30 novembro 2010



Fica Comigo
Placa Luminosa
Composição: Thomas Roth / Arnaldo Saccomani

Amo você, fica comigo
O seu jeito de ser
Me pegou sem notar
Sem querer...

Quero você
Mas deixa comigo
Dá o teu coração
Te devolvo em dobro
A paixão...

Já provei da maçã
E é você quem eu quero
Tudo bem sou teu fã
Eu confesso te espero amanhã...

O nosso amor é lindo!
Tão lindo!
Nada pode ser mais lindo
Do que o nosso amor...(2x)

Amo você, fica comigo
Uma frase, um papel
Uma noite, um motel
Só nós dois...

Com você, minhas cartas
Tão todas na mesa
Eu não posso, não quero
Nenhuma surpresa prá nós...

O nosso amor é lindo!
Tão lindo!
Nada pode ser mais lindo
Do que o nosso amor...

O nosso amor é lindo!
Prá você que eu fiz
Essa canção
Dá prá mim todo teu coração
Que eu devolvo em dobro
A paixão...(3x)

Prá você que eu fiz
Essa canção
Dá prá mim todo seu coração
Que eu devolvo em dobro
A paixão...(2x)
Por você eu sou capaz de escalar paredes
Subir ao pico mais alto
Escalar montes
Mover montanhas...
Por você eu perco a cabeça
Cometo suicidio
Sou capaz até de perder o juízo
Te dar minha alma, vender meu espirito...

Por você eu dou a volta o mundo
Entrego-me de cabeça
Vou até o fundo
Pois sei que o que sinto é verdadeiro e profundo...
Por você faço qualquer coisa
Da mais complexa até a mais boba
Para não te perder sou feroz como uma loba
Pois, de tudo o que a vida já me deu, esse amor é a coisa mais boa...

GENTE, ACABEI DE ASSITIR ESSE FILME E DIGO COM TODA COMVICÇÃO: ELE É SENSACIONAL!!!!!!!!!!!!!!! QUEM PUDER, POR FAVOR, ASSISTA, POIS NÃO IRÁ SE ARREPENDER.

Sinopse:

O escritor Truman Capote (Toby Jones) realiza uma pesquisa para escrever seu 1º livro não-ficcional, "A Sangue Frio", baseado no assassinato de 4 pessoas ocorrido numa pequena cidade do Kansas. Para tanto ele mantém contato com os assassinos Perry Smith (Daniel Craig) e Dick Hickock (Lee Pace), que estão presos à espera de julgamento.

Baseado nos fatos reais sobre o brutal assassinato de uma família no Texas. Confidencial reúne um elenco estelar de uma magnitude rearamente vista num mesmo filme: Toby Jones, Sandra Bullock, Gwyneth Paltrow, Daniel Craig, Jeff Daniels, Isabella Rossellini e Sigourney Weaver, entre outros, aparecem nesta história sobre como as vidas dos envolvidos mudaram radicalmente após a tragédia.

Elenco:

Sigourney Weaver

(Babe Paley)

Gwyneth Paltrow

(Kitty Dean)

  • Toby Jones (Truman Capote)
  • Juliet Stevenson (Diana Vreeland)
  • Michael Panes (Gore Vidal)
  • Frank G. Curcio (William Shawn)
  • Sandra Bullock (Nelle Harper Lee)
  • Isabella Rossellini (Marella Agnelli)
  • John Benjamin Hickey (Jack Dunphy)
  • Peter Bogdanovich (Bennett Cerf)
  • Jeff Daniels (Alvin Dewey)
  • Marco Perella (Clifford Hope)
  • Bethlyn Gerard (Marie Dewey)
  • Libby Villari (Delores Hope)
  • Joey Basham (Paul Dewey)
  • Marian Aleta Jones (Ellen Bechner)
  • Terri Zee (Nancy Hickey)
  • Richard Jones (Andy Erhart)
  • Brian Shoop (Everett Ogburn)
  • Lee Pace (Dick Hickock)
  • Daniel Craig (Perry Smith)
  • Brady Coleman (Charles McAtee)
  • Lee Ritchey (William "Bill" Paley)
  • Zachary Burnett (Truman Capote - jovem)
  • Brady Hender (Perry Smith - jovem)
  • Terri Bennett (Secretária)
  • Hope Davis (Slim Keith)
Ficha Técnica:

título original:Infamous

gênero:Drama

duração:1 hr 50 min

ano de lançamento: 2006

site oficial: http:

estúdio: Killer Films / Longfellow Pictures / Jack and Henry Produtions Inc.

distribuidora: Warner Independent Pictures / Alpha Filmes

direção: Laura Ballinger

roteiro: Douglas McGrath, baseado em livro de George Plimpton

produção: Jocelyn Hayes, Christine Vachon e Anne Walker-McBay

música: Rachel Portman

fotografia: Bruno Delbonnel

direção de arte: Laura Ballinger

figurino: Laura Ballinger

edição: Camilla Toniolo

efeitos especiais:Custom Film Effects


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Fonte: Mundomais

HOMOFOBIA

Resposta à Cassandra
Escritora lésbica Hanna Korich diz que prática da violência homofóbica é inaceitável e deve ser repudiada
por Hanna Korich

Não pretendo analisar as origens históricas do horror à homossexualidade, e o parentesco deste preconceito com o racismo e o machismo. Deixo a reflexão para os especialistas. Não posso como homossexual assumida silenciar-me frente aos recentes atos homofóbicos, ocorridos em São Paulo, uma metrópole, dita “civilizada”. Cidade que abriga todos os anos, a maior parada gay do mundo!

É impressionante constatar que, tem gente que acha que a discriminação não existe. Eu como homossexual tenho a certeza que ela existe. Independentemente da orientação sexual, qualquer pessoa sabe que, ocorrem diariamente atos de violência contra as minorias sexuais, em São Paulo.

Basta andar pelas avenidas, ler os jornais, acessar a internet, assistir televisão. Enfim, se você mora em São Paulo, no Brasil, e acompanha minimamente as questões relativas a esses grupos, percebe que a discriminação é flagrante e visível. Algumas notícias publicadas nas últimas semanas nos jornais comprovam os fatos:

Acusados de agressão na Paulista são soltos”. “(...) em dois ataques, a polícia diz haver indícios de homofobia. As vítimas relataram que os agressores diziam para elas: Suas bichas, vocês são namorados”. – Folha de S. Paulo 16/11/2010.

Jovem atacado na Paulista escapou da morte, diz polícia”.

Universidade em São Paulo quer ter o direito de ser homofóbica” – Blog da Folha de S. Paulo 11/11/2010.

Matéria corajosa – Recentemente, o encarte Folhateen, de 1º/11/2010, também publicou uma matéria corajosa, denunciando a homofobia, com o título – “Preconceito Fatal”. No texto, o índice de suicídios entre jovens homossexuais por causa da discriminação. Em um dos casos relatados, o jovem conta que o namorado se matou aos 19 anos, pulando do sétimo andar, porque “achava que não tinha futuro sendo gay”. Afirmo, não só como homossexual, mas como ser humano, que ser gay não é errado! Errado é passar fome, ser explorado, enganado e principalmente ofender e agredir.

O homossexual sofre discriminação, sim! Às vezes, em níveis insuportáveis. Tem gente que ainda acha que os homossexuais não são confiáveis e normais. Tem gente que ainda afirma que a homossexualidade é uma doença! Essas ideias e sentimentos são totalmente equivocados e demonstram ignorância. Eu tenho vizinhos que me dão as costas no elevador, não me cumprimentam. São homofóbicos, sim!

Tenho orgulho de dizer que sou homossexual. Não tenho vergonha, e sei me defender. Esse clima geral de gargalhadas, tipicamente brasileiro, parece liberdade, mas engana. Precisamos denunciar e combater diariamente a homofobia. Ela esta aí, nas escolas, nas ruas, no trabalho, na política e em todos os lugares.

Todos são iguais perante a lei – Ela é o medo, a aversão e o ódio. É a causa principal da discriminação e da violência física, moral ou simbólica contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Todos são iguais perante a lei. Por isso, todos podem e devem ser punidos por discriminação homofóbica.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece que as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Como editora da única editora lésbica da América Latina, a Brejeira Malagueta, não posso deixar de citar duas frases, que me chamaram muita atenção de autoras completamente diferentes no seu tempo e origem, mas tão iguais quanto aos efeitos da discriminação homofóbica, por que eram lésbicas: Cassandra Rios e a inglesa Hadcliffe Hall.

Hadcliffe Hall no romance O Poço da Solidão publicado em 1928 (considerado a bíblia do lesbianismo), a protagonista Stefhen Gordon se dirige a Deus dizendo: “Então, levante-se e nos defenda, reconheça-nos ó Deus, ante o mundo inteiro, dê-nos o direito de existir!

Cassandra com mais de 60 títulos publicados no Brasil. O primeiro em 1948. No romance de 1979, “Eu sou uma lésbica”, cita no último parágrafo: “Eu sou lésbica. Deve a sociedade rejeitar-me?”. Eu respondo à Cassandra: Não! A prática da violência homofóbica é inaceitável e deve ser repudiada.

Viva a diversidade!


Quem é você?
Me envolve com o seu jeito de ser
O seu misterio parece me endoidocer
Essa paixão ainda vai me enloquecer

Diz para mim
O que se esconde por tras desse jardim
Sinto cheiro de flor, de jasmim
Esse desejo no ar diz algo assim
Que você foi feito para mim

Então, quem é você?
Que mal chegou e conseguiu me prender
Seu jeito meigo me faz entorpecer
A minha vida não será nada,
Se eu não tiver você

Mas fala, quem é você?
Desse desejo é que eu quero viver
Essa dúvida me leva ao prazer
Tudo o que quero na vida é me entregar
A você...

Quem é você?

Aquarela brasileira

Leci Brandão

Composição: Silas de Oliveira

Vejam essa maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela
Caminhando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará, terra de Itapuã
De Iracema e Tupã
E fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
Das noites de magia, do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipú
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza, arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do leste, por todo o Centro-Oeste
Tudo é belo e tem lindo matiz
No Rio dos sambas e batucadas
Dos malandros e mulatas
De requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emoldura em aquarela o meu Brasil



Sinopse:

Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a "Sociedade dos Poetas Mortos".

Elenco:

Robin Williams

(John Keating)

Ethan Hawke

(Todd Anderson)

  • Robert Sean Leonard (Neil Perry)
  • Josh Charles (Knox Overstreet)
  • Gale Hansen (Charles Dalton)
  • Dylan Kussman (Richard Cameron)
  • Allelon Ruggiero (Steven Meeks)
  • Kurtwood Smith (Sr. Perry)
  • James Waterston (Gerald Pitts)
  • Norman Lloyd (Sr. Nolan)
  • Carla Belver (Sra. Perry)
  • Leon Pownall (McAllister)
  • George Martin (Dr. Hager)
  • Joe Aufiery (Professor de Química)
  • Lara Flynn Boyle (Ginny Danburry)
Ficha Técnica:

Ficha Técnica

título original:Dead Poets Society

gênero:Drama

duração:2 hr 9 min

ano de lançamento: 1989

site oficial:

estúdio: Touchstone Pictures

distribuidora: Buena Vista Pictures

direção: Sandy Veneziano

roteiro: Tom Schulman

produção: Steven Haft, Paul Junger Witt e Tony Thomas

música: Maurice Jarre

fotografia: John Seale

direção de arte: Sandy Veneziano

figurino: Sandy Veneziano

edição: William M. Anderson e Lee Smith

efeitos especiais:

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Ele com chocolate
Bate logo uma vontade
De deslizar na sua carne
Tateando os meus dedos em zigue-zague

Ele com chocolate
seja de manhã ou de tarde
Só quero saciar essa fome que me bate
Essa chama que encendeia e me invade

Ele com chocolate
Saboroso elixir do milagre
Lutaria por esse sabor mais tarde
Buscaria você no mais profundo vale

Ele com chocolate
Pode ser aqui ou em marte
Essa receita viva vem e me parte
Sua chegada me dividiu um duas partes

Ele com chocolate
Seiva viva vem e me trate
Com o seu néctar puro e cheio de charme
Vem dar um novo rumo a minha eternidade...

Ela com chocolate
Me inspira bobagem
Penso logo em libertinagem
Em fazer amor selvagem

Ela com chocolate
Que loucura me bate
Quero devorar a sua carne
Que loucura essa sacanagem

Ela com chocolate
Reluzante como o sol escarlate
Aquece minha alma de coragem
Como eu queria lamber esse chocolate

Ela com chocolate
penso logo em disparate
Pois sei que o embate
Vai ser conseguir resgate
Para me livrar desse enfarte...

Palpite

Vanessa Rangel

Composição: Vanessa Rangel

Tô com saudade de você
Debaixo do meu cobertor
E te arrancar suspiros
Fazer amor
Tô com saudade de você
Na varanda em noite quente
E o arrepio frio
Que dá na gente
Truque do desejo
Guardo na boca
O gosto do beijo...

Eu sinto a falta de você
Me sinto só
E aí!
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí!
O amor pode acontecer
De novo prá você
Palpite!...

Tô com saudade de você
Do nosso banho de chuva
Do calor na minha pele
Da língua tua
Tô com saudade de você
Censurando o meu vestido
As juras de amor
Ao pé do ouvido
Truque do desejo
Guardo na boca
O gosto do beijo...

Eu sinto a falta de você
Me sinto só
E aí!
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí!
O amor pode acontecer
De novo prá você
Palpite!...(2x)

E aí!
Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí!
O amor pode acontecer
De novo prá você
Palpite!



INTRODUÇÃO

Quando em maio de 1908 tornou-se pública a conclusão a que havia chegado de ser Crisfal um pseudónimo do autor da Menina e moça, com a intenção de demonstrar no volume recentemente dado á estampa: Bernardim Ribeiro (O Poeta Crisfal), tinham o convencimento pleno de que tal nova, divulgada pela imprensa, seria bem acolhida por quantos se interessam pelo estudo da História literária.

Por isso, este trabalho se destina a trazer à luz da temática clássica a vida e obra de um grande nome da poesia desse período: Cristóvão Falcão, possível autor da famosa Écloga Crisfal. Sob o prisma dos elementos do classicismo português serão discutidos os fatores conteudisticos que constituem essa obra, bem como a relação dela com o autor e o momento literário pelo qual foi encandeada a poeticidade da Écloga.

CRISTÓVÃO FALCÃO

Poeta português, natural de Portalegre, supondo-se de ascendência aristocrática e educado na corte portuguesa. Cedo se encontrou envolvido numa complicada situação que o levaria à prisão, por se ter apaixonado por uma jovem com a qual lhe era impossível casar, dado não ter fortuna pessoal. Posteriormente libertado, após o casamento da jovem, entretanto encerrada num convento, foi enviado a Roma por D. João III, numa missão diplomática.

Cristóvão Falcão é considerado o autor mais provável da écloga Trovas de Um Pastor por Nome Crisfal, mas essa autoria permanece ainda hoje como um dos mistérios da história da literatura portuguesa. A écloga, que narra os amores e as desventuras do pastor Crisfal e da pastora Maria, aparece publicada pela primeira vez na edição de 1554 da Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, saída em Ferrara, e acompanhada da seguinte epígrafe: «Écloga de Cristóvão Falcão chamada Crisfal».

Existem várias teses que tentam explicar a autoria da écloga e a biografia do seu autor. Uma dessas teses defende que a autoria da écloga pertence realmente a um Cristóvão Falcão, até pelo seu título, «Crisfal», criptónimo que esconde a identidade do autor e que não é mais que a junção das sílabas iniciais de Cristóvão e Falcão. Para corroborar esta hipótese levantam-se os argumentos de Gaspar Frutuoso, Diogo do Couto, Faria e Sousa e António dos Reis. No entanto, desconhece-se se estes mesmos autores não seriam também eles o eco de uma tradição já lendária.

Há quem defenda, como Delfim Guimarães, que a sua autoria pertence a Bernardim Ribeiro, havendo outros autores que a atribuem a autor desconhecido. Mas a hipótese que parece mais provável é a de ser Cristóvão Falcão o seu autor, até pelas discrepâncias com o estilo de Bernardim Ribeiro. Quanto aos aspectos biográficos, para além dos já mencionados, dos quais, aliás, não há provas seguras, sabe-se ainda que houve um Cristóvão Falcão governador de Arguim.

A escrita de Crisfal poderá estar ligada, conforme vem referido numa carta em verso escrita muito provavelmente pelo autor da écloga, à sua paixão por Maria Brandão. Qualquer que seja a sua autoria, as Trovas de um Pastor por Nome Crisfal, misto de narrativa e poema lírico, são ainda hoje das mais belas páginas bucólicas que a literatura portuguesa produziu.

Écloga (ou ÉGLOGA)

Poema em forma de diálogo ou de solilóquio sobre temas rústicos, cujos intérpretes são em regra pastores. Inicialmente, o termo, que significava "poesia seleccionada", foi aplicado aos poemas bucólicos de Virgílio. A partir daí, aplica-se às pastorais e aos idílios tradicionais que Teócrito e outros poetas sicilianos escreveram. Outros poetas italianos como Dante, Petrarca e Boccaccio recuperaram o género, que acabaria por se tornar um dos preferidos dos poetas renascentistas e maneiristas europeus. A grafia égloga, popularizada por Dante, parte de uma falsa etimologia latina que derivava de aix ("cabra, bode") e logos ("palavra", "discurso", "diálogo"). De acordo com o comentário irónico do poeta inglês Spenser, em "E. K.", terá sido construída para significar qualquer coisa como "Goteheards tales" ("contos de cabreiros").

Luís de Camões, Bernardim Ribeiro, António Ferreira e Sá de Miranda estão entre os muitos poetas portugueses que nos legaram poemas do género. As suas composições seguem os modelos clássicos, não existia até então qualquer teorização portuguesa sobre as éclogas. A rigor, nem os modelos clássicos (Horácio e Diomedes) teorizam em particular sobre a écloga. O que sabemos sobre as regras da écloga advém dos próprios textos. No caso português, só em 1605 Francisco Rodrigues Lobo teoriza sobre o assunto em Discurso sobre a Vida e o Estilo dos Pastores (1605). Os poetas árcades do século XVIII ainda exploram o género tendo mesmo teorizado sobre a écloga, como Dinis da Cruz e Silva. Um dos melhores intérpretes da écloga nesta época é João Xavier de Matos, destacando-se Albano e Damiana (1758).

A écloga clássica parte quase sempre de um quadro idílico, o locus amoenus ou lugar aprazível, e desenvolve com certa brevidade o louvor de uma pessoa, por razões sentimentais, reflecte sobre a condição do poeta e/ou da própria poesia, ou entretém-se com subtilezas políticas ou religiosas. Outro tema clássico das éclogas é o da libertação espiritual, a renúncia aos bens terrenos e sociais para uma total entrega à natureza e aos mais puros ideiais de vida perseguindo a chamada aurea mediocritas. O longo poema de Sá de Miranda conhecido por "Écloga Basto" ilustra este desejo: "Quando tudo era falante / pascia um cervo um bom prado ...".

ÉCLOGA CRISFAL

Écloga editada primeiro anonimamente e posteriormente reeditada em 1554 em conjunto com as obras de Bernardim Ribeiro, na edição de Ferrara. Crisfal é o nome de uma personagem dessa écloga cuja verdadeira autoria é ainda hoje desconhecida. Segundo o editor da edição de Ferrara, seria Cristovão Falcão, pelo fato de o título ser formado das primeiras sílabas do nome e sobrenome do poeta: Cris(tovão) Fal(cão). Autores há que perfilham essa opinião; outros, porém, recusam-na e atribuem a autoria a Bernardim Ribeiro.

É evidente a semelhança entre Crisfal e Menina e Moça, deste último autor. Começa por uma introdução orientando a composição; segue-se um monólogo de Crisfal, o pastor, que dá lugar a uma longa narrativa dos acontecimentos de que foi ator durante um sonho: viaja do Alentejo Litoral até Lorvão; antes de encontrar a amada, a pastora Maria, são narradas a história de Natónio e Guiomar e a história de uma mal-maridada; no fim, o autor retoma a sua voz para concluir. Trata-se, pois, de uma écloga novelesca onde se misturam narrativa e lirismo.

CARACTERISTICAS DA ÉCLOGA CRISFAL

Esta é a obra mais conhecida de Cristóvão Falcão, a ponto de se confundir com o nome do autor. É provável que Crisfal seja um criptónimo de Cristóvão Falcão.

Crisfal, Chrisfal ou Trovas de Crisfal, é uma écloga (poema pastoral) com 1015 versos (no texto do folheto publicado por Oliveira Santos e editado por Cohen; vide infra) que conta a história dos jovens pastores Maria Brandão e Crisfal, que se amam desde a infância, mas são separados porque os pais da jovem a levam para um lugar distante.

Escrito em harmoniosa redondilha maior, é talvez o mais expressivo exemplo da adaptação da poesia bucólica grega e latina à sensibilidade portuguesa». É um poema impregnado de saudade, de emoções ternas e puras, glorificadas em versos escritos numa linguagem directa, mas de timbre requintado, onde perpassa uma sensualidade picante e um realismo por vezes atrevido. A obra colocou o Cristóvão Falcão numa posição única na literatura portuguesa e teve uma influência considerável em poetas posteriores, nomeadamente Camões.

ELEMENTOS CONTEUDISTICOS

1
Antre Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n'água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor
se amarom
como males lhe causarom
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidarom.

2
A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele tam mal merecia.
Sendo de pouca idade,
não se ver tanto sentiam,
que o dia que não se viam,
se viam na saudade
o que ambos se queriam.

3
Alguas horas falavam,
andando o gado pascendo,
e então se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
piquena, tinha cuidado
de guardar milhor o gado
o que lhe Crisfal dezia;
mas, em fim, foi mal
guardado;

4
Que, depois de assi viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana, outra pastora,
que a Crisfal queria bem;
(mas o bem que de tal vem
não ser bem maior bem fora,
por não ser mal a ninguém).

5
A qual, logo aquele dia
que soube de seus amores,
aos parentes de Maria
fez certos e sabedores
de tudo quanto sabia.
Crisfal não era então
dos bens do mundo abastado
tanto como do cuidado;
que, por curar da paixão,
não curava do seu gado.

Será ainda possível o arrebatamento estético pela linha do exotismo regional? E que espécie de exotismo resistirá depois que a globalização pôs o mundo todo à nossa disposição? Ali, à exacta distância de um clique? É – responderei –, pese embora o termos que procurá-lo em dois tempos (im) possíveis: no passado ou, mais esforçadamente, no futuro. Que quem o quiser no amanhã, outro remédio não tem, senão descobri-lo na literatura de antecipação, a ficção científica. E quem o preferir pretérito, há-de recorrer às matrizes originais, subterradas no passado, como na Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, ou na Crisfal, de Cristóvão Falcão, por exemplos.

Depois, como a irremediabilidade característica que assiste ao inevitável, constatar-se-á que o discurso literário actual nasceu da narrativa oral, e que a nossa história antes de escrita foi falada até nos fadar naquilo que somos. De quanto nele é possível observarmos o palimpsesto da oralidade, de tal modo, que apetece lê-lo em voz alta só para nos ouvirmos dizendo-a, à medida que a vamos vivendo. Cair na magia da palavra dita, sussurrada ao canto da lareira, sob o dançar fantasmagórico das sombras que as chamas activam e despertam. Que era como se refazia o sonho, se transmitia a moral, os costumes e as ideias, se compunha a noção de beleza e de liberdade, dando-lhe por cercadura os lintéis da vontade, dos valores, da honra, afecto e glória. Porque era com eles, que as gentes edificavam as portas prà vida, com que os homens eram esculpidos, talhados, determinados, programados, no heroísmo de sobreviverem sendo felizes. E fieis. Principalmente fiéis, ao seu amor, ou à sua rainha – deusa, dirão alguns, a quem a veia mística ainda não fez perder o tino.

Porque das éclogas se conta pouco, quando foi muito o seu cantar, neste recanto onde o pastoreio se fez, sobretudo, com rebanhos do sonhar. E, "no que toca à substância das ideias, ao temperamento", afiança Rodrigues Lapa, "aquela espécie de pudor que se nota nas éclogas de Bernardim Ribeiro, deu lugar, no Crisfal, a uma sensualidade picante, dum realismo por vezes atrevido. Em meio dos seus queixumes e desfalecimentos, sentimos que Crisfal é um homem que luta e sabe gozar a vida." Alguém de Portus Alacer.

Ficando, adianta ele no seu prefácio, "pois demonstrado, sem sombra de dúvida, a nosso ver, que foi Cristóvão Falcão de Sousa, fidalgo de Portalegre, o autor da écloga Crisfal e da carta em verso. As outras hipóteses apresentadas, em torno da questão, não têm fundamento, uma, de Patrocínio Ribeiro, formulada em 1917, pretendeu ver no poema uma composição de Luís de Camões, e no entrecho a narração dos amores de Jorge Silva pela infanta D. Maria. É um produto daquela imaginação delirante, que estraga muitas vezes o crítico em Portugal. A outra, apresentada em 1940 pelo professor António José Saraiva, supõe o Crisfal como composto por Bernardim Ribeiro, em torno dos amores de Cristóvão Falcão.

Além de tudo quanto se tem dito sobre as circunstâncias da vida e particularismos de estilo, não é razoável figurarmos um homem como Bernardim, já velho, torturado pelo seu drama pessoal, de que só sabia falar, metido a celebrante de amores escandalosos de um rapaz. Isto “admitindo mesmo que Bernardim Ribeiro estivesse em estado mental de fazê-lo, o que era duvidoso.” Por mim, confesso-me suficientemente elucidado. Quanto aos demais, experimentem lê-los, a ambos, e depois avaliem sobre a justeza desta paternidade.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O AUTOR E OBRA

Fidalgo e poeta do século XVI, de seu nome completo Cristóvão Falcão de Sousa. Filho de João Vaz de Almada Falcão, cavaleiro com fama de grande honradez, que serviu como capitão da Mina, e de D. Brites Fernandes. Teve dois irmãos, Barnabé de Sousa e Damião de Sousa. Em 1527 era morador na Casa Real.

Sendo ainda mancebo apaixonou-se por uma moça, mais nova do que ele, que não tinha idade canónica. Casou clandestinamente e a esposa foi enviada para o convento de Lorvão e ele encarcerado por intervenção do seu pai. Saído do cárcere, D. João III confiou-lhe uma missão particular, ligado ao caso do bispo de Viseu, D. Miguel da Silva, que fugira de Portugal em 1540 contra vontade do rei, dirigindo-se a Roma, para o Papa lhe conceder o cardinalato. Para punir o bispo, o monarca pensou em utilizar a influência do embaixador de Carlos V na corte pontifícia, o marquês de Aguilar, de quem Cristóvão Falcão era primo.

Regressado de Itália foi despachado, a 31 de Março de 1545, como capitão para a fortaleza de Arguim, na ilha da costa da Guiné, onde havia uma feitoria destinada ao comércio com o interior de África. Supõe-se que veio a casar com Isabel Caldeira. Desta mulher não teve filhos, mas da outra teve um bastardo com o mesmo nome, que veio a exercer as funções de capitão da Madeira.

CONCLUSÃO

As considerações retratadas nesse trabalho serviram unicamente para enaltecer a poesia do classismo, bem como as contribuições que esta deixou na cultura poética da pós-modernidade. Além disso, foi trazido á tona o nome de poetas como Cristóvão Falcão, ainda desconhecido em sua essência literária.

Dessa forma, espera-se que os conhecimentos aqui dispostos sirvam para que pesquesas mais aprofundadas surjam no que tange a temática clássica e todo o seu rico legado para a poesia moderna. Da mesma forma, que os autores desse período sejam enaltecidos e estudados, para que a humanidade sinta a poeticidade das palavras dos artistas que compuseram esse rico periodo da literatura portuguesa.