25 julho 2010



Autor: Dayvson Fabiano

Hoje ao acordar pensei: qual o sentido da vida?
O que nos espera?
Era uma dor de cabeça que me acordava numa ânsia de.
De viver?
Não sei...
Acordei olhando para o alto.
Os telhados impediam-me de ver além.
Levantei, fiz as coisas rotineiras da manhã e fui ao trabalho,
só que ainda continuava me questionando.
Não sei por que, mas às vezes sinto que meu coração irá parar de bater a qualquer momento. Acho que ele pára, pois em exatos segundos percebo que não sou mais eu que vivo, e sim, outro. Louco isso, não?
Logo depois, ainda caminhando ao trabalho, parei e fiquei a esperar o ônibus.
Comecei a ler um livro, sorteei uma página e justamente nessa página estava falando sobre
“o sentido da vida”.
Deu em mim um arrepio, porque parecia um aviso do além.
Digo do além porque era um texto do grande escritor Caio Fernando Abreu, do livro
“Morangos mofados”, é um texto pelo qual havia lido,
mas não com essa riqueza de detalhes que ora instaurou-se em mim e aqui...(pausa).
Precisei beber um pouco de.
De água também.
Fiquei sentindo a água percorrer por entre meu corpo, e o gosto era diferente.
Essa água tinha gosto, dizem que a água é insípida. ,
Aprendi isso nas aulas de ciências.
Pura mentira!
A minha além de gosto tinha cheiro.
Acho que era cheiro de vida ou era de morte?
Quando eu era criança pensava em ser médico para ajudar os outros,
aí percebi que para ajudar não precisava ser médico, e sim humano.
Os bichos também o são, até mais.
De repente lembrei outra coisa a respeito do coração:
acho que descobrir o que ele quer dizer sobre as paradas de vez em quando.
Nesse momento (re)nasço...
Vou ao céu numpiscardeolhos, que nem tempo tenho para separar as palavras.
É tudomuitorápido.
E logo em seguida vou ao inferno.
Parei...Ah!
Preciso parar agora.
Quem é você?
Isso mesmo, estou te percebendo...
Não estou mais só, aliás, nunca estive.
Compartilhamos algo em comum.
Que sentido nos aproxima?
Só agora percebo que 1+1 não é 2, é 1, 3, 4,...
exceto 2.
Preciso parar por aqui, por hoje já basta.
Ai!...
Meu coração parou novamente...
Qual o sentido da vida?
...
Ser Feliz é Ser Livre!




Autor: Dayvson Fabiano

Os pássaros sibilavam um som diferente.
Era algo majestoso.
As lembranças eram pontes do tempo.
De aromas e sabores.
Um céu de vida invadia-me.
Eu era subjuntivo passado/futuro.
A chuva caia sobre os musgos que bailavam em harmonia com o rio que margeava a minha alma, Era o sim da minha felicidade.
Meus sentidos todos comungavam daquele momento.
Docemente renasci de minha famigerada solidão em lágrimas sinestésicas dolentes.
Tempestades de imagens floresciam num freme de segundos.
O relógio...
tic tac tic tac...
anunciava uma nova estação.
O vermelho árido da terra seca agora
era vermelho sangue hemoglobinando em mim numa metástase diacrônica.
Eu voltei do passado...
sem os espinhos!!!


Autor: Eduardo Andrade - Mestrando em Linguística Semiótica

“Era um sonho dantesco o tombadilho”, assim inicia o poeta Castro Alves o seu célebre “Navio Negreiro”. Hoje, o sonho infernal descrito pelo vate baiano permanece; todavia, não é diante de um tombadilho que passam os “olhares condoreiros” do século XXI.

Às portas do fim da primeira década daquele que deveria ser o “século da igualdade”, ainda é possível ver, nas mais distintas áreas da sociedade contemporânea, as cenas castro-alvinas de um – aparentemente – distante século XXI: “legiões de homens (não apenas) negros” continuam a sofrer com a segregação étnica, racial, cultural e religiosa; multidões famintas permanecem cambaleando, alvos da desigualdade social; “o velho (ainda) arqueja e no chão resvala”, vítima da discriminação etária, e muitas mulheres permanecem “num turbilhão de espectros arrastadas em ânsia e mágoa vãs”, em virtude da disparidade entre os gêneros.

No apogeu da técnica, questões básicas permanecem sem solução e muitas sociedades – como a brasileira – ainda acumulam dívidas das inúmeras falhas de seus transcursos sócio-históricos. Enquanto isso, mulheres, judeus, homossexuais, idosos, índios, negros e pobres – seres humanos, enfim – permanecem alvos fáceis da estereotipação e da segregação, corruptoras do caráter e violentadoras da dignidade humana.

Parece faltar ao homem do século XXI a lição de outro poeta, o mineiro Carlos Drummond de Andrade. Falta a este homem “fazer a viagem de si a si mesmo” e “pôr o pé no chão do seu coração”, descobrindo, assim, o significado mais sublime da palavra “con-viver”. Talvez, agindo assim, o homem descubra que o navio em que viaja não é negro, nem branco, mas humano.




Autor: Dayvson Fabiano

De repente sinto
Uma sinfonia sincopada
Os ventos me falam de outrora
A minh´alma volita
Dou um mergulho no mar da consciência
Vejo espelhos
Eles refletem imagens
Distantes...
Minha infância
Meus amores
Devaneios transpiram por minha pele
Sinto uma dor angustiante
Mas, existem alegrias.
Cristalizam-se as lembranças
Evaporando o tempero da vida
Sou alquimista do passado
Uma pedra bruta lapidada
Quantas saudades eu tenho...
Do ontem
Do que não fiz
Até do futuro
Que loucura!
Minhas lembranças são promíscuas
Minha saudade não é insípida
É (Sal)dade!



Autor: Richard mklend

Depois de refletir longa e profundamente, cheguei a uma conclusão interessante. Ainda que a população mundial esteja explodindo, refletida em milhares de religiões, línguas, filosofias e culturas, só existem no fundo dois tipos de pessoas. Há aquelas que acham que estamos indo para o brejo e as que acreditam que o melhor ainda está por vir.


Ninguém precisa ser um gênio para ver que vivemos em tempos incertos e perigosos. Basta ligar a tv, assistir o jornal ou olhar pela janela.


Não é uma visão agradável. Amigos queridos e velhos aliados andam se estranhando e saindo no tapa. E, dia sim dia não, sólidas instituições econômicas caem de quatro.


Sabemos que pessoas de bem são atacadas à luz do dia, em qualquer esquina, enquanto verdadeiros pilantras sempre dão um jeito de escapar.


O mundo está cheio de vendedores metidos a engraçadinhos, sobremesas hipercalóricas cheias de açúcar, novos números de dança intermináveis nos seus velhos musicais favoritos e os horríveis efeitos colaterais de comidas exóticas, ampliados pelo constrangimento de hoje em dia, porta alguma fechar nos banheiros públicos!


Mas dor de barriga não é nada comparada com dor-de-cotovelo. Ainda que volta e meia nos avisem que o mar não está para peixe, é duro reconhecer que passamos boa parte da vida física e emocionalmente isolados, com a sensação terrível de solidão. E quando você realmente encontra alguém que encaixa perfeitamente, ele ronca tão alto que os sonhos passam a precisar de legendas. Não tem saída! Se dermos ouvidos às aves de mau agouro, ficaremos sabendo que isso ainda não é nada. Para elas, estamos vivendo dias negros, sem perspectivas de melhoras a curto prazo. Elas insistem em dizer que o mal está por toda parte, nas ruas, nas árvores , na mídia, no ar, na água, nos bastidores do poder e até na cesta de roupa suja esperando pacientemente para atacar quando menos esperamos, cravando os dentes peçonhentos nas nossas partes mais tenras.


É o fim do mundo! Exclamam. Ta tudo dominado!

O que me deixa mais confuso é que, se esses caras-de-pau acreditam mesmo nos horrores que apregoam por que optam por continuar vivendo?

Tá bem, eu reconheço que prender a respiração até morrer não é tão fácil, embora tenha ficado surpreso ao descobrir que é possível, sim, morrer de overdose de fibras. É lógico que, nesse caso, você morre vendendo saúde.


Felizmente graças à tecnologia moderna, nunca foi tão fácil deixar este vale de lágrimas.

Ainda assim, se a vida nos parece tão desprovida de encantos, talvez seja melhor procurar primeiro um oftalmologista, para poder ver as coisas direito. Vamos descobrir que há beleza e esperança mesmo nas piores circunstâncias.


Há sempre alguém disposto a dar uma mãozinha a quem pede. Há sempre alguém com quem se pode contar e milhares de momentos especiais que podem dissipar as sombras e que não custam nada, a não ser alguns minutos de atenção. Além do mais, a vida continua muito romântica. Na verdade, há mais professores de tango em ação hoje do que em qualquer outra época da História. As possibilidades de encontros inesperados na hidroginástica nunca foram tão boas.


E, embora você talvez nem se dê conta disso, o que aprende com suas alegrias e dissabores poderá, um dia, ser compartilhado com outra pessoa. Ao fazer isso, você estará contribuindo para deixar o mundo um pouquinho melhor. Ainda que eu ache a vida mil vezes preferível à alternativa, sei que ela nem sempre é simples ou agradável. Na verdade, ás vezes é tão dura que ficamos com câimbras no cérebro só de pensar em ter de viver as próximas 24 horas.


Assim, não chega ser surpreendente que, ao pensar no futuro, tanta gente se sinta ansiosa, deprimida, assustada e confusa de modo geral.


Se mesmo em tempos de vacas gordas não faltam quem se queixe da vida, em tempos de incerteza chega a ser fascinante a variedade de reações ao nosso redor.


Há os que surtam ao primeiro boato de confusão e os que têm mania de perseguição: querem me matar! Mas quando perguntamos de onde vem tanta certeza, admitem que andaram ouvindo uns boatos ou que “ um passarinho me contou “. Curiosamente, esse tipo de pessoa nunca se preocupa em saber de onde foi que tal passarinho tirou esta informação.


E ainda existem aquelas pessoas que fazem questão de mostrar para o mundo que não se preocupam com nada e que, em qualquer circunstância, sabem exatamente o que fazer. Mas à noite, quando luz se apaga e ficam sozinhas, elas são, possivelmente, as mais assustadas de todas.


Há também muita gente convencida de que o futuro é hostil. Não adianta argumentar com esta turma que vive de prontidão para se defender de mil e um perigos diários até ficarem tão duras, feias e cruéis quanto o mundo que imaginaram.


Finalmente, há pessoas que acham que a única saída é cavar um buraco e mergulhar lá dentro. Elas pensam que, se erguerem suficientes defesas emocionais, ficarão seguras.


A ironia é que, ao invés de trancar os outros do lado de fora, trancam-se a si mesmas do lado de dentro. Com isto talvez consigam evitar alguns dissabores que tornam a vida difícil, mas, no fim, também acabam evitando as delícias que torna digna de ser vivida. Isso é tão inútil quanto ficar dando tchauzinho para você mesmo.


Uma solução bem mais simples é abrir um lindo sorriso e reconhecer que não somos o centro do universo. Isso significa que sempre haverá coisas que não sabemos e sob as quais não temos nenhum controle.


Assim, quando eventualmente tropeçamos num dia ruim e estivermos metendo os pés pelas mãos, o melhor a fazer é relaxar e gozar o absurdo da situação.


Isso não é física quântica. É apenas bom senso, e ele manda que a gente aproveite o fato ligeiramente bizarro de viver num planeta com mais de 600 sabores de sorvete, em vez de se aborrecer com o gosto pavoroso do picolé de mangaba verde com caldo de jabuticaba. Da mesma forma, não vale a pena ficarmos obcecados com as intenções de todas as criaturas sinistras que andam por aí.


Em geral, essas traíras que só sabem se dar bem às custas dos outros e acabam se dando mal e têm o fim que merecem. Em suma, ter boa rede de apoio é muito importante, melhor do que contratar seguranças para protege-lo.


Outra razão para não se temer a amanhã é que embora não sejamos o que comemos, somos, certamente, aquilo que amamos. Isso significa o que realmente somos está sempre refletido naquilo que nos cerca e que nos é caro, a começar pelos amigos.


Não há exagero em se dizer que, sob este aspecto o mundo a nossa volta é um espelho. Portanto, você tem um controle muito maior do futuro do que imagina, pois pode modificar o seu mundo sendo verdadeiro consigo mesmo.


Talvez isso faça sentido para você, talvez não. Como é que se explicam, então, as coisas pavorosas que eu enfrento no meu mundo, sem querer? É uma questão pertinente, sem dúvida, e a minha resposta, só para irritar, é uma outra pergunta: O que você realmente quer? Afinal, o que influencia o mundo à nossa volta é aquilo que de fato queremos e amamos, ainda que a gente não o admita. Por exemplo, muitas vezes dizemos que só queremos ser felizes, quando na verdade o que queremos é ser ricos! Muitos Ricos!


Dizemos que queremos paz espiritual e um sentido amplo de compreensão do universo, quando no fundo o que queremos são respostas fáceis. Dizemos que queremos amor, carinho e companhia, mas o que temos em mente é sexo selvagem.


Dizemos que queremos ser aceitos pelo que somos, quando o que realmente desejamos é ter mais charme e menos peso.


Como disse certa vez um velho sábio chinês: Não se pode enganar a mãe natureza. Há algumas verdades imutáveis nesse mundo das quais não há como se fugir.


A lei da gravidade não vai ser revista, os chocolates irão sempre para os quadris e você sempre se arrependerá de enfiar o dedo em tortas que saíram do forno.


Deveremos ser muito cautelosos com o que desejamos, pois não podemos mentir em vão para nós mesmos. Quando não somos honestos a respeito do que queremos na vida, machucamos aos outros e, sobretudo, a nós mesmos.


Pense claramente no que mais deseja. Para você, o que é que realmente faz a vida valer a pena? O que é que você de fato quer fazer com o tempo limitado de que dispõe? Qual é a marca que pretende deixar no mundo? Mas não gaste a vida inteira pensando no futuro, porque a chave do amanhã é hoje.


As brilhantes respostas que podemos eventualmente ter para as grandes questões da vida não adiantam nada quando não conseguimos vencer as dúvidas e medos que nos impedem de agir. Seja sua própria torcida! Faça algo que você jamais imaginou que seria capaz de fazer, viver o presente!


Lembre-se que a maior aventura de uma outra pessoa pode vir a ser o seu maior pesadelo.

Siga portanto, o seu próprio caminho, aonde quer que ele o leve, dando um passo de cada vez.

A estrada da vida não é uma competição ou uma via expressa sem graça e sem saídas a ser seguida pela eternidade.


Curta o imprevisível e procure sempre novidades interessantes. Tire um tempo para apreciar a paisagem. O fato é que, um dia, em vez de acordar para tomar café, vamos mergulhar num túnel longo e escuro, em direção a um universo de luz. Nossa jornada terá chegado ao fim.


Nesse momento, quando a sua vida inteira tiver passado diante de seus olhos, duvido que você se preocupe muito com o dinheiro que ganhou, as milhas que acumulou, os prêmios que conquistou, os carros que teve, o valor de sua carteira de ações ou quantas vezes seu retrato saiu do jornal.


Ao contrário, acredito que as coisas mais importantes da sua vida terão sido os amassos gostosos, as noites que passou olhando para as estrelas, os momentos engraçados de total descontração, as primeiras gotas de chuva que sentiu na língua e o instante em que alguém especial murmurou: Eu Te Amo.


Não perca tempo se preocupando com o futuro. Ele virá, e muito rápido – eu garanto. Enquanto isso, sugiro que você erga a cabeça, calce sapatos confortáveis e siga seu coração até os confins da Terra.


Ao longo da jornada, lembre-se sempre de que cada dia é uma dádiva preciosa. Se você souber aproveita-la e dela tirar o que há de melhor então, acredite, haverá outro presente extraordinário esperando por você.


O amanhã.




Autor: Amon de Assis - Graduado em Letras (UNICAP)

A propaganda nos estupra o ano todo, mas o prazer maior é mesmo no 25. A história toda começa assim: sem qualquer preliminar a primeira entrada ocorre em fevereiro. Ali, o carnaval dita o ritmo do entra e sai: Aumenta a demanda por entorpecentes, tudo pra sustentar as máscaras da torpe prática econômica na festa da carne. E quando os usuários, lícitos e ilícitos, pensam em lamentar sobre o cinzeiro a quarta-feira, a páscoa nos empurra os ovos com tudo. O coelhinho pula em cima da gente sem dó: sai ovo, entra ovo... porém a troca beneficia, sempre, um lado só. “Você desconhece o pai dos filhos bastardos de seu trabalho?”

E se uma semana comendo peixe parecer muito, sem pausa troca-se de posição – muda-se o enfoque – e a mídia lembra-nos da nossa mãe prostituída. Aí, lá vamos nós (nos) dar de novo. E temos de dar com alegria, sem perder a compostura. Somos usados, e exaustos nos entregamos ao dia dos namorados – "só pra extravasar...". Quer relação mais íntima que o Amor e a Usurpação?

Aí, já viu: tome milho, tome fogueira (CO2 e queimaduras...), tome fogo, tome fumaça, tome festa, tome forró – que a Arte (?) também sabe ser cafetona - “Pra sobreviver...”. Ah! Tome também o que tiver pra beber, porque lá vêm as férias, e o dia do amigo, e o dia da vovó, e o dia dos pais, e aquela comemoração Imperiosa do 7 de Setembro, e o dia das crianças (que é de lei), e o Halloween – você sabia que é escrito assim? Tem até o dia dos finados...

Mas o dezembro é sagrado: Guirlanda, luzinha, neve de mentira, árvore de plástico, sino sem som, um velho de encher (ou que dance, ou que cante, ou um “mulambo” qualquer), uma galinha gigante, vinho com água e açúcar, farofa à vontade e pronto: Nasceu o menino Jesus! É aquela explosão de luz: vem tudo num jorro, de dentro do saco do Papai Noel, que abastece, sacia e emprenha o imaginário do povo, para a chegada de mais um ano novo. Réveillon.

Venda-mo-nos, então, às compras, porque em terras tupiniquins a Tradição se traveste em publicidade...