciso. Todavia, a Psicanálise versa, desde seu início, sobre a diversidade sexual - normal e comum, que habita todo ser humano. Bissexual, por si só, seria uma condição de todo indivíduo. O princípio do prazer que orienta os lados humanos faz com que os seres humanos não sejam tão diferentes assim. Mudam na personalidade, alimentada pelas diferenças. A riqueza humana esta nas características pessoais de cada um. O self requer isso: diferenças para alcançar o amadurecimento. Crescemos com os diferentes.

Fundamental nos casos de preconceito é estabelecer um pacto de respeito. Para isso, o ego precisa estar forte. O homossexual necessita aceitar a si mesmo, com suas potencialidades e seus limites. O sujeito violento necessita se entender e aprender a conviver, além de encontrar uma outra saída de descarregar essas energias violentas, que não seja prejudicando o outro. Nesta sociedade colorida e plural, precisamos eliminar a auto-punição e o sentimento de culpa, tão disseminados em pensamentos rebaixados.

* O autor é Jornalista e Presidente da Câmara do Livro do Vale do Itajaí / Santa Catarina
Estudante de Psicanálise, pela SPOB (Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil)

22 abril 2012


Transformar a terra num lugar habitável onde todas as espécies pudessem viver harmoniosamente sempre fez parte da filosofia humana. Para isso, nossa espécie fez significativas mudanças no cenário do planeta, adaptando-se a ele desde as terras mais áridas até aos confins gelados dos polos. Esse povoamento, no entanto, trouxe também consequências drásticas ao meio ambiente. Hoje problemas com a poluição do ar e dos mares, o desmatamento das florestas, assoreamento de rios fizeram com que o ecossistema entrasse em alerta e com ele toda a vida existente no planeta. Mesmo consciente dos maus causados a natureza, o homem infelizmente não tem feito nada muito expressivo para reverter os danos causados ao seu hábitat. Pelo contrário, ele continua a ser o seu mais voraz predador, sem mensurar os prejuízos que isso pode acarretar para o seu próprio futuro.
 
O homem tem acabado paulatinamente com o planeta. Dentre os inúmeros fatores que confirmam tal constatação, o principal é indubitavelmente a nossa cultura do consumismo. Há quem diga que ela eclodiu com a Revolução Industrial no século XVIII, momento histórico do qual o mundo sofreu profundas transformações econômicas e estas foram contundentes para o surgimento de um novo comportamento social. De fato, este período foi determinante para o meio ambiente, uma vez que o progresso exigia cada vez mais da natureza para alavancar suas riquezas.
 
Entretanto, acredito que a necessidade de extrair demasiadamente das nossas reservas naturais os recursos que ela dispunha, antecede à Revolução. A humanidade, ao que parece, utilizou tudo que o meio ambiente pode fornecer, mas nunca teve a real preocupação com a preservação deste. Cultura esta que ganhou uma maior dimensão com o advento da globalização, a qual consolidou um mundo “moderno” que lamentavelmente não consegue equilibrar uma vida sustentável.
 
Sustentabilidade que percorre congressos importantes por todo o mundo, que serve de temas para calorosos debates, que é constantemente usada como um amuleto do qual irá salvar a terra de todos os males causados pelo seu principal predador, o homem. Em contrapartida, sustentabilizar um modelo de vida que consiga acoplar o desenvolvimento social fincado no consumismo, numa sociedade dita como vanguardista, com a preservação da natureza em sua totalidade, parece ser mais difícil do que se imaginava. Muita discussão e pouca ação. Teorias vazias, ideologias controversas e pouca perspectiva de mudança fazem com que a sustentabilidade tão sonhada tenha a sua concretização postergada.
 
Enquanto isso, fingimos que estamos ajudando o planeta com singelas campanhas de conscientização ambiental superficiais que não focam o real problema da natureza: o descaso que o homem tem com o seu habitat. Ao invés disso, criamos paliativos nomeados de sustentabilidade que, de certa maneira, são importantes, porque desperta na sociedade uma certa consciência ambiental da qual, talvez não no presente, mas num futuro não tão distante, possa colher frutos positivos em prol da natureza. Contudo, temos que ir além dessa discussão é centralizar o olhar numa educação ambiental transformadora, que desde a infância integralize cada individuo com o seu ambiente e faça-o entender a necessidade de preservar o planeta, para que a sua vida e as dos demais a sua volta não seja afetada.
 
Reduzir o consumo de coisas supérfluas, reciclar matérias primas renováveis e reutilizar o que for possível são estratégias louváveis para a salvação e, sobretudo perpetuação das riquezas naturais, porém não se pode limitar a apenas isso. O consumo consciente não vai salvar a terra, se antes disso não for revista à cultura do consumo social dos “Ipads”, “Ipods”, dos celulares que mais parecem bússolas, das imposições midiáticas que impelem para a sociedade um modelo de vida baseado no ter, no possuir e, consequentemente no extrair do meu ambiente a maior quantidade de recursos, mas sem a preocupação de garantir que eles sejam repostos na mesma proporção com que foram retirados.
 
As previsões apocalípticas sobre o desequilíbrio ambiental não são apenas teorias fantasiosas dos cientistas que se dedicam a alertar ao mundo que o planeta está sofrendo com a ação humana. Nem tão pouco é o ultimato de que a terra não tem mais salvação. São pequenos avisos sobre o cataclisma vivenciado pela terra ao longo do tempo e que se nada for feito imediatamente, no futuro as próximas gerações não poderão usufruir de um ambiente salubre. Os sinais já são visíveis nas manifestações que o meio ambiente externa com chuvas descontroladas, secas atemporais dentre outras exposições claras de que a terra não está mais suportando o alto grau da interferência humana. Por isso, antes que algo drástico realmente ocorra é preciso que a sociedade mude seus hábitos para que o planeta se torne um lugar eternamente benéfico a todos.