12 junho 2010




O Grito de Guernica

“ lembro me do grito de estupefação que soltei quando me vi subitamente diante de Geurnica em 1962 esse quadro , por sua própria natureza , corroborava minhas convicções . A tela esta coberta de seres que explodem ,gritam ,choram se contorcem ; uma cavalo aparece aos derradeiros estertores da agonia. A gigantesca cena,quase inteiramente monocrômica , sufocou-me com sua estarrecedora tensão

Como se sabe o imenso quadro é a mensagem indignada de Picasso e é sua amargurada denúncia da matança da população civil da cidadezinha espanhola de Guernica com o bombardeio indiscriminado da aviação nazista.

Guernica: numa exposição em paris, um embaixador de Hitler perguntou a Picasso se guernica era sua obra, Picasso respondeu, não a obra é de vocês


O filho do século
Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem

vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.




Rosa De Hiroxima

Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças mudas, telapáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres rotas, alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas
Mas so não se esqueça da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroxima, rosa hereditária
A rosa radioativa estúpida e inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume sem rosa, sem nada

Os que avaliam a virtude cri Dora de uma época pela variedade das suas expressões com certeza verificaram que nenhuma época foi tão fértil como a nossa . As dos guerras mundiais e suas conseqüências serviram de matrizes , sensibilizando os padrões artísticos e permitindo uma renovação constante através da exploração inédita de manifestações passadas e de novas criações. Emergia uma nova cultura , marcada pela desilusão, indignação , interrogação e revolta.




05 junho 2010



Tarde em Itapuã

Toquinho
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes

Um velho calção de banho
Um dia prá vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar...
Depois, na Praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de côco

É bom!...
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã...(2x)

Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha...
E com olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda rodar

É bom!...
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã...(2x)

Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais...
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã

É bom!...
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã...(2x)





Tema: Cinzas de um Herói.

Desenvolvimento do tema:

A esperança além de tudo, ainda é algo muito emocionante. E no colorido sol do sertão nordestino caminham as cinzas de um forte trabalhador, um fiel patriota sertanejo. Seja como simples meio de transporte ou de destinos, nesta região sobrevive entre a terra e o sol à esperança nas cinzas de um Herói social – O Jegue.

Na música “Apologia ao jumento” Luiz Gonzaga inspirado no Livro: “O Jumento é nosso irmão” de Padre Antônio Vieira, vem nos revela em crônica a vida desse grande brasileiro, um verdadeiro santo do reino animal. O Burrico é o símbolo do progresso no sertão, ele é um membro da família nordestina que, em muito contribuiu para o tocar da vida dessa nação do nordeste, desse povo chamado Brasil.

Toda nação mundial cultua um animal, seja pelos seus serviços prestados ao homem ou por encantamento e, no Brasil o Jerico é o verdadeiro herói do trabalhador nordestino. Ele é a ferradura da sorte na vida de muitos e poucos brasileiros.

Assim, no atual cenário socioeconômico cultural do país, o homem com seu instinto animal de empreendedor repensou os serviços do Jumento para reinventá-los. Igualmente como na evolução natural da vida na terra as espécies animais precisaram adaptar-se as mudanças do planeta. E hoje o Burro vem emprestar seus serviços ao conhecimento intelectual de populações desfavorecidas, quando inspirou um projeto pedagógico classificado por Jegue-Biblioteca onde, ele transporta livros para várias cidades do interior pernambucano formando uma nova nação de leitores.

Já quando falamos em festa junina, ocorre em todo o nordeste brasileiro à tradicional Corrida de Jerico. Competição típica de nossa região que, surgiu de uma brincadeira no inicio da década de 1970 para chamar a atenção das autoridades pelo risco de extinção dos Jumentos nas cidades, deu certo. Atualmente este evento atrai admiradores do mundo inteiro e veículos de comunicação dos mais diversos segmentos sociais para propagar a importância do Asno na vida econômica do homem do campo. É a apoteose do herói sertanejo que, livre dos tradicionais arreios, cela e chicotes o burrico se torna o rei do sertão.

Porém, o homem dentre muitos apelidos preconceituosos acha comum classificar alguém de Burro para lhe atribuindo pouca inteligência, ou ainda, chamar de Jegue se o outro estiver mal vestido. Logo, você ai parado na leitura, empacou feito um Jumento? Que ironia.

Contudo, ainda que desprezado o Burro, o Jegue, o Asno, o Jerico ou mesmo o Jumento povoam as cidades sem descanso ou liberdade – Abram as asas da alegria e venha conosco viver e celebrar a vida desse grande brasileiro – Viva o Jegue!

Casamento:

Diante das adversidades da vida, um agricultor da zona rural e seu Jumento chegam á uma cidadela interiorana na madrugada de véspera da festa de São João. Essa dupla de trabalhadores retorna de um penoso e cansativo dia de trabalho vivido na plantação sob o mais quente sol sertanejo.

Jericó é o nome do agricultor juntamente com seu animal, um Jegue chamado Brasil. Jericó foi convidado pela família simples do noivo para o casamento do seu filho, uma quente festança que acontecerá no amanhecer do dia de São João. Jericó aproveita que a cidade estará em festa e, como não é burro nem nada, resolveu trazer o fruto de sua colheita, os milhos no lombo de seu Jegue Brasil para vender na cidade. Assim, escolheu os degraus da igreja como ponto de venda oficial.

No raia do dia, a família da noiva, gente rica e tradicional da cidade logo percebe o Burro amarrado na pilaste da capela da cidade, isso é um escândalo para uma família tão requintada, assim, esta armada à confusão.

O Padre em defesa do pobre homem e seu animal argumenta em sermão a atitude preconceituosa desta refinada família, e luta pela libertação do preconceito social atribuído ao Jumento.

Marcador:

Em toda festa junina a música vem embalada ao som da Sanfona e de seu maestro maior – o Sanfoneiro. Para registrar essa realidade, faremos uma homenagem a Luiz Gonzaga que, pelo viés de suas canções originais, foi quem, mais cantou e encantou o sertão nordestino. Além disso, foi também a partir de Luiz que o Brasil passou a repensar a discussão sobre o Jumento nosso irmão, quando ele apresentou a música Apologia ao Jumento – introdução de nossa história. Contudo, o marcador representará o espírito Sanfoneiro sendo um maestro dessa festança sertaneja. É a branca e colorida luz de paz e esperança por dias melhores para o povo nordestino brasileiro.

Figurino:

Os brincantes simbolizam de modo lúdico dois aspectos visuais que compõem essa trama social – O animal e a região onde ele esta inserido, sem esquecer do povo.
As Damas: Representam à visão regional, o habitar sertanejo onde vive nesta trama nosso personagem, o Jegue. É a imagem alusiva da realidade territorial para proporcionar aos espectadores um elo natural entre a terra e o sol colorido do sertão que aquece essa esperança de viver em liberdade.
Os Cavalheiros: Representam o homem da cidade interiorana. Povo que veste a camisa pela força do Jumento sertanejo. Um misto de homem e animal defensores do trabalho digno e hábitos robustos de viver como verdadeiros heróis do sertão.

As cores dos figurinos têm influência psicológica sobre o olhar dos seres humanos e, na publicidade da imagem não é diferente.

Todas as cores favorecem a comunicação com o homem e os sinais recebidos e emitidos pelo cérebro a partir desse contato visual. Logo, ao realizar um estudo psicológico do animal, percebemos que o Jerico possuidor da cor cinza transmite equilíbrio e estabilidade para o homem. Já o complemento da cor branca nos remete paz, sinceridade, verdade, calma e pureza. Não é a toa que o ser humano confie no Jumento, por natureza é um animal de força e paz.

Na região sertaneja é comum nos depararmos com o tom marrom da terra escura sedenta por água e queimada pelas luzes solares em tons de laranja, rosa e amarelo. Todo esse conjunto de cores revela juventude, alegria, beleza, otimismo e energia. Ações tipicamente presentes nas Quadrilhas juninas do nordeste.

Coreografia:

Um herói nordestino de movimentos e destinos.

Dentro desse contexto histórico e cultural, apresentaremos um corpo coreográfico movimentando a vida cotidiana do Jegue meio a região sertaneja recriada na temática. Apropriando-se dos vários sentidos fonéticos que traduzem a história, realizaremos movimentos descontraídos pela expressão corporal que, farão elo entre história e a musicalidade para simbolizar a homenagem moral ao Jegue.

Construções lúdicas expressarão o caminhar cênico do Jerico quando, de troncos baixos, caminharem os componentes. Recriaremos ainda, a libertação do Jumento do uso tradicional dos arreios e amarraduras do animal em um solo de cavalheiros, além do galope do animal presente em várias marcações coreográficas.

Já o corpo feminino complementará a exibição quando dançam valorizando o uso das saias, já que, as mesmas simbolizam a terra seca sertaneja, trazendo as cores quentes dos raios solares em contato com o chão. Chão este, que caminha o animal no seu ardo trabalho noite e dia.

A Quadrilha realizará típicos passos deste brinquedo, com marcações de anavantú, anarriê, balancê, guanchê, olha a chuva e o serrote. Não podendo faltar o Xaxado dança de pisada na terra seca e oriunda do sertão, além do xote, baião e galope junino.

Utilizando os recursos da liberdade artística que temos, traremos a Corrida de Jericos para o arraial de modo lúdico, sendo este, mais um momento de festa em louvor ao Jumento.

Hoje no mundo vivemos a era do modernismo, e no cenário da dança a contemporaneidade dos passos. Logo, a Quadrilha viverá essa realidade mesclando passado e presente sem esquecer das nossas raízes juninas. O gostoso mesmo é sempre participar da brincadeira com todos, sonhamos que em 2009 seja de muita paz, união e vitórias pra todos, agradecendo com antecipação, viva o São João.

Trilha Sonora:

O repertório musical sintetiza a trama social abordada, repensando os efeitos da mídia radiofônica na vida social do brasileiro nos períodos juninos.

Este conjunto de signos sonoros valoriza nas letras o vigor e os costumes de nosso homenageado. Abordamos sua relação com o homem do campo e seus hábitos com a região sertaneja nesse contexto sociocultural.

Abriremos com a música Apologia ao Jumento, canção de autoria de Luiz Gonzaga que dará introdução sobre a infeliz relação entre homem e animal. A partir daí, as musicas farão registro entre o animal, o bicho homem e região sertaneja.

Embaladas por melodias tipicamente juninas e, outros segmentos que complementam a discussão, as canções abordarão a Quadrilha no sertão; o sanfoneiro que anima a festa no interior; o Jegue e sua relação com a religião, uma sutil referência do Jumento que carregou Jesus Cristo para Jerusalém; o sol multicor; o ABC do sertão, costume no vocabulário regional; o Xaxado quanto movimento criado na terra seca do sertão; a vida do Jumento como meio de transporte de luxo no sertão saudosista; a ferradura da sorte que vive com o jumento deixando marcado seu rastro na terra sertaneja; a relação de amor e felicidade da gente do sertão mesmo diante dos problemas sociais identificados; abordaremos de maneira regional os apelidos comuns que são típicos do nordestino e sua realidade social, mas que causam estranhamento nos visitantes que visitam esta terra; o xote da libertação dos arreios impostos pelo homem para o serviu do animal, um grito de libertação pelas rédeas de seu próprio destino, uma cena emocionante que derivará na tradicional Corrida de Jericos, momento do qual, os animais livres das típicas amarrações se tornam os heróis da festa junina em todo o nordeste.

A semente do respeito foi plantada. A arte aqui nos empresta seu casual perfil de entretenimento para alinhar arte com reflexão social. Afinal, o Jumento é tão Burro quanto parece ou como fizemos ele parecer ser?

Fica aqui o sonho de que um novo dia irá raia!

Conjunto:

Esta obra legitimista o nosso papel de agente social que, a partir do viés cultural propiciado pelo segmento junino - a Quadrilha vem reverenciar um herói social nunca antes lembrando e exibido com esse vigor artístico. E é pelas mãos, vozes, com nossa música e bailado, com nosso corpo e alma que essa gente simples de comunidade apresenta no lombo seus sonhos e destinos de felicidade.

Por fim, fazendo o bom uso da sabedoria popular de vários heróis aqui prestigiados como Luiz Gonzaga e Padre Antônio Vieira, a nossa Quadrilha Junina Traque de Massa se despede com um poema de mais um grande herói de vidas – Patativa do Assaré que se vivo fosse abriria mais uma vez suas asas em poesia ao nosso amigo – O Burro.


Poema:

O Burro
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas, contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.
Patativa do Assaré



Dedicatória:

“Dedico esta obra ao meu amigo, o Burro e aos meus amigos que infelizmente não são Burros nem nada”.

PADRE ANTÔNIO VIEIRA
(Autor do livro: O Jumento é nosso irmão – 1964)

By Anderson

O texto acima, como vocês já devem ter percebido, trata-se de uma sinopse que conta o enredo trabalhado pela Quadrilha Junina Traque de Massa no ano de 2009. O idealizador desse texto foi o meu grande amigo Anderson que me deu a honra de corrigi-lo. Então, resolvi postá-lo para que todos vejam mais uma manifestação textual que teve a minha singela participação.

Aqui vão os detalhes da correção feita por mim:

Olá Anderson!

Antes de tudo vou responder a sua pergunta inicial: Os meus últimos dias em gaybu não foram mais felizes porque você não estava presente, por mais que você não acredite. Outra coisa: não vou desistir de ficar com você. Lembra quando eu revelei para você que TUDO o que eu desejo na vida eu acabo conseguindo??? Pois é! Isso inclui você também kkkkkkkkkkkkk O tempo é o mestre de tudo, néh verdade?! Esperarei pacientemente...

Enquanto ao seu texto, confesso que fiquei maravilhado. Não esperava algo tão bom (estou sendo sincero). Isto por que ele contempla uma estrutura coerente-coesiva que me agrada muito. Quando nós contruimos um texto temos que fazer uso de um imenso arsenal de conhecimentos paralelos, no intuito de levar o leitor a inferir sobrte a temática que será abordada. Em se tratando de uma sinopse isso é fundamental, visto que a ideia é fazer um panorama, meio que superficial do tema que será posteriormente exposto. Ainda nesse sentido, o seu texto apresenta um elo coerente muito bom, ou seja, a partir do primeiro parágrafo até o último eu consigo entender a mensagem que está sendo veículada. Isso parece besteira, mas não é. O texto que será veiculado para público tem que primar pela simplicidade e, sobretudo pela legitimidade, ou seja, qualquer leitor ao ler o seu texto vai compreendê-lo de formal total ou parcial.

Mesmo gostando MUITO do seu texto, eu acabei encontrando algumas pequenas falhas no quesito coesão. Isso, em parte, me deixou muito feliz, pois entre a coesão e a coerência a segunda é a mais importante para o texto. É claro que a junção de ambas faz com que o texto fique perfeito. A coesão nada mais é do que as falhas gramaticais que o texto pode apresentar. Se essas falhas não forem tão graves, o texto não perderá muito com isso. Caso contrário, resultará na contaminação da estrutura semântica do corpus do texto, dificultando a interpretabilidade. Como fora mencionado, o seu texto apresentou algumas falhas (poucas) na base coesiva:
• Falhas de pontuação (Você usou varias vezes o travessão (-) no lugar de usar os dois pontos (:);
• Vírgulas desnecessárias (O uso exagerado de vírgulas deixa o texto muito pausado e isso prejudica a leitura);
• Divisão errônea de alguns parágrafos (Alguns paragrafos foram divididos na hora errada, prejudicando a progessão textual);
• Uso da oralidade em texto formal (PRA) (Se o texto foi estruturado na formalidade prevista na gramatica, o uso de um termo da oralidade acaba descontruindo tudo o que foi dito anteriormente. Utilize as marcas da oralidade se a ocasião em que o texto será apresentado permitir. Caso contrário evite;
• Evite colocar as conjunções opositivas no inicio do parágrafo (Não é errado colocar as conjunções em inicio de parágrafo. Entretanto, em se tratando das conjunções opositivas isso ganha outro viés. Elas servem de conectivos para contrapor ideias que estão próximas ( entre pontos ou vírgulas). No inicio dos parágrafos esse tipo de conjunção só é utilizada quando vc constrói um raciocinio e, em seguida desconstrói no outro;
• "É a branca e colorida luz de paz e esperança por dias melhores para o povo nordestino brasileiro". Essa frase, na minha opinião, está deslocada no texto. Ela não apresenta nenhuma falha gramatical, porém, acretido que se colocada em outro momento de texto engrandecerá ainda mais a temática abordada.
Teve um parágrafo específico que me chamou muito atenção:

"Todas as cores favorecem a comunicação com o homem e os sinais recebidos e emitidos pelo cérebro a partir desse contato visual. Logo, ao realizar um estudo psicológico do animal, percebemos que o Jerico possuidor da cor cinza transmite equilíbrio e estabilidade para o homem. Já o complemento da cor branca nos remete paz, sinceridade, verdade, calma e pureza. Não é a toa que o ser humano confie no Jumento, por natureza é um animal de força e paz."
Esse trecho ficou MUITO BOM!

Você não imagina como eu fico emocionado em ver um texto tão bem escrito. Não estou exagerando. Adoro ler algo com conteúdo, que me transporte para outra realidade, que ative todos ou parte dos meus conhecimentos armazenados. Enfim, sou meio exagerado neh?! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Antes de mais nada quero lhe agradecer por ter entregue o seu trabalho nas minhas mãos. Imagino o quão dificil foi ter pesquisado sobre a vida do Jegue. Agradeço também pela confiança, pois nos conhecemos a pouquissimo tempo, neh?! Bjoxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx



Em seguida vai um trecho da Campeã do São João de 2009



O mundo anda assustado com a crescente onda de atentados terroristas, no entanto, poucas pessoas sabem decifrar o enigma para o uso de tanta violência. Na realidade, o motor impulsionador das revoltas gira em torno dos pensamentos de cunho ideológico, político e religioso, contribuindo para infindáveis atritos. O resultado disso são sangrentas batalhas, fatalmente ocasionando um elevado número de vítimas, na sua grande maioria civis.

Quando esse assunto vem à tona, pensam-se instantaneamente em manifestações, homens-bomba e em tudo o que possa caracterizar as marcas do terror. Historicamente, entretanto, nem sempre esses foram os objetivos dos ataques terroristas. Isto porque, a princípio, as revoltas dos grupos extremistas tinham como base a questão religiosa ou as disputas territoriais. Na atualidade, a razão para o uso de tanta violência pode ser datado a partir do momento em que os EUA, representado pelas Nações Unidas – ONU, cria em 1948 o estado de Israel, dando inicio a uma das mais fincadas batalhas territoriais da história.

Em meio a isso, cresceu entre os EUA e os mulçumanos um clima de animosidade que, anualmente resulta num crescente número de mortos. A exemplo disso pode ser mencionado a tragédia de 11 de setembro, acontecimento que abalou as estruturas da sociedade em todo o mundo. Possivelmente, a cobiça pelo petróleo, matéria-prima encontrada em abundância nos emirados-árabes, pode ter sido a causa para o uso de tanta brutalidade. Nesse sentido, seria incoerente tentar equiparar os ataques que são constantemente noticiados, mas a inesperada exibição das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, pelos norte-americanos, foi também um dos maiores atentados cometidos contra a humanidade, porém, infelizmente, pouco se discutiu sobre essa tragédia que fulminou milhares de vidas.

Na tentativa de defender uma ideologia, os terroristas continuam utilizando a intolerância e a hostilidade como ferramentas para resolverem as questões de ordem político-social e religiosa. O resultado disso tudo são os elevados índices de mortes nos campos de batalha que, segundo a ONU, passam de 30 mil por ano, entre civis e soldados. Por mais assustador que possam parecer esses dados, não se pode atribuir um juízo de valor sem antes analisar, critica e historicamente uma questão: o que leva certas pessoas a cometerem atos tão brutais em nome de determinados ideais nacionalistas?


















Melodia Sentimental
Maria Bethânia
Composição: Heitor Villa Lobos e Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar


02 junho 2010



Quando a palavra “educação” é tema de discussão, rapidamente remete a outras inferências que estarão ligadas aos problemas sociais que estão intimamente ligados a essa temática. Sobretudo porque, no Brasil, os alicerces em torno da educação sofrem com o descaso de instituições mal preparadas, profissionais mal remunerados e o estilo de ensino que se baseia em apenas cumprir o calendário escolar, sem levar em consideração as inovações na área do ensino. Por tudo isso, falar, ou sequer investigar o ensino na sala de aula, principalmente o ensino de língua portuguesa, tornou-se uma tarefa de Sisifo, já que, muitas vezes, os problemas enfrentados pelas escolas estão sendo mascarados para passar uma imagem psedopositiva do ensino.

Depois dos atuais avanços para uma democratização no ensino é notório perceber que o déficit de crianças que ainda não compõem o quadro educacional do país é gritante. Além disso, os estereótipos linguísticos que permeiam a nossa sociedade transferiram para as escolas um modelo taxativo e preconceituoso de ensino, no qual é desconsiderada a vivencia deste aluno antes de ingressar na atmosfera escolar. Linguisticamente falando, os que não se adequarem aos moldes pregados pela escola, não estarão aptos a fazer parte da sociedade, pois, infelizmente, existe uma cultura do medo, na qual o aluno é obrigado a aprender os fundamentos sustentados pela escola para assim conseguir o seu lugar na sociedade.

E é justamente sobre esses fundamentos que o livro Linguagem e Escola, de Magda Soares, irão discutir. Dividindo o livro em seis capítulos, a autora busca esmiuçar os estudos em torno dessa temática para elucidar os problemas que envolvem o ensino de língua. Seu livro, além de muito informativo, evidencia temas atemporais que podem ser aplicados na atual realidade de muitas escolas. A ideia da autora é questionar o papel da escola como formadora de conhecimento, e se esta está exercendo bem esse papel. As teorias e conceitos utilizados servem para dar verossimilhança aos argumentos apresentados em cada novo capitulo.

Após a introdução, que por sinal nos dá um panorama completo da obra que será lida, temos o capitulo referente ao fracasso da/na escola. Ela começa a fazer nesse capitulo um percurso histórico sobre a questão do ensino no Brasil, passando por Rui Barbosa, a época do Estado Novo até a atualidade. Nesse curso histórico a autora enfatiza que as tentativas de criar um ensino de qualidade é algo antigo, pois muitas propostas foram formuladas, mas ate agora a real democratização não ocorreu de fato. Em meio a isso, o livro começa a exibir as teorias que tentam justificar os declives educacionais no ambiente escolar. A primeira, a ideologia do dom, afirma que o problema está na dificuldade de aptidão de alguns alunos para absorver certos conhecimentos. A segunda, a ideologia da deficiência cultural, afirma que a falta de cultura ou o excesso dela pode moldar a inteligência do indivíduo. A terceira e ultima a ideologia das diferenças culturais, afirma que existem culturas que são superiores as outras e por isso, teriam maior propensão social que refletiria significativamente no aprendizado do aluno. Evidentemente essas teorias foram contestadas, já que seus fundamentos não levam em conta que a língua é algo vivo e como tal está em crescente evolução.

No terceiro capitulo do livro, intitulado de Deficiência linguística, a autora lança um questionamento acerca dessas deficiências ao longo de cada parágrafo. No primeiro tópico, aparecesse a pobreza como fator predominante na aquisição de uma linguagem errônea. Segundo essa patologia, o individuo pobre teria maior propensão em ter problemas com a aprendizagem de determinados conteúdos passados pela escola. Não muito diferente desse teria, o déficit linguístico também se ancora nas camadas mais populares para explicar sua teoria, no qual o aluno vem para a escola repleto de deficiências linguísticas que impedem o seu avanço. Em seguida, a autora fundamenta a discussão trazendo à tona a colaboração de Bernstein, no que diz respeito à teoria da deficiência linguística.

No quarto capitulo, no entanto, a autora começa a desconstruir o mito referente à deficiência linguística. Nas palavras da autora, existe uma impropriedade que revela certa ignorância por parte de alguns profissionais da ciência da linguagem, em desconhecer os trabalhos exercidos pela sociolinguística. Alguns estudiosos acreditam que exista uma variedade superior e outra inferior, indo de encontro com os preceitos antropológicos e sociolinguísticos. O determinismo pregado por esses estudiosos acabam contrapondo toda uma visão social da linguagem, que por sua vez, é responsável por fundamentar as discussões em torno da evolução da língua.

A questão da deficiência também está presente no âmbito escolar. No quinto capitulo, a autora lança uma afirmação: na escola, diferença é deficiência. Sabemos que, na realidade, essa afirmação é verídica. Isto por que, na escola, muitas vezes são desconsiderados todos os conhecimentos linguístico adquiridos pelo aluno antes de ingressar na escola. Há uma necessidade de transformar esse aluno, como se ele fosse uma pedra bruta que precisasse ser rapidamente lapidada, para em seguida ser comercializada. Mais ou menos assim ocorre nas escolas, já que ainda existe uma visão taxativa de que o aluno, antes de frequentar q escola, apresenta uma deficiência na linguagem, pois ainda não teve o devido contato com a norma padrão, aquela que rege os moldes sociais até então conhecidos.

No sexto e ultimo capitulo, a autora lança uma pergunta, até um tanto perturbadora: que pode fazer a escola? As teorias para responder a essa pergunta são inúmeras, mas, parafraseando os conceitos impregnados nesse livro, fica evidente que um modelo de escola transformadora, que agregue o aluno a realidade em que ele vive seria o caminho salutar na lutar para reverter os pensamentos nefastos em torno do ensino de língua. Uma escola que respeita as diferenças, que está por dentro da variabilidade da língua e que, posteriormente, trás essa maleabilidade para dentre da sala de aula, com certeza colherá bons resultados.

No entanto, para que tudo isso ocorra, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Muitas barreiras sociais que impedem o progresso do ensino devem ser demolidas para que haja uma verdadeira democratização do ensino e, consequentemente do conhecimento. Acredito que este livro, além de trazer significativas teorias para reverter à realidade das escolas, pode mostrar que essa barreira não é tão intransponível. Basta que a sociedade encare o problema da educação com mais pertinência e maturidade, buscando soluções plausíveis e deixando de lado os moldes ultrapassados que só fazem dificultar o aprendizado em sala de aula.





Curso de Linguística Geral é uma das obras mais importantes da história relacionada aos estudos da linguagem. Embasada por Ferdinand de Saussure, um dos maiores estudiosos nessa área, este livro foi lançado em 1916, postumamente pelos alunos de Saussure. Esses aprendizes fizeram uma compilação das obras do mestre a fim de construir uma obra que internalizasse as ideias geniais desse que foi um dos maiores responsáveis pela estruturação da linguística como ciência. Os temas e conceitos abordados por esse livro dizem respeito ao trabalho realizado por Ferdinand em estudar a língua como elemento fundamental da comunicação humana. Ele, por sua vez, faz uma divisão no seu campo de estudo, popularmente conhecida como dicotomias. Esse desmembramento serviu para clarificar os conceitos que ele tinha com relação à função exercida pela linguagem. Nesta obra as dicotomias são: língua x fala; significante x significado; sincronia x diacronia; sintagma x paradigma.

Esta obra começa fazendo um panorama evolutivo da linguística, que teve três fases antes de encontrar o seu real objeto de estudo. Primeiro veio à gramática com a sua visão limitada e normativa da língua, impondo regras do que certo e errado na língua. Depois, surgiu a filologia que não tinha apenas a língua como objeto de estudo, mas também os textos literários, comentando-os e interpretando-os. Por último, a história da linguística chega à gramática comparada que, como o próprio nome já diz, faz uma comparação entre as línguas. Nessa fase temos o nome de Franz Bropp que em 1816 lançou uma obra intitulada de Sistema da Conjuração do Sânscrito, estudando as relações que uniam essa língua a várias outras como o grego, germânico, latim e etc. Bropp não foi o primeiro a assinalar, contudo, que essas novas línguas pertenciam a uma mesma família, mas foi ele que compreendeu que as relações entre línguas afins podiam torna-se matéria para uma ciência autônoma. Ainda na parte introdutória do livro, merece menção a parte em que o autor começa a fazer comentários sobre os erros cometidos pela gramática comparativa, que não enquadrou à história nos seus estudos sobre a língua. Essa atitude exclusivamente comparatista acarretou uma série de conceitos errôneos em torno da linguagem, dando início ao surgimento dos neogramáticos, que por sua vez, analisavam a língua “não como um organismo que se desenvolve por si, mas um produto do espírito coletivo dos grupos linguísticos (p.12)”.

No desenrolar da obra, encontramos no segundo capítulo as tarefas da linguística e as suas relações com determinadas ciências. Na leitura dessa parte, cumpre enfatizar, que em momento algum a linguística se dissocia da gramática normativa. A linguística, como ciência, apenas estreita as relações do seu estudo para um melhor desempenho das teorias sobre a linguagem. É claro que para isso a linguística não poderá trabalhar sozinha. Então, surgi à correlação entre ciências como a fisiologia que, não diferente da linguística, estuda os aspectos fônicos da língua. Diferentemente da filologia que tem seu papel definido como ciência e se distingue da linguística.

No terceiro capítulo do livro, aparecem os questionamentos sobre o objeto de estudo da linguística. No desenrolar do texto fica cada vez mais evidente o interesse de Saussure pelo estudo da língua, pois, para ele, a linguagem é social e individual, enfim, a fusão da língua e da fala.

Ferdinand escolhe o estudo sistemático da língua, por esta ser a matéria indissociável da linguagem. Para reforçar esse argumento o autor coloca: “Para atribuir à língua o primeiro lugar do estudo da linguagem pode-se, enfim, fazer valer o argumento de que a faculdade - natural ou não – de articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade (p.18)”. Ainda nesse capítulo, mais precisamente no segundo subtópico, inicia-se o estudo da língua no meio da linguagem. É nos exemplificado, fisiologicamente, como ocorre o fenômeno da interação da língua no ato da comunicação, tanto no aspecto físico quanto no psíquico. É interessante observar nesta parte da obra como os mecanismos que compõe a linguagem funcionam no dado momento da comunicação, fazendo com que a interação entre indivíduos efetivamente ocorra. Além disso, Saussure, continua traçando paralelos entre língua e fala, sempre dando ênfase na primeira.

Na última parte desse capítulo surgi o debate em torno do signo linguístico, denominado como Semiologia. Essa parte da obra é crucial, pois, nos próximos capítulos, Saussure começa a fazer as distinções sobre as suas famosas dicotomias. Por isso, o entendimento do signo linguístico como uma entidade do conjunto que forma a linguagem é fundamental. Ainda sobre a semiologia cabe ilustrar a diferença existente entre ela e a linguística. Enquanto a linguística limita-se em estudar apenas a linguagem humana, a semiologia vai além, estudando a dos animais e de toda e qualquer sistema de comunicação, seja natural ou convencional.

Finalizando essa parte, no quarto capítulo, o autor começa a separar a língua da fala, dividindo-as como duas partes particulares da linguística. Mesmo sabendo que ambas são indissociáveis na formação da linguagem, percebemos a ênfase, na leitura desse capítulo, em que Saussure, em várias situações, coloca a língua no patamar superior ao da fala. Ele chega a afirmar categoricamente que a língua seria a parte essencial no estudo da linguagem, e a fala, portanto, seria a parte secundária. Toda essa valorização da língua como objeto de estudo perdura também nos próximos capítulos do texto, sobretudo na parte seguinte em que começa a ser conceituada as famosas dicotomias de Saussure.

Ferdinand de Saussure ficou conhecido no mundo todo por elaborar teorias que propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência. A partir daí acabou desencadeando no surgimento do Estruturalismo, corrente que veio de encontro com o gerativismo e o pragmatismo. Na base dessa reestruturação linguística Saussure criou dicotomias que explicassem, de forma clara, as suas ideias em torno da língua. Na obra em questão, ele começa analisando a natureza do signo linguístico. Cada um deles é visto separadamente por Saussure que sistematiza seus conceitos a fim de clarificar ainda mais o seu raciocínio. Uma das primeiras dicotomias refere-se ao conceito de significante e significado. O primeiro consiste em uma imagem acústica, enquanto o outro reside no plano do conteúdo. Depois dessa sucinta definição o livro da continuidade aos exemplos que envolvem o signo linguístico, no intuito de elucidar ainda mais os conceitos que envolvem essa dicotomia. A segunda dicotomia diz respeito ao estudo da língua na história.

Durante muito tempo a linguística não analisava o seu objeto de estudo, a língua, numa perspectiva histórica. Então surgi à segunda dicotomia conhecida como sincronia e diacronia. A primeira estuda a língua num determinado ponto da história, enquanto a outra estuda a língua no curso evolutivo da história. Nessa parte do livro é indispensável à leitura do capitulo referente à imutabilidade e mutabilidade da língua, pois, os questionamentos levantados são de extrema importância para o entendimento das dicotomias de Saussure.

Essa obra, portanto, é uma boa pedida para aqueles que querem se aprofundar na área da linguística, como também para qualquer outro profissional de áreas diferentes que estejam interessados em desmistificar o surgimento e a evolução da língua. Habilidosamente, a obra clarifica os conceitos elaborados por Saussure que, sistematicamente mudaram a forma de ver e estudar a linguística. Mesmo com a oposição de alguns linguistas contemporâneos, o Curso de Linguistica Geral é uma excelente material para a compreensão da linguística como ciência, sobretudo para aqueles que estão dando os primeiros passos nessa área.




Infinito Particular - Marisa Monte


Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou portabandeira
de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

01 junho 2010





O vídeo acima narra relatos de violência contra homossexuais no inicio da década de 90. Esse vídeo contém o depoimento frio de um assassino calculista que, no período em que a reportagem foi gravada, estava preso por ter matado mais de 10 homossexuais. Entre as suas vitimas estavam médicos, jornalistas, artistas famosos da época, empresários e etc. Ele conta que no começo fazia programas para conseguir algum dinheiro extra, mas isso foi mudando quando ele percebeu que roubando e matando suas vitimas (latrocínio) ele lucraria bem mais.

A reportagem também chama atenção para uma realidade de violência exacerbada que circundava a vida de vários homossexuais que vivam na obscuridade, impossibilitados de expressar seus desejos, vivendo em pequenos grupos e se encontrando as escondidas para não serem mortos. Confesso que nada me chamou atenção nessa matéria. Entretanto, ao fazer um paradoxo entre outrora e a atualidade eu me fiz um questionamento: O que mudou na vida dos homossexuais daquela época para os de hoje? Para a minha grande tristeza a resposta não foi tão animadora.

Lamentavelmente vivemos numa sociedade pseudolibertária que busca a todo o momento se igualar aos modelos dos países desenvolvidos, sobretudo quando a intenção é solucionar temas de ordem polêmica, dentre eles, as diversas esferas que sustentam o preconceito contra as minorias (mulheres, negros e homossexuais). Este último já deixou de ser minoria há muito tempo, já que o número de gays assumidos no Brasil triplicou em apenas cinquenta anos. Chamar de minoria uma massa como essa é tentar esteriotipar pejorativamente um grupo que vem se consolidando em vários núcleos da nossa sociedade.

Esse crescimento exacerbado da cultura LGBTT (Lésbicas Gays Bissexuais Travestis e Transgêneros) também trouxe sérios danos para a emancipação do discurso da diversidade no país. Isto porque, historicamente, sabemos que o Brasil está estruturado em alicerces que dificultam a escalada dos homossexuais a algumas esferas sócias, sobretudo aquela que ainda é considerada como o principal obstáculo a ser ultrapassado: A FAMÍLIA. Esta que ainda é vista como algo inabalável, impedindo que um novo modelo de família seja implementado. (Mesmo assim, acredito que isso já está mudando paulatinamente)

Outro ponto importante diz respeito à violência sofrida por muitos gays no Brasil. O vídeo mostrado a pouco relata, como fora mencionado, uma realidade que na minha concepção não mudou muito. Ainda hoje vários homossexuais são mortos de forma brutal em vários estados. Muitos dos acusados não são nem procurados, pois a própria policia muitas vezes é conivente com assassino, deixando de colocar mais um marginal atrás das grades em razão de atitudes conservadoras.

Com isso, o que encontramos de semelhante entre o passado e o presente se resume em uma única palavra: HOMOFOBIA. Esta que já virou moda nos discursos politicas que tentam a todo o instante encontrar maneiras de reverter a cruel realidade da comunidade gay no país. Infelizmente, palavras não vão trazer de volta a vida de milhões de cidadãos que morreram por assumir as suas preferências sexuais diante da sociedade. Essas mesmas palavras deveriam sim estruturar um discurso consciente que solucionasse os problemas enfrentados pelos gays, independente da condição social do individuo que assumir a sua sexualidade.

O que falta na sociedade é a conscientização dos direitos inalienavéis que cada individuo possui desde a hora do seu nascimento. Direito este que é simplesmente esquecido no vale da ignorância e do desrespeito quando o individuo se intitula homossexual. Mas, finalmente, o que diferencia os gays do restante da sociedade? A resposta é simples: NADA. Todas as pessoas têm qualidades e defeitos que estão além da orientação sexual que escolheram. O que acontece contra a comunidade LGBTT é o reflexo de uma nação dividida entre conceitos medievais de moral e bons-costumes e a imposição religiosa de diversas entidades que usam a palavra de Deus como arma de argumentação contra os homossexuais.

O resultado de tudo isso é o crescente índice de rejeição social e violência contra os gays. Mesmo com todos os benefícios alcançados, ainda há muito por fazer, sobretudo com relação ao crescente número de assassinatos ocorridos nos últimos anos. Confesso que não imaginava que morriam tantos gays no Brasil, mas após ler uma matéria no site mundomais fiquei completamente atordoado. Na reportagem mostra como vem crescendo os casos de crimes contra a comunidade gay e porquê nada é feito para prender os assassinos que cometem esse tipo de crime.

Na matéria não fica muito claro, porém a minha inferência me diz que a principal causa ainda é o preconceito, ou seja, a homofobia, o descaso e a discriminação impedem que as investigações com relação a crimes contra LGBTT caminhem. O que é desanimador, pois todo o cidadão tem o direito de ver o assassino de um ente querido seu na cadeia, entretanto quando esse parente é homossexual abre-se um precipício impedindo que os trâmites legais sejam cumpridos.

Essa realidade se agrava sobretudo no nordeste do Brasil onde o número de homossexuais agredidos e mortos cresce assustadoramente. O GGB (Grupo Gay da Bahia) fez um levantamento do número de casos envolvendo gay no país. A matéria traz índices preocupantes:






SALVADOR – De acordo com o Relatório da Homofobia, divulgado anualmente pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil teve 198 homossexuais assassinados em 2009. Este número é superior ao ano de 2008, quando 189 LGBT foram mortos. Em 2007, foram 122 mortes por crimes homofóbicos.

O aumento de mortes a cada ano coloca o Brasil como o país mais homofóbico do mundo, segundo o GGB. Dos 198 assassinatos, os gays foram as maiores vítimas. 117 gays (59%), 72 travestis (37%) e 9 lésbicas(4%) foram mortos no ano passado.

O presidente do GGB Luiz Mott afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter uma postura mais ativa quanto às quentões da homofobia no Brasil, com mais ação e menos “blá blá blá”.

“Apesar do programa ‘Brasil sem Homofobia’, nosso país continua sendo o campeão mundial de homicídios contra LGBT, com 198 mortes, seguido do México com 35 e dos Estados Unidos com 25 mortes anuais. A cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil, vítima da homofobia”, diz Mott.

Os estados mais violentos – A violência nos estados em 2009 foram quase equiparados no ranking da homofobia no Brasil. Os estados da Bahia e do Paraná empataram em primeiro lugar com 25 mortes cada um.

Na segunda colocação, empataram com 14 mortes os estados de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Em terceiro, aparece o estado de Alagoas com 11 mortes, seguido de Goiás com 9 mortes e os estados do Mato Grosso, Rio de Janeiro e Paraíba com 8 mortes.

“Estes números são apenas a ponta de um iceberg de sangue e ódio, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, nos baseamos em notícias de jornal e internet, uma amostra assumidamente subnotificada”, comenta Mott.

Características de ódio – O relatório do GGB destaca algumas características do crime de ódio nos assassinatos homofóbicos, que incluem muitos golpes, múltiplos instrumentos e tortura. Cinco das vitimas foram degoladas e dez delas tiveram seus corpos queimados.

Como exemplo, o GGB destaca o assassinado da travesti Karina Alves, 26, que foi morta com 13 tiros em Belo Horizonte, enquanto o idoso gayJonas Terêncio de Souza, mecânico de Tocantins, levou mais de 60 golpes de faca; outro gay, Walmir Silveira Ponciano, 38, cartomante, morreu em Corumbá, MS, com 37 facadas.

Assassinos sem nome – O relatório destaca ainda que 80% das ocorrências policiais têm “autor desconhecido” dos crimes. Segundo o GGB, ou por terem sido praticados altas horas da noite, em locais ermos, ou pela omissão das testemunhas que, devido ao preconceito anti-homossexual, não querem se envolver com vítimas tão desprezíveis.

Outro dado alarmante é a jovialidade dos assassinos de homossexuais. Mais da metade dos homicidas tinham menos de 21 anos. O mais jovem tinna apenas com 13 anos. Varios destes jovens agem em grupo.
"É uma falha principalmente da escola. Essa juventude se torna agressiva pela falta de uma educação sem homofobia, que incorpore o respeito aos direitos dos homossexuais em sua metodologia de ensino," diz Deco Ribeiro, do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados de Campinas, SP.

Dos 20% dos criminosos identificados, menos de 10% chegam a ser detidos e julgados. Mesmo os julgados, alegando legítima defesa da honra, são beneficiados com penas leves ou injustamente absolvidos.

Como nos anos anteriores, entre os assassinos de LGBT em 2009 predominaram os garotos de programa e clientes de travestis. Agora em 2010, o GGBcontabiliza 34 assassinatos de LGBT.






A homofobia nesse sentido é a palavra do momento. Mas o que é ser homofóbico? Vários são os conceitos que poderiam ser dados para classificar a etmologia da palavra, entretanto, acredito que a homofobia vai além da simples aversão ao homossexual, como geralmente encontramos nas descrições dos dicionários. Para mim é a desvalorização do direito que cada pessoa tem de expressar seus sentimentos e preferências; é a falta de tolerância pelo direito do outro em querer assumir um posicionamento que difere da maioria; é a inexistência de amor ao próximo e aos valores que cada ser humano possui independente da opção sexual; é a mais pura demonstração de hipocrisia que tenta justificar a amoralidade de alguns como justificativa para praticar atos de crueldade.

A ausência de tudo isso resulta num só produto: a violência. Violência que quase levou o casal do Malauí a prisão perpetua, por expressar a sua orientação sexual em lugar público. Salvos graças aos países Europeus e a ONU que intercederam pelo casal, levando a corte do Malaui (país que considera a homossexualidade como ato indecente e atentado violento ao pudor, tendo como pena a prisão perpétua ou morte) a reavaliar sua posição diante da condenação dos acusados. Felizmente esse caso foi resolvido, mas enquanto isso milhões de homossexuais são mortos silenciosamente em todo o mundo.

Os casos mostrados acima pelo site mundomais mostram que, apesar do Brasil estar entre os países de maior representatividade em relação à temática LGBTT, ainda há um longo caminho a ser trilhado. Muitas vezes eu acho que essa “liberdade” que o nosso país demonstra acaba mascarando o preconceito que insiste em não desaparecer. Quando eu falo de preconceito eu digo que a nossa sociedade, por mais avançada que seja, ainda não está preparada para aceitar a homossexualidade, no sentido lato da palavra. Talvez a longo prazo isso mude, mas para que isso aconteça é preciso de forças conjuntas entre a comunidade LGBTT e os nossos representantes no governo, afinal de contas os gay também são cidadãos como quaisquer outros.












O primeiro passo já foi dado a favor dos homossexuais. Isto porque a luta pela aprovação do PL/122, ou simplesmente a lei da Homofobia, como é conhecida, começou com força total. Essa nova lei prevê alguns direitos aos homossexuais como programa de saúde para a comunidade gay, projetos educacionais que levam a temática LGBTT para dentro das escolas, planos contra a violência a homossexuais, aprovação da união homoafetiva e etc. O primeiro movimento a favor da aprovação aconteceu em Brasilia com uma grande marcha que levou centenas de pessoas ao planalto no intuito de reivindicar a aprovação da lei.

O planalto sentiu a força LGBTT e possivelmente aprovará a lei que mudará para sempre a historia do nosso país. Resta saber se com a aprovação da lei algo de benéfico realmente acontecerá para a comunidade gay, pois receio que, como diversas outras leis extremistas, essa seja também descomprida ou jogada na vala do esquecimento (Tema que será discutido no próximo texto). Mas, sejamos otimistas, pois muita coisa melhorou. Mesmo com a constante perseguição da Igreja Católica e seus conceitos ortodoxos; mesmo com os ataques das igrejas protestantes que insistem em queimar os gays no fogo do inferno (AFF!); mesmo com a falta de politicas voltadas a temática gay; mesmo assim, a aceitação do gay hoje é maior do que há muito anos.

Chegará o momento em que a sociedade tratará o seu semelhante realamente com igualdade, independente da preferência sexual que este escolher? Talvez nem eu e nem você que está lendo o meu Blog terão essa resposta. Em contrapartida, ouso fazer uma projeção positiva, porque acredito que, por mais intolerantes e manipuláveis sejam as pessoas que regem a nossa sociedade, um dia ser gay não será algo abominavel. Mas enquanto isso não aconteça eu convido você a lutar contra a intolerância e o desamor propagado pelos que acreditam ser os donos da moralidade. Não estou aqui fazendo apologia a uma vida de esbórnia e promiscuidade. Nem tampouco estou pedindo para que você leitor mude as suas concepções sobre a sexualidade de qualquer pessoa. Peço apenas algo que todo o ser humano merece: RESPEITO e o direito de escolher o caminho pelo qual ele quer seguir.

Se cada pessoa fizer a sua parte, possivelmente, a curto prazo, eliminaremos o preconceito, não só contra os gays, mas também contra a mulher, contra os negros e contra qualquer outra forma errônea de pensamento valorativo que julga e condena as pessoas pelo que consideram como errado ou fora dos padrôes.



ACHO QUE ESSE SIMBOLO FALA POR SI SÓ: